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1. SÜRDÜRÜLEBĠLĠR KALKINMA VE GELĠġĠMĠ

1.3. Türkiye‟de Sürdürülebilir Kalkınma

1.3.1. Kalkınma Planlarında sürdürülebilir kalkınma

metropolitana e a periferização urbana nos espaços rurais da RMBH.

A presente seção discute as formas que adquire o fenômeno migracional intrametrópole por meio do deslocamento populacional em direção a espaços rurais metropolitanos, pois esta ação permite relativizar os conceitos tradicionais com que os estudos urbano-econômicos vêm tratando o assunto, interpretando o fenômeno apenas como uma periferização metropolitana ou uma extensão dos contornos marginais da cidade em direção ao campo, desconhecendo a capacidade de troca e intercâmbios entre os sujeitos de origem urbana e rural que participam destes movimentos migracionais, além das apropriações por parte de trabalhadores urbanos dos ofícios rurais, como forma de geração de salário e renda.

Nos últimos anos, a pesquisa Origem e Destino, da Fundação João Pinheiro FJP, vem construindo indicadores através dos diversos tipos de movimentos pendulares da população de baixa renda que serviram de base para gerar os princípios da periferização metropolitana, que, por meio da

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mobilidade do domicilio de residência, identifica os fluxos internos que convergem para os diversos municípios, ao longo de um dado período na RMBH, por meio de dois indicadores: a mobilidade intracampo, entendida como as mudanças de residência efetuadas dentro de um mesmo espaço municipal e a intercampo como aquela que se desenvolve em diferentes municípios (MAGALHÃES, 2002, p.98).

Para o estudo do ano de 1992, na relação salário e posse de imóvel dos chefes familiares a categoria de casa alugada é a que tem maior percentual como motivo de deslocamento, alcançando tanto no intracampos (intraespaços) 40,2% e no intercampo (entre espaços) 59,8%. Conforme Marques, isto significa que proporções mais significativas de pobres que trabalham fora do município de sua residência habitam as denominadas áreas dormitórios da região norte como Ribeirão das Neves, Santa Luzia, e Vespasiano, mencionando as mais importantes. Em função de ilustrar as tendências de mobilidade intra-metropolitana, Magalhães faz diversos mapas para ilustrar a intensidade do fenômeno por meio de moventes chefes de família com tempo de residência menor que 5 anos em um determinado município que o autor denomina de campos.

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Figura 4. Mapa da RMBH Proporção de chefes moventes intracampo, com menos de 5 anos de residência no domicílio, 1992.

Mapa RMBH: Proporção de chefes moventes intracampo. Intensidade

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Figura 5. Mapa da RMBH Proporção de chefes e-moventes com menos de 5 anos de residência no domicílio, 1992.

Figura 5. RMBH: Proporção de chefes moventes intracampo. Intensidade

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Figura 6. Mapa da RMBH Proporção de chefes e moventes com menos de 5 anos de residência no domicílio, 1992.

Figura 6: Proporção do saldo de Chefes moventes (TLM), com menos de 5 anos de residência no domicílio, 1992. Intensidade

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Como vemos, na figura 4 apresenta uma intensa mobilidade das pessoas intra-espaços no entorno central de BH, e de forma inversamente proporcional se comporta o deslocamento da população da área central para os contornos municipais de área metropolitana. O que nos interessa identificar aqui é que segundo a figura 5, as maiores concentrações de espaços com alta intensidade na proporção de moventes para o ano 1992 encontram-se ao norte e a oeste da RMBH, e na figura 6 a tendência é similar nos últimos cinco anos, ou seja, o movimento de população intrametropolitano se expande para áreas de vocação rural na RMBH, (MAGALHÃES, 2002, p.108-109).

Para Souza (2002), as informações deste tipo ilustram a expansão do tecido urbano em áreas de tradição rural na região norte de Belo Horizonte como o município de Ribeirão das Neves ou Santa Luzia. Noção que reafirma os conteúdos da pesquisa Origem e Destino (2001), pois considera os movimentos pendulares de população como uma extensão natural da periferia metropolitana em espaços semi-rurais ou rurais, nos moldes da inserção do povoado rural no perímetro da cidade, caracterizado pelo acesso a ocupações e serviços ditos urbanos, como a procura de aluguéis de baixo custo nessas áreas.

