BÖLÜM 3: TÜRKİYE’NİN STRATEJİK KÜLTÜRÜ (2002-2010) Türkiye’de son dönemde yaşanan dönüşüm yeni politika anlayışını da beraberinde
3.2. Türkiye’nin Stratejik Kültürünün Yapısı
3.2.6. Türkiye’nin Stratejik Kültürünün Ana Paradigması
Presença de diferenças entre indivíduos de um mesmo grupo
A participante identificava, desde a etapa de Avaliação Diagnóstica a existência de diferenças entre os indivíduos de um grupo. Nesta etapa final de avaliação, pudemos formular algumas hipóteses sobre o desenvolvimento de idéias convergentes com o princípio darwinista de variabilidade intraespecífica e seu papel no processo evolutivo, objeto de estudo deste trabalho. Esse desenvolvimento está relacionado a mudanças nas idéias da participante sobre a natureza das diferenças entre os indivíduos de um grupo e a relação entre esta e os conceitos científicos (e relações entre conceitos) cuja análise descreveremos a seguir.
Conceito de espécie
Na última etapa da intervenção houve um número elevado de expressões da palavra “espécie” pela participante. A aplicação do conceito em diferentes situações nos possibilitou desenvolver uma hipótese, de que ela considera “espécie” a um grupo de organismos com características muito semelhantes. Desta forma, parece-nos que é possível entender que a participante considere “espécie” grupos de organismos como as sub-populações representadas no instrumento de ensino. Tomando o exemplo do instrumento de ensino, a participante parece considerar como espécie às populações iniciais (chamadas de populações porque apenas essas se encontram no ambiente) e também às sub-populações que se diferenciam por alguma característica da inicial (que também poderia ser considerada uma sub-população, já que a população, grupo maior, inclui esses dois grupos de indivíduos). Na aula 13, foram abordadas de forma explícita as relações (entre populações iniciais e sub-populações) e a possibilidade de especiação, de formação de novas espécies. Durante a aula, nas atividades realizadas, objetivamos esclarecer que essas sub-populações poderiam gerar novas espécies, se houvesse o
pressuposto abordado na própria aula para a formação de novas espécies (isolamento reprodutivo).
Durante a aula 14, os participantes responderam a questões presentes em um roteiro de atividades (Anexo 3) e realizaram sistemáticas com o instrumento, propostas no mesmo roteiro. Em uma questão que solicitava escrever sobre a seleção natural, Vanessa aplicou o conceito de espécie da seguinte forma: “A seleção natural é o
processo pelo qual a espécie se adapta ao ambiente garantindo assim sua sobrevivência.”. Quando exemplificou utilizando o instrumento, ela escreveu: “No instrumento isto é mostrado através da diminuição ou desaparecimento de uma espécie anterior a uma outra, cuja a adaptação tornou-se difícil devido as mudanças ambientais.”. Aqui encontramos subsídios para a hipótese elaborada inicialmente, de
relação direta entre indivíduos com características semelhantes (que poderiam pertencer a uma sub-população dentro de uma população maior) e a formação de espécies. Nessa mesma aula, respondendo a uma questão sobre a importância da “variabilidade (diversidade) intraespecífica (entre indivíduos de uma mesma espécie)” ela respondeu: “Com a diversidade da espécie, as características são diversas, o que possibilita a
adaptação de alguns indivíduos que possam sobreviver às mudanças ambientais”. Esta
mesma resposta será analisada em outros tópicos e parece corroborar a hipótese formulada. Vanessa escreveu “diversidade da espécie” o que é uma expressão ambígua, que dá margem à interpretação de que ela poderia querer dizer diversidade de espécies (expressão presente na aula 15, citada logo adiante) e que seria convergente com nossa hipótese inicial. Mas, a ambigüidade também poderia ser considerada como um problema de expressão da participante.
