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2. BALDUR OYĠANĠAN ÂDEM ROMANININ İNCELEMESİ

2.8. ANLATIM TEKNİKLERİ

2.8.3. Metin Ekleme Tekniği

2.8.3.1. Tarihi Belge

Quais os limites da abordagem do desenvolvimento endógeno e das estratégias e políticas de desenvolvimento local nele inspiradas?

Esteva (2000, p. 71) defende que a ideia de desenvolvimento endógeno é contraditória, pois se o impulso fosse verdadeiramente endógeno, ou seja, se as iniciativas levassem em consideração as especificidades de cada país, se originassem nas várias culturas, “nada nos levaria a crer que dessas fontes necessariamente brotaria o desenvolvimento – seja qual fosse sua definição [...]”. Assim, “se seguida à risca, essa concepção conduziria à dissolução da

própria noção de desenvolvimento, no momento em que ficasse evidente a impossibilidade de impor um modelo cultural único no mundo inteiro [...]”.

Há muitas críticas à abordagem do desenvolvimento endógeno, das quais compartilhamos e julgamos importante pontuar.

Antes de tudo, cabe considerar que, conforme apontou Souza (2009) em sua reflexão sobre os limites do território, este não é dado a priori, e deve ser compreendido como uma síntese de expressão de poder dos agentes e dos sujeitos econômicos que o constituem, a fim de que perspectivas espaciológicas não o tomem como sujeito, em detrimento dos sujeitos históricos que o produz.

Souza (2012) também considera que as perspectivas endógenas, de localismos, normalmente não resultam de processos democráticos e igualitários de desenvolvimento e geram determinações territoriais que se revelam em “negação” do espaço urbano enquanto espaço de cidadania e de direitos, produzindo dimensões tais como: a) clientelismo urbano, dadas as estratégias de privatização do poder local e sua capacidade de cooptar as lideranças locais para um projeto exclusivista e privatista; b) corporativismo, dada a segmentação social no uso da cidade, determinando as formas específicas de sociabilidade entre classes, mediada pelos tipos e pelas qualidades dos serviços públicos; c) patrimonialismo, centrado nas ações de apropriação e funções dos espaços urbanos realizadas por incorporadoras, empreiteiras e construtoras; d) empresariamento urbano, na forma de estruturação das cidades à lógica e à sociabilidade da mercadoria, caracterizando de públicos os serviços de caráter privado e apropriando o espaço público com vivências e sociabilidades específicas, por exemplo, os shopping centers.

Arantes (2011) faz uma crítica à chamada cidade-empresa-cultural, da qual emerge o planejamento estratégico de cidade, que a enxerga como uma máquina empresarial de crescimento, uma máquina urbana de produzir renda, e preconiza a busca de sua competitividade, de crescimento econômico a qualquer custo, por meio do empenho dos agentes (despertando neles um patriotismo de cidade) e pela adoção de grandes projetos urbanísticos, que a faça parecer moderna para torná-la mais atraente ao capital. Para a autora, isto representaria a armadilha clássica do subdesenvolvimento (a modernização sem desenvolvimento, isto é, sem homogeneização social), a velha dualidade brasileira.

Ainda afirma a autora que, no contexto da grande heterogeneidade social de um país subdesenvolvido como o Brasil, não parece plausível alguém imaginar um governo de cidade que se limite a agenciar negócios, muito menos que se sinta à vontade propondo uma corrida competitiva.

É sabido que, num sistema cuja essência é a polarização e a permanente reinvenção das hierarquias, simplesmente não podem todos “vencer” – ou se “desenvolver”, para ficar no eufemismo – ao mesmo tempo, como aliás se pode ver no modo como vem sendo reproduzida a estratificação da economia mundial, e nela justamente a expansão altamente desigual da rede de cidades (ARANTES, 2011, p. 68).

Vainer (2011) tenta mostrar que o discurso do planejamento estratégico urbano se estrutura sobre a paradoxal articulação de três analogias constitutivas: a cidade é uma mercadoria, a ser vendida num mercado extremamente competitivo, em que outras também estão à venda, com os prefeitos mais parecendo vendedores ambulantes que dirigentes políticos; é uma empresa, que compete com outras cidades para atrair investimentos, resumindo-se a uma unidade de gestão e de negócios, com a participação direta, sem mediações, dos capitalistas e empresários nos processos de decisão; e a cidade é uma pátria, que supõe a necessidade de uma consciência de crise e de um patriotismo de cidade, que sustentam o projeto ideológico do planejamento estratégico.

