1. SÜRDÜRÜLEBĠLĠR KALKINMA VE GELĠġĠMĠ
1.3. Türkiye‟de Sürdürülebilir Kalkınma
1.3.2. Türkiye‟de sürdürülebilir kalkınma konusundaki çalıĢmalar
A propriedade rural da RMBH apresenta características específicas que a distinguem da maior parte dos proprietários rurais do entorno de outros centros do país, pois a área metropolitana mineira se caracteriza pela significativa presença de pequenos produtores rurais. O caráter da cidade de Belo Horizonte, que foi fundada no final do século XIX para ser a capital mineira em uma região onde existia uma economia agrícola precarizada e em que as distribuições de heranças entre proprietários ocorriam de maneira a fragmentar a propriedade da terra, fez com que os proprietários tradicionais se fragilizassem e perdessem poder, o que se agravou com o estímulo da indústria extrativista e a conseqüente concentração de grandes parcelas de terras em mãos de empresas mineradoras.
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As pressões do mercado e o caráter de baixa produtividade dos grandes proprietários da RMBH levaram já no ano 1970 a que ocorresse uma transferência de terras para grandes comerciantes e outros agentes econômicos no mercado de loteamentos, como empresas estrangeiras destinadas à especulação da terra (PLAMBEL, 1987, p. 79).
A concentração da propriedade rural na RMBH, para este período, é relevante, seguindo uma trajetória similar à da região sudeste (NOVICKI 1992). A Tabela 9 evidencia que, apesar de haver uma significativa presença de pequenos imóveis rurais, as médias e grandes propriedades representam mais de quatro quintos da terra ocupada na Região Metropolitana.
TABELA 9 - Número de área total das propriedades rurais na RMBH Abs. % Abs. % Menos de 50 3.691 80,4 45.314 17,7 50 a 500 843 18,4 111.613 43,6 500 a 10.000 54 1,2 64.416 25,2 acima de 10.000 2 0,0 34.399 13,5 Total 4.590 100,0 255.742 100,0 Clases de Áreas (ha) Nº de Propiedade Área RMBH
Fonte: INCRA estatística cadastrais. 1972
Uma interessante informação nos oferece o PLAMBEL (1987) a respeito da perda de vocação produtiva das terras ocupadas pelas 56 maiores propriedades (acima de 500 ha). Dentre essas propriedades, 14 estão em mãos de pessoas jurídicas, sendo 13 propriedades de empresas mineradoras, indústrias siderúrgicas e outras indústrias, e apenas uma delas é empresa agropecuária (PLAMBEL, 1987, p. 80), conforme a tabela abaixo.
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Tabela 9.1 – Distribuição das maiores propriedades na zona da rural da RMBH: número, área e natureza de propriedade.
Propriedades Nº de Propiedade Area (ha) % Pessoa Juridica Ativid. não agricola Ativi. Agricola Belo Horizonte 1 2.144 2,9 1 Betim 2 3.449 7,4 1 1 Caeté 5 10.875 14,9 4 1 Nova Lima 4 37.061 50,7 4 Pedro Leopoldo 3 7.489 10,2 1 1 1 Rib. Das Neves 1 1.472 2,0 1
Sabará 2 5.977 8,2 2 Santa Luzia 1 1.210 1,7 1 Vespasiano 1 1.492 2,0 1 Municípios Nº de propriedades segundo a natureza de proprietario
Fonte: INCRA estatística cadastrais. 1972 In: PLAMBEL, 1987, p 81.
Estas informações mostram o caráter mercantil que adquire a propriedade rural na RMBH, uma vez que a terra perde a vocação agrícola tradicional, subordinada pelos fluxos de capital financeiro, transformando-se assim em mercadoria especulativa, situação concomitante com a evolução do capital no estado de Minas Gerais. Na região de Uberlândia, por exemplo, da mesma forma que em outras partes da região sudeste, repete-se a tendência de os produtores de baixo padrão técnico venderem suas terras a empresas de reflorestamento que têm acesso a incentivo fiscal.
A dinamização do mercado de terras nessa região foi incentivada pelo poder público. Para isso, criou-se no final dos anos 60 um aparato fiscal de estímulo à formação de reservas florestais que, por meio de programas de baixos impostos, incitou num extremo a reprodução de empresas para essa atividade, e no outro, o beneficiamento de compra de terras de pequenos produtores por oligopólios financeiros como o Banco Itaú e o grupo Gazeta Mercantil. Assim, ocorreram impactos no uso e apropriação de terras locais (ROMEIRO,1994, p.52-53) para diminuir sua base produtiva e submetê-la às regras do mercado financeiro.
