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2. SĠGORTACILIK TARĠHĠ, TEMEL KAVRAMLAR VE BĠLGĠLER

2.5 Mevcut Türk ve Dünya Sigorta Sektörü Verileri

Na discussão da relação entre o texto de Apocalipse e o contexto histórico-social a ele subjacente, os autores citados igualmente entendem o livro do visionário como uma ferramenta de construção de mundo e de identidade. Mas de que maneira um texto como o Apocalipse de João poderia ser usado para contruir um mundo ou definir identidades?

Voltemos, neste momento, à afirmação clássica de Berger e Luckman, que entendem “mundo” como aquilo que as pessoas reconhecem ou entendem existir independente de sua vontade ou independente delas.51 O ser humano já nasce mergulhado num mundo construído. Ele não participou de sua construção, mas em algum momento precisou introjetá-lo subjetivamente para que ele se torne o seu próprio mundo.

Este processo só se torna problemático quando surgem versões divergentes de mundo, começando a concorrer entre um mesmo grupo de pessoas. Segundo Berger e Luckmann, “a

versão divergente corporifica-se em uma realidade por sua própria conta, a qual, ao existir no interior da sociedade, desafia a condição de realidade do universo simbólico tal como foi

49 FRIESEN, Steven J. Myth and Symbolic Resistance in Revelation 13. In: Journal of Biblical Literature,

123/2, 2004, p. 281 e 311.

50 Num texto ainda mais recente, este mesmo autor reforçou suas teses, desta vez relacionando a pluralidade da

audiência do visionário, refletida na diversidade de situações sociais subjacentes às sete cartas do Apocalipse, com os elementos que audiência e visionário teriam em comum. Segundo ele, cada comunidade apresentava diferente situação social e diferentes maneiras de se relacionar com a sociedade, mas todas parecem aceitar o argumento do Apocalipse contra o culto imperial. Seria justamente esse elemento em comum entre visionário e audiência que teria sido usado como ponto de partida na construção da imagem do Império. Cf. FRIESEN, Steven J. Satan’s Throne, Imperial Cults and the Social Settings of Revelation, p. 352. Na página 367, ele sintetiza: “Minha hipótese é esta: João e as igrejas – incluindo ‘Jezabel’, ‘Balaão’ e os Nicolaítas – concordam na não-participação no culto imperial, e que João usou este tema como uma estratégia retórica”.

originalmente constituído. O grupo que objetivou esta realidade divergente torna-se portador de uma diversa definição da realidade”.52 Como resultado, estes mundos entram em conflito, no que se configura um confronto de poder. Afinal, o objetivo é que apenas uma das duas realidades sobreviva na audiência.

Neste confronto entre mundos se manifestam os diversos níveis de legitimação: 1) legitimações fundamentais, no nível da linguagem aprendida; 2) legitimação na forma de proposições teóricas rudimentares, como provérbios, máximas morais, adágios populares e lendas; 3) legitimação na forma de teorias explícitas oriundas de pessoas especializadas transmitidas por meios formais, como os ritos e os processos educacionais; 4) legitimação na forma de universos simbólicos integralizadores da realidade. Neste nível, um mundo inteiro é criado, para que a participação nas instituições legitimadas sejam apenas meios de integrar um mundo que transcende a própria instituição. Todas as legitimações demonstram ser mecanismos de manutenção de mundo e só se manifestam quando a manutenção de um universo se tornou um problema.

Em algum momento é possível que mesmo universos conflitantes sobrevivam simultaneamente. É o caso de um grupo que constrói uma sub-sociedade dentro da sociedade maior, formando uma espécie de refúgio e base para a manutenção do seu mundo dissidente. Para isso, ele precisa criar procedimentos para proteger a existência precária dessa sub- sociedade das ameaças que vêm de fora. Um dos mais importantes procedimentos será a limitação dos relacionamentos significativos para, exclusivamente ou predominantemente, dentro do grupo. Os membros do grupo devem evitar se relacionar significativamente com pessoas de fora, que possuem visões divergentes de mundo, surgindo, então, um comportamento sectário.

Mesmo sem fazer referência ao quadro teórico acima,53 a pesquisa de Newsom sobre a relação entre discurso e construção identitária no período do segundo Templo pode nos ajudar a compreender como os textos funcionariam neste processo de definição de realidade simbólica. Ela não apenas discutiu a forma como a comunidade de Qumran construiu um mundo em oposição a outro, mas também a maneira como as experiências religiosas e os textos produzidos por essa comunidade foram utilizados neste processo.

