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4. HASAR ANALĠZLERĠ VE ĠNġAAT ALL RĠSK TEKLĠFLERĠ ÖRNEK

4.1 Bina ĠnĢaatı Teklifi ve Hasarı

e;cousai to. o;noma auvtou/ kai. to. o;noma tou/ patro.j

auvtou/ gegramme,non173 evpi. tw/n metw,pwn auvtw/n (tendo o nome

dele e o nome do pai dele escrito sobre as suas testas). Ainda no contexto da visão, João

denuncia que os 144.000 guerreiros do Cordeiro tinham sobre as testas, ou frontes, o nome do Cordeiro e o nome do pai do Cordeiro.

171 Além de Bauckham, Richard argumentou de forma semelhante em RICHARD, Pablo. Apocalipse, p. 202. 172 AUNE, David E. Revelation 6-16, p. 804.

173 Segundo Rienecker e Rogers, o perfeito indicaria o resultado contínuo da escrita autoritativa sobre as testas

dos 144.000. Cf. RIENECKER, Fritz; ROGERS, Cleon. Chave lingüística do Novo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 1985, p. 626.

81 Em termos gerais, o;noma indica o nome pelo qual uma pessoa ou coisa é chamada.174 Entretanto, quando seguido do genitivo da pessoa, pode indicar sua natureza e seus atributos.175 O nome do Cordeiro e do seu Pai na fronte dos 144.000 reforça sua pertença. Eles foram marcados, por isso pertencem ao Cordeiro e seu Pai.

A palavra me,twpon é composta pelas expressões meta, e w;y (olho), denotando, então, a parte acima do olho ou a fronte.176 É um termo raro, não sendo usado por nenhum outro autor do Novo Testamento. Mesmo assim, João a usou oito vezes: para descrever homens selados por Deus (Ap 7.3) e quem não tinha o mesmo selo (Ap 9.4); para falar da marca da besta sobre a fronte e sobre a mão (Ap 13.16; 14.9; 20.4); para descrever o nome que os guerreiros do Cordeiro sobre o monte Sião trazem sobre a testa (Ap 14.1); para descrever um nome misterioso na fronte da Prostituta (Ap 17.5); para descrever os servos que habitarão na Nova Jerusalém, que trarão sobre as frontes o nome do Cordeiro (Ap 22.4).

Apesar de não ser encontrada em outros lugares do Novo Testamento, a palavra me,twpon já tinha aparecido na LXX, num total de nove ocorrências: Ex 28.38 (duas ocorrências), 1Sm 17.49 (duas ocorrências); 2Cr 26.19, 20; Sb Sal 15.9; Is 48.4 e Ez 9.4. Esta última, principalmente, é bem próxima do imaginário de João. Durante uma visão, Ezequiel foi levado até Jerusalém. Lá, a ele foi revelada a iniqüidade e a idolatria dos líderes, dos sacerdotes e de todo o povo. Neste momento, ele ouve Deus ordenar a uma figura celestial: “Passa pelo meio da cidade, pelo meio de Jerusalém, e marca com um sinal a testa dos

homens que suspiram e gemem por causa de todas as abominações que se cometem no meio dela.” Estes que foram marcados com um shmei/on177 (sinal) na testa não seriam tocados. Quanto aos demais:

Aos outros disse, ouvindo eu: Passai pela cidade após ele; e, sem que os vossos olhos poupem e sem que vos compadeçais, matai;matai a velhos, a moços e a virgens, a crianças e a mulheres, até exterminá-

174 ABBOTT-SMITH, G. A Manual Greek Lexicon of the New Testament, p. 318. 175 RUSCONI, Carlo. Dicionário do grego do Novo Testamento, p. 334.

