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5. TÜRKĠYE SÜT SIĞIRCILIĞI DURUMU

5.1. Türkiye‟de Süt Üretim ve Tüketim Durumu

A obra A Doutrina Cristã (De doctrina christiana) é considerada o manual de hermenêutica formulado por Agostinho. Não é uma obra escrita de um único fôlego. O começo da redação deve ser compreendido no início de seu episcopado, em 397. O restante da obra por volta de 426 ou 427, data próxima ao fim de sua vida. Estas fases distintas de redação são informadas pelo próprio autor em suas Retractiones.91A data de finalização da obra pode ser apontada, sem grande probabilidade de erro, para os anos acima mencionados

91 "Ayant trouvé inachevés les livres De la doctrine chrétienne, j aiàmieux aimé les achever que de passer à la

révision d'autres livres en les laissant dans cet état.à J aià do à terminé le troisième livre qui avait été rédigé jus u àl'endroit où est rappelé, d'après l Évangile, le témoignage de la femme qui 'cache le levain dans trois esu esàdeàfa i eàjus u à eà ueàtoutàfermente'. J aiàajout encore un dernier livre et j'ai achevé cet ouvrage en quatre livres: les trois premiers aident à comprendre l Écriture; le quatrième apprend comment il faut exposer ce qu'on a compris" (SAINT AUGUSTIN, 1950, p. 457).

em virtude de informações fornecidas pelo próprio Agostinho tanto na obra em questão como do aparecimento de citações da mesma em outros trabalhos do autor, facilitando assim o seu processo de datação.92

O interesse pela datação das diversas partes da obra em questão encontra-se relacionado ao processo de estabelecimento das normas hermenêuticas por parte do autor tendo em vista a exegese dos textos sacros. Desta maneira torna-se possível estabelecer uma relação direta entre o estabelecimento destas orientações de cunho normativo e as obras exegéticas acima mencionadas. Uma vez estabelecida a relação existente entre a formulação das regras hermenêuticas e a liberdade com que o autor se posiciona diante de um mesmo conjunto de textos em um período de tempo relativamente curto, permitirá a constatação de como, a despeito das regras exegéticas estabelecidas por si próprio, Agostinho deixa-se guiar em sua interpretação dos textos do Gênesis por influências estranhas ao próprio manual de interpretação por ele formulado.

Uma vez estabelecida a data em que as diversas obras sobre o Gênesis foram compostas, torna-se prudente relacioná-las ao período de composição das distintas partes do manual exegético agostiniano, A Doutrina Cristã. É preciso retomar estas datas com o intuito meramente didático. O primeiro texto analisado (Sobre o Gênesis, contra os maniqueus) é datado como escrito em 389 E.C., três anos após a sua conversão (386 E.C.), obra esta marcada por influências deveras significativas: sua conversão (ou retorno) radical ao cristianismo, o encontro com o neoplatonismo e a influência de Ambrósio e sua leitura alegórica do texto bíblico. Era um texto de combate aos maniqueus utilizando o arsenal hermenêutico que o mesmo julgava apropriado para tal empreendimento. O segundo texto (Comentário literal ao Gênesis, inacabado), possui como data o ano de 393 E.C., quatro anos após sua primeira tentativa. Percebe-se nesta obra um afastamento da leitura alegórica e uma inclinação nítida para a postura de interpretação literal ao texto bíblico. Em pouco tempo, duas formas díspares de examinar um mesmo texto torna-se perceptível. A oscilação entre os

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"Esta obra la comenzó poco después de ser consagrado obispo, es decir, hacia el año 397, conforme se deduce del orden de las retractiones, la cual no concluyó. Habiendo escrito hasta el capitulo 25, número 35, del libro III, la dejó así; lo que no impidió que, sin estar concluída, se publicase, pues en los libros Contra Fausto, escritos hacia el año 400, aduce el pasaje que trata del despojo de los egípcios hecho por los hebreos a d doseloàDios;àeàdi e:à ¿Qu àà osaàp efigu àa uelàsu eso?,à e ue doàloàe puse,à o fo eàe to esàseà eà ocurrió, en unos libros que intitulé De doctrina christiana'. Al revisar más tarde sus obras com el fin de hacer su recensión, hallando ésta sin acabar, se propuso terminarla antes de pasar a la corrección de otras, según lo consigna en la retractación de ella. Y lo hizo no sólo completando el libro III, sino que añadió el IV. Esto tuvo lugar, aproximadamente, después de ocho años de su ida a Cesárea de Mauritania, conforme lo indica en capítulo 24, número 53, del libro IV, es decir, poco más o menos el anõ 426 ó 427" (PÉREZ, 1969, p. 45-47).

