BÖLÜM III: TÜRKİYE’DE SPORUN İDARİ VE YARGISAL YAPILANMASI
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No presente estudo pretendeu-se propiciar aos dois alunos com Síndrome de Down uma experiência de interação com livros mediada por um adulto letrado. Esta proposta apoia- se em um princípio bem estabelecido para nortear um trabalho voltado para favorecer o sucesso dos alunos no período da alfabetização. Este princípio estabelece que para tal a estimulação junto aos alunos já deveria começar desde o inicio da Educação Infantil, envolvendo o proporcionar oportunidades ricas e diversificadas para o aluno observar modelos de atos de leitura e escrita e de explorar e experimentar envolver-se. Este tipo de aproximação com a linguagem escrita possibilita ao aluno ir construindo ativamente os seus conhecimentos sobre ela e aprimorando as habilidades relativas a linguagem, sendo que o desenvolvimento de ambas no período da Educação Infantil constituem-se preditores do sucesso na habilidade de decodificar, ler com fluência e compreender e encontrar o significado do que está sendo lido.
A abordagem de promoção do LE que norteou a intervenção implementada no estudo apoia-se em uma tendência que passa a ser cada vez mais presente no âmbito do ensino de alunos com deficiências, em particular, daquelas que apresentam deficiência intelectual. Com base nas evidências da pesquisa, recomenda-se que o desenvolvimento dos conhecimentos e habilidades de leitura e escrita características do LE sejam estimulados tendo em vista favorecer o potencial de aprendizagem da decodificação e compreensão da leitura entre alunos com deficiência intelectual.
Pode- se considerar que, apesar do caráter exploratório e descritivo, o estudo oferece contribuições para o entendimento das possibilidades advindas da leitura compartilhada para garantir o engajamento de alunos com deficiência intelectual em atividades de LE comumente vivenciadas por alunos com desenvolvimento típico na Educação Infantil.
A descrição dos encontros evidencia que as diversas situações de leitura compartilhada, conduzidas pela professora responsável pela intervenção proporcionaram aos participantes uma experiência com livros que pode ser considerada ímpar na medida em que usualmente eles não desfrutariam de tal oportunidade no ambiente familiar e, possivelmente, nem mesmo no contexto da sala de aula regular. Ao longo da intervenção, verifica-se que a professora consistentemente apresentou modelos relativos a como apresentar uma parcela dos comportamentos característicos do LE, encorajando os participantes a engajarem-se
ativamente nas atividades que requeriam a apresentação de tais comportamentos, fornecendo feedback para o engajamento dos alunos.
Destaca-se que a maioria das ações apresentadas pela professora é semelhante às ações requeridas para um trabalho de promoção de LE junto a crianças com desenvolvimento típico. Observou-se que a professora utilizou algumas adaptações em função de determinadas características dos participantes tendo em vista facilitar o envolvimento nas atividades propostas para eles no contexto da leitura compartilhada. No entanto, a leitura compartilhada foi mantida como fio condutor da sua interação com os alunos, criando oportunidades para a criança participar de forma ativa, dando o suporte e instigando-as a experimentarem e a envolverem-se em novos desafios. A atuação da professora ilustra uma diretriz norteadora que vem sendo defendida pelos pesquisadores da temática de ensino de leitura para crianças com deficiência, ou seja, o processo de aprendizagem da leitura destes alunos é semelhante aos demais e torna-se necessário eles terem experiências com a linguagem e escrita semelhantes as que os alunos com desenvolvimento típico têm acesso (BROWDER et al., 2006; BROWDER et al., 2008; KATIMS, 1994, 1996). A comparação das características da intervenção implementada neste estudo com as oferecidas em alguns dos estudos citados evidencia convergências no que refere-se à disponibilização de uma pequena biblioteca para os alunos (sempre contavam com vários livros para serem escolhidos para serem lidos pela professora), a exposição sistemática a leitura de historias de livros e o uso constante de estimulo para o aluno compreender o enredo das historias, desenvolver vocabulários e expressarem-se (FERNANDES, 2002; KATIMS, 1994, 1996). Os dois participantes contaram com oportunidades sistemáticas de ouvirem historias, conversarem sobre elas e demonstrarem compreensão, bem como de escolherem livros favoritos, manusearem os livros, usarem as convenções da escrita, perceberem algumas das funções da escrita. Os alunos a seu modo expressaram compreensão do que estava sendo lido e praticaram o vocabulário.
