BÖLÜM III YEREL YÖNETİMLERDE HİZMET KALİTESİNİN
4.4. Konut Fiyatının Belirleyicileri (Dünyada ve Türkiyede)
4.4.1. Türkiye’de Konut Fiyatının Belirleyicileri
Em 1903, Lysimaco Ferreira da Costa ingressou no primeiro ano do Curso Geral da Escola Militar do Brasil, também conhecida como Escola Militar da Praia Vermelha, sediada no Rio de Janeiro.
FOTO 2 - ESCOLA MILITAR DO BRASIL
ACERVO: MEMORIAL LYSIMACO FERREIRA DA COSTA.
A Escola Militar do Brasil era o lugar de formação de grande parte dos oficiais do fim do Império e da primeira década da República (Carvalho, 2005, p. 24). A Escola teve origem na Academia Real Militar de 1810, dividida em 1858 para separar o ensino militar da parte de engenharia civil. O ensino de engenharia passou a ser ministrado pela Escola Central, posteriormente transformada em Escola Politécnica.
Modificada pelo Regulamento de 1898, a Escola Militar do Brasil oferecia o Curso Geral, com três anos de duração, para habilitar o oficial nas “três armas combatentes” e o Curso Especial, com dois anos de duração, destinado àqueles que obtivessem aprovação em todas as disciplinas do Curso Geral. O Curso Especial compreendia o Curso de Estado-Maior e Engenharia Militar (Grunennvaldt, 2005, p. 62).
Em 1898, o Plano de ensino do Curso Geral foi distribuído por três anos, da seguinte forma:
QUADRO 6 – DISTRIBUIÇÃO DAS DOUTRINAS DO CURSO GERAL, POR ANO E POR CADEIRA
1º ANO 2º ANO 3º ANO
1ª cadeira Geometria Algébrica, Diferencial e Integral. Mecânica; Balística.
Artilharia, compreendendo o estudo e fabrico da pólvora, substâncias explosivas, artifícios de guerra, bocas de fogo, armas de guerra portáteis, reparos, viaturas, projéteis, metralhadoras, foguetes de guerra e torpedos – tudo precedido do conhecimento das madeiras de construção, bem como das indispensáveis noções sobre resistência dos materiais.
2ª cadeira Física Experimental; Noções de Meteorologia Química; Metalurgia. Fortificação; Minas militares. 3ª cadeira Estratégia e História Militar.
Direito internacional, com aplicação às relações de guerra, precedendo noções de direito público; Constituição da República; Direito Militar; Justiça militar. Aula Geometria Descritiva; Planos Cotados. Topografia; Desenho Topográfico. Perspectiva e sombras;
Desenho de fortificações e máquinas de guerra.
Fonte: Decreto n. 2881, de 18 de abril de 1898, art.79.
O Plano do Curso Especial, dividido em dois anos, compreendia as seguintes cadeiras:
QUADRO 7 – DISTRIBUIÇÃO DAS DOUTRINAS DO CURSO ESPECIAL, POR ANO E POR CADEIRA
1º ANO 2º ANO
1ª cadeira
Astronomia, precedida da revisão de Trigonometria Esférica;
Geodésia.
Resistência dos materiais; Estabilidade das construções; Grafostática;
Mecânica aplicada às maquinas. 2ª
cadeira
Preparação do exército para a guerra, no que
concerne a missão do Estado-Maior. Hidráulica; Pontes
Estradas, principalmente em relação à arte da guerra. 3ª cadeira Mineralogia; Geologia Botânica.
Administração militar, precedida de noções de economia política e direito administrativo. Aula Teoria e Desenho das Cartas Geográficas. Arquitetura; Desenho correspondente;
Stereotomia29.
Fonte: Decreto n. 2881, de 18 de abril de 1898, art. 79.
29 Possivelmente, refere-se a estereotomia, que significa “arte de dividir e cortar com rigor os
A introdução dos estudos científicos na formação militar originou-se da própria necessidade colocada pela prática bélica. O estudo equivocadamente qualificado como “teórico” decorreu de uma necessidade prática colocada pela sofisticação do armamento. Conhecer os princípios da física e da química, por exemplo, era uma exigência para o domínio dos novos artefatos de guerra (Cf. Alves, 2006). Para a defesa do território pertencente ao Estado-Nação, os conhecimentos de história e geografia eram igualmente importantes.