Na aula 15, como já citamos, a relação entre diferenciação de indivíduos e formação de espécies também aparece: “Mesmo que essas plantas mudem de ambiente
com muitos parasitas elas não evoluíram, pois todas elas são idênticas. Não há diversidade de espécies ...”. Portanto, há indícios fortes de que a participante considera
espécie como um grupo de indivíduos com características muito semelhantes, incluindo um grupo muito pequeno de indivíduos que fazem parte de um grupo maior. Aclaramos que não foi desenvolvida uma atividade específica para explorar o conceito de espécie da participante, sendo os dados analisados as expressões espontâneas da participante
que remeteram a este conceito. Uma atividade especifica poderia ter sido muito útil para que a análise, que foi exposta em termos de hipóteses, pudesse ser mais conclusiva.
Geração da variação é aleatória.
Nesta etapa da intervenção, Vanessa parece relacionar a geração da diversidade a um processo aleatório (gerado ao acaso). Na aula 14, respondendo à questão 6 (Anexo 3), a participante caracteriza o processo evolutivo como: “... ele é contínuo, não tem
previsão para término e os acontecimentos se realizam ao acaso...”. A expressão os
“acontecimentos” é um pouco vaga e dificulta a análise, pois o acontecimento que ocorre ao acaso no processo evolutivo é a geração da variação (as mutações). Mesmo assim, parece relevante o fato de que ela utiliza a idéia de aleatoriedade (incluída em uma tabela que contém uma série de características) para relacioná-la ao processo evolutivo, escrevendo “ao acaso” na resposta, isto é, transcrevendo em outras palavras essa mesma idéia. Na aula 15, respondendo à questão 1 (Anexo 4) ela indica como correta a afirmação da direita (que apresenta uma visão convergente com o conhecimento científico) e justifica esta escolha escrevendo: “Como elas viviam
somente próximas a corpos d’água, logicamente seria vantajoso alguma característica aquática. Aleatoriamente foram surgindo mutações que favoreceram sua adaptação e sobrevivência ao ambiente.”. A resposta expressa com clareza a relação entre o
surgimento de características aquáticas (vantajosas no ambiente) e o surgimento aleatório de mutações, parecendo contribuir com a hipótese de que a participante relaciona, nesta etapa, surgimento da diversidade de características e aleatoriedade. Mas, uma expressão escrita na aula 15, analisada mais adiante na relação entre variação e mutação, pode indicar que estes dados não são conclusivos sobre o desenvolvimento da idéia de que as diferentes características surgem a partir de um processo aleatório.
Relação entre variação e mutação
Na etapa de Avaliação de Aprendizagem, há indicativos de que ela manteve (e aparentemente reforçou) a relação já apresentada, na etapa anterior, entre o surgimento de diferentes características e o conceito de mutação. Em uma atividade da aula 15 a participante devia se manifestar sobre a possibilidade de evolução de algumas plantas geneticamente iguais (clones) transplantadas em um ambiente muito desfavorável. Na
resposta ela estabeleceu uma relação entre mutação e “diversidade de espécies”: “Mesmo que essas plantas mudem de ambiente com muitos parasitas elas não
evoluiriam, pois todas elas são idênticas. Não há diversidade de espécies, portanto as chances de ocorrer mutações são diminuídas.”. Ela atribui, na seqüência da resposta,
importância à mutação como possibilidade de sobrevivência das plantas, mas indica que a possibilidade de mutação seria remota: “A mutação seria a única chance de
sobrevivência, no entanto a morte é certa.”. Esta expressão parece demonstrar
claramente relação entre mutação e o surgimento de características que poderiam gerar possibilidade de sobrevivência no ambiente descrito. Mas, a associação entre mutação e “diversidade de espécies” pode gerar uma outra análise, que colaboraria com o entendimento sobre as relações estabelecidas pela participante entre mutação e aleatoriedade.
Na aula 15 ela escreveu: “... Aleatoriamente foram surgindo mutações...” explicando sua resposta sobre a questão das lontras (questão 1, Anexo 4), de forma convergente com o conhecimento científico, como já descrevemos em análise anterior. Mas, na resposta da mesma aula, expressou: “Não há diversidade de espécies, portanto
as chances de ocorrer mutações são diminuídas.” Vanessa parece atribuir à existência
de “diversidade de espécies” uma maior possibilidade de que ocorram mutações, relação divergente do conceito científico de mutação, processo que ocorre ao acaso, independente da existência de outras características, o que foi abordado especificamente na aula 07. A afirmação da participante possibilita diferentes análises e acreditamos ser possível propor uma hipótese a respeito do significado da mesma.