estilos é clara na tentativa de harmonizar a leitura do Antigo Testamento com a leitura do Novo Testamento.

A terceira tentativa de Agostinho para interpretar os textos iniciais da Bíblia aparece em uma obra que, a rigor, não tinha esta pretensão, as Confissões. A obra, como vista anteriormente, pode ser datada entre fins de 396 e início de 397 até 401 E.C. Aceitas estas datas, é possível afirmar que um período em torno de uma década separa este texto da primeira tentativa de formulação de uma interpretação ao texto do Gênesis. No entanto, esta tentativa de interpretação contida nas Confissões distancia-se daquelas anteriormente estabelecidas em virtude do estabelecimento de uma exegese em que o texto é vivido existencialmente, ou seja, ele é interpretado a partir da vivência de Agostinho como homem definido pela experiência do reencontro com a fé, começando a ser marcado espiritualmente pela instituição igreja e vendo no texto o reflexo deste viver eclesiástico, mesmo que para isto lance mão de artifícios platônicos ou neoplatônicos.

O último comentário sobre o tema em questão, o Comentário literal ao Gênesis, é datado entre 401 e 415 E.C. Texto relativamente longo tanto no que diz respeito à extensão da obra como ao tempo consumido para redigi-la, ela aparece como a consumação de um projeto iniciado há quase doze anos. A interpretação deste texto é nitidamente literal, voltando assim ao projeto estabelecido e nunca concretizado de seu segundo comentário, porém incompleto. O esforço usado pelo autor para uma composição literal é surpreendente. Lançando mão dos conhecimentos científicos de sua época, esforça-se por produzir uma obra que não permita uma interpretação tão livre das Escrituras, como é possível em uma leitura alegórica, estilo este que ele outrora lançou mão, e que neste período em que se encontra identificado plenamente a uma instituição religiosa ortodoxa, não era conveniente. É nítido o afastamento de posturas adotadas nas Confissões e nos tratados anteriores. Uma menor liberdade interpretativa e um apelo à ortodoxia tornam o texto portador de um estilo mais sóbrio, trocando os voos metafísicos possíveis numa interpretação platonizada via neoplatonismo por uma postura estoico-platônica, mais próxima de uma exegese institucional caracterizada pelo rigorismo conceitual teológico.

Outra abordagem ao Gênesis ainda pode ser vista como parte constitutiva da obra A Cidade de Deus. Tendo como pano de fundo uma situação histórica distinta daquela que permeou os tratados exclusivos sobre o primeiro livro da Bíblia, as assertivas sobre ele contidas na obra supracitada não devem ser consideradas como outro tratado sobre a mesma

questão, embora reflita a forma como o autor pensava a temática no fim de sua vida (a redação se prolonga de 412 a 426 E.C.). É a busca da origem das duas cidades, a de Deus e a dos homens na história, que o faz endereçar a atenção para o primeiro livro da Bíblia. Um "esquecimento" da questão maniqueia faz-se presente. É o plano moral que permeia a análise do texto bíblico. Não existe uma releitura das visões anteriormente fornecidas pelo autor, apenas a reafirmação do sentido literal do texto e seu uso alegórico quando aquele não puder ser utilizado.

