2. SÜRDÜRÜLEBĠLĠR KALKINMA GÖSTERGELERĠ
2.1. Uluslararası Alanda Sürdürülebilir Kalkınma Göstergesi Belirleme Süreçler
2.1.2. Ekonomik ĠĢbirliği ve Kalkınma Örgütü (OECD)
Existem diversas etapas e categorias para classificar o fenômeno da reforma agrária. No entanto, existe consenso entre a literatura especializada no país de que a Reforma Agrária que vem se processando no Brasil não tem sido a do tipo clássico capitalista na forma institucional. Ao invés disso, ocorreram processos de intervenções governamentais pontuais na distribuição da propriedade de terra (SAMPAIO, 2005). Uma Reforma Agrária convencional se caracteriza pela limitada idéia de distribuição da propriedade da terra, de forma massiva, rápida e centralizada, com aplicação de consideráveis volumes de investimentos em grande escala para tecnologia pesada o que significa apenas a reorganização da propriedade agrícola para acelerar de forma eficiente o processo de desenvolvimento industrial. Pelo menos esse foi o patamar anglo-francês.
Este tipo de política institucional mobilizou as burguesias locais de diversos países da América Latina como Guatemala, Peru, Nicarágua, na metade do século passado para desenvolver sua base tecnológica e sua economia industrial (JANVRY, 1990, p.111). Ao contrário disso, as elites rurais brasileiras, amparadas desde os finais do período colonial por um eficiente aparato legal, não implantaram este modelo de acumulação capitalista, pois ele atentava contra os privilégios da grande propriedade, baseada num capitalismo dependente e mono-exportador (SMITH,1990, p.350). Ou seja, implantou-se outro padrão de acumulação de capital no campo, cujas reformas governamentais não tinham por objetivo modificar a estrutura agrária. Com isso, questiona-se o caráter desenvolvimentista destas reformas (GRAZIANO, 1994, p.196).
O caminho traçado pelo modelo agrícola atual no Brasil foi imitar o padrão rural norte-americano, baseado em grandes propriedades mono- produtoras, altamente mecanizadas e em um número considerável de pequenas propriedades intensamente especializadas, com uso ativo de capital para satisfazer a absorvente demanda dos complexos agroindustriais (STÉDILE, 1999, p.157). A medida mais eficiente para o setor agroindustrial
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foi a denominada reforma agrária de mercado, em que a obtenção de terras seria via bancos, além da negociação de propriedades por meio do Banco da Terra para implantação de assentamentos rurais supervisionados pelo Banco Mundial (GRAZIANO, 1994, p.140-141). De acordo com Mançano (1999), o que aconteceu no processo brasileiro foi uma mudança no padrão de produção agrícola, privilegiando a reprodução do capital financiado pelo sistema nacional de crédito rural, incrementando assim a modernização tecnológica sem desestruturar a concentração fundiária (MANÇANO, 1999, p.74).
Portanto, esta estratégia de mercado ao invés de ser considerada como uma política de Reforma Agrária é mais próxima de um programa fiscal de políticas de assentamentos há dez anos, conforme Mançano (1996) Medeiros (1999) e Leite (2004). Estas medidas tiveram ainda um caráter precário, como por exemplo, o PNRA56, Plano Nacional de Reforma Agrária, do governo Sarney na década de 80, que tinha como meta assentar 1,4 milhão de famílias sem-terra, e não obstante foram assentadas apenas 80 mil.
Conforme nos indica Leite (2004), o Instituto Nacional de Colonização da Reforma Agrária (INCRA) se voltou desde sua fundação para a colonização e administração da cobrança e distribuição do imposto territorial rural ITR, e a função de desapropriação era reclamada com muita pressão por parte dos setores sociais rurais (LEITE et all, 2004.p 38). Vale mencionar que esta estratégia era um instrumento legal amparado no uso social da terra em áreas improdutivas, que permite aos setores sociais pressionar a esfera governamental a intervir no acesso à terra, quer mediante a desapropriação quer mediante a compra (MEDEIROS et all, 1999, p.13).
Em síntese, os impactos do fenômeno decorreram em dois extremos: para reativar os oligopólios da economia rural e fragilizar o pequeno produtor
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Programa Nacional da Reforma Agrária da Nova República tinha como objetivos a distribuição de terra por meio da eliminação do latifúndio e minifúndio, e o fomento de medidas sociais e de crédito. Mais informações em MEDEIROS et all. (1999) Luta pela terra e assentamentos rurais no Rio de Janeiro in MEDEIROS e LEITE (1999) (Org). A formação de Assentamentos Rurais no Brasil, Processos Sociais e Políticas Públicas.Editora da Universidade,UFRGS, 1999.
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sujeito às regras de juros do mercado sem regulação fiscal e subordinado às lógicas de refluxos financeiros do capital, fragilizando a delicada situação em que já se encontrava o pequeno produtor há décadas, especialmente quando verificamos que o aceso à terra na RMBH está caracterizado pela alta concentração fundiária e alta concentração de população urbana.
Reverter esse quadro é o objetivo que o Movimento Sem-Terra se propôs ao longo do processo da interiorização pelo Estado e na RMBH. Em uma primeira etapa, ao final dos anos 80, o movimento sem-terra surge na arena política na região de Jequitinhonha com a primeira ocupação na fazenda Aruega (com cento e cinqüenta famílias). Para incrementar o impacto político na região, não apenas sindical, a organização se expandiu para o triângulo mineiro, em Ituruma, na fazenda Colorado (com duzentas e cinqüenta famílias). Logo rumou para a região Vale do Rio Doce, em 1991, na fazenda Califórnia, município de Tumiritinga, e posteriormente para o norte de Minas.