Acreditamos ser possível associar as duas situações em que Vanessa relaciona mutação e aleatoriedade à capacidade da participante em identificar esta relação e utilizá-la de forma adequada nas questões. Nas duas situações estava presente a idéia de aleatoriedade no enunciado da questão e as duas exigiam que ela associasse informações presentes (características do processo evolutivo e explicação sobre a evolução de um caractere) ao processo evolutivo. Portanto, as duas respostas provavelmente fossem influenciadas pelo contexto das questões, dificultando a análise das respostas da participante de forma conclusiva. Mas, a capacidade de identificar a relação “adequada” não estava presente na participante no início da intervenção e outros participantes não foram capazes de realizar essa identificação e responder de forma convergente com a
científica essas mesmas questões. Discutiremos mais aprofundadamente essas idéias na análise final.
Princípio da herança dos caracteres
Na etapa final da intervenção, alguns dados parecem indicar uma convergência entre as idéias de Vanessa e a herança e determinação genética dos caracteres. Ela parece expressar o caráter genético da determinação das características em uma resposta: “Os padrões de asas não mudarão, pois mesmos que sejam predadas ainda
haverá sobreviventes. Esses sobreviventes transmitirão as mesmas características a seus descendentes” e de sua transmissão: “os genes serão passados de geração a geração. (mesmo que o pai morra, haverá um filho portador).”. No processo evolutivo
apenas as características determinadas geneticamente são importantes, porque elas são passadas às gerações seguintes e podem ocasionar mudanças ao longo das gerações.Os dados analisados nos levam a formular a hipótese de que Vanessa parece ter desenvolvido algumas idéias convergentes com essa relação. Ela parece ter sido capaz de discriminar características determinadas geneticamente e aquelas adquiridas (que não podem ser transmitidas às gerações seguintes) no processo evolutivo. Na resposta à questão 4 (Anexo 4), sobre a influência da alimentação nos músculos de diferentes gerações de ratos de laboratório ela escreveu: “Não haveria modificações, pois as
características são transmitidas através dos genes. Como a alimentação é um fator externo, sua influência de nada vale no processo”. Ela descreve como “externas” as
influências da alimentação e parece identificar que as alterações, não passíveis de transmissão genética aos descendentes, não se perpetuariam ao longo do tempo. A questão 5, do mesmo instrumento de coleta de dados, questiona a possibilidade de evolução do padrão de asas de um tipo de borboleta. A participante relaciona a impossibilidade de mudanças no padrão ao longo do tempo à impossibilidade de evolução do caractere (devido à impossibilidade de seleção sobre o mesmo) que continuaria o mesmo, pela determinação genética das características. Estes dados dão suporte à hipótese acima mencionada de que a participante parece relacionar ao processo evolutivo as idéias de determinação e herança dos caracteres, de forma convergente com o princípio da herança dos caracteres. As respostas citadas parecem permitir que relacionemos as idéias da participante de mudança, nas gerações de
organismos, ao longo do tempo. Também parecem permitir que possamos especular que na resposta sobre a não existência de mudanças ao longo das gerações na musculatura dos ratos, devido à impossibilidade de transmissão das mudanças nessa característica, esteja relacionada a sua visão do papel das características determinadas geneticamente no processo evolutivo. Na análise que relaciona as idéias da participante nas três etapas da intervenção abordaremos novamente esta discussão.
