3. ULUSLARARASI ENDEKS ÇALIġMALARI
3.1. Endeks GeliĢtirme
As informações das tabelas sobre a ocupação não-agrícola quanto à pluriatividade nas áreas estudadas no movimento sem-terra da região metropolitana apresentam, para o período 2002 a 2007, um aumento de percentual no que respeita à matriz produtiva das famílias. Para o ano 2005 a 2007, as práticas não-agrícolas e pluriativas no assentamento Ho Chi Mim no município de Nova União aumentaram de 38,1% para 57,1%, respectivamente, e inversamente proporcional nas ocupações estritamente rurais mesmo que sejam para subsistência apresentaram uma queda de 61,9% para 42,9% para o mesmo período, dado relevante, pois, para o período 2007 foram consideradas somente 35 famílias identificadas das 45 que formam o assentamento. A tendência de crescimento das ocupações não agrícolas se manteve ainda em limites além da região metropolitana, como o assentamento Margarida Alves localizado no município de Bambuí, que comportou um crescimento anual de quase 3,75%, passando de 75,5% a 81,4% para o mesmo período.
No que respeita ao acampamento Dois de Julho do município de Betim, houve uma leve queda no percentual de crescimento das ocupações extra-agrícolas, passando de 77,2% para 75,6%, de julho de 2002 a dezembro de 2007. Tendência similar se observou no acampamento João Pedro Teixeira do município de Nova União, que passou de 94,8% para 88,0%, de julho de 2007 a dezembro do mesmo ano. Tendência de crescimento, que mesmo apresentando oscilações relativas indica que as ocupações extra-rurais absorvem o maior percentual de geração de renda das famílias em relação a ofícios ditos tipicamente agrícolas, tanto para o acampamento Dois de Julho quanto para o acampamento João Pedro Teixeira, que, para dezembro de 2007, alcançaram 24,4% e 12,0% respectivamente.
É interessante considerar que também as ocupações tradicionalmente agrícolas apresentaram um crescimento no decorrer de julho de 2002 a julho 2007; o primeiro acampamento aumentou 1,6% por ano, e o segundo acampamento teve um incremento de percentual mais expressivo de 6,7%
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de julho 2007 a dezembro 2007. Portanto, sucintamente podemos afirmar que, em percentuais absolutos, as práticas extra-agrícolas comportam uma tendência considerável em relação às ocupações ditas tipicamente agrárias e que para nossa surpresa, o indicador de crescimento mais estável se manifestou no assentamento Ho Chi Mim, passando de 38,1% para 57,1% no ano 2007.
Essas informações fornecem os primeiros elementos da pertinência da pergunta de investigação a respeito do aumento da importância dos ofícios extra-agrícolas quanto à geração de renda em áreas do movimento sem terra na região do entorno da metrópole de Belo Horizonte. O conjunto destes indicadores corrobora os conteúdos selecionados das seguintes entrevistas que a seguir apresentamos;
Entrevistas.
Sr. Caio. Segurança-Camponês Acamp. Dois de Julho.55. anos. Trabalho na empresa de vigilância de Betim, dois por dez, um dia sim um dia não, por isso dá para mexer com a roça. Aqui na roça é o seguinte, se não tem recurso se não tem gado não dá para tirar sustento. Por exemplo, o pai de Amarildo trabalha por cinco contos ou por seis para outro, e isso serve para quê E a cesta de fome zero chega cada 7 meses, por isso que o povo trabalha fora, minha condição é tirar coleta para levar para meu povo lá, mas assim dá não, mas assim que puder quero ficar aqui na roça.
Sr Antônio Pedreiro-Campônes. Acam. João Pedro Teixeira. 44 anos Minha renda é da cidade porque aqui não podemos plantar nada. Sem condições de ficar não dá. Os que estão aqui direto são desempregados, e a grande maioria trabalhamos lá na cidade. Lá trabalho de diarista na obra e ganho uma faixa de R$30, às vezes ganho carteira, é duro o serviço, é de segunda a sábado das oito às seis da tarde, só dá para vir aqui o fim de semana.
Sr. Gustavo Vendedor-Camponês. Coord. Acamp. 2 de Julho. 60 anos Minha renda é da roça, eu já plantei quatro hectares. Desde o início, eu vendo minha colheita. Eu planto muito, vendo lá fora, não dá muito retorno, mas dá pra me virar aqui, e também tenho aqui minha venda. Mas não é renda principal, ela me serve para aplicar dinheiro na roça e só para comprar o que não se obtém da roça: um sal, fubá, macarrão. Isso eu vendo para atender à população.
Como se observa nos conteúdos dos entrevistados existe unanimidade para afirmar que as ocupações não agrícolas são peças fundamentais para permanecer nas áreas ocupadas, e com ela se constata a importância que este tipo de renda oferece, ainda quando é prática pluriativa de salário complementar, como informou o entrevistado de 60 anos
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do acampamento Dois de Julho, no contexto de falta de subsídios governamentais. No entanto, dentro de outra perspectiva, as informações dos entrevistados indicam também que as práticas não-agrícolas estão atreladas diretamente à mobilidade dos trabalhadores para realizar os ofícios fora da área, ou seja, em relação aos atributos particulares das áreas estudadas, as ocupações extra-agrícolas adquirem contornos mais evidentes quando estão conectadas àqueles deslocamentos.