Segundo o autor, a cidade empresa-pátria-mercadoria desembocaria na “eliminação da esfera política local, transformada em espaço do exercício de um projeto empresarial encarnado por uma liderança personalizada e carismática”, conduzindo “à destruição da cidade como espaço da política, como lugar de construção da cidadania” (VAINER, 2011, p. 98).

Maricato (2011) também alerta para o risco da incorporação do que chama de modismos, tais como cidades mundiais, cidades globais, cidades estratégicas, planejamento estratégico, distritos, redes, polos e nós, e também do plano de obras, que utiliza a arquitetura como publicidade, os distritos de crescimento endógeno, os clusters, propostas que visam, sobretudo, a atrair mais investimentos.

Mas, o que se quer questionar é mais a forma como esses conceitos são incorporados pelas instituições e pela sociedade brasileira do que a essência dos mesmos. Algumas propostas são bastante interessantes e constituem fonte de lições quando o distanciamento crítico não é ignorado. A crítica ao planejamento modernista carrega o risco de ajudar a mover o moinho das ideias neoliberais de flexibilização e da desregulamentação. Porém, o que é necessário evitar é a importação de ideias desvinculadas da forma contraditória, desigual e predatória ao meio ambiente, com que evoluem as cidades brasileiras (MARICATO, 2011, p. 172).

Um questionamento sobre a viabilidade prática das teorias do desenvolvimento endógeno é feito por Brandão (2004), que alerta para o que chama de endogenia exagerada, ou de pensamento único localista.

Segundo o autor, nos últimos anos, o debate sobre desenvolvimento local foi invadido pela concepção de que houve uma destruição das escalas intermediárias (regional e nacional), restando apenas o global e o local, sendo que este último teria controle sobre seu próprio destino, de modo a consolidar um novo padrão de desenvolvimento dependente apenas da força de vontade dos agentes empreendedores, que mobilizariam as potências endógenas de qualquer localidade.

Para ele, este paradigma negligencia a política, os conflitos, as classes sociais, o papel da ação estatal, a Nação, as questões estruturais do país e a própria natureza das hierarquias do capitalismo, para apostar na vontade dos atores sociais, materializada em empreendedorismos, governança local, comitês/consórcios de desenvolvimento, etc.

Ainda segundo o autor, muitos trabalhos de desenvolvimento endógeno analisam as vantagens das aglomerações produtivas como geradoras de conhecimento, competitividade e, finalmente, de desenvolvimento; porém, negligenciam que o comando maior destes processos está fora do espaço sob análise. Por exemplo: a) os preços fundamentais de uma economia (juros, câmbio, salários), condição primária para moldar as decisões dos agentes localizados no território, são determinados pelo governo central, portanto fora do controle do âmbito local; b) os sistemas produtivos locais estão sob o poder das unidades oligopólicas dominantes e do capital financeiro, fora também do controle local.

Grande parte da linha do desenvolvimento endógeno estaria exagerando na capacidade endógena de uma região engendrar um processo virtuoso de desenvolvimento, subestimando os enormes limites colocados à regulação local. É a divisão social do trabalho, imposta pelo capitalismo, que deveria ser a “categoria explicativa básica da investigação da dimensão espacial do desenvolvimento, uma vez que permeia todos os seus processos, em todas as escalas” (BRANDÃO, 2004, p. 63).

Le Galès (2003), citado por Vale (2007, p. 5), segue lógica semelhante ao questionar o protagonismo das cidades, perguntando “até que ponto as dinâmicas das cidades estão cada vez mais desconectadas do Estado-nação e em especial do Estado-providência”.44

44 Milton Santos, antes do aparecimento do desenvolvimento endógeno, escreveu o que pode ser uma crítica

atual a este paradigma, enfatizando fatores externos, que escapam ao controle da cidade, como determinantes de sua evolução: “A cidade não tem poder para forçar a evolução regional de que depende o seu próprio desenvolvimento. As possibilidades de evolução regional são criadas fora da região e da cidade, de acordo com

Benzer Belgeler