3. ULUSLARARASI ENDEKS ÇALIġMALARI
4.2. Sürdürülebilir Kalkınma Endekslerinin GeliĢtirilmesi
4.2.1. Sürdürülebilir Kalkınma Endeksi-I
2.1.3 O Cooperativismo agropecuário de leite e a participação de produtores rurais.
Para se ter a dimensão e extensão do cooperativismo agropecuário de leite dentro da economia global, apresenta-se as perspectivas atuais e futuras dessas cooperativas no mercado face ao cenário dos resultados desse segmento. Para isso, recorreu-se a estudos sobre o setor leiteiro, pois esta atividade é a maior geradora de emprego no mercado nacional de trabalho e responsável por grande parte da fixação e sobrevivência de famílias no meio rural.
19 Em muitos países, a participação das cooperativas na captação de leite é relativamente alta, chegando a 80% na Austrália, 83% na Holanda e EUA, mais de 95% na Nova Zelândia (Chaddad, 2004), e na Índia, sede do maior movimento cooperativo do mundo, 94% dos laticínios provêm de cooperativas (Amodeo, 2001).
Nesse cenário, o crescimento dessas organizações não tem ficado restrito a uma atuação no mercado local, na função de intermediar o produtor rural. As cooperativas têm apresentado um crescimento cada vez mais acelerado e conseguido atuar na economia mundial, haja vista alguns exemplos de grandes cooperativas de leite, reconhecidas neste setor:
Fonterra: líder absoluta no mercado da Nova Zelândia, com mais de 95% do leite do país (14 bilhões de litros/ano) a cooperativa mais globalizada do mundo(...) seu lema é "nossa casa é o mundo” controla, hoje, cerca de 30% do mercado internacional de lácteos, possui alianças em diversos continentes, inclusive com potenciais concorrentes.
Arla Foods: é a maior cooperativa de laticínios da Europa, com cerca de 8,4 bilhões de litros anuais. Foi a primeira grande fusão entre cooperativas transnacionais: a sueca Arla e a dinamarquesa MD Foods. Apesar do porte gigantesco, sabe que precisa crescer mais, precisa olhar para além de suas fronteiras européias (CARVALHO, 2008, P.1).
A Cooperativa Daiy Farmers of América (DFA) participa de treze joint-ventures com empresas americanas e multinacionais, visa ganhar competitividade num mercado global, por meio de rápido reposicionamento (MARTINS ET ALLI, 2004 P. 58).
Nesse segmento, o Brasil é o sexto maior produtor mundial de leite, entretanto, ainda há uma baixa participação de cooperativas na captação e comercialização deste produto. Conforme Chaddad (2004), no país, essa participação está em torno de 22% da captação do volume total do leite produzido e 40% do leite comercializado no mercado formal, ou seja, captado por laticínios legalmente inspecionados.
Grandes mudanças têm ocorrido em torno das cooperativas de laticínios brasileiras. Recentemente, importantes decisões foram registradas para assumir formatos que sejam competitivos entre cooperativas e entre outras empresas. A Itambé - Cooperativa Central de Produtores Rurais de Minas Gerais é um exemplo da importância crescente das cooperativas na economia nacional:
A Itambé é a maior cooperativa brasileira de laticínios, quer ampliar sua linha de produtos, expandir a atuação no mercado interno e, aos poucos, aumentar as exportações. Com 58 anos de atividade, a cooperativa alcançou faturamento bruto de 1,3 bilhões de reais em 2005. São 8 000 produtores rurais cadastrados na cooperativa, responsáveis pelo fornecimento diário de 2,7 milhões de litros de leite (OCEMG. 2008, P.1).
20 Por outro lado, a Cooperativa do Vale do Rio Doce (Cooperriodoce), a maior cooperativa regional, no leste de Minas Gerais, recentemente teve seu parque industrial vendido para Parmalat, um grupo privado.
Este cenário ilustra o desafio das cooperativas em permanecer no mercado, frente à missão que desempenham como promotoras de desenvolvimento social. Em artigo com o título “o capital encontrou o leite”, Carvalho (2008) mostra como empresas de outros ramos têm investido no setor de laticínios, o que ameaça diretamente as cooperativas:
A compra dos Laticínios Morrinhos, dona da marca LeitBom, pela GP investimentos, não deixa mais dúvidas: o capital finalmente descobriu o leite. Em meio a uma onda de aquisições protagonizadas pela Laep (Parmalat), Perdigão, Bom Gosto e Líder, nada mais emblemático para representar a "corrida ao leite" do que a investida de um grupo conhecido pela sua habilidade de multiplicar o capital dos negócios em que investe.