Como indica a tabela de acampamentos, se existiu uma queda no percentual de ocupações pluriativas dentro da área de Dois de Julho, que passou de 40,4% a 37,8% para o período de julho de 2002 a dezembro de 2007, existiu também um aumento das ocupações não-agrícolas fora da área, expressas em 36,8% a 37,8% para o mesmo período, apresentando quase 14 pontos a mais que o percentual do trabalho dito agrícola na área, que absorve somente 22,8% e 24,4% dessa população para o mesmo período. Tendência similar se observou no acampamento João Pedro Teixeira que, das 25 famílias, 81,6% se ocupava fora da área em julho de 2007, passando para 84,0% em dezembro de 2007. Vale mencionar que no assentamento Ho Chi Mim a renda extra-agrícola fora da área alcançou somente 31,4% das famílias em comparação com as atividades agrícolas dentro da área que absorve a 42,9% das famílias. Contudo, não deixa de ser significativo que o trabalho característico da cidade seja uma segunda estratégia de sobrevivência para estas famílias. Para ilustrar as afirmações acima citadas são apresentados alguns dados das famílias acampadas, pois elas apresentam significativos níveis de mobilidade.
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TABELA 10.3.- Mobilidade fora da área sem-terra de acampamentos de MST RMBH 2007.
RURAL TOTAL
Trab. (total fam.) 45 100 45 100 45 100 45 100 25 100 25 100 25 100 25 100
Agrícola 9 0,2 2 4,4 2 8,0 1 4,0 Sub total 0,2 4,4 8,0 4,0 Pluriativo na área Comércio de Mercadorias 2 4,4 5 11,11 3 6,7 Aposentados, ou Outras Rendas 6 13,3 2 4,4 1 4,0 Sub total 17,8 15,6 6,7 4,0 Não-agrícola fora da área Indústria da Construção 1 2,2 1 2,2 5 11,1 7 28,0 3 12,0 1 4,0 Comércio de Mercadorias 1 2,2 1 4,0 4 16,0 3 12,0 Prestação de Serviços 1 2,2 6 13,3 2 8,0 Administração Pública 1 2,2 Sub total 2,2 2,2 4,4 26,7 40,0 28,0 16,0 TOTAL 18 38,2 10 42,2 5 17,8 12 26,7 2 16,0 12 56,0 7 28,0 16,0 (%)
Acampamento 2 de julho Tempo de Saída da área Mês de Nov. 2007 1-2 dias (%) 1 a 5 días por semana (%) de 2 a 3 semanas (%) mais de 4 semanas
Acampamento Jõao Pedro Teixera Tempo de Saída da área Mês de Nov. 2007
Mobilidade e saída da área dos acampados de MST-RMBH. 2007
1-2 dias mais de 4 semanas (%) (%) de 2 a 3 semanas (%) (%) 1a 5 días por semana
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Como se constata no quadro de mobilidade discriminado por atividades no mês de novembro de 2007, na área de Dois de Julho o maior percentual está naqueles indivíduos que desenvolveram ofícios urbanos fora da área por mais de quatro semanas, alcançando 26,7% dos trabalhadores, concentrados nos ramos da construção e prestação de serviços, seguidos pelas ocupações pluriativas cujos trabalhadores retiram-se da área por um dia, o que representa 17,8% dessa população. O acampamento de João Pedro Teixeira concentra o maior peso das ocupações desenvolvidas até cinco dias fora do estabelecimento alcançando 40% dos trabalhadores que se dedicam aos ramos da construção e prestação de serviços, seguido por 28% de trabalhadores que se ausentam até 15 dias fora do imóvel, nos ramos de comércio e construção civil. Ou seja, não é de estranhar que esse acampamento, como todo início de ocupação, comporta uma seqüência de perda de população menos periódica fora da área que o acampamento Dois de Julho, com oito anos de desgaste, apresentando um alto percentual de trabalhadores fora da área por mais de quatro semanas.
As informações acima mensuradas nos permitem afirmar que na interseção dos índices de trabalho e mobilidade dos indivíduos fora dos estabelecimentos sem terra sintetizam a dimensão não agrícola e pluriativa das famílias nas áreas. Portanto, é nessa interface que indagaremos a respeito das formas que adquirem as relações socioprodutivas e sociosubjetivas dos atores em contextos extra-agrícolas nas áreas. Se a conjuntura de ocupações extra-agrícolas está nos pontos de interseção entre a dimensão espacial e o trabalho, estas duas dimensões podem, então, oferecer pistas para a compreensão das eventuais transformações ou permanências das representações sociais sem terra. Pretendemos alcançar este nível de análise interpretativo nos conteúdos mais significativos revelados pelos entrevistados divididos em três seqüências: a primeira, a respeito das relações de trabalho; a segunda, sobre a dimensão da mobilidade socioespacial; e a terceira, sobre as dimensões de identidade espacial e política, como a representação social do campo.
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5.2.4-Esfera de trabalho: Dimensão de dificuldade e benefício