Relação entre variação e adaptação
A participante parece estabelecer uma relação direta entre a diversidade de características e adaptação. Esta relação parece estar caracterizada pela idéia de que a diversidade indica possibilidade de adaptação: “...as características são diversas, o que
possibilita a adaptação de alguns indivíduos que possam sobreviver às mudanças ambientais.” (aula 14). A mesma idéia está presente também em uma discussão
realizada nessa aula, suscitada por uma atividade com o instrumento, na qual o grupo deveria demonstrar a importância da variação intraespecífica no processo evolutivo. Vanessa diz que “Quanto mais diferenças [entre os indivíduos de uma população]
melhor para sobreviverem, para alguns poderem se adaptar.”. Na aula 15 outra
resposta parece ir ao encontro desta interpretação. A questão 1 do questionário (Anexo 4), que já foi citada anteriormente, descrevia a evolução das patas das lontras que, sabe- se, descendem de ancestrais cujas patas não tinham membranas interdigitais. A questão colocava duas alternativas de descrição desse processo – uma que relacionava o desenvolvimento à pressão ambiental, e outra que o relacionava às variações acidentais – sendo a primeira incorreta, do ponto de vista científico, e a segunda correta. A participante indicou a segunda alternativa como a mais correta e justificou escrevendo que: “...Aleatoriamente foram surgindo mutações que favoreceram sua adaptação e
sobrevivência ao ambiente”. Nesta resposta ela relaciona as mutações às características
que possibilitaram (favoreceram) o processo de adaptação. A partir destes dados, podemos formular a hipótese de que a relação estabelecida pela participante, nesta etapa da intervenção, entre variação e adaptação parece estar permeada pela idéia de que a existência de diferentes características possibilita adaptação dos indivíduos portadores das mesmas.
A análise anterior e a hipótese formulada baseiam-se em uma aparente convergência entre as idéias da participante e o conhecimento científico. Mas, as análises anteriores, principalmente sobre a aleatoriedade do processo de surgimento da variação, também permitem que formulemos outra hipótese, a fim de enriquecer a discussão. Há alguns indícios de que o sentido utilizado, pela participante, para a palavra “aleatório” não seja convergente com o conceito científico. Ela expressou-se, em outra situação da etapa de Avaliação de Aprendizagem, de uma forma que parece indicar a idéia de que a diversidade de características pode “aumentar a chance de
ocorrer mutações”, idéia divergente do conhecimento científico sobre as mutações. A
partir dos dados coletados, não é possível certificar-nos do sentido atribuído pela participante ao caráter aleatório das mutações, mas podemos formular a hipótese da possível manutenção das idéias iniciais da participante sobre um certo direcionamento do processo de surgimento das características. As idéias relativas a este “direcionamento” podem estar convivendo, conjuntamente, com as idéias sobre a variedade como possibilidade de adaptação, o que não foi possível discriminar com mais profundidade a partir dos dados coletados.
Relação entre variação e ambiente
Vanessa, nesta etapa, parece estabelecer uma relação entre variação intraespecífica e o ambiente, na qual a diversidade é uma possibilidade de que alguns indivíduos possam sobreviver às transformações ambientais: “... as características são
diversas, o que possibilita a adaptação de alguns indivíduos que possam sobreviver às mudanças ambientais.” (aula 14). Ela expressa a possibilidade de que mudanças
ambientais interfiram nas populações ou sub-populações (que ela chama de espécies), mudando as chances de sobrevivência dos organismos com determinadas características. Além dessa relação – entre a diversidade de características e mudanças ambientais –, ela relaciona o aparecimento de novas características e a sobrevivência em determinado ambiente. Por exemplo, no dado coletado na aula 15, já analisado anteriormente, a participante escreveu: “Como elas viviam somente próximas a corpos d’água,
logicamente seria vantajoso alguma característica aquática. Aleatoriamente foram surgindo mutações que favoreceram sua adaptação e sobrevivência ao ambiente.”.
sobrevivência de indivíduos em determinado ambiente, no exemplo, um ambiente aquático. Devido à análise sobre a aleatoriedade nas idéias de Vanessa, a frase “aleatoriamente foram surgindo...” é questionável quanto ao seu significado. Vanessa escreve que aleatoriamente foram surgindo mutações que favoreceram a adaptação dos organismos. Considerando as análises anteriores e o sentido atribuído a “aleatoriedade”, podemos verificar a viabilidade da hipótese de que na frase referida possa haver indicativos da idéia de que algo (provavelmente o ambiente) possa influenciar no surgimento das características favoráveis. Esta idéia já foi identificada em etapas anteriores da intervenção.