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2. BALDUR OYĠANĠAN ÂDEM ROMANININ İNCELEMESİ

2.7. Sosyal Zemin ve Romana Yansıması

Por considerar que o desenvolvimento endógeno é capaz de viabilizar uma resposta local aos desafios da globalização, Vázquez Barquero (2001, p. 29) considera esta teoria “um instrumento para a ação”.

No Brasil, o prestígio do desenvolvimento endógeno abriu caminho para uma série de políticas, estratégias e experiências práticas voltadas à promoção/indução do desenvolvimento, em regiões e cidades. Por exemplo, Pires et al. (2011) estudaram algumas modalidades de governança territorial – tais como Arranjos Produtivos Locais, Circuitos Turísticos, Comitês de Bacias Hidrográficas, Câmaras Setoriais e Conselhos Regionais de Desenvolvimento (COREDES) –, reconhecida pelos autores como o novo “piloto” do desenvolvimento econômico e social descentralizado.

A seguir, uma breve descrição de algumas destas estratégias:

a) O conceito de Arranjo Produtivo Local (APL) é inspirado no Distrito Industrial e no cluster e, embora gere controvérsias no meio acadêmico pela carência de uma definição precisa, já tem ampla aceitação como referência de política pública, no Brasil (PIRES et al. 2011). Pode ser definido como:

[...] aglomerações territoriais de agentes econômicos, políticos e sociais - com foco em um conjunto específico de atividades econômicas - que apresentam vínculos mesmo que incipientes. Geralmente envolvem a participação e a interação de empresas - que podem ser desde produtoras de bens e serviços finais até fornecedoras de insumos e equipamentos, prestadoras de consultoria e serviços, comercializadoras, clientes, entre outros - e suas variadas formas de representação e associação. Incluem também diversas outras instituições públicas e privadas voltadas para: formação e capacitação de recursos humanos (como escolas técnicas e

41 It’s a mantra of the age of globalization that where you live doesn’t matter: you can telecommute to your high-

tech Silicon Valley job, a ski-slope in Idaho, a beach in Hawaii or a loft in Chicago; you can innovate from Shanghai or Bangalore. According to Richard Florida, this is wrong. Place is not only important, it’s more important than ever.

universidades); pesquisa, desenvolvimento e engenharia; política, promoção e financiamento (CASSIOLATO; LASTRES, 2003).

No Brasil, desde a segunda metade da década de 1990, o APL foi introduzido no imaginário empresarial, técnico e administrativo, passando a ser utilizado por universidades e governos como uma nova instância de organização e institucionalização do planejamento e do desenvolvimento territorial, tornando-se uma referência espacial e territorial obrigatória para as novas estratégias dos agentes públicos e privados (PIRES, 2006).

As políticas públicas federais e estaduais voltadas ao desenvolvimento de cidades centraram-se no incentivo à criação/promoção de APLs. Por exemplo, desde 2004, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) possui grupo de trabalho permanente para APLs (GTP-APL) que, em 2005, identificou 957 arranjos pelo País (BRASIL, 2013a). Também em 2004, o governo de São Paulo reconheceu os APLs como relevantes para o desenvolvimento econômico sustentável e, desde 2009, possui um Programa Estadual de Fomento aos APLs, apontando 24 Arranjos e 22 aglomerados produtivos no Estado (SÃO PAULO, 2013)42;

b) A Indicação Geográfica implica a obtenção de um selo de Denominação de Origem para os produtos agrícolas ou alimentícios fabricados localmente, objetivando qualificar e agregar valor à produção local, tornando a região competitiva e articulada com os circuitos nacionais e internacionais de comércio. A Denominação pressupõe a delimitação do território, onde produção, controle de qualidade, base tecnológica, qualificação profissional, marketing, critérios de produção e elaboração e práticas culturais, reunidos numa marca, garantem a especificidade da região, diferenciando-as de outras regiões produtoras. A Denominação de Origem existe na Europa desde a década de 1970, cujo exemplo maior são os vinhos de Portugal, Espanha, França e Itália. No Brasil, a prática iniciou-se nos anos 2000, com o Vale dos Vinhedos, na Serra Gaúcha, produtora de vinhos finos, e o Café do Cerrado, em Minas Gerais (CALDAS; CERQUEIRA; PERIN, 2005);

c) O Planejamento Estratégico de Cidades, ou Planejamento Estratégico Urbano, é definido por Lopes (1998) como um plano de ação, formulado a partir do consenso e do compromisso de atores públicos e privados, definindo projetos tangíveis e intangíveis (diferindo do Plano Diretor, cujo objetivo é apenas o ordenamento urbano da cidade).

