Para avaliação da cavidade oral nos pacientes do estudo de validação clínica foi utilizado o instrumento OAG que é composto por oito itens: saliva, voz, lábios, língua, membrana mucosa, gengiva, dentes /próteses e deglutição (ANEXO C).
Cada item possui três descritores que são representados por um, quando a variável considerada como sendo saudável; dois, quando ocorre moderada alteração sem comprometimento severo da integridade do epitélio ou função sistêmica e três, quando há comprometimento definitivo da integridade da mucosa e função sistêmica (EILERS; PETERSEN; BERGER, 1988). A pontuação final pode variar entre oito e 24, em que a maior pontuação indica uma pior condição oral (D’ANGELO et al., 2013).
O instrumento foi utilizado no presente estudo e duas etapas foram necessárias de serem conduzidas previamente, uma de tradução do instrumento para o português do Brasil e outra de validação de conteúdo mediante a avaliação de um comitê de especialistas. Estudos realizados em outros países (EILERS; BERGER; PETERSEN, 1988; DODD et al., 1996, 1999; D’ANGELO et al., 2013) tem utilizado a referida escala, entretanto não foi identificado na literatura estudo que tenha procedido à sua tradução, adaptação e validação no Brasil.
A etapa de tradução é um processo complexo que exige cuidados para se obter uma versão final adequada para o novo contexto e congruente com a versão original. É realizada tradução do idioma de origem para o idioma-alvo, isto é, aquele em que a nova versão será utilizada (BORSA; DAMASIO; BANDEIRA, 2012). Neste estudo, a tradução foi feita da língua inglesa para a portuguesa do Brasil.
A literatura recomenda que a tradução de um instrumento deva ser feita por dois tradutores, de forma que as traduções possam ser comparadas. Neste processo os tradutores devem ser bilíngues e devem produzir as duas traduções independentes, além de terem perfis e formações diferentes. Um dos tradutores deve ter conhecimento sobre os conceitos que estão sendo examinados. Neste caso, espera-se que as adaptações mantenham equivalência do ponto de vista clínico com o instrumento original. O segundo tradutor não deve ter conhecimento clínico sobre o tema a ser mensurado, possibilitando a detecção de significados diferentes na tradução em relação ao outro tradutor, não sendo influenciado pela clínica, mas pela linguagem e sua adequação à população (BEATON et al., 2000).
Em relação a validação de conteúdo esta consiste em julgar em que proporção os itens selecionados são capazes de medir o quanto uma construção teórica representa bem um determinado conceito (CONTANDRIOPOULOS et al.,1999). A validação de conteúdo é considerada uma avaliação com julgamento e quantificação. Numa primeira etapa desenvolve-se o instrumento e os itens são
refinados e organizados. Na segunda etapa solicita-se a peritos para avaliar a validade dos itens individualmente e em conjunto. Para isso, recomenda-se mínimo de cinco e máximo de dez peritos participantes (LYNN, 1986).
Para quantificar o grau de concordância entre os especialistas, métodos diferentes podem ser usados como porcentagem de concordância, Índice de Validação de Conteúdo (IVC) e coeficiente Kappa (ALEXANDRE; COLUCI, 2011).
Para este estudo foi utilizado o IVC, que mede a proporção ou porcentagem de concordância dos especialistas em relação a aspectos do instrumento e de seus itens. Inicialmente é feita a análise de cada item individualmente e depois do instrumento como um todo (ALEXANDRE; COLUCI, 2011).
Para tanto, empregou-se uma escala tipo Likert com pontuação de um a quatro para avaliar a relevância/representatividade. Esta varia desde não relevante ou não representativa até relevante ou representativa (LYNN, 1986). O IVC é calculado através da soma da concordância dos itens que obtiveram a pontuação três ou quatro na escala likert, sendo que os itens com pontuação um ou dois devem ser revisados ou excluídos (ALEXANDRE; COLUCI, 2011).
A escolha dos especialistas é fundamentada no modelo de validação por especialistas proposto por Fhering (1987), sendo que adaptações sobre as recomendações foram feitas (QUADRO1). Para a formação do comitê, era avaliada a experiência e qualificação dos profissionais e estes, recebiam pontuações de acordo com a formação acadêmica, publicações e pesquisa sobre o tema e tempo de experiência clínica. Foram incluídos no comitê aqueles que obtiveram pontuação mínima de cinco.
Quadro 1 - Sistema de pontuação de especialistas no modelo de validação de Fhering. Belo Horizonte, 2015.
Sistema de Pontuação de especialistas Pontos
Mestre em Enfermagem 4
Mestre em Enfermagem – dissertação com conteúdo relevante dentro da área
de Oncologia 1
Pesquisa (com publicações) na área de oncologia 2 Artigo na área de oncologia publicado em periódico Qualis A1 ou A2 2
Doutorado em enfermagem 2
Prática clínica de pelo menos 1 ano de duração em oncologia 1 Certificado (especialização ou residência multiprofissional) na área de
oncologia com comprovada prática clínica. 2 Fonte: Adaptado de FEHRING, 1987.
Na etapa de tradução do instrumento, participaram como colaboradores: uma enfermeira doutoranda fluente na língua inglesa e um professor de línguas graduado em letras. A comunicação estabelecida entre os mesmos foi realizada por e-mail, através de um instrumento que continha a escala e espaços para comentários. Cada um dos tradutores, inicialmente fez a tradução da escala e após esta fase, foi estabelecido um consenso mediado pelo pesquisador acerca da tradução final que foi ajustada após as discussões.
Assim, após a tradução da OAG para a validação de conteúdo da mesma foi aplicado junto aos especialistas um instrumento que continha três partes: uma explicativa sobre os procedimentos de validação da OAG, uma tabela com a escala e o espaço para o julgamento de cada categoria por meio da escala tipo Likert. O mesmo foi denominado Instrumento para Validação do OAG pelos Especialistas (APÊNDICE A). Este foi enviado para cada um dos especialistas por e-mail, mediante aceite dos mesmos e assinatura do Termo de Consentimento Livre Esclarecido (TCLE). Para a tradução da escala foi realizada a solicitação à autora, sendo esta concedida por e-mail antes do início desta etapa do estudo (ANEXO D).
Para a validação de conteúdo foram incluídas seis enfermeiras que compuseram o comitê de especialistas e a taxa de concordância mínima entre elas requerida foi de 0,80. Vale ressaltar que foram calculados o IVC de cada categoria separadamente para depois obter-se o IVC da escala como um todo.
4.3 Terceira etapa - Treinamento para identificação da Mucosa Oral Prejudicada