51 BERGER, Peter; LUCKMANN, Thomas. A construção social da realidade: tratado de sociologia do

conhecimento. Petrópolis: Vozes, 1973, p. 10.

52 BERGER, Peter; LUCKMANN, Thomas. A construção social da realidade, p. 145.

53 Newsom se refere brevemente a Berger na página 220 de sua obra. Entretanto, seu diálogo acontece

principalmente com M. M. Bakhtin and Michel Foucault. Cf. NEWSOM, Carol A. The Self as Symbolic Space: Constructing Identity and Community at Qumran. Atlanta: Society of Biblical Literature, 2007. 376 p.

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Sua tese inicial é que todo o discurso da comunidade de Qumran foi produzido para criar uma comunidade que se distinguia a si mesma de outras comunidades de discursos. Discursos, então, não somente formam comunidades, mas também as pessoas dentro delas, já que o ser humano recebe sua identidade principalmente por meio de práticas simbólicas em que a linguagem aparece envolvida.54

Neste sentido, textos e expressões não são apenas repositórios de idéias, mas atos simbólicos. Como atos, eles não apenas refletem o mundo, ma s constroem alguma coisa nele e para ele. O próprio mundo não é avaliável para as pessoas em si, mas somente como elas forem capazes de textualizá-lo, trazendo-o para o contexto do simbólico. No caso específico de Qumran, a linguagem foi utilizada para constituir um mundo de sentido, uma comunidade de valores, uma estrutura de individualidade e uma identidade distintiva. Através de discursos bem específicos, a comunidade de Qumran criou um novo mundo, bem como novas identidades para seus membros.

A identidade, neste caso, é uma forma culturalmente específica na qual o sentido do “eu” é produzido, experimentado e articulado.55 Sua construção se dá também na esfera do símbolo. É uma forma de representação, a maneira como a pessoa se representa para si e para os outros.

Como a identidade é construída através de práticas simbólicas e culturais, a linguagem é possivelmente a mais importante ferramente de construção identitária, principalmente quando é usada para dar sentido ao mundo, para organizá-lo, para estruturar instituições e práticas.56

Da mesma forma como o indivíduo pode encontrar ao seu redor diferentes mundos figurados, numa dada sociedade ele também acha diferentes formulações identitárias. E mesmo individualmente, uma pessoa é composta de várias, às ve zes contraditórias e circunstanciais, identidades. Normalmente, num indivíduo, estas identidades conflitivas são comportamentalizadas em funções ou papéis sociais particulares, podendo a pessoa se mover entre uma e outra. Entretanto, existem situações em que o conflito entre identidades divergentes se torna agudo. Nestas circunstâncias, o resultado pode ser o cultivo de uma identidade sectária, quando uma pessoa se torna progressivamente alienada da identidade social dominante.

54 NEWSOM, Carol A. The self as symbolic space, p. 12.

55 LIEU, Judith. “Impregnable Ramparts and Walls of Iron”: Bondary and Identity in Early “Judaism” and

“Christianity”. In: New Testament Study, 48, 2002, p 298.

Segundo Newsom, isso poderia explicar a constituição da comunidade de Qumran. Como uma sociedade voluntária de caráter sectário, esta sociedade marginal destituía seus membros de sua identidade anterior e oferecia a eles uma nova identidade. Isso era feito tanto pelo questionamento da identidade criada pelos demais discursos quanto pela providência de uma nova forma de se definir. Esta nova identidade, agora, tem disposições, desejos, motivações e comportamentos que passam a ser concorrentes com outros discursos.

Em Qumran, a identidade era construída por um complexo inteiro de práticas, frases e expressões simbólicas que tinham lugar dentro da comunidade. Desde a etiqueta entre os membros em contextos formais e não formais, o simbolismo das cerimônias de diversas ocasiões, as recitações dos hinos e orações, a organização do tempo, do espaço, dos gestos e das vestimentas, tudo contribuía para a formação da maneira como o membro da seita se representava para si e para os outros. Mas destas, a principal ferramenta era mesmo o complexo de discursos sectários, que não resultavam apenas na produção de textos, mas construíam o fiel membro da seita.