Como foi verificado por Mendoça (1996), no período 1960–1980, a redução de terras produtivas não utilizadas no estado de Minas Gerais tem
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uma variação pouco significativa: de 1.446.583 no ano 1960 para 1.137.109 em 1980 (MENDOÇA, 1996, p. 58). Este quadro vem seguindo essa tendência até a atualidade no estado, verificando-se também na região metropolitana de Belo Horizonte uma notória concentração fundiária e uma alta improdutividade da terra.
4.1.2-Concentração Fundiária, terra improdutiva e população rural na RMBH.
A tendência de concentração fundiária pode ser verificada na RMBH quando vemos as estratificações do tamanho do módulo fiscal que os órgãos governamentais realizam para dividir a propriedade na região em Minifúndio - Menor de 1 MF; Pequena - de 1 a 4 MFs; Média - de 4 a 15 MFs; e Grande - Maior de 15 MFs. O cadastro de 2005 do INCRA permite identificar os seguintes pesos de fração de parcelamento dos 34 municípios da RMBH; o maior número de propriedades está concentrado nos 22 municípios que têm um módulo fiscal de 7 ha, (incluídos os municípios do cordão central da metrópole) e nos 10 municípios que têm um módulo fiscal de 20 ha. Itaguara e Belo Horizonte são exceções extremas: o primeiro tem um MF de 30 ha e o segundo de 5 ha.Com esta estratificação, Mazzetto (2007) elabora uma divisão das grandes propriedades em produtiva e improdutiva. Esta última é dada pela fiscalização da equipe do INCRA relacionando-se a dois índices estipulados na lei agrária: Grau de Utilização da Terra (GUT) e Grau de Eficiência da Exploração (GEE).
Os dados da Tabela 9.2 destacam que o município de Esmeraldas é o que possui maior número de latifúndios improdutivos da RMBH, com 128 imóveis rurais nesta condição. Em seguida vem Pedro Leopoldo, Taquaraçu de Minas e Sabará que possuem entre 30 e 40 latifúndios improdutivos, de um total de 519 identificados pelo INCRA na RMBH, o que significaria um enorme potencial para a criação de assentamentos de reforma agrária, pois, naquela categoria, se baseia a disposição legal que poderia desapropriar as
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áreas para fins de reforma agrária por não atenderem à função social da propriedade. A partir da Tabela 11, o autor elabora um mapa (Figura 7) que retrata as intensidades55 relativas ao número de grandes propriedades improdutivas dos municípios da RMBH, demarcando quase 85% dos imóveis rurais da RMBH como minifúndios ou pequenas propriedades. Já as grandes propriedades somam cerca de 3% do total de imóveis rurais da RMBH, apresentando um incremento em relação ao censo de 1972, em que as grandes propriedades da RMBH representavam apenas 1,2% do total de imóveis (PALMBEL, 2007).
Tabela 9.2. Classificação dos imóveis rurais Municípios RMBH, Cadastro INCRA 2005.
Pequena Média TOTAL
Propr. Propr. Produtiva Improd.
Baldim 343 171 59 14 10 649 B. Horizonte 79 49 28 1 11 176 Betim* 847 224 111 17 22 1247 Brumadinho 1.021 263 80 1 6 1431 Caeté 483 335 155 9 28 1047 Capim Branco 171 58 60 8 16 316 Confins 94 40 14 2 2 154 Contagem** 287 126 60 - 15 496 Esmeraldas 992 559 442 52 128 2186 Florestal 351 197 40 - 1 598 Ibirité** 149 94 25 1 11 291 Igarapé 341 63 18 1 1 434 Itaguara 1.337 298 23 - - 1677 Itatiaiuçu 679 222 46 3 1 1231 Jaboticatubas 1.094 374 107 8 16 1630 Juatuba 162 36 16 - 3 218 Lagoa Santa 320 151 101 8 27 625 Mário Campos 62 45 5 - 2 116 Mateus Leme 696 249 56 5 4 1017 Matozinhos 180 77 46 24 19 347 Nova Lima** 160 74 38 1 24 332 Nova União* 483 154 2 1 2 642 P. Leopoldo 142 142 98 13 39 453 Raposos 8 15 4 1 2 38 R. das Neves** 167 94 44 4 15 329 Rio Acima 146 93 40 5 14 308 Rio Manso 642 147 19 - - 820 Sabará** 436 198 99 12 31 794 Santa Luzia** 413 166 123 9 22 744 S. J. da Lapa 57 31 11 3 3 111 S. J. de Bicas 121 41 10 - 1 178 Sarzedo 43 39 13 2 4 110 Taq. de Minas 479 155 100 6 37 479 Vespasiano** 86 52 21 4 2 168 13.071 5.032 2.114 215 519 21.392 61,10% 23,52% 9,88% 1,00% 2,43% 100,00% Minas Gerais 443.871 181.706 60.451 6.593 6362 709030 RMBH
