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BÖLÜM III YEREL YÖNETİMLERDE HİZMET KALİTESİNİN

4.2. Kanut Talebi

4.2.5. Parasal Büyüklükler

Lysimaco Ferreira da Costa dirigiu-se para a Escola Preparatória e de Tática de Rio Pardo, uma vez que para seguir a carreira militar teria de freqüentar uma das escolas práticas do Exército.

Eram duas as escolas preparatórias e de tática existentes: a Escola do Realengo, no Rio de Janeiro e a Escola de Infantaria e Cavalaria, na cidade de Rio Pardo, no Rio Grande do Sul (Grunennvaldt, 2005, p. 25). Essas escolas eram destinadas a ministrar o ensino teórico e prático exigido para a matrícula no primeiro ano da Escola Militar do Brasil, localizada no Rio de Janeiro.

A viagem de Lysimaco Ferreira da Costa até Rio Pardo durou 10 dias, sendo cinco dias de navio de Paranaguá até a cidade de Rio Grande e, de lá, mais cinco dias, passando por Pelotas e Porto Alegre, até chegar ao destino final, no dia 13 de março de 1901. Lysimaco Ferreira da Costa escrevia com freqüência ao pai, indicando ter com este uma maior afinidade. Durante a viagem, foram enviadas três cartas.

A cidade de Rio Pardo não tinha muitos atrativos. Quanto à Escola, funcionava “em edifício acanhado, [...] não comportando mais de 120 alunos, estando, porém, em estado de asseio e conservação” (Relatório do Ministério da Guerra, 1899).

Quando o programa de ensino da Escola Preparatória e de Tática do Rio Pardo foi enviado por Lysimaco Ferreira da Costa ao pai, causou surpresa por estar além das suas expectativas, possivelmente pautadas nos padrões paranaenses de ensino da época. O pai elogia o programa e afirma entender, então, a razão “por que dizem serem reprovados muitos alunos...” (carta do pai a Lysimaco, 18/04/1901). Reprovar era indicativo de ensino sério; portanto, o argumento da reprovação era utilizado para atestar a boa qualidade do ensino ministrado (Cf. Barros, 1986, p. 213)23.

De acordo com o programa, o ensino teórico e prático era ministrado em três anos, não podendo o aluno freqüentá-lo por mais de quatro (Decreto n. 2881, de 18 de abril de 1898, Art. 60).

O Plano de ensino previa dois grupos de “doutrinas”, conforme o quadro 1.

23 Victor Ferreira do Amaral, um dos fundadores da Universidade do Paraná, em 1913, atesta a

qualidade da universidade paranaense utilizando por argumento o elevado índice de reprovação: “...a seriedade com que foram realizados os exames finais, em que não foram raras as reprovações, tudo demonstra que se trata de uma instituição com todos os requisitos de viabilidade” (Relatório Geral da Universidade do Paraná, 1913, p. 07).

QUADRO 1 – DISTRIBUIÇÃO DAS DOUTRINAS POR SEÇÕES NAS ESCOLAS PREPARATÓRIAS E DE TÁTICA

SEÇÃO DOUTRINAS 1ª Português Francês Inglês Alemão Geografia História e Corografia 2ª Aritmética Álgebra Geometria e Cosmografia

Elementos de História Natural, precedidos de noções de Física e Química.

Desenho.

Fonte: Decreto n. 2881, de 18 de abril de 1898, art. 62.

O Plano de ensino indica uma tentativa de conciliar as aulas de Humanidades, as Línguas Modernas, as Ciências Exatas, Físicas e Naturais com o conteúdo prático que materializaria o ensino militar. Essa configuração é indicativa de uma concepção de formação no Exército que procurava articular a formação intelectual com a utilidade prática, ou seja, os fundamentos teóricos antecederiam os práticos, mas de forma articulada, de sorte a atender aos objetivos de formação de um oficial “a um só tempo político e técnico-especialista” (Grunennvaldt, 2005, pp. 24-25). As “doutrinas” deveriam ser distribuídas nos três anos do Curso Preparatório e de Tática, na seguinte ordenação:

QUADRO 2 – CURSO PREPARATÓRIO E DE TÁTICA POR ANO E DOUTRINAS

ANO DOUTRINAS

Gramática Portuguesa;

Gramática Francesa, com leitura e versão fácil; Geografia, especialmente a da América do Sul; Aritmética;

Desenho Linear. 2º

Estudo Complementar da Língua Vernácula; Estudo Complementar da Língua Francesa;

Gramática Inglesa ou Alemã, seguida de leitura e versão fácil; Álgebra;

Desenho de Aquarela.

Estudo Complementar da Língua Inglesa ou Alemã;

História Universal, especialmente do Brasil e Corografia Pátria; Geometria Elementar com seu complemento trigonométrico e cosmografia;

Elementos de História Natural, precedidos de noções de Física e Química.