Por influência do positivismo, sobretudo após a entrada de Benjamin Constant no quadro de professores, em 1872, a Escola Militar do Brasil tornou-se um centro de estudos de matemática, filosofia e letras, mais do que disciplinas militares, sintetizando, melhor do que qualquer outra instituição, determinados traços do panorama intelectual do período final do Império e inicial da República (Cf. Alves, 2006)30.
A crença na ciência como vetor do progresso moral e material da sociedade encontrava ali um campo de difusão preparado por um ensino tradicionalmente ligado aos conhecimentos científicos que estiveram na base da modernização das guerras e, conseqüentemente, na formação militar, desde o século XVIII.
A constituição de traços “humanístico-científicos” foi consolidada nos regulamentos da Escola Militar de 1890, de 1898 e de 1905 (Cf. Grunennvaldt, 2005, pp. 24-25). A formação de oficiais que pudessem desenvolver atividades tanto políticas quanto técnicas foi uma tentativa de conciliar interesses divergentes dentro do próprio Exército.
A tradição de uma formação intelectualizada, acrescida de uma tendência pacifista, contribuía para que as escolas militares fossem alvo de muitas críticas. O General Tito Escobar, por exemplo, afirma, em 1914, que:
Raros soldados de escol produziram as escolas militares e raríssimos exemplares deles nos legaram; sobram-nos, entretanto, enraizados burocratas, literatos, publicistas e filósofos, engenheiros e arquitetos notáveis, políticos sôfregos e espertíssimos, eruditos professores de matemática, ciências físicas e naturais, como amigos da santa paz universal, do desarmamento geral, inimigos da guerra, adversários dos exércitos permanentes (apud Carvalho, 1977, p. 196).
30 Segundo Alves (2006) foram duas as vias de introdução das ciências no Brasil no período, o
ensino médico e o ensino militar. Na cidade do Rio de Janeiro, onde as academias coexistiam, os alunos de medicina e cirurgia chegaram a buscar aulas de química na Academia Militar.
Suplantando o mero uso das armas, o objetivo da Escola Militar era formar o oficial habilitado também para ocupar cargos na burocracia estatal. Para tanto, era preciso propiciar o conhecimento e a interação com
os mais modernos institutos, arsenais, laboratórios, observatórios, fábricas, Escola de Minas, minas em exploração, obras de engenharia, principais obras e oficinas relacionadas ao exercício das profissões de engenharia, como repartições telegráficas, enfim, o mundo da produção em que o epicentro eram as atividades práticas, era a condição para interagir com a dinâmica da sociedade moderna. Formava-se o oficial para o exercício de funções na nova ordem republicana em que se imbricavam as estratégias de formação externos à escola, buscando no mundo da produção e no exercício da função de oficial complementar sua formação, dirigindo estabelecimentos, regimentos, comandando soldados e instruindo-os para torná-los cidadãos da República (Grunennvaldt, 2005, p. 235).
Assim, desenvolveu-se um campo de experiências fundamentais para a formação intelectual dos oficiais, do que decorreu a imagem do exército como instituição capaz de fornecer homens para dirigir a nação. Esse conjunto de experiências práticas propiciadas em seu interior configurou a modernidade no exército e conformou o modo de pensar, o discurso e as ações dos homens que por lá passaram. Desse ambiente, Lysimaco Ferreira da Costa soube absorver os saberes que lhe forneceram a base intelectual com a qual ingressou na educação e na política paranaense. Lysimaco Ferreira da Costa e seus companheiros de trajetória, identificados com aqueles valores, compuseram uma elite intelectualizada que se posicionou politicamente dentro e fora do exército para propor alternativas de modernização para o país.
A partilha daquelas vivências propiciou também o estabelecimento de laços de amizade duradouros. Por meio da correspondência trocada, alguns nomes podem ser citados:
Salvador Cezar Obino31,
Arnaldo Ferreira Soares32,
Alziro Marinho, General Possolo, Francisco José Dutra Eurico Gaspar Dutra33
31 Salvador Cesar Obino (1876-1979) foi Chefe do Estado-Maior Geral (antigo Estado-Maior
das Forças Armadas - EMFA e hoje Ministério da Defesa).