Não obstante, estes moldes explicativos de deslocamento populacional intrametropolitano são insuficientes, quando diversos fatores entram em cena, de forma tal que os conteúdos de outrora adquirem outros rumos e significados, pois hoje, não operam apenas a procura de moradia de baixo preço e a reprodução mecânica de serviços e trabalhos das cidades no campo. Ou seja, entram na órbita geográfica fatores como a mudanças da base produtiva e de serviços, quando os trabalhadores urbanos incorporam ofícios rurais como fonte de renda e salário, ou quando se considera que esses deslocamentos humanos é fruto do anseio de recuperar as tradições rurais perdidas nos processos do êxodo rural de décadas anteriores. Nesse contexto, dificilmente pode-se falar de um processo de periferização metropolitano em áreas rurais de Belo Horizonte no sentido estrito, pois se produz uma troca de conhecimentos e ofícios de

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mão dupla em que a esfera urbana se vê influenciada de igual forma pelas práticas socioprodutivas do campo.

Esta situação oferece conteúdos significativos para interpretar o objeto do presente estudo, pois a ocupação rurbana que vem se processando na RMBH está mediada por diversos graus de interação produtiva entre segmentos urbanos e rurais que dificilmente se incorporaram nos moldes de geração de renda ditos metropolitanos. Aliás, se objetivam processos construtivos onde funcionam significações e seleções de práticas socioculturais entre um e outro segmento. Portanto, para o presente estudo é mais pertinente entender o processo como reruralização

intrametropolitana e não apenas de movimentos pendulares de

periferização, nem de desmetropolização.

Nesses termos, a noção de reruralização intrametropolitana está objetivada pelo processo de acumulação de capital ligado a duas oscilações espirais. Num extremo se articula a desagregação do capital com os eventuais efeitos da exclusão dos sujeitos que atuam nos setores formais da economia. No outro, a reprodução e manutenção da força de trabalho da camada pobre que atua em diversos ramos da economia informal empurrada para os contornos perirurais da região metropolitana.

Dessa maneira, se outrora era habitual relacionar o trabalho a uma unidade produtiva fixada espacialmente, seja a um estabelecimento, seja pelo ramo, hoje as formas de produção se diversificaram e se fazem mais flexíveis, exigindo dos setores que exercem a economia precarizada maior criatividade e uma alta plasticidade para gerar estratégias de adaptação produtiva.

Uma dessas alternativas portáteis das camadas da população que exercem economia informal é a alta mobilidade pelos diversos espaços da região metropolitana (Mapa 04) para garantir a subsistência salarial, estimulados vertiginosamente a gerar circuitos de mobilidade espacial nos contornos metrópole-campo, desenvolvendo mecanismos de adaptação permanente de venda de força de trabalho e serviços paupérizados em espaços semi-rurais da região metropolitana mineira. Ora, paradoxalmente

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este contexto poderia significar um aspecto positivo da iniciativa dessas camadas excluídas da economia formal da cidade, para se organizar numa ocupação rurbana nos contornos periurbanos da RMBH como forma de enfrentar o desemprego da metrópole.

Portanto, a situação produtiva acima citada, que ancora as bases para o deslocamento dessa parcela da população urbana em direção a espaços rurais, está objetivada também pela ação estável do desemprego urbano, porém possui ações diferenciadas para os desagregados sem teto e moradores de rua da metrópole de Belo Horizonte, que será abordada no seguinte subitem.

O desemprego vem se agravando na RMBH, conforme Barrio e Soares (2006), pois, apesar de o país ter tido uma taxa de crescimento de 5,2% no período de 2004, esteve marcado por uma conjuntura econômica tal como a abertura do mercado, as privatizações, o avanço tecnológico, e a terceirização, que afetaram de forma conjunta a vulnerabilidade salarial e o aumento da precarização das ocupações, mudando a estrutura do mercado de trabalho local (BARRIO e SOARES, 2006,p 6). Assim, descreveremos brevemente as duas etapas acima assinaladas que marcam o quadro de desemprego na região metropolitana de Belo Horizonte: a primeira contextualiza a estabilidade salarial e o equilíbrio empregatício formal e a segunda indica o crescimento inversamente proporcional do desemprego dos setores informais da economia, afetando os trabalhadores sem-teto, moradores de rua e ex sem terras, objetivando assim condições concretas que estimulariam a participação destas camadas na ocupação rurbana na região metropolitana de Belo Horizonte.