Ambos participantes demonstraram intenso interesse por ouvir as histórias lidas e tiveram contato com em media dois livros por encontro, evidenciando a importância de terem oportunidade de terem contato com a leitura e a escrita e de serem incentivados a explorá-la. Eles engajaram-se em escolher livros demonstrando ter consciência de quais são os seus livros favoritos, memorizando aspectos relativos às histórias ouvidas, demonstrando entendimento do que estava sendo lida, concentração nas atividades, uso de frases curtas e simples. Os alunos tiveram inúmeras oportunidades de se expressarem e demonstraram motivação para entrar em contato com os livros.
Os resultados indicam que os ritmos do engajamento nas atividades relativas aos diferentes componentes de LE foram diferentes. P1 ao longo das 14 sessões teve experiência com atividades que requeriam demonstração de interesse e participação pela leitura de histórias, manuseio do livro, conceitos sobre escrita, relação palavra escrita e falada, leitura de faz de conta.
Neste estudo, a intervenção implementada possibilitou que os participantes tivessem oportunidade de se engajarem na apresentação de uma parcela dos comportamentos do LE, mas não tiveram oportunidade de envolverem-se com outra parcela de comportamentos relativos à escrita, leitura de faz de conta, entendimento do principio alfabético, habilidades de consciência fonológica, reconhecimento de palavras do cotidiano. Em parte, a frequência e a duração da intervenção não foram suficientes para possibilitar o desenvolvimento de todo o programa, ficando demonstrada a necessidade de uma maior intensidade e duração. Os estudos mostram queas intervenções bem sucedidas voltadas para a promoção de LE junto a alunos com deficiência têm sido implementadas com uma frequência diária e ao longo de todo um ano letivo. Nestes estudos os progressos relativos aos componentes do LE apresentados pelos participantes são atribuídos a uma exposição intensa e extensiva ao contato com os livros, a leitura e as atividades relacionadas aos diferentes componentes do letramento (BROWDER et al., 2006; BROWDER et al., 2008; KATIMS, 1994, 1996).
A partir dos resultados do estudo, sugere-se que estudos posteriores possam conduzir a intervenção semelhante a implementada mas com maior frequência e por um período mais prolongado. No entanto, o atendimento a este tipo de condição depende do estabelecimento de uma pareceria mais sólida e de uma atitude de apoio por parte dos profissionais da escola a inciativas de estudo desta natureza. Desta forma, seria necessário que o pesquisador contasse como uma autorização no âmbito escolar para que os alunos fossem liberados das atividades regulares previstas por períodos diários de meia hora, bem como contasse com um local adequado para a realização da intervenção. Neste estudo, foram identificados vários obstáculos para que estas condições fossem garantidas.
O estudo mostra a importância da continuidade de investigações em contextos que abrangem a inclusão escolar de crianças com deficiência intelectual que tenham como proposito entender melhor as maneiras consideradas eficientes para promover o LE de alunos com deficiência intelectual. Fornece subsídios sobre a estruturação da leitura compartilhada que poderiam ser utilizados em pesquisas posteriores dirigidas para crianças com deficiência intelectual. A partir das limitações do estudo apresentadas, sugere-se varias alternativas para a
continuidade do estudo. Uma delas poderia consistir na replicação do estudo de forma que os alunos tivessem oportunidades de terem experiências com a leitura compartilhada de forma mais intensa e extensiva possibilitando um trabalho com todos os componentes do LE inclusive com a consciência fonológica. Uma recomendação seria obter medidas relativas aos diferentes componentes do LE ao longo do processo de implementação, bem como em diferentes momentos após o termino da intervenção.
Uma segunda alternativa de estudo poderia consistir em possibilitar que tanto o professor da sala regular como o da sala de recursos acompanhasse a implementação da intervenção conduzida pelo pesquisador. Esta seria uma estratégia de mostrar para os professores uma abordagem diferente para o trabalho com os alunos destacando mais o papel do pesquisador como modelo. Com este acompanhamento, possivelmente, os professores das salas regulares que trabalhem com seus alunos com desenvolvimento típico de acordo com a perspectiva do LE poderiam vir a verificar que o trabalho com os alunos com deficiência intelectual poderia estar acontecendo por meio de uma abordagem bem próxima a já usada por ele. O acompanhamento do professor da sala de recursos que trabalha de forma individualizada com os alunos poderia vir a perceber novas necessidades dos alunos no que diz respeito a aprendizagem de leitura a serem contempladas nesta situação.
Outra possibilidade de continuidade do estudo poderia ser a proposição da intervenção para ser aplicada em grupo de alunos com deficiência no contexto da sala de recursos e a utilização de um delineamento experimental de forma a se verificar com mais precisão o impacto da intervenção para o grupo que recebeu a intervenção uma vez que poderia ser comparado com um grupo controle que recebe a intervenção prevista na sala de recursos.