As diversas formas utilizadas por Agostinho ao texto do Gênesis tomadas aqui como exemplos de caso, devem ser analisadas à luz da compreensão do próprio autor sobre as regras a serem seguidas no processo de interpretação, caso contrário seria plausível supor que diante da inexistência de normas, todas as interpretações seriam possíveis. A análise dos procedimentos hermenêuticos contidos em A Doutrina Cristã não deve ser interpretada como sendo a investigação acerca das primeiras regras hermenêuticas do ocidente latino cristão, mas o coroamento de um processo lento ocorrido entre os exegetas latinos e que culmina na produção da referida obra.93A questão a ser examinada agora é: de que forma pensava Agostinho, pensamento este registrado em A Doutrina Cristã, no período em que realizava seus trabalhos exegéticos sobre o Gênesis? E, decorrente da resposta obtida verificar se Agostinho afastou-se, na execução de suas exegeses ao texto do Gênesis, das regras por ele mesmo estabelecidas.

Novamente é necessário um retorno às questões acerca da datação dos diversos textos. Como já visto a redação inicial da obra, compreendida como início do seu episcopado, situa- se em 397 E.C. Durante este período ele escreveu os três primeiros livros de A Doutrina Cristã. Esta redação primeira abrange até o capítulo vinte e cinco do livro III, conforme a

93 Sendo o cristianismo, tal como o judaísmo, uma religião baseada em escritos considerados sagrados, é

natural o esforço na produção de uma literatura que permitisse a melhor interpretação para tais textos sacros. Embora este processo tenha sido desenvolvido com desembaraço no oriente cristão grego, no ocidente latino o mesmo ocorreu com notável atraso. Ainda que homens como o famoso gramático Mário Vitorino e o grande tradutor Jerônimo tenham expressado suas preocupações acerca da melhor maneira de interpretar os textos bíblicos, é sem dúvida com o donatista Ticônio (c. 330-390 E.C.) e sua obra Liber regularum que as regras sobre a melhor maneira de interpretação da literatura sagrada são de fato afirmadas no ocidente cristão latino. Agostinho retoma, em sua Doutrina Cristã, parte considerável das regras estabelecidas por Ticônio na composição das normas de interpretação da Bíblia Sagrada (DI BERARDINO, 2002, p. 551-555, 1362-1363). Na obra A Doutrina Cristã Agostinho reserva o final do livro III para tecer considerações sobre as regras de interpretação do texto sacro elaborados por Ticônio, mostrando assim certa consideração pessoal por este exegeta donatista. Ver SANTO AGOSTINHO, 1991, p. 193-201.

indicação do próprio autor.94 A segunda parte, que compreende o restante do terceiro capítulo do livro III95 e o livro IV, que trata da exposição da doutrina ou mais propriamente da oratória sacra, é composta entre 426 e 427 E.C.96 O primeiro texto (Sobre o Gênesis, contra os maniqueus), de caráter alegórico, data de 389 E.C. O segundo texto (Comentário literal ao Gênesis, inacabado), possui como data o ano de 393 E.C., e possui como característica uma tentativa de leitura literal. O terceiro texto analisado, Confissões, datado entre fins de 396 e início de 397 até 401 E.C., possui como marca uma independência exegética sem precedentes, marcado pela vivência cristã, lançando mão até de forma exagerada de elementos alegóricos, platônicos e neoplatônicos, constituindo-se no seu texto alegórico por excelência. O quarto e último dos comentários, o Comentário literal ao Gênesis, é datado entre 401 e 415 E.C.

A ordem destas datações permite concluir que a oscilação entre a leitura alegórica e a literal dos três primeiros comentários, bem como o pano de fundo histórico e existencial que animam estas obras, encontram-se dentro da esfera da concepção hermenêutica percebida na obra A Doutrina Cristã, nos três primeiros livros, visto que o último e quarto livro foi redigido, como já foi visto acima, em data distante daquela em que foram compostos os primeiros livros, bem como, logicamente, dos primeiros comentários agostinianos sobre o Gênesis. O quarto e último comentário ao primeiro livro da Bíblia, com posição de cunho mais literalista e nitidamente mais conservador, é escrito em um período na qual permanece incompleta a redação do manual de exegese agostiniano, mas que ainda assim pode ser visto como susceptível às concepções teóricas que estiveram em voga na concepção do referido manual. E mesmo que se admita a possibilidade dos dois primeiros comentários se encontrarem alguns anos antes do autor formular as regras prescritas em A Doutrina Cristã, o período de composição desta obra, ao menos os trechos que interessam a este trabalho foram redigidos no mesmo período da obra Confissões, ou seja, o texto autobiográfico de Agostinho é produzido concomitante ao manual hermenêutico agostiniano.