Num extremo, conforme Oliveira (2006), aparentemente percebe-se uma relativa estabilidade na taxa de desemprego para 2004, isto pelo comportamento equilibrado das duas categorias com que se mensura o comportamento de desemprego metropolitano: a) desemprego aberto; b) desemprego culto seja pelo trabalho precário, e seja pelo desalento (OLIVEIRA, 2006, p.106). A categoria de desemprego aberto e oculto pelo trabalho precário se referem a aquele segmento que procurou trabalho de modo efetivo dentre os últimos 30 dias a 12 meses; e desemprego oculto por

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desalento compreende as pessoas que não procuraram trabalho nos últimos 30 dias ou 12 meses, seja por desestímulo do mercado de trabalho, seja por circunstâncias fortuitas (PESQUISA EMPREGO E DESEMPREGO mês nov, 2007, p. 5), TABELA 8.6.

Tabela 8.6: Taxa de desemprego segundo tipo RMBH 1996-2004

Taxa de desemprego

Tipo de emprego

1996

2000

2002

2004

Total 12,7

17,8

18,1

19,3

Aberto 7,8

11,5

11,5

12,6

Oculto

4,9

6,3

6,6

6,7

Pelo trabalho precário

3,3

4,2

4,1

4,1

Pelo desalento

1,6

2,1

2,5

2,6

Ano e Percentagem

Fonte: Fundação João Pineheiro. FJP. ( 2006) Oliveira, 2006.

Como se observa na Tabela 8.6, a faixa de desemprego no grupo dos serviços terceirizados apresenta um crescimento nas categorias de trabalho oculto e trabalho precário no decorrer do período de 2006, (OLIVEIRA, 2006, p.107). Estes índices se reverteram um ano após, pois, segundo o boletim de Pesquisa Emprego e Desemprego do mês de novembro, aconteceu uma diminuição do desemprego em Belo Horizonte, passando de 298 mil para 288 mil pessoas entre o período novembro de 2006 e novembro 2007. O que significa uma redução percentual de 11,9% a 11,1%, como resultado do estímulo à produção e consumo por parte das medidas do Banco Central. Assim, o aumento de emprego de 0,9% foi considerado importante pelos especialistas, pois aponta uma melhora de vida de uma das camadas sociais mais expostas da economia.

No segundo momento, chama atenção uma observação sobre este crescimento percentual, pois, apesar do aparente controle da falta de trabalho, o índice de desemprego oculto por desalento aumentou de 32 mil pessoas para 36 mil no mesmo período (Tabela 8.7). Isto é, a rigor para o presente estudo, uma cifra preocupante, pois esta categoria concentra o

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maior percentual de trabalhadores sem-teto e moradores de rua que participam da ocupação rurbana na grande Belo Horizonte.

Tabela 8.7: Estimativa do numero de pessoas de 10 anos e mais e taxas segundo a condição de atividade RMBH. Novembro 2006 a novembro 2007.

nov/06

out/07

nov/07

nov/2007

out/07

nov/2007

out/07

População em idade ativa

4.140

4.243

4.253

0,2

2,7

População economicamente ativa

2.505

2.588

2.594

0,2

3,6

Ocupados 2.207

2.290

2.306

0,7

4,5

Desempregados 298

298

288

-3,4

-3,4

Em desemprego aberto

218

212

210

-9,0

-3,7

Em desemprego oculto pelo trabalho precário

48

44

42

-4,5

-12,5

Em desemprego oculto pelo desalento

32

42

36

-14,3

-12,5

Inativos em dez anos e mais

1.635

1.655

1.659

0,2

1,5

Desemprego Total

11,9

11,5

11,1

-3,5

-6,7

Participação PEA

60,5

61,0

61,0

0

0,8

Estimativa em milis de pessoas

Condição de ativiadade

Variação relativa

Taxas

Fonte: Fundação João Pinheiro FJP, Centro de Estatísticas e Informações (CEI) Pesquisa Emprego e Desemprego na Região Metropolitana de Belo Horizonte PED/RMBH. Convenio FJP/DIESSE/SEADE/SINE-MG. 2006

