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1.2. XVI YÜZYIL DİVAN EDEBİYATININ ÖNEMLİ TEMSİLCİLERİ

1.2.9. TAŞLICALI YAHYÂ BEY

Nosso questionário revelou que nossos colaboradores continuaram com práticas de leituras as quais julgávamos adequadas quando serviam de instrumento para iniciá-los em uma prática leitora, mas inadequadas quando inseridas no contexto do Seminário. Destacamos que, dentre os autores referidos nas respostas do questionário, alguns eram conhecidos pela produção de livros do gênero autoajuda64.

64 a) Método de aprimoramento pessoal em que o indivíduo pretende buscar, sem ajuda de outrem, soluções para problemas emocionais, superação de dificuldades, etc. (Fonte: FERREIRA, Aurélio B. de Hollanda. Novo

Dicionário Eletrônico Aurélio versão 5.11ª, 2004); b) Segundo o Conselho Federal de Psicologia, a literatura

de autoajuda “é um tipo de Literatura, um saber não-sistematizado, sem fundamentação científica e que beira o pensamento mágico” (Revista Psique # 23, dez 2007); c) Estudos realizados em psicologia e divulgados pela revista ‘Psycological Science’ (jul/2009) revelam que ‘os ensinamentos’ divulgados em livros e palestras de autoajuda são nocivos para pessoas com baixa autoestima, não apenas em nível intelectual, epistemológico e econômico, mas sim, uma nocividade física e psicológica. Disponível em: <http://projetophronesis.com/>. Acesso em 12/01/2012. d) Segundo Adriano Faciole, o conteúdo dos livros do autor mais vendidos no Brasil, Augusto Cury, “[...] são disparates e sandices toscas que fazem sucesso. Cury tira da cartola sentenças repletas de metáforas (até que razoáveis, porém de conteúdo, de modo geral, totalmente equivocado) sobre assuntos dos quais nem é capaz de produzir uma definição sensata [...]”.

Disponível em: <http://www.redepsi.com.br/portal/modules/soapbox/article.php?articleID=262>. Acesso em 12/01/2012.

Dos livros que leu, você se lembra de algum título ou autor que o marcou?

• O futuro da humanidade - A saga de um pensador (Augusto Cury)

• Jesus, o maior psicólogo que já existiu – (Mark Baker) • A história de uma alma – (Santa Teresa de Jesus) • Onze minutos – (Paulo Coelho)

• Maktub – (Paulo Coelho)

• Da Existência ao Existente – (Emmanuel Levinas) • Os miseráveis – (Vitor Hugo)

Quadro5 – Leituras marcantes

Conforme o quadro 3, dos livros citados, identificamos que quatro procedem de fontes cujos autores são reconhecidos pela qualidade das informações que veiculam: 1) Os

miseráveis. Essa obra do escritor Vitor Hugo é um espelho da sociedade francesa do início do

século XIX. Nela, ele retrata conflitos humanos que colocam em evidência, lado a lado, as duas condições diametralmente opostas do ser humano: a maldade que destrói e o amor que edifica; 2) Da existência ao existente é uma obra do filósofo francês Emanuel Levinas que parte da ideia de que a Ética, e não a Ontologia, deve constituir a base da Filosofia; 3) A

história de uma alma, de Thérèse Martin, é uma obra de caráter autobiográfico que busca

descrever as experiências de vida da autora e sua relação de amor para com Deus; 4) Jesus, o

maior psicólogo que já existiu, de Mark Baker, teólogo e doutor em psicologia, é uma obra

que se propõe a fazer um diálogo entre os ensinamentos de Jesus e as descobertas da Psicologia atual.

Compreendemos que essas referências representam contribuições significativas para a construção do conhecimento de nossos colaboradores, enquanto as demais por estarem associadas a um gênero de autoajuda, além de não apresentarem essas contribuições, ainda podem incutir na mente de pessoas religiosas a impressão de que os problemas de caráter espiritual e social podem ser resolvidos apenas pela adoção tanto de atitudes puramente comportamentais quanto de crenças baseadas em máximas de sabedoria imersas no âmbito do senso comum, diminuindo, assim, a importância da Revelação Divina na economia da salvação humana, como proposto oficialmente pela Igreja. Tem-se aqui, uma incongruência

de afinidades. Parece-nos que este tipo de prática de letramento talvez represente uma contradição na formação da identidade religiosa dos seminaristas que a praticam.

Atualmente, em relação aos estudos filosóficos, há uma abertura, por parte da direção do Seminário, concernente à literatura adotada nessas disciplinas, de modo que, além da literatura consagrada por autores cristãos, tais como Santo Agostinho e São Tomás de Aquino, outras obras filosóficas, cujos autores são considerados ateus, podem ser objeto de estudo em trabalhos acadêmicos como, por exemplo, na monografia desenvolvida por Helder,

A ideia de ser no pensamento de Jean Paul Sartre. Essa aceitação também é observada na

utilização extensiva de literatura classificada como de autoajuda entre os seminaristas.

O fragmento da narrativa seguinte revela um reflexo da abrangência literária dos livros de autoajuda, própria dos anos 80, época em que começaram a despontar entre os livros mais vendidos, o que denota a necessidade que o homem tem de buscar ‘caminhos já traçados’ e experiências compartilhadas para encontrar soluções em situações pessoais de conflito.

