2. SĠGORTACILIK TARĠHĠ, TEMEL KAVRAMLAR VE BĠLGĠLER
2.2 Türkiye’de Sigorta Tarihçesi
A sociedade atual, pós-moderna, é marcada por diferenças se comparada à moderna. É possível identificar nos grupamentos humanos contemporâneos a presença do individualismo, da crise da razão, do niilismo, da reificação, do consumismo exacerbado, da supressão da teleologia histórica, do “hedonismo”, ou seja, é a fase da radicalização de algumas características próprias da modernidade e o surgimento de outras em certas sociedades que compartilham deste modo de viver pós-moderno. Somando-se a isso, na contemporaneidade até a compreensão e vivência da intimidade sofre o processo da mudança (Giddens, 1991; 2000).
Como resultado destas transformações é possível destacar a ênfase nas emoções e nas mais diversas sensações, isto é, uma opção consciente ou não por um prazer individual e imediato. Este se mostra como uma necessidade subjetiva de sentir o universo ao redor associada a uma percepção individualista do corpo. Por conseguinte,
141 Quando as reuniões cúlticas se realizam no templo, as crianças que são filhas dos fiéis da igreja são conduzidas ao salão educacional para receberem a catequização. Os pais crentes que freqüentam as reuniões dos GCEMs são orientados a procurar os grupos que são formados por casais que tenham crianças, pois desta forma os adultos se reúnem na sala da residência para o encontro catequético e os infantes vão para um quarto ou quintal para receberem a instrução religiosa.
as experiências afetivas passam a ser exploradas variavelmente por certos setores sociais e buscadas pelos indivíduos, de forma premeditada ou não, nas mais variadas situações cotidianas.
Nota-se, portanto, que na contemporaneidade a emoção passa a ser um padrão cultural uma vez que grande número de traços culturais estão integrados formando um todo enraizado no “afeto” e moldando por conseguinte os elementos que lhe são afins, a saber, as ações, os valores, as normas, os conhecimentos, as crenças e os símbolos. No período em que Max Weber faz seus estudos sociológicos, uma de suas afirmações é que a subjetividade se configura, dentre vários aspectos, pelos estados afetivos (Weber, 1996: 20-21). Mas estes últimos parecem atualmente sobressair em relação aos demais, em outros termos, aquilo que era concebido como um elemento importante da dimensão subjetiva hoje em dia transparece como sendo o principal.
A constatação da busca intensa da experiência pela emoção religiosa não é indicativa de que há um reencantamento do mundo ou uma dessecularização. Ao contrário, o que se dá é um “mergulhar” no processo de secularização (Weber, 1984; Pierucci, 1997, 1998). O indivíduo torna-se cada vez mais auto-centrado e busca as suas respostas e sentidos numa religião pós-tradicional que ofereça serviços pessoais acessíveis. Assim, a oferta da emoção religiosa atende as expectativas individuais, liberando os/as fiéis ao prazer religioso e reforçando a lealdade das pessoas a si mesmas.
Numa sociedade plural e complexa como a brasileira, marcada por disparidades e diversas formas de exclusão, também é possível perceber o anelo pelo deleite e pela diversão como elemento integrante da vida de muitas pessoas. Este anseio excede às conclusões categóricas de pesquisadores como Freyre (1981), Holanda (1982) e Prado (1929) que enxergavam na nação brasileira uma característica emotiva marcante se comparada a outras nações. Destas ilações firmadas na idéia do “Brasil emotivo”, tudo aquilo que dizia respeito à sociedade brasileira poderia ser estudado pelo viés da emotividade. Logo, as religiões que estivessem presentes neste contexto espelhariam de alguma maneira esta marca em suas experiências emocionais cúlticas. Entretanto, tal particularidade não é decisiva nem exclusiva do Brasil como pontua Hervieu-Léger
(1973; 1993; 2008) em seus estudos sobre as religiões contemporâneas – especialmente na Europa.