MUNICÍPIO Minfúndio Grande propriedade
Fonte: Com base do cadastro do INCRA, dez/2005. In: Mazzetto 2007
*Municípios que tem áreas de MST
**Municípios do contorno metropolitano com características Rurbanas.
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Figura 7 - Grandes Propriedades improdutivas na RMBH
Fonte: Mazzetto, 2007
Estudando os censos dos últimos 30 anos, Mazzetto (2007) observa que os estabelecimentos e a população rural aumentam em número na
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medida em que vão se afastando do núcleo da RMBH. De acordo com o Censo Agropecuário de 1995/06, os municípios de Brumadinho (1.203) e Itaguara (1.101) se destacavam pelo número de estabelecimentos rurais, Em seguida vinham Esmeraldas (781), Rio Manso (577) e Mateus Leme (471). O autor verifica a mesma seqüência crescente em relação à população do ano 2000 (Tabela 12). Nova União e Taquaraçu de Minas se destacaram, pois o primeiro tinha 73,67% de sua população e o segundo 60,53%. Em toda a região metropolitana existia em 1995/9 uma população rural que representava apenas 1,89% do total dos habitantes.
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Tabela – 9.3 Extensão territorial, percentual de população rural (2000) e número de estabelecimentos rurais dos municípios da RMBH (1995)
No. de ordem(est. rurais) Município No. est. Rurais 1995 Extensão territorial (km2) % pop. rural- 2000 1 Brumadinho 1.203 640,15 27,21 28 Itaguara 1.101 410,719 30,94 2 Esmeraldas 781 909,592 18,92 33 Rio Manso 577 232,102 38,4 3 Mateus Leme 471 302,589 15,53 4 Caeté 369 541,094 12,79 5 Ibirité** 347 73,027 0,53 27 Florestal 295 194,356 32 29 Itatiaiuçu 293 295,062 40,84 30 Jaboticatubas 289 1.113,77 47,41 6 Igarapé 246 109,93 7,49 7 Betim* 245 345,913 2,74 25 Baldim 269 554,029 40,92 34 Taquaraçu de Minas 232 329,363 60,53 32 Nova União* 230 171,482 73,67 8 Pedro Leopoldo 145 291,038 19,42 26 Capim Branco 102 94,147 9,54 9 Santa Luzia** 88 233,759 0,38 10 Sabará** 83 303,564 2,3 11 Lagoa Santa 79 231,994 6,54 31 Matozinhos 72 252,908 8,29 12 Ribeirão das 60 154,18 0,58 13 Juatuba 56 96,789 2,81 14 Contagem** 46 194,586 0,87
15 São José da Lapa 31 48,636 40,64
16 Rio Acima 18 230,143 14,13 17 Nova Lima** 9 428,449 2,1 18 Vespasiano** 6 70,108 1,58 19 Belo Horizonte 4 330,954 0 20 Raposos 1 71,85 5,84 21 Confins 42,008 35,94 22 Mário Campos 35,115 24,52 23 Sarzedo 61,892 14,68 24 q Bicas 72,455 24,44 RMBH 7748 8.898,50 1,89
Fonte: Com base do cadastro do INCRA, dez/2005. In: Mazzetto 2007. Adaptado por Riquelme (2007) *Municípios que tem áreas de MST
**Municípios do contorno metropolitano com características Rurbanas.
Com os percentuais de população rural que diminuem à medida que se aproxima do município de Belo Horizonte, o autor constrói um interessante mapa, Figura 8, que identifica um núcleo de 8 municípios que contornam Belo Horizonte. São eles, Betim, Contagem, Nova Lima, Sabará, Ibirité, Ribeirão das Neves, Santa Luzia, Vespasiano. Nesses municípios, o percentual da população rural era menor que 3%, e 13 municípios da RMBH tinham acima de 20% de população rural.
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Figura 8 - População Rural na RMBH
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O que nos interessa ressaltar aqui é que quando os dois mapas são superpostos, na Figura 09, as manchas de baixa população rural concordam com as manchas da grande propriedade improdutiva. Os oito municípios que contornam Belo Horizonte têm de 21 a 40 latifúndios improdutivos. Portanto, são conjugados dois fatores objetivos que sintetizam o fenômeno da rerruralização rurbana do MST-RMBH: por um lado, acrescenta o número da população rural nas áreas de baixa intensidade, e, por outro, ocupa áreas improdutivas no perímetro central, sejam elas periurbanas ou sub-rurais, para reorganizar o desequilíbrio da estrutura fundiária na RMBH.
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Figura 09 População Semi-Rural em áreas de concentração fundiária na RMBH
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