BÖLÜM III YEREL YÖNETİMLERDE HİZMET KALİTESİNİN
3.2. Hizmet Kavramı ve Özellikleri
3.2.2. Hizmetin Sınıflandırılması
A definição do crime de agressão sempre foi controversa, principalmente por conta dos diversos entendimentos que se formaram no decorrer dos tempos acerca da possibilidade de agressão de um Estado a outro.
Inicialmente, considerava-se lícito o recurso à guerra para a solução das controvérsias (Santo Agostinho e Maquiavel)146, mas, no início do século XX, com inspiração nos ensinamentos de Kant, esse entendimento acabou sendo modificado e a guerra passou a ser vista como um ilícito internacional.
Foi nesse sentido que o artigo 10 do Pacto da Liga das Nações, assinado em 1919, definiu que “os Membros da Sociedade comprometem-se a respeitar e manter contra toda agressão externa a integridade territorial e a independência política presente de todos os Membros da Sociedade”.
E o Pacto Briand-Kellog, de 1928, condenou o recurso à guerra como solução de controvérsias internacionais.
Em 1945, a Carta das Nações Unidas estabeleceu, em seu artigo 2º, parágrafo 4º, que
“todos os Membros deverão evitar em suas relações internacionais a ameaça ou o uso da força contra a integridade territorial ou a dependência política de qualquer Estado, ou qualquer outra ação incompatível com os Propósitos das Nações Unidas”.
Essa disposição, de acordo com Tarciso Dal Maso Jardim147 acabou gerando grande confusão e entendimentos doutrinários diversos, inclusive pela possibilidade do uso da força por razões humanitárias.
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Segundo Tarciso Dal Maso Jardim, “a concepção de ‘guerra justa’ de Santo Agostinho, em que seria melhor os justos subjugarem os malfeitores do que o contrário, influenciou muito o pensamento ocidental, ao ponto de os humanistas "cívicos" (como Patrizi e Maquiavel) defenderem a guerra como uma opção política a ser protagonizada pelos cidadãos, enquanto dever cívico. Essa ragione di stato seria, entretanto, contestada pelos humanistas do norte,
como Erasmo, para quem toda a guerra é fraticida”. O Tribunal Penal Internacional e sua importância para os direitos humanos. O que é o Tribunal Penal Internacional.
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Em razão disso é que o conceito de crime de agressão foi sempre tão tormentoso e acabou dificultando sua inserção em qualquer diploma legal internacional.
Em 1954, a Assembleia Geral das Nações Unidas chegou a aprovar uma Resolução (nº 3.314), orientando o Conselho de Segurança a definir o crime de agressão.
Ela lembrava, em seu preâmbulo, que “o Conselho de Segurança, de acordo com o Artigo 39 da Carta das Nações Unidas, determinará a existência de qualquer ameaça à paz, ruptura de paz ou ato de agressão e recomendará, ou decidirá que medidas devem ser tomadas de acordo com os Artigos 41 e 42, para manter ou restabelecer a paz e segurança internacionais”148 e enumerava, em seus artigos, uma lista de atos que poderiam ser considerados como crimes de agressão.
Contudo, quando foi elaborado o Estatuto de Roma, esse crime ainda não tinha sido definido.
Como os Estados não conseguiram chegar a uma conclusão sobre os elementos que deveriam configurar esse crime, resolveram incluí-lo na competência do Tribunal, mas deixaram a definição para momento posterior, de sorte que o crime de agressão foi inserido na competência do Tribunal de iure, mas não de facto.
Importante frisar que essa inclusão já foi significativa, pois, como explica Lyal S. Sunga, isso
“demonstra que a maioria dos Estados compartilhava a visão de que, no mundo contemporâneo, instalar um tribunal internacional apenas para julgar casos individuais de crimes de guerra ou crimes contra a humanidade, descurando da punição da beligerância em larga escala, geraria anomalia. A maior parte dos abusos surge durante conflitos armados e a omissão do crime de agressão na competência do
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Preâmbulo da Resolução 3314 da Assembleia Geral: "Recalling that the Security Council, in accordance with Article 39 of the Charter of the United Nations, shall determine the existence of any threat to the peace, breach of the peace or act of aggression and shall make recommendations, or decide what measures shall be taken in accordance with Articles 41 and 42, to maintain or restore international peace and security."