94 "Ayant trouvé inachevés les livres De la doctrine chrétienne, j aiàmieux aimé les achever que de passer à la

révision d'autres livres en les laissant dans cet état.à J aià do à terminé le troisième livre qui avait été rédigé jus u àl'endroit où est rappelé, d'après l Évangile, le témoignage de la femme qui 'cache le levain dans trois

esu esàdeàfa i eàjus u à eà ueàtoutàfermente'" (SAINT AUGUSTIN, 1950, p. 457).

95 O livro III é concluído com a adição de quatro capítulos. O último destes capítulos, e o mais extenso, é um

comentário sobre as regras de Ticônio.

96 "J aiàajout encore un dernier livre et j'ai achevé cet ouvrage en quatre livres: les trois premiers aident à

comprendre l Écriture; le quatrième apprend comment il faut exposer ce qu'on a compris"( SAINT AUGUSTIN, 1950, p. 457).

O exame do conteúdo dos primeiros livros de A Doutrina Cristã, embora de forma superficial, permite perceber as principais indicações do autor africano no que se refere à maneira pela qual o intérprete do texto deveria aproximar-se do mesmo, no intuito de conseguir obter o real entendimento daquilo que é lido. Não é possível perder de vista que o texto aludido aqui é a Sagrada Escritura, de relevância ontológica não apenas para o autor do manual, mas também para seus leitores.

O livro I assume uma postura dogmática e moral e, de certa forma, funciona como a base da qual se erguerá os comentários posteriores de caráter nitidamente mais técnicos. Este primeiro livro destina-se ao estudo das coisas, vistas aqui como realidades a serem descobertas pelo sujeito. Mas o ato de conhecer implica não apenas o conhecer as coisas como também os sinais que a elas aludem. Das coisas a serem descobertas a maior e mais importante é a realidade divina e as demais construções dogmáticas, tais como trindade, encarnação do Verbo, ressurreição final, a igreja etc. Todos estes elementos são, direta e indiretamente, revelados nas Escrituras. Ao encerrar este livro Agostinho aponta quais seriam os princípios básicos da exegese e, contrariando as expectativas, não se encontra aqui uma preocupação puramente técnica, mas a disposição espiritual que deve acompanhar o intérprete no ato de seu exercício.

O livro II discorre sobre os signos a serem observados no processo interpretativo das Escrituras. Esta parte já se constitui em um aparato mais técnico. Os livros inspirados são, tais como as demais obras literárias, um conjunto de sinais escritos, ou seja, de palavras harmonicamente concatenadas. A necessidade do conhecimento não apenas dos sinais escritos, mas também das línguas diversas em que foram redigidas as várias partes da Escritura tornam-se vitais para o exegeta. Estas condições são impostas ao trabalho hermenêutico no intuito de permitir ao próprio hermeneuta o acesso ao real sentido do texto inspirado. Além disto, é requerido por parte do exegeta não apenas um preparo intelectual para tal ofício, capacidade esta que inclui desde o conhecimento gramatical até o domínio de diversas ciências (história, geografia, astronomia, dialética, matemática, música), mas acima de tudo disposições morais, virtudes obtidas pelo Espírito Santo.

O livro III deve ser considerado a parte mais importante do ponto de vista de um instrumental teórico de cunho exegético. Neste livro são tratadas, de fato, as diversas regras de interpretação capazes de dissolver qualquer sinal de ambiguidade nas Escrituras Sagradas. Neste livro são abordados os diversos textos sacros que se encontram em sentido próprio ou

literal bem como aqueles que aparecem utilizando elementos claramente figurados ou alegóricos. A distinção precisa entre textos que devem ser tomados literalmente ou figuradamente, a necessidade da leitura nas línguas originais e a importância do contexto são aqui devidamente analisadas. Se os três primeiros livros estão, cronologicamente falando, dentro do espaço temporal em que foram escritos os comentários ao Gênesis acima citados, é sem dúvida o livro II e III aqueles que devem ser examinados de forma mais atenciosa no que se refere a verificar o distanciamento ou não de direcionamentos hermenêuticos por parte de Agostinho de Hipona.

