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A. Delil Sözleşmesinin Bazı Medeni Yargılama İlkeleri Bakımından

1. Tasarruf İlkesi

De forma bastante expressiva e consistente, os sujeitos da pesquisa falam sobre os fenômenos de continuidade e fechamento dos mercados de pequeno porte privilegiando os motivos de abertura dos mesmos. A síntese gráfica deste tema é apresentada na figura 17.

Como expresso nas falas apresentadas no Quadro 5, tomando as narrativas como uma totalidade, tem-se que a unidade de sentido necessidade emerge de maneira significativa como um dos Motivos de Abertura de seus negócios. A lógica que permeia o discurso dos entrevistados é de atender as suas necessidades pessoais (F1 e F2). Por um lado, eles demonstram que abrir um mercado de pequeno porte é uma alternativa para a família melhorar de vida (F1); e por outro lado, também se faz presente nos

Figura 17 - Dimensão empírica: Motivos de Abertura Fonte: elaboração própria, dados da pesquisa (2011)

discursos a idéia de abrir o próprio negócio como alternativa para o desemprego, como bem exemplifica a história de vida de Luis Otávio (F2). Este caso ilustra a ligação da revalorização dos pequenos e médios negócios, na década de 90, aos processos de privatização e reestruturação dos grandes negócios, no cenário socioeconômico brasileiro, onde os pequenos e médios aparecem como alternativa para diminuir o índice de desemprego provocado por esses processos.

O discurso dos entrevistados tende a sustentar a idéia de que ter um negócio próprio é a melhor alternativa para satisfazer as necessidades financeiras (F1 e F2). Assim, a unidade de sentido necessidade coloca a dimensão material no centro dos

motivos de abertura de seus pequenos negócios.

Falas estruturantes

F1. [...] A gente começou assim, eu acho que foi até assim por necessidade. A gente vivia numa situação assim meio complicada. [...] Na realidade a gente era assim muito pobre. Praticamente não tinha nem, dependia da ajuda assim de tios, por parte dos irmãos da minha mãe. Ai a gente teve a iniciativa de começar com uma mercearia, certo? Ai a gente começou com essa mercearia, com a ajuda deles que montaram que é até que a gente tá hoje aqui. Era uma mercearia que antigamente chamava de bodega, né. Jorge Gabriel

F2. [...] No caso, porque é o seguinte, quando a gente sai de banco todo mundo tentava botar um comércio no caso, né, meus colegas, e meu irmão já tinha trabalhado em banco também e tinha um mercadinho. Ele colocou um mercadinho e deu certo, né. E eu também por se espelhar nele também. E botei um também. (risos). Luis Otávio

Quadro 5– Tema Motivos de Abertura (Unidade de sentido: NECESSIDADE) Fonte: Elaboração própria, dados da pesquisa (2011)

Também integra de maneira contundente o tema Motivos de Abertura a unidade de sentido contingência, conforme fala apresentada no Quadro 6. Enquanto com freqüência a intencionalidade apresenta-se como uma característica de quem decide abrir um negócio, é interessante observar que uma eventualidade pode se tornar também motivo de abertura. Diferentemente de todos os motivos apontados pela maioria dos entrevistados, esse sujeito tornou-se proprietário de um mercado de pequeno porte em razão de um “acerto de contas” com o seu ex-proprietário (F3).

Falas estruturantes

F3. [...] esse supermercado eu arrumei com, emprestando dinheiro lá, o ex-dono daqui, seu Gregório. E foi preciso pegar esse supermercado. Porque ele ficou devendo no banco [...]. Juan Carlos

Quadro6– Tema Motivos de Abertura (Unidade de sentido: CONTINGÊNCIA) Fonte: elaboração própria, dados da pesquisa (2011)

Finalmente, o tema motivos de abertura é também integrado pela unidade de sentido oportunidade, conforme falas do Quadro 7. Tomando as narrativas como uma

totalidade, percebe-se que a identificação de oportunidades de negócio pode ser inesperada, como também planejada (F4, F5 e F6). Os entrevistados apontam múltiplos sentidos de oportunidade, desde aspectos econômicos (F4), a experiência anterior (F5) e a necessidade dos consumidores (F6). A lógica que permeia o discurso dos entrevistados é que abrir um pequeno mercado seria uma boa oportunidade de negócio diante do cenário político-econômico que o país vivenciava (F4). Também se faz presente nos discursos a idéia de que a experiência no setor é um forte motivo para se tornar proprietário de um mercado de pequeno porte (F5). Os entrevistados também buscam sustentar o motivo de abertura através da identificação de oportunidades de negócio que não estavam disponíveis ao consumidor (F6).

Falas estruturantes

F4. [...] imaginei a ideologia de colocar um supermercado. [...] nós estávamos numa economia galopante. [...] a democracia estava dando certo, o plano de José Sarney tava começando a funcionar e eu peguei uma época boa da economia. Carlos Augusto

F5. Nisso meu sogro, Feliciano tava vendendo já o prédio [...] ai me ofereceu se eu queria comprar, que eu já conhecia que já tinha passado muito tempo aqui, e ficou então, deixa eu vender o caminhão e ai ficamos. [...] E seu Feliciano disse: “fica lá com o prédio, eu tenho um comprador pro seu caminhão e

vendo seu caminhão e você me paga, você me paga, me paga e me paga a mercadoria”. É seu Feliciano,

tá feito. Antônio Timóteo

F6. E eu cheguei à conclusão que todo mundo passa sem nada, mas ninguém passa sem comer, isso é o obvio, é a coisa mais simples. [...], o que é que eu vou vender a princípio? Ah, eu vou vender produtos artesanais, coisas do sertão que eu via que o pessoal na época valorizava muito e num sei o quê. Clara Maria

Quadro 7 – Tema Motivos de Abertura (Unidade de sentido: OPORTUNIDADE) Fonte: elaboração própria, dados da pesquisa (2011)

Diante desses motivos de abertura dados pelos sujeitos, algumas reflexões teóricas são possíveis. As narrativas apresentam uma orientação completamente voluntarista em nível micro, onde as decisões e ações de cada proprietário foram determinantes tanto para a abertura dos seus mercados como para a construção e alteração do ambiente dos mercados. Por exemplo, a unidade de sentido oportunidade se apresenta diretamente relacionada com a visão de escolha estratégica. Percebe-se que os motivos de abertura desses mercados são representados na forma de incorporação dos sentidos e das ações dos proprietários, assim como defende a visão de escolha estratégica (BARNEY; HESTERLY, 2004; ASTLEY; VAN DE VEN, 2007; MOTTA; VASCONCELOS, 2008).

Em relação à unidade de sentido contingência, apresentado na história de Juan Carlos, parece que o motivo de abertura tornou-se oportunidade diante de suas as

escolhas. Nesse caso, uma possível inferência é que ele tornou-se proprietário de mercado por uma eventualidade, mas as ações dele de continuar com o negócio para passar para o sobrinho apontam para a unidade de sentido oportunidade, pois ele poderia ter escolhido vender o comércio imediatamente quando o recebeu como pagamento da dívida. Assim, a contingência da abertura parece ter sido tomada por ele como uma oportunidade de negócio.