De acordo com o Regulamento da Escola Preparatória e de Tática do Rio Pardo, três meses após a matrícula era realizado um exame parcial para avaliar se o progresso alcançado pelo aluno o habilitava a continuar os seus estudos (Pessôa, 1972). Sobre os resultados alcançados por Lysimaco Ferreira da Costa nesse exame, escreve-lhe o pai:

As tuas cartas de 10 e 24 do mez findo, esta hoje recebida, nos encheram de contentamento. Nem podia deixar de ser assim, attento o conceito que aqui firmaste de estudante intelligente e applicado; e espero, nunca hás de desmentir. Tua mãe até melhorou e levantou-se da cama com a leitura de tuas cartas. Recebi de meus amigos muitos parabéns pelos bons resultados das provas que exhibiste. Fiquei admirado de teres feito exame de inglês e desenho, com apenas 4 meses de estudo. Fizeste muito. Nos surprehendeste (carta de 02/08/1901).

O pai demonstrava sempre muito orgulho pelos bons resultados obtidos pelo filho destacando o “valor” que atribuía à educação e secundando os sacrifícios da família para mantê-lo na Escola:

se é sacrifício porque ganho muito pouco, não o é quando se trata da educação dos filhos; é, pois, bem gasto; só se aplica mal quando se aplica a fins que prejudicam a saúde, o crédito, a dignidade... (Costa, 1995, p. 24) As dificuldades financeiras da família são atestadas, por exemplo, no fato de Lysimaco não viajar para casa, nas férias de fim de ano, para passar o Natal com a família. Contudo, o pai não poupou esforços para mantê-lo e comprar os livros necessários, cujos custos eram elevados, dado que estes eram procedentes do Rio de Janeiro ou de São Paulo (Cf. Costa, 1995).

Lysimaco Ferreira da Costa realizou o programa do curso em apenas dois anos. Tendo já cumprido algumas disciplinas no Ginásio Paranaense, foi dispensado de algumas aulas e adiantou-se em outras. Em março de 1902, foi promovido a sargenteante da segunda série do curso24.

O resultado final obtido nas disciplinas indica que, com a Matemática (Aritmética, Álgebra e Geometria) ele tinha, de fato, maior familiaridade.

24 Os alunos que apresentassem certidões de aprovação nos exames do Ginásio Nacional e

instituições similares, excetuados os de Matemática, poderiam ser dispensados dos exames, podendo freqüentar as aulas que faltassem para completar o período e, ainda, freqüentar as aulas de outros anos, desde que respeitadas as possíveis dependências entre as matérias. No caso da Matemática, só seriam aceitos os atestados oriundos da Escola Politécnica, da Escola Naval e a de Minas, de Ouro Preto (Decreto n. 2881, de 18 de abril de 1898, art. 68 a 76).

QUADRO 3 – DESEMPENHO DE LYSIMACO FERREIRA DA COSTA NA ESCOLA DE RIO PARDO

ANO DISCIPLINAS NOTAS

Aritmética (1º ano) 10

Desenho Linear (1º ano) 8

Gramática Inglesa, seguida de leitura e versão fácil. (2º ano) 7 1901

Álgebra. (2º ano) 9

Desenho de Aquarela (2º ano) 6 História Universal, especialmente do Brasil e Corografia Pátria

(3º ano) 7

Estudo Complementar da Língua Inglesa (3º ano) 9 Geometria Elementar com seu complemento trigonométrico e

cosmografia (3º ano) 10

1902

Elementos de História Natural, precedidos de noções de Física

e Química (3º ano) 7

Fonte: Van Erven (1944, p. 14).

Em janeiro de 1903, prestou os exames finais do curso, tendo sido aprovado em todas as disciplinas, conforme o quadro acima.

O corpo docente era composto por um grupo de 11 professores, todos oficiais do Exército com curso nas três armas. Os professores da Escola, na época, eram os seguintes:

de matemática eram Anfilóquio de Azevedo, Francisco Sérgio de Oliveira e Hipólito das Chagas Pereira, todos competentes e dedicados ao ensino. Em Português pontificava Oscar Miranda; em Francês, Marques de Sousa; em Inglês, Barreto Viana; em desenho, Joaquim de Andrade Vasconcelos; em Aquarela, Marques Guimarães; em Física e Química, José Rafael de Azambuja; em Geografia, Marcolino de Souza; e em História, Honório de Aguiar (Pessôa, 1972, p. 06).

Quanto ao ensino prático, não há registros sobre o seu desempenho. Sabe-se que, conforme o Regulamento de 1898, o ensino prático pelas atividades descritas no quadro a seguir:

QUADRO 4 – RELAÇÃO DAS ATIVIDADES DO ENSINO PRÁTICO DA ESCOLA MILITAR DE RIO PARDO

Ensino Prático

Instrução elementar das três armas [infantaria, cavalaria e artilharia] combatentes até a escola de batalhão ou regimento;

Estudo descritivo do armamento e munições de guerra; Curso experimental de tiro;

Noções de balística e serviço de campanha;

Escrituração militar até a de batalhão ou regimento; Preceitos de subordinação; honras e precedências militares; Honras e precedências militares; Esgrima de baioneta; Esgrima de baioneta;

Escola de lança e espada; Equitação, Ginástica e Natação; Geometria Prática.

Fonte: Decreto n. 2881, de 18 de abril de 1898.

Para o funcionamento das aulas práticas, a Escola dispunha de espaço e alguns poucos materiais, necessitando de algumas aquisições, sendo freqüentes as queixas nos relatórios por parte do comando da Escola. Há registros de que parte do material fora encomendado na Europa, de sorte a atender às solicitações.

No ano de 1900, a organização escolar foi alterada para poder melhor contemplar os estudos práticos. O trecho abaixo, retirado do Relatório de 1900 do Ministério da Guerra, embora extenso, foi transcrito por detalhar a realização das atividades práticas, tão defendidas por alguns oficiais do exército e pouco mencionadas nos estudos sobre as Escolas Militares:

Procurando dar ao ensino prático a importância que merece, visto corresponder as exigências mais imediatas do serviço militar, imprimiu-se- lhe o interesse que deve inspirar, aproximando-o quanto possível das condições de guerra.

Encerradas as aulas teóricas e os respectivos exames, foram os trabalhos escolares concentrados exclusivamente nos exercícios práticos, segundo um programa convenientemente organizado.

Nos de tiro ao alvo, quer individuais, quer de conjunto, em posição fixa e em movimento, as porcentagens obtidas foram satisfatórias. Nos exercícios de cada arma isolada, como nos combinados de duas armas n’um ensaio de castrametação em que as três manobraram conjuntamente, foi observado o rápido progresso dos alunos, em poucos dias familiarizados com as manobras e operações táticas executadas.

Com o intuito de habituá-los à fadiga das marchas e predispor-lhes o ânimo a suportá-las oportunamente, partiu a escola na madrugada de 10 de janeiro,

com um contingente do 2º batalhão de engenharia, formando uma brigada mista das três armas, composta de uma divisão de cavalaria, outra de artilharia e um batalhão de infantaria.

Em duas marchas, realizadas pela manhã, foram vencidos 36 quilômetros até a vila de Santa Cruz, observando-se em todo o trajeto o dispositivo da marcha de guerra mais conveniente às armas e mais adequado ao número de praças de que se compunha a coluna.

Nos acampamentos mantiveram-se as regras de castrametação e todas as medidas acauteladoras.

Com o espontâneo concurso de um grupo do Grêmio dos Gaúchos ali existente, que se aprestou para tolher o passo a coluna, houve o ensejo de pôr-se em prática os princípios da tática de combate, exigidos pelos acidentes dos terrenos, com a cautela de guardar quando se desconhece as espécies e o número das forças adversas.

Nos últimos 11 quilômetros em que o terreno era mais acidentado, entremeado de escabrosas elevações, desfiladeiros sucessivos e cortado por fortes depressões, além de esparsos carrascais que bordam barrancosos regatos – a coluna sustentou renhido simulado, pondo em ação as três armas. No torneio de tiro com os atiradores civis, realizado em Santa Cruz, conquistaram os alunos três prêmios.

Depois de dois dias de falha, efetuou-se o regresso em três etapas até a sede da escola. O percurso de 36 quilômetros foi feito em 10 altos horários. Com o duplo fim de exercitar no embarque e desembarque de tropas em via férrea e simular um assalto a cidade de Cachoeira, marchou a mesma brigada mista escolar, em comboio especial formado por 18 wagons.

O embarque efetuou-se com a maior regularidade possível dentro de uma hora, tendo sido convenientemente embarcados todo o pessoal, oitenta animais, material de artilharia, ambulância para doentes e veículo de provisões, e, na melhor ordem, desembarcados em ¾ de hora, apesar de não serem apropriadas as estações das duas cidades para tais operações.

No dia da chegada, foi simulada com todas as regras a ocupação militar da cidade, realizando-se também exercícios de fogo; e, nos dois subseqüentes, tomaram os alunos parte nos torneios de tiro de clubes civis, em duas respectivas linhas, alcançando êxito favorável.

Deviam os exercícios práticos terminar com assalto simulado a uma posição fortificada, conforme o programa organizado. Essa operação não foi efetuada por falta de tempo, iniciando-se apenas a construção de um redente (Relatório do Ministério da Guerra de 1900).

Ainda em relação ao ensino prático, consta que foram realizadas modificações para serem “ministradas com a precisa regularidade” a instrução das três armas - infantaria, cavalaria e artilharia (Relatório do Ministério da Guerra, 1901).