176 ABBOTT-SMITH, G. A Manual Greek Lexicon of the New Testament, p. 289.

177 Shmei/on ocorre 77 vezes no Novo Testamento, em 69 versículos diferentes. Destas ocorrências, 1

vez em Hebreus (2.4), 7 vezes em Apocalipse (12.1, 3; 13.3, 14; 15.1; 16.14; 19.20), 8 vezes no Epistolário Paulino (Ro 4.4; 15.19; 1Co 1.22, 14.22; 2Co 12.12 [2 vezes]; 2Ts 2.9, 3.17), 13 vezes em Atos, e 48 vezes nos Evangelhos. Nos Evangelhos a divisão é a seguinte: 7 vezes em Marcos (8.11; 8.12 [2 vezes]; 13.4; 13.22; 16.17; 16.20), 11 vezes em Lucas (2.12; 2.34; 11.16; 11.29 [3 vezes]; 11.30; 21.7; 21.11; 21.25; 23.8), 13 vezes em Mateus (12.38; 12.39 [3 vezes]; 16.1; 16.3; 16.4 [3 vezes]; 24.3; 24.24; 24.30; 26.48) e 17 vezes em João (2.11; 2.18; 2.23; 3.2; 4.48; 4.54; 6.2; 6.14; 6.26; 6.30; 7.31; 9.16; 10.41; 11.47; 12.18; 12.37; 20.30). Os significados básicos destas ocorrências poderiam ser reunidos em três grupos: sinal, marca ou prova (como em Mt 26.48) de alguma ação ou objeto; milagre ou sinal miraculoso (como em Jo 2.11); marca da proximidade do fim (como em Mc 13.4). Cf. HUGIUS, O. Semei/on. In: BROWN, C. (ed.) Dicionário Internacional de Teologia do

los; mas a todo homem que tiver o sinal não vos chegueis; começai pelo meu santuário. (Ez 9.5-6)

A marca na testa, em Ezequiel, é sinal de proteção contra o juízo de Deus. Este parece ser também o sentido da expressão na primeira ocorrência dos 144.000 (Ap 7.1-8). Um anjo que subiu do nascente do sol clamou para quatro outros anjos que trariam destruição à terra: “Não danifiqueis nem a terra, nem o mar, nem as árvores, até selarmos na fronte os servos do

nosso Deus.” (Ap 7.3) Ter o selo de Deus, assim, seria ser guardado por ele.

A forma como se dará esta proteção, entretanto, está carregada de ambigüidade, já que o caminho que os guerreiros deverão seguir em Apocalipse 14.1-5 é o caminho do Cordeiro, ou seja, o caminho da morte. Neste caso, o selo não implica ausência de sofrimento para os guerreiros, mas vitória por meio dele.

Por isso, dois outros elementos também poderiam ser evocados com o selo de Deus. Um foi sugerido por Fioreza,178 entre outros, que o entende como uma referência a um grupo em oposição direta aos marcados pela besta no capítulo 13. Em Apocalipse 13.16, a besta que surgiu da terra assinala a todos os seguidores da primeira besta com uma marca sobre a mão e sobre to. me,twpon auvtw/n (a testa deles). Logo na frase seguinte, essa ca,ragma (marca) sobre a testa e a mão é definida como o nome da besta e o número do “ovno,matoj auvtou/” (nome dela). Ambos os grupos têm um nome marcado na testa: sobre um grupo a marca é o nome da besta e o seu número (666); sobre o outro, o nome do Cordeiro e do seu pai. Os dois grupos estão marcados, mas em paralelismo antitético. Um é o oposto do outro.

Um segundo elemento pode ser encontrado na relação entre o selo e o nome. Se na primeira aparição dos 144.000 o visionário não identificou o selo, agora ele o faz: o selo na testa destes guerreiros é tanto o nome do Cordeiro quanto do seu pai. Em função disso, Richard, entre outros, acredita que este seja mais um elemento a reforçar o imaginário de pertença.179 Eles pertencem ao Cordeiro e ao seu pai, o que vai ser efetivamente afirmado pelo próprio texto, que nos versos seguintes os descrevem como comprados dentre a terra (Ap 14.3) e comprados dentre os homens (Ap 14.4). Além disso, na nova Jerusalém, os “santos” terão o nome de Deus na fronte (Ap 22.4), o que indicaria que já na terra os seguidores do Cordeiro possuem a identidade daqueles que habitarão a Nova Jerusalém.

178 FIORENZA, Elisabeth Schüssler. Revelation, p. 88. 179 RICHARD, Pablo. Apocalipse, p. 202.

83 Apesar das três sugestões não serem excludentes, no contexto do episódio, acreditamos que ser selado tem muito mais relação com pertença do que com proteção ou oposição paralela.