32 Foi Coronel do Exército, tendo comandado o 6º Regimento de Artilharia Montada em 1939. 33 Eurico Gaspar Dutra (1883-1974), ingressou na Escola Militar da Praia Vermelha, no Rio de
Sebastião Corrêa Fontes34
Coronel Euclides de Oliveira Figueiredo35
O prestígio de Lysimaco Ferreira da Costa junto aos ex-colegas pode ser aferido, por exemplo, quando, nas cartas, dirigiam-se a ele como “Marechal”, patente máxima no Exército. Consta, também, que a sua casa teria sido sempre o ponto de encontro de seus ex-colegas, tanto de Rio Pardo quanto do Rio de Janeiro, cada vez que um deles passava por Curitiba (Cf. Costa, 1995).
Militar, só retomando seus estudos no ano seguinte, quando foi anistiado. Em 1906, ingressou na Escola de Guerra de Porto Alegre; em seguida, cursou a Escola de Artilharia e Engenharia. Foi freqüente colaborador da revista Defesa Nacional, destinada ao meio militar. Em 1922, concluiu o curso da Escola do Estado-Maior. Durante a década de 20, por várias vezes esteve envolvido na repressão aos levantes tenentistas então deflagrados contra o governo federal, como em 1922, no Rio de Janeiro, e em 1924, em São Paulo. Convidado a participar da Revolução de 1930, preferiu manter-se ao lado das forças legalistas. Em 1932, teve importante participação no combate ao movimento constitucionalista desencadeado contra o governo federal, em São Paulo. Pouco tempo depois, atingiu o generalato e, entre 1933 e 1934, presidiu o Clube Militar. Em 1936, foi nomeado ministro da Guerra. Nesse posto, cumpriu papel decisivo, junto com Vargas e com o general Góis Monteiro, no fechamento do regime, que levou à instauração da ditadura do Estado Novo, em novembro de 1937. Foi o décimo nono Presidente do Brasil, tendo tomado posse em 31 de janeiro de 1946 e encerrado seu mandato em janeiro de 1951.
34 Sebastião Corrêa Fontes (1884-1943) ingressou na Escola Militar da Praia Vermelha, lá
permanecendo até 1904. Quando cursava o último ano da Escola Militar, foi acometido de grave doença, sendo por isso internado em Hospital Militar em Minas Gerais, o que lhe valeu não tomar parte na rebelião dos alunos desse estabelecimento de ensino, motivada pela decretação da vacina obrigatória, instituída por Oswaldo Cruz, para a erradicação da febre amarela. Ao ter alta do hospital, estando a Escola fechada e os alunos desligados, foi incorporado aos quadros do Exército como praça, assim permanecendo até ser submetido a exames, nos quais foi aprovado, que lhe deu o posto de "Alferes-Aluno". Ele e outro colega que se encontrava em condições semelhantes a sua, foram os dois últimos oficiais, na História Militar do País, a ocuparem tal posto, pois o mesmo foi extinto, passando a ser denominado Aspirante à Oficial. Logo depois promovido a Tenente, durante a sua carreira fez todos os cursos que a organização militar exigia de seus oficiais, incluindo o de Estado Maior e, ainda, os de engenharia civil- militar e doutorado em Ciências Físicas e Matemáticas. Foi professor substituto de Física e Química da Escola Militar do Realengo (atual Academia Militar das Agulhas Negras) e, posteriormente, catedrático, da cadeira de Balística dessa mesma Escola, função que desempenhou até o seu falecimento.
35 Euclides de Oliveira Figueiredo fez o curso de Cavalaria no Exército Alemão, de 1910 a
1912. Era veterano do Contestado. Chefiou o Curso de Cavalaria da célebre Missão Indígena, da Escola do Realengo. Participou da pacificação da Revolução de 1923, no Rio Grande. Foi contra a revolução de 30 como comandante da atual 2a Bda C Mec Brigada Charrua em Uruguaiana. Pai do ex-presidente João Figueiredo, foi também um dos 13 idealizadores da revista A Defesa Nacional, junto com Klinger.