Uma vez que se pretende discorrer sobre a emoção religiosa é necessário também considerar os corpos dos fiéis, pois é no corpo de cada pessoa que estão impressas as experiências sociais, os sentidos e significados (Le Breton 2005; 2006). É através das manifestações corporais que se revelam identidades entre grupamentos humanos, bem como aquilo que convencionou-se aprovado ou interditado. Embora seja importante considerar tais assertivas concernentes ao corpo, é na observação e no contato com os indivíduos que elas poderão ser testadas, contestadas, contextualizadas e ampliadas.
Cada grupo social possui particularidades que são possíveis de ser comprendidas desde que o exercício etnográfico e a abordagem sociológica e antropológica dos dados coletados se realizem com o máximo de rigor possível. Por outro lado, as condições sócio-culturais, as expectativas e as regras de conduta são fatores que também influenciam a construção das características comunitárias e individuais (Mauss, 1974b). Consequentemente, quando o/a pesquisador/a estuda uma confraria religiosa como a CG todos estes apontamentos devem ser considerados.
Seguindo a afirmação supramencionada, tanto a corporeidade humana quanto a emoção religiosa trazem consigo as marcas da sociedade e da cultura às quais estão inseridas. Então, cada ato e/ou expressão emocional denota redes simbólicas desenvolvidas a partir da interação com a realidade social mais ampla e as demandas locais. Exemplificando, quando se estuda uma determinada igreja é possível observar as formas e manifestações emocionais e corporais produzidas e reproduzidas pelo grupo religioso em consonância com a realidade sócio-cultural.
Não obstante ao fato de que é necessário uma observação melhor apurada, há como suspeitar que as formas e usos do corpo e das emoções por pessoas mais endinheiradas aparentemente difere daquelas que estão em situação de pobreza em razão das demandas próprias dos ambientes coletivos em que se inserem. Os “gostos de classes” variam e se expressam no modo como vivem, ocasionando uma distinção entre indivíduos – talvez, não tão marcante como a observada por Peter Gay na Era Vitoriana
(Gay, 1998). Entretanto, vários estudiosos indicam que do século XX à atualidade ocorreram mudanças consideráveis na auto-percepção do corpo (Courtine, 2008; Del Priore, 2000; Giddens, 2000; Goldenberg, 2005).
Atualmente o corpo é o meio pelo qual o indivíduo se distingue e diferencia-se dos outros, do cosmos e de si mesmo. Por exemplo, Goldenberg (2007) discorre sobre o corpo como um capital que é ao mesmo tempo material e simbólico, que revela uma condição social e se apresenta como mercadoria, que é uma produção e um produto sujeito a transformações. A operação eficiente de um controle social dos corpos é imprescindível para a sociedade e suas instituições. Estas últimas constituem um grande sistema disciplinador cujo objetivo primeiro centraliza-se no corpo dos indivíduos. As pessoas ao modelarem-se ou não segundo os padrões sociais impostos indicarão a valorização ou desvalorização de seus comportamentos. Dentre vários setores, pode-se destacar a igreja que também produz e reproduz uma representação social do corpo como o seu modelo legítimo e que confere prestígio a quem se adequa a ele.
As emoções se exteriorizam corporalmente e numa confraria religiosa como a CG também se apresentam formulações e fórmulas emocionais apropriadas aos corpos dos fiéis. Para exemplificar, durante a execução de cânticos na igreja os fiéis fazem o acompanhamento com palmas ou mãos levantadas porque convencionou-se que tais práticas são oportunas. Há, portanto, uma técnica corporal (Mauss, 1974a) solidarizada pela igreja, considerada normal e, se reproduzida corretamente, confere pertença e prestígio aos crentes. Esta funde elementos sociais, culturais, históricos e doutrinais. Ela pode ser averiguada nos encontros catequéticos dos GCEMs, nos acampamentos, nos diálogos entre as pessoas desta religião e especialmente nos cultos que se realizam no templo.