BULGULAR VE YORUMLAR
6.1. Tartışma ve Sonuç
Alterações nos constituintes do líquido sinovial podem refletir eventos fisiológicos da cartilagem articular e de outros componentes articulares, bem como eventos relacionados a enfermidades osteocondrais. Particularmente em relação à avaliação do estresse oxidativo através de biomarcadores no líquido sinovial, os resultados são conflitantes e ainda escassos.
A redução da SOD tem sido documentada como um dos achados mais precoces no líquido sinovial de articulações de portadores de OA, associada à presença de citocinas inflamatórias, como o TNF-α. (AFONSO et al., 2007; GÜVEN et al., 2007; SCOTT et al., 2010). A atividade da SOD é um componente chave na proteção das células e da MEC cartilagínea contra os efeitos do radical superóxido e de seus derivados. (AFONSO et al., 2007). A SOD extracelular é o principal captador de radicais livres nos espaços e fluidos extracelulares e R
egan
et al. (2008) demonstraram concentrações diminuídas desta enzima nos estágios mais avançados da OA, quando comparadas às de articulações que havia sofrido trauma agudo, mas onde não havia ocorrido dano cartilagíneo. Enquanto a articulação que sofreu injúria recente pode ser capaz de aumentar ou manter a secreção de SOD, parece que a articulação nos estágios mais avançados da OA não é capaz de fazê-lo, a despeito do aumento do estresse oxidativo verificado nesta situação. Agravando o problema, o declínio na produção de glutationa e ascorbato, associados à depleção de sistemas antioxidantes e à idade, podem ser fatores potencializadores da ocorrência de baixas concentrações de SOD. Asomatória dos efeitos das alterações observadas nestes sistemas antioxidantes do líquido sinovial acelera os efeitos deletérios das EROs sobre a estabilidade da MEC. (REGAN et al., 2008).
A análise do líquido sinovial de articulações acometidas por OA, na espécie humana, não mostrou diferenças em relação às concentrações de TBARs, ferro e GSH, quando comparada a de articulações que haviam sofrido trauma articular. Também não houve diferença entre as atividades das enzimas GPx e SOD, e apenas a concentração de vitamina E foi menor nas articulações afetadas pela OA, indicando que esta vitamina possa ser útil no tratamento destes pacientes (SUTIPORNPALANGKUL et al., 2009).
Já em pacientes diagnosticados com OAPT de joelho, quase todos os sistemas antioxidantes enzimáticos dosados (ZnCuSOD, MnSOD, GPx, glutationa redutase e glutationa S- transferase) apresentaram-se ativados, com exceção da CAT. A s concentrações de MDA não se mostraram diferentes no líquido sinovial das articulações afetadas pela OAPT e naquelas acometidas por outras enfermidades. A viscosidade do líquido sinovial mostrou-se marcadamente reduzida no grupo que apresentou hemartrose (OSTALOWSKA et al., 2006; OSTALOWSKA et al., 2007).
O líquido sinovial de articulações metacarpo-falangeanas de equinos acometidos por OA não mostrou evidência de dano oxidativo à proteínas e lipídeos, com concentrações inalteradas de proteína carbonil e MDA, respectivamente, quando comparadas às dos controles. A concentração de grupos proteína carbonil apresentou-se discretamente aumentada, mas não significativamente. As articulações de equinos acometidos por OA apresentaram potencial antioxidante total de ligação radical (TRAP) aumentado, provavelmente relacionado à participação de outros componentes diferentes das proteínas, grupos sulfidril ou ácido úrico nos tecidos articulares em degeneração. (VILLASANTE et al., 2010). Dimock, Siciliano e McIlwraith (2002) encontraram concentrações elevadas de proteína carbonil no líquido sinovial de articulações acometidas por OA e OC, com concentrações maiores de EROs nos equinos jovens acometidos por OC, em comparação com equinos sãos. Daix et al. (2007) também encontraram concentrações elevadas de proteína carbonil e de 8-isoprostano no líquido sinovial de articulações equinas acometidas por OA.
Por outro lado, Murray et al. (2009) não encontraram evidências de estresse oxidativo no líquido sinovial de articulações equinas acometidas por OA, nem em equinos mais idosos, e também não evidenciaram comprometimento da capacidade antioxidante total no líquido
sinovial, quando analisaram as concentrações de ácido ascórbico, dehidroascorbato, ácido úrico, glutationa, α- tocoferol e TBARs.
2.4.9 Sistemas de defesa antioxidante da cartilagem
O aumento da vulnerabilidade a concentrações elevadas de EROs está relacionado à perda substancial de condrócitos, dados os efeitos citotóxicos destas espécies reativas sobre as células da cartilagem (JALLALI et al., 2005). Para prevenir estes efeitos, os condrócitos possuem um sistema de defesa antioxidante enzimática bem coordenado, formado pela SOD, CAT e GPx (HENROTIN; KURZ; AIGNER, 2005). No entanto, as interleucinas, particularmente a IL-1 β e a IL-6, provocam desregulação do sistema de defesa enzimático antioxidante nos condrócitos. Estas alterações podem levar a um acúmulo de peróxido de hidrogênio nas células, e consequente ao dano aos condrócitos e suas organelas, frequentemente observados na OA (MATHY-HARTERT et al., 2008).
Condrócitos de suínos expostos ao peróxido de hidrogênio ou a neutrófilos ativados apresentaram atividade aumentada de SOD (BORSICZKY et al., 2003). O aumento da atividade da SOD também foi registrado em in vitro, em condrócitos de bovinos, em modelo de indução de estresse mecânico por estiramento tênsil cíclico (YAMAZAKI et al., 2003).
Na cartilagem humana afetada pela OA os níveis de SOD extracelular mostraram ser quatro vezes menores do que os observados em cartilagem de indivíduos que haviam sofrido fratura de bacia, demonstrando que as concentrações de SOD estão diminuídas na cartilagem de pacientes afetados pela OA e que a depleção dos sistemas antioxidantes está associada à sua progressão (REGAN et al., 2005). Este achado foi confirmado em modelo animal, onde a redução da SOD estava associada aos estágios iniciais da OA e ao aumento das concentrações de EROs (SCOTT et al., 2010). Já os níveis de SOD intracelular (MnSOD) encontraram-se aumentados pela ação de citocinas, em culturas de condrócitos humanos, proveniente de cartilagem acometida por OA (MAZZETTI et al., 2001)
Condrócitos de cães expostos ao peróxido de hidrogênio apresentaram diminuição da atividade da SOD e da concentração de GSH. O tratamento dos condrócitos com o antioxidante N-acetilcisteína aumentou a atividade da SOD a níveis comparáveis aos dos condrócitos não expostos ao peróxido de hidrogênio, e induziu a um aumento significativo da