O ponto é que se trata de uma inovação considerável, feita por quem chega de fora, olha para o setor sem os vieses criados por quem já está nele há tempos e faz perguntas que os participantes tradicionais, com suas posições de liderança, não precisam fazer... essa descoberta traz ameaças ainda maiores para as cooperativas.(CARVALHO, 2008 p.1)
O extrato da entrevista, transcrito a seguir, ilustra uma preocupação da liderança da cooperativa, objeto deste estudo, no que se refere a perspectivas de longo prazo quanto à sua sobrevivência:
Temos a necessidade para os próximos 10 anos muito grande de crescer, de unir. Vem crescendo, mas ainda é pequena, em relação ao mundo globalizado, precisa unir, já fez incorporação de São Domingos do Prata, precisa juntar mais cooperativas, ser forte para disputar mercado. Se não crescer com outras cooperativas, se não acontecer uma união de cooperativas, vai sair de circulação (Diretor Presidente, COOLVAM, 2008)
Desse mesmo modo, a preocupação quanto à continuidade e sobrevivência é comum nas pequenas cooperativas devido, principalmente, à pressão que sofrem do mercado na comercialização de produtos, pois concorrem com cooperativas maiores e com grandes empresas privadas.
Esse quadro vem progredindo desde a década de 90 com a abertura de mercado, onde a entrada de produtos, como o leite, tiveram condições de financiamento mais favoráveis do que nas indústrias nacionais, que foram obrigadas a reduzir preços (FAVERET FILHO, 2002). Nesse período milhares de produtores abandonaram a atividade e empresas regionais e cooperativas fecharam ou foram vendidas.
21 Conforme Faveret Filho (2002 p.240), tais mudanças levaram empresas a buscar mecanismos de aumento da eficiência produtiva. Portanto, há grandes desafios para as cooperativas de laticínios brasileiras, principalmente as pequenas cooperativas, em atuar nesse mercado. É por esse motivo que a forma de conduzi- las é discutida em diferentes perspectivas. Sob o ponto de vista de Chaddad (2004), o desempenho dessas organizações se dá em função de:
política agrícola, regulamentação do setor leiteiro, barreiras à importação de leite e derivados, estrutura do setor produtivo, políticas de apoio a organizações cooperativas, nível tecnológico e educacional dos produtores e ambiente institucional, entre outros (CHADDAD, 2004 p.36),
Outro trabalho realizado com cooperativas de leite de outros paises identificou pontos comuns indicados como responsáveis pelo sucesso dessas organizações:
Consolidação por meio de fusões e incorporações; Alianças estratégicas;
Sistema profissional e representativo de governança corporativa; Estrutura centralizada;
Esforços de fidelização do cooperado; Novos mecanismos de capitalização;
Estratégia competitiva alinhada com estrutura corporativa; (CHADDAD, 2004 p.37),
Esses pontos corroboram Faveret Filho (2002) ao mostrar que mudanças no ambiente competitivo, devido à globalização e avanços tecnológicos, forçam as cooperativas a buscar ganhos de eficiência a fim de não perder relevância no mercado. Segundo Chaddad (2004), essa busca resultou em alianças estratégicas com outras cooperativas ou mesmo com empresas privadas. O termo aliança estratégica expressa a decisão de uma ou mais empresas cooperarem para atingir objetivos comuns. Para Lewis, citado em Rolae e Sobral (2002), numa aliança estratégica as empresas cooperam em nome de suas necessidades mútuas e compartilham os riscos para alcançar um objetivo comum.
Todos os pontos indicados para o sucesso das cooperativas de lacticínios devem ser cuidadosamente discutidos e avaliados para adequada aplicação, conforme a realidade de cada cooperativa. Para isso, os gestores devem ter uma visão ampla da organização e conhecer o ambiente onde a empresa está inserida (SANTOS, 2000). Deste modo o planejamento e execução de diferentes formas de
22 atuação do cooperativismo frente à conjuntura apresentada passam a ser a busca pelo aperfeiçoamento das ferramentas de gestão. Isso exige dos dirigentes, assim como dos sócios, conhecimento e constante aperfeiçoamento.