2. SĠGORTACILIK TARĠHĠ, TEMEL KAVRAMLAR VE BĠLGĠLER
2.6 ĠnĢaat All Risk Sigortaları (CAR) Tanımı
A obra de Pierre Prigent é do final da década de 1980, e chegou ao Brasil pouco tempo depois.94 Para este importante comentarista, os 144.000, em suas duas aparições no Apocalipse, descrevem a existência dos seguidores de Jesus no meio do Império Romano.95
Ao falar de monte Sião, então, João apontaria para o espaço no qual se processa a salvação. Para este autor, quem acompanha o Cordeiro no episódio é um grupo de fiéis que vive sua fé no meio do Império idólatra, e talvez caminhe para o martírio.
Já que a expressão ouvk evmo,lusan (não contaminaram) foi usada na carta à igreja de Sardes (Ap 3.4) para se referir àqueles que se mantiveram fiéis, referindo-se a crentes que haviam se recusado a pactuar com a idolatria, a impureza em Apocalipse se assemelharia a prostituição. Neste sentido, as prescrições de abstinências sexua is em tempos de guerra santa ou para o exercício sacerdotal são transpostas para a vida cotidiana dos “santos”, onde aqueles que vivem na comunhão com o Cordeiro devem abster-se inteiramente da prostituição com a idolatria.96
Outra característica dos 144.000 está relacionada com o martírio, o que está implicado no seguimento do Cordeiro. Este autor chama como testemunha uma referência do segundo século, segundo a qual um cristão de nome Vettius Epagathus confessou sua fé diante do tribunal e sofreu o martírio. Nas fontes, ele foi definido como um autêntico discípulo de Cristo, pois “segue o cordeiro aonde quer que ele vá”.97 Isso significa que pelo menos neste período, alguns entendiam a referência de Apocalipse 14.1-5 como uma alusão ao martírio.
93 FIORENZA, Elisabeth Schüssler. The followers of the Lamb, p. 134.
94 PRIGENT, Pierre. O Apocalipse. São Paulo: Loyola, 1993. 455 p. O original é de 1988. 95 PRIGENT, Pierre. O Apocalipse, p. 256.
96 PRIGENT, Pierre. O Apocalipse, p. 260. 97 Citado de Eusébio em Hist. Ecles. 5.1.10.
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2.16. Christopher C. Rowland
Outro influente autor da atualidade, Rowland, lê o evento, pelo menos na estrutura do Apocalipse, como futuro e entende o episódio como parte da segunda interrupção no esquema das três séries de sete elementos. Esse parêntese vai do capítulo 10 até o 15. Nesse episódio, os eleitos são aqueles que são marcados com a marca do Cordeiro, fazem o contraste com a fé daqueles que têm a marca da besta, e, como conseqüência, serão os únicos a participar do grande conflito final entre o Cordeiro e a besta.98
Para este autor, as principais características dos 144.00 estão no versículo 5, e dizem respeito ao fato de que, por não haver mentira em suas bocas, são autênticos, e por serem sem defeito, são íntegros.
A outra característica, a castidade, estaria relacionada apenas à tradição da guerra santa. Como os guerreiros do Antigo Testamento, que quando envolvidos em uma guerra santa permaneciam puros, os 144.000 também mantém sua santidade, pois são descritos em termos da preparação para a guerra santa. É celibato metafórico, entretanto, e indicaria a recusa de fazer compromisso com uma ordem social injusta.
2.17. Richard Bauckham
No mesmo ano em que Rowland publicava seu comentário, Richard Bauckham, também na Inglaterra, publicou um imponente livro, em que organiza num único lugar artigos que publicara sobre o Apocalipse de João. Não é um comentário linear, mas seus artigos trabalharam os principais aspectos e temas da obra de João.
Em um destes artigos, Bauckham relaciona e compara o Apocalipse de João com o Rolo da Guerra de Qumran. O artigo original havia saído alguns anos antes, em 1988, na revista Neutestamentica, com o título “The Book of Revelation as a Christian War Scroll”.99 Sua reedição apresentou algumas pequenas modificações.100 O pressuposto continuou o mesmo: que a tradição da guerra santa é proeminente na expectativa escatológica judaica,
98 ROW LAND, Christopher C. Revelation. London: Epworth Press, 1993, p. 25.
99 BAUCKHAM, Richard. The Book of Revelation as a Christian War Scroll. In: Neotestamentica, 22, 1988, p.
17– 40.
100 BAUCKHAM, Richard. The Clímax of Prophecy. London: T & T Clark, 1993, p. 210-237. O título do
sendo utilizado amplamente no livro de João, apesar de receber do visionário um enfoque peculiar, qual seja, a participação ativa dos crentes no confronto final, perspectiva essa igualmente evidenciada no Rolo da Guerra de Qumran (1QM).
Os 144.000 são, assim, o exército do Messias militar, comprados e selados por Deus. Eles são protegidos para servir a Deus no combate final. Esse é um exército messiânico de mártires que triunfam através de seu martírio, porque são os seguidores do Cordeiro e participam em sua vitória ao seguir seu caminho até a morte.