(40) Helder – [...] há muito tempo atrás/ na idade média/ a Igreja/ ela tinha o

índex/ né?/ índex libroe proibitorium/ que eram o índice dos livros proibidos/ né?/ só

que hoje/ a Igreja não tem esse índice/ não tem isso/ tudo é/ tudo é permitido ser lido/ é/ é/ permitido ser visto/ quase tudo/ né?/ nada daquilo que/ que fira a moral/ né?/ [...]/ mas/ já uma literatura como a proposta por Paulo Coelho/ como você citou/ não é/ não é/ não é recriminada/ inclusive eu tenho colegas que já leram/ e gostaram/ alguma coisa/ é mais por/ muitos interpretam mais como mito/ como uma história qualquer/ o importante é você pegar o peixe e saber tirar dele a carne e jogar fora a espinha/ [...].

A fala deste candidato ao sacerdócio nos leva a um questionamento que já apontamos acima e que se manifesta de imediato. Se, do ponto de vista religioso cristão, a Bíblia traz a palavra viva de Deus, qual seria o sentido de se buscar soluções em livros conhecidos como literatura de autoajuda que trazem propostas, muitas vezes, simplórias, tratando temas e situações distintas com a mesma proposta de ação, desconsiderando a complexidade da teia social e do próprio ser humano, pois o que está em jogo não é apenas a repetição de verdades do senso comum, mas a imposição da ditadura do pensamento positivo, algo comparável a dotar o pensamento com uma força capaz de transformar plenamente a vida das pessoas, liberando-as de agir sobre mundo e de promover ações transformadoras, essas sim, capazes de causar as mudanças desejadas.

Por outro lado, essa procura pela leitura de autoajuda, dentro do universo religioso, parece refletir tanto a ausência de uma compreensão mais profunda da proposta da própria

religião católica, por parte do fiel, quanto a ocorrência de um possível fracasso da Igreja em transmitir sua mensagem de forma eficaz.

É justamente por compreender que as ações humanas, suas escolhas linguageiras e suas normas comportamentais refletem o espaço em que se desenrolam as interações, suporte das práticas sociais, que o conhecimento da necessidade de tais leituras causa-nos estranhamento. Parece-nos que a questão torna-se inquietante quando esse hábito adentra o universo do Seminário. Lá, já não se justificaria a continuação dessa prática, uma vez que os seminaristas passam a ter uma formação bíblica bastante intensa. Basta citar os muitos eventos e práticas de letramento religioso, os quais contemplam a participação da missa e a oração da liturgia das horas (uma compilação de 07 momentos de oração, ou horas litúrgicas, num total de 21 salmos, 07 leituras bíblicas e 01 leitura da vida dos santos ou escritos dos Santos Padres da Igreja, ou de escritores escolásticos). ӓsses eventos são práticas ‘cotidianas’ obrigatórias na vida do seminarista.

Nesse contexto, não é o caso de simplesmente questionar a prática da leitura de livros de autoajuda, mas de questionar essa prática por parte de indivíduos que através da sua escolha vocacional, professam a fé em um Deus que promete, entre outras coisas, a libertação interior para todos aqueles que seguem suas palavras. Partindo do princípio de que a escolha é realmente vocacional, como explicar que esses seminaristas sintam necessidade de encontrar verdades absolutas e respostas para conflitos existenciais fora dos escritos cristãos?

A constatação da aceitação da literatura de autoajuda aponta para o fato da transformação social inerente ao momento histórico e sociocultural contemporâneo, no qual há uma necessidade, por parte das pessoas, de encontrar informações já tratadas, diluídas pela compreensão do outro. Um conhecimento pronto para ser usado, sem necessidade de muita reflexão.

(41) Helder – [...] o Seminário vai às discussões/ as leituras/ de autores cristãos/ de autores não cristãos/ de teólogos/ de gente que não tem nada a ver com Igreja/ sobre os jornais/ tudo isso/ a gente vai percebendo e vai tendo como o critério/ o critério cristão/ a gente vai avaliando a realidade a partir de Cristo/ e aí aquilo que não é cristão/ então a gente vai sempre excluindo/ cristão no sentido de é/ é/ de Igreja/ assim/ aquele que não é/ quem não é da Igreja Católica/ não é bem assim/ mas aquilo que não é realmente de Cristo/ a ética/ aquilo que não é ético/ que/ ah/ então isso é rejeitado/ é visto como o mal/ não significa dizer que só quem vive a ética cristã sejam os cristãos/ o mundo todo/ é/ foi influenciado pelo acontecimento de Jesus Cristo/ então/ as grandes religiões/ o budismo/ o hinduísmo/ essas grandes religiões/ as grandes religiões do mundo olham para a pessoa de Jesus Cristo e vêm/ e o vêm da melhor forma possível/ talvez não o vejam como nós cristãos o vemos que é o Salvador/ Deus encarnado/ [...]

Neste fragmento, Helder sinaliza para uma abertura literária dentro do processo formador do seminarista. É interessante observar o movimento a partir do qual ele justifica a leitura de autores de distintos posicionamentos filosóficos, ele diz: [...] a gente vai avaliando

a realidade a partir de Cristo [...] aquilo que não é realmente de Cristo [...] isso é rejeitado

[...], no entanto, a questão que se coloca é: como saber se os critérios éticos cristãos realmente se mantêm íntegros quando há tantas influências diametralmente opostas veiculadas por textos cujos propósitos finais, muitas vezes, servem apenas para diminuir a imagem e a importância da própria Igreja Católica.