O planejamento estratégico de cidades surgiu no final da década de 1980, inicialmente nos EUA e na Europa, e posteriormente na América Latina, sendo o Rio de Janeiro a primeira

42 De Sordi e Meirelles (2012, p. 782) distinguem os conceitos de arranjos e aglomerados, mas lembram que o

cidade a promovê-lo (LOPES, 1998). Seu objetivo é “tornar as cidades polos atrativos de atividades econômicas que lhes garantam crescimento econômico, produtividade, competitividade e autossustentação. Similar aos ensinamentos das ações estratégicas nas empresas, as cidades são concebidas como atores econômicos que encontram na lógica do mercado o modelo de planejamento e execução de suas ações” (DURIGUETTO, 2007, p. 5).

Dado o menor poder interventivo dos Estados Nacionais frente à maior mobilidade do capital trazida pela globalização, as cidades devem assumir um papel mais independente na formulação e na implantação de seu desenvolvimento, inserindo-se nos fluxos econômicos globais (LOPES, 1998; DURIGUETTO, 2007).

Castells e Borja (1996) defendem que o planejamento parta da somatória de três fatores: a) sensação de crise aguda pela conscientização da globalização da economia; b) negociação entre atores públicos e privados e geração de liderança local (política e cívica); c) vontade/consenso para que a cidade dê um salto adiante.

E, a partir daí, o papel do governo local seria de: a) promover a cidade para o exterior, desenvolvendo uma imagem forte e positiva apoiada numa oferta de infraestruturas e de serviços (comunicações, serviços econômicos, oferta cultural, segurança, etc.) que exerçam a atração de investidores, visitantes e usuários; b) favorecer a cooperação público-privada para a promoção da cidade e para a realização de obras e serviços necessários; c) dotar os habitantes de patriotismo cívico, de sentido de pertencimento, de vontade coletiva de participação e de confiança e crença no futuro da urbe. “Esta promoção interna deve apoiar-se em obras e serviços visíveis, tanto os que têm um caráter monumental ou simbólico como os dirigidos a melhorar a qualidade dos espaços públicos e o bem-estar da população” (CASTELLS; BORJA, 1996, p. 160).43

Arantes (2011) aponta que Barcelona, embora não tenha sido a precursora, tornou-se a referência do planejamento estratégico de cidades, impulsionada pelos investimentos, obras, edificações e marketing relacionados às Olimpíadas de 1992, que construíram uma imagem prestigiosa da cidade.

No Brasil, outra estratégia adotada pelos governos municipais, visando à atração de empresas, é o oferecimento de incentivos fiscais (isenção/redução de impostos). Esta ação pode ser considerada um desvirtuamento do paradigma do desenvolvimento endógeno, uma

43 Insere-se nesse contexto o denominado City Marketing, que visa a valorizar a imagem da cidade, tanto aos

olhos de seus próprios moradores quanto para os investidores externos, obtido, segundo Duarte, Ultramari e Czajkowski (2008), mais pelo trabalho de equipes técnicas qualificadas, apoiadas pelo empresariado e mídia local, do que pela real melhoria no padrão de vida das populações. Curitiba, na década de 1990, tornou-se paradigmática como um modelo de administração inteligente e criativa, pela adoção de práticas de city

vez que a busca/impulso às atividades econômicas não se dá a partir da valorização dos atributos/recursos do território. Ao mesmo tempo, simboliza a própria renúncia da ação planejadora do Estado central, acabando por provocar a chamada Guerra Fiscal entre municípios e estados brasileiros – segundo Rodríguez-Pose e Arbix (1999), causadora de desequilíbrios e desperdício de recursos públicos.

Dentro deste contexto em que as cidades adotam estratégias de diferenciação em relação às outras, cabe aqui mencionar a metáfora da guerra de lugares (SANTOS, 2006).

Segundo o autor, os lugares distinguem-se pela diferente capacidade de oferecer rentabilidade aos investimentos. E assim como se fala de produtividade de uma máquina, plantação ou empresa, pode-se também falar de produtividade espacial ou produtividade geográfica, que não será duradoura na medida em que outro lugar passará a oferecer àquele produto (uma empresa) melhores vantagens comparativas de localização.

Assim, ao mesmo tempo em que as empresas buscam melhores lugares para sua instalação, os próprios lugares realizam uma procura, às vezes escancarada, de novas implantações e um cuidado para reter as já presentes, gerando uma guerra entre os lugares, e um consequente exército de reserva de lugares, termo cunhado por R. Walker (1978), citado por Santos (2006).

Harvey (1996, p. 56) afirma que esta guerra de lugares, ou competição entre territórios e regiões, acaba por fazer as cidades se alinharem “à disciplina e à lógica do desenvolvimento capitalista”, pois, ao generalizarem a oferta de infraestrutura e serviços necessários à implantação de corporações transnacionais, estariam barateando, pela concorrência, os custos destes serviços para os seus “consumidores” (as empresas), e ao mesmo tempo aumentando a liberdade de escolha e a margem de manobra destas empresas.

Benzer Belgeler