Para Bauckham, a referência à virgindade e castidade dos 144.000 seria facilmente explicada ao se perceber que eles formam um exército que participa de uma guerra santa. Por isso eles são homens adultos e se mantém livres de contaminação ritual provocadas por relação sexual. O referente aqui é a antigas demandas de pureza ritual para o exército do Senhor. De forma similar, o Rolo da Guerra também proibiu mulheres de entrarem no acampamento durante o período inteiro de campanha militar.
A frase final (sem mácula) apresenta esta honradez moral debaixo de uma metáfora que poderia ser usada tanto para guerreiros “santos” como para vítimas sacrificiais. Isso seria deliberado nesta passagem. Eles são perfeitos para o combate, da mesma forma que são perfeitos para o sacrifício.101
Entendido desta forma, o imaginário do Cordeiro e os 144.000 se insere numa transformação simbólica do mundo.102 Ele troca a percepção dos seus leitores da situação na qual eles vivem e então os habilita para agir de forma diferente em resposta a ela.
2.18. Bruce Malina
Outro autor a ver o evento como ocorrendo no céu é Bruce Malina.103 No seu comentário de Apocalipse, ele relaciona as visões do livro com a antiga astrologia, identificando o Cordeiro com a constelação de Áries. O cenário da visão, neste caso, está em volta do Cordeiro cósmico sobre o monte Sião. O Cordeiro, como um ser honorável, tem um grande séqüito, numerado como 144.000 seres, marcados com o seu nome e o nome do seu Pai-patrono.
101 BAUCKHAM, Richard. The Clímax of Prophecy, p. 234.
102 Bauckham, aqui, é dependente de David Barr. Cf. BARR, David L. The Apocalypse as a Symb olic
Transformation of the World: a Literary Analysis. In: Interpretation, 38/1, 1984, p. 39-50.
103 MALINA, Bruce J. On the Genre and Message of Revelation: Star Visions and Sky Journeys. Peabody:
51 Estes 144.000 que não se macularam com mulheres são servos celestiais. Esta referência é indício de que eles devem estar relacionados com a situação pré-diluviana da humanidade, como descrita por Gênesis 6.1-4 e articulada no Livro dos Vigilantes. Este autor relaciona Apocalipse 14.4 com as narrativas de Gênesis e 1Enoque 1-36.104
Para Malina, assim, os seguidores do Cordeiro são servos estelares que não cruzaram os limites cósmicos para se macular com mulheres. Estes que não se desviaram e se misturaram com humanos eram diferentes dos seus colegas desviados que, por sua vez, foram vencidos por Miguel e sua hoste celestial.
2.19. Daniel Olson
A forma como Malina interpretou o Apocalipse não foi seguida por outros estudiosos, mas a relação que fez entre Apocalipse 14 e o Livro dos Vigilantes foi ampliada, posteriormente, num artigo bastante convincente, por Daniel Olson, que se concentrou em analisar especificamente os versículos 4 e 5 do episódio.105 Ele argumenta que a primeira
parte de Apocalipse 14.4 é uma alusão consciente a 1Enoque, especialmente ao Mito dos Vigilantes. Ao assim fazer, o visionário estaria tratando do status angelomórfico dos “santos”.
João estaria indicando que os justos tomariam o lugar dos anjos caídos no esquema da eternidade. A linguagem ascética de Apocalipse 14.1-5 seria, neste caso, entendida como uma referência a uma história bem conhecida da audiência do Apocalipse na qual anjos perderam seu status sacerdotal ao se relacionar com mulheres.
2.20. David E. Aune
Aune106 demonstra ter conhecimento da sugestão de Olson, mas prefere fazer uma
leitura tradicional, na linha de Caird. Para ele, o monte Sião é o centro do reino escatológico,
104 MALINA, Bruce J. On the Genre and Message of Revelation, p. 189.
105 Olson, entretanto, não faz referência a Malina como ponto de partida de seu ensaio, mas sim a Adela Yarbro
Collins. Para Olson, ela teria sido a primeira pesquisadora do Apocalipse a indicar uma relação de evocação entre o Apocalipse e o Mito dos Vigilantes. Collins sugeriu a relação num seminário em 1987, mas não voltou a trabalhar o tema. Cf. OLSON, Daniel. C. “Those who Have not Defiled Themselves with Women”: Revelation 14.4 and the Book of Enoch. In: The Catholic Biblical Quarterly, 59, 1997, p. 492-510.
e a descrição do Cordeiro sobre este lugar apontaria para o momento do conflito final do povo de Deus.
A descrição dos 144.000 é feita através do imaginário de pureza ritual (Ap 14.4) e pureza moral (Ap 14.5). A impureza ritual, assim, poderia ser encontrada no termo evmolu,nqhsan, que apontaria para uma descrição figurada do intercurso sexual, uma visão típica da Escritura judaica. O contexto dessa ênfase na pureza sexual é o do discipulado, também encontrado em ditos nos evangelhos que enfatizam algum tipo de ascetismo.
Se Sião constitui a Jerusalém escatológica, os 144.000 representariam uma força militar que aguarda o confronto final contra as nações incrédulas, evento que se desenrolaria nos episódios posteriores do Apocalipse. Aune entende, então, que no contexto do Apocalipse os 144.000 são os redimidos de toda a humanidade que se posicionaram para o confronto escatológico final.