Este deslocamento na região leste e noroeste do estado responde à estratégia de territorialização do movimento no cenário nacional (MANÇANO,2000,p.33) em concomitância com a expansão territorial de assentamentos rurais da reforma agrária em nível nacional, indicada por Leite (2004). O movimento prioriza estas áreas, pois lá se concentrava o maior número de população que respondia ao padrão próximo à base original da organização, composta por pequenos agricultores tradicionais, diferentemente da região metropolitana, onde a presença desse agricultor era, em número, inversamente proporcional às áreas do interior do estado mineiro.
Não obstante, os impactos políticos da primeira etapa são limitados, levando o movimento a mudar a estratégia há dez anos, quando, após primeira ação no estado, se decide articular uma segunda etapa para se territorializar na região metropolitana. As informações primárias indicam que estas ações foram realizadas para se inserir de maneira mais eficaz na sociedade e fortalecer as relações políticas com outros setores, cuja distância das regiões do interior não permite. Foi um período de lucros
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políticos, pois a presença na área central no período 1999-2001 estimulou coordenações em permanente diálogo do Sindicato de Metalúrgicos e da Central Única de Trabalhadores (CUT) com a administração de governos do PT da época. No entanto, reverter o quadro da alta concentração fundiária e adaptar a alta percentagem de população urbana ao processo da reforma agrária foi um desafio, o que nos leva a examinar a participação do setor pluriativo e rurbano no contexto da reforma agrária.
Se outrora a discussão visou à adaptação do setor urbano no campo por meio da pluriatividade como geradora de salário e renda para indicar a utilidade dessa camada ao processo da reforma agrária, hoje a preocupação se desloca para indicar a ação pluriativa e rurbana como aquela instância que permite fixar o sujeito, pelo menos na área rural da RMBH. Os aportes de Guanziroli (1991), e Alentejano (1997) e (2003) se encarregaram de verificar essa primeira afirmação. Este último autor observou em dois assentamentos da região sul do estado fluminense que a renda agropecuária no ano 1991 era menor que a do ano 1996. Além disso, com a prática da pluriatividade perante as dificuldades dos assentados de origem urbana, a pesquisa verificou que este segmento seria capaz de se tornar produtor agrícola tão eficiente quanto o de origem rural (MEDEIROS et al, 1999, p.148). Assim, esse estudo mostrou a eficácia do grupo urbano para a reforma agrária e sua adaptação no meio rural. Trabalhando com dados recentes derivados do presente estudo, será mostrado que a adaptação a terra, em relação ao produtor propriamente dito rural por meio da pluriatividade, vai dar passo a uma estratégia, não apenas de adaptação e reprodução ao meio rural, mas de permanência no assentamento sem terra.
Um dos princípios econômicos que sustentam a incorporação de setores urbanos ao processo de assentamentos sem terra para a Reforma Agrária perpassa pelas diversas formas de trabalho associado que o sujeito é capaz de incorporar em qualquer tipo de produção, seja simples ou complexa, como cooperativas e agroindústrias. A idéia sugere assimilar a especialização do trabalho sem vocação de lucro para trabalhar em qualquer parte da cadeia produtiva, seja na cadeia agrícola, seja na cadeia industrial
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(como motorista, agricultor ou carregador), pois qualquer trabalhador, independentemente de sua profissão e moradia, ainda que habite na cidade, será considerado trabalhador rural sempre e quando a riqueza produzida circule na comunidade (STEDILE e MANÇANO, 1999, p.106-108).
Concordamos que a idéia de que uma intensa divisão de trabalho permite a ampliação na produção rural, institucionalizando a prática pluriativa em áreas sem-terra, pois parte do princípio que pode operar eficientemente com trabalhadores urbanos com uma tradição em divisão de tarefas produtivas. Embora esta idéia seja parcialmente correta, isto não ocorre na região metropolitana quando se incorporam na luta pela terra setores terceirizados, subdesempregados e moradores de rua, pois se trata de trabalhadores sem tradição em produções capitalistas dessa natureza. Dessa forma, considerar a fórmula de divisão de trabalho como uma estratégia exclusiva para incorporar os setores pluriativos e rurbanos na Reforma Agrária significaria subordinar as heterogeneidades pelas homogeneidades produtivas que acontecem no cenário atual da área rurbana formada pela organização sem-terra e a organização sem-teto da RMBH.
Em definitiva quando se aumentam as práticas pluriativas no interior da área rurbana do movimento social na RMBH, multiplicam-se as formas produtivas do estabelecimento, da mesma maneira que se aumentam as ambivalências para ministrar este tipo de trabalhos e seus efeitos imediatos na área, como as saídas periódicas dos chefes das famílias rumo às cidades em busca de emprego. Esta mobilidade dos trabalhadores acampados, à procura de emprego na cidade, é gerada pela falta de políticas de créditos adequados à realidade urbana e rural da área metropolitana e à precária geração de renda das famílias mais próximas da produção de subsistência. Estes fatores levam os movimentos a criar métodos experimentais para enfrentar a situação, em alguns casos, de forma desregulada, com a falta de uma política regional de trabalho urbano nas áreas. Ao invés disso, existe uma normativa particular em cada estabelecimento para resolver situações tanto de consenso como de impasses, o que causa desequilíbrios e
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desconfiança na relação de trabalho, por parte dos camponeses mais convencionais para com os trabalhadores urbanos, pois, para o setor camponês de corte tradicional, o limite está na capacidade de o sujeito da cidade se fixar na terra e evitar a mobilidade campo-cidade.
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CAPÍTULO 5