Desta maneira, chama a atenção o índice de trabalhadores “desalentados”, pois é justamente este segmento social que participa da ocupação dos sem-teto (e que formam o publico base para a ocupação rurbana), além que se concentrarem no ramo da construção civil. E nesse aspecto, a Tabela 8.7: revela dados controversos, pois o nível ocupacional se elevou em 4,5%, tendo o setor da construção civil apresentado um dos maiores números de geração de emprego no mercado de trabalho: 28 mil (12,6) em relação a serviços registrando 4 mil vagas (3,7%); na indústria, 22 mil (6,7%); e no comércio, 20 mil, correspondentes a 6,2% (BOLETIM DE PESQUISA DE EMPREGO E DESEMPREGO, 2007, p. 4). Apesar do aumento de postos de trabalho no setor de construção civil, não conseguiu absorver uma porção de trabalhadores que desenvolvem atividades nesse

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ramo, alias são classificados na categoria de desemprego oculto pelo desalento, que, ao invés do esperado, cresceu em 4.000 mil pessoas entre novembro de 2006 e novembro de 2007.

A situação é paradoxal, pois o mercado de construção alegou falta de mão-de-obra qualificada para esse período, o que gerou medidas emergenciais que tentaram reverter esta falta vaga, pelos programas de qualificação governamental, para o ano 200753, alegando que existia mercado para absorver este setor. Porem tal absorção de postos de trabalho não contempla os desempregados sem-teto, como os trabalhadores da ocupação João de Barro ll, na região da Pampulha, em que quase 80% dos chefes das 40 famílias que dela participam, exercem trabalhos na construção civil. Entre eles, 60,7 % possuem qualificação técnica profissional em seus diversos ramos: marceneiros, carpinteiros, eletricistas, pedreiros, forneiros, pintores entre outros. Ou seja, esta camada estaria à margem do mercado de trabalho, alguns há 18 meses, por falta de endereço real, sem importar que a grande maioria tenha comprovação do grau de qualificação e tempo de experiência profissional.

Enfrenta-se uma exclusão de caráter estrutural que não se explica apenas na esfera econômica, ou pelos programas emergenciais de qualificação governamental: trata-se de uma exclusão socioespacial, habitacional, produtiva e de desemprego nas fases de acumulação do capital. Conjugando o aumento de ocupações terceirizadas em diversos ramos informais, (WACQUANT, 1998, p. 172), os trabalhadores são empurrados a se desenvolver nos anéis periféricos das grandes cidades, modificando, não apenas as formas de vida dos bairros, mas provocando mutações do papel do Estado na forma de administrar a pobreza na troca de políticas públicas estratégicas por planos emergenciais estratégicos, o que se denominou era da administração do desemprego em massa e do emprego precário (WACQUANT, 2003, p. 76). Como assinala Machado (2003, p. 151), o processo de fragmentação do trabalho informal afetou não

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Mais informações site ministério do Trabalho Minas Gerais

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apenas setores desqualificados, mas também a composição técnico- profissional, levada a se transformar em economia de serviços no Brasil.

Concordamos com a bibliografia tradicional54 que os fatores de exclusão econômico-produtivos como a falta de emprego, a falta de acesso ao trabalho formal, e a falta de programas básicos de moradia são sem dúvida, um estímulo significativo que abre margem ao sujeito sem vínculo com o campo a se incorporar na ocupação da terra na área rurbana mobilizado pelo movimento sem-terra e pela organização “Brigadas Populares”. Estes fatores estruturais não são exclusivos, pois por si mesmos não explicam a capacidade de adaptação do sujeito a esse novo espaço, considerando que existem outras dimensões que intervir como as de caráter socio-cultural.

Neste aspecto, podemos afirmar timidamente que existe um embrionário processo de cultura migratória com picos de fluxos e deslocamentos dos desempregados de um ponto a outro da região e da cidade, tanto em áreas semi-rurais, quanto em áreas urbanas; esses movimentos poderiam permitir o desenvolvimento de uma convivência e uma relativa adaptação social dos atores nos diversos lugares transitados, inclusive nos contornos peri-rurais, além das possibilidades de construção de significados dos sujeitos pelo caráter ambivalente e experimental das relações geradas nesse processo de reruralização intrametropolitana na área rurbana do MST.

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