Antes da análise da discussão de cunho mais técnico do que dogmático contido nos livros II e III, convém examinar o final do livro I onde Agostinho discorre sobre os princípios básicos da exegese. Contrariamente ao que poderia se pensar em um primeiro momento, não são apontadas normas puramente técnicas para obter o real entendimento do texto, mas a postura que se espera do intérprete. Isto é um sinal, ainda não claro para o autor em sua época, que o princípio da hermenêutica origina-se dentro do intérprete. O primeiro destes princípios consiste no amor à coisa estudada, e no caso das Sagradas Escrituras, é o amor a Deus compartilhado por aqueles que podem gozar também desta fruição.97 Neste sentido o ato exegético jamais será um momento solitário ou egoísta, mas de caráter essencialmente compartilhado. Tal compartilhar torna-se tão relevante que supre inclusive o fato de que nem sempre o ato interpretativo pode vir a consistir na verdadeira interpretação do autor lido, ou seja, o ato de interpretar tendo em vista a caridade para com outro se torna mais importante do que o real entendimento do texto. Isto não significa que devido a tal postura esta interpretação possa ser considerada correta, mas é menos perniciosa do que uma exegese equivocada tendo como finalidade última um ato puramente egoísta.98 Tal intérprete, no entanto, deve ter a sua exegese corrigida para que não continue incorrendo no erro, tal como um viajante que indo por senda equivocada é alertado sobre a necessidade de mudar sua rota no intuito de alcançar

97 "De tudo o que foi dito anteriormente ao tratarmos sobre as coisas (de rebus), esta é a suma: que se entenda

ser a plenitude e o fim da Lei, como de toda a Escritura divina, o amor àquela Coisa, que será nosso gozo (Rm 13,10 e 1Tm 1,5); e o amor dos que podem partilhar conosco daquela fruição (rei qua fruendum est et rei quae nobiscum ea re frui potest) (SANTO AGOSTINHO, 1991, p. 84).

98 "Se alguém julga ter entendido as Escrituras divinas ou partes delas, mas se com esse entendimento não

edifica a dupla caridade – a de Deus e a do próximo –, é preciso reconhecer que nada entendeu. Mas quem tira de seu entendimento uma ideia útil para a edificação da caridade, ainda que sem trazer o pensamento próprio do autor, na passagem em estudo, ousarei dizer que não comete erro pernicioso, nem diz mentira" (SANTO AGOSTINHO, 1991, p. 85).

o objetivo pretendido. Em todo o caso, quer seja em um equívoco exegético ou na correção do mesmo, o princípio do amor (ou da caridade) torna-se o principal a ser seguido.99

É a partir do livro II, o que trata sobre os sinais a serem interpretados nas Escrituras, que a questão técnica da exegese começa a ser abordada de fato. Uma vez definido o significado de sinal100e seus tipos variados101 convém entender o texto escrito como o espaço onde se impedem a desaparição das palavras logo depois de ressoarem. Sendo a duração de uma palavra justamente o período de tempo da propagação do som da mesma, o signo é instituído para fixá-las justamente por meio das letras.

Daí provém que a divina Escritura, a qual socorre a tão grande males da vontade humana, tendo sido originada de uma só língua que lhe permitia propagar-se oportunamente pelo orbe da terra, foi divulgada por toda a parte, em diversidade de línguas, conforme os intérpretes. Os que a leem não desejam encontrar nela mais do que o pensamento e a vontade dos que a escreveram e desse modo chegar a conhecer a vontade de Deus, segundo a qual creem que esses homens compuseram. (SANTO AGOSTINHO, 1991, p. 97)

Não foi possível devido ao objetivo pecaminoso presente na construção da torre de Babel102 tornar os sinais linguísticos uniformes. As línguas distintas não foram o único pecado cometido pelos homens no episódio da torre de Babel, embora tenha sido o mais visível. Suas

99 "Em todo o caso, todo aquele que nas Escrituras entende de modo diferente ao do autor sagrado engana-se

em meio mesmo da verdade, visto que as Escrituras não mentem. Portanto, como eu tinha começado a dizer,

Benzer Belgeler