Estatuto significaria tratar meros sintomas, ignorando as causas patogênicas do problema”.149
Assim, após prever a competência do Tribunal para o julgamento dos crimes de agressão, no artigo 5º, §1º, alínea “d” do Estatuto, estabeleceu, no §2º, que o
“Tribunal poderá exercer a sua competência em relação ao crime de agressão desde que, nos termos dos artigos 121 e 123, seja aprovada uma disposição em que se defina o crime e se enunciem as condições em que o Tribunal terá competência relativamente a este crime. Tal disposição deve ser compatível com as disposições pertinentes da Carta das Nações Unidas”.
O próprio Estatuto estabeleceu dois mecanismos para a definição posterior do crime: emenda ao Estatuto (art. 121) ou revisão (art. 123), ambos após passado o prazo de sete anos de sua entrada em vigor.
O artigo 123 do Estatuto chegou a estabelecer expressamente que
“o Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas convocará uma Conferência de Revisão para examinar qualquer alteração ao presente Estatuto. A revisão poderá incidir nomeadamente, mas não exclusivamente, sobre a lista de crimes que figura no artigo 5o”.
Assim, em cumprimento a esse artigo, em junho de 2010, teve início a Conferência de Revisão do Tribunal Penal Internacional, em Kampala, Uganda, com a participação dos Estados-Partes, além dos Estados Unidos, China e Rússia, como observadores (esses países não aderiram à jurisdição da Corte, mas são membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU).
Um dos principais temas de discussão da Conferência foi a definição do crime de agressão, sendo que alguns, como Richard Goldstone, ex-procurador do Tribunal Penal Internacional da ex-Iugoslávia, e o Estado da Noruega, entenderam que esse não era o momento adequado para a tipificação desse crime, argumentando que o TPI ainda estava dando seus primeiros passos e devia concretizar sua experiência institucional antes de adentrar em um campo tão polêmico e político, pois essa postura poderia prejudicar o exercício da jurisdição sobre os outros crimes.
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A competência ratione materiae da Corte Internacional Criminal: arts. 5 a 10 do Estatuto de
No entanto, a partir da proposta de emenda apresentada pelo Grupo de Trabalho (Special Working Group on the Crime of Aggression), presidido por
Christian Wenaweser, diplomata do Liechtenstein, e que concluiu seus trabalhos em fevereiro de 2009, convencionou-se definir o crime de agressão praticamente nos mesmos termos já estabelecidos pela Resolução nº 3.314 de 1974.
Assim, foram consignadas as seguintes condutas como crimes de agressão: planejar, preparar, iniciar ou executar um ato de agressão que, por sua natureza, gravidade e impacto, constitua uma manifesta violação à Carta da ONU, por parte de pessoa que esteja efetivamente no exercício do controle do Estado ou que diretamente tenha o controle político ou militar do Estado.150
No entanto, para que essa disposição passe a produzir efeitos, ainda será necessária a ratificação de 30 Estados e a decisão de dois terços dos Estados-Partes, após 1º de Janeiro de 2017151.
Portanto, como se pode observar, a definição dos crimes de competência do Tribunal Penal Internacional acabou, não só sedimentando muitos conceitos que já vinham sendo construídos pelos Tribunais que o antecederam, como também trazendo importantes inovações que permitiram aumentar a incidência de atuação da Corte, para abarcar diversas situações que até então permaneciam desguarnecidas no plano internacional e atingir, a cada dia mais, a tão sonhada paz e segurança internacionais.
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Informação disponível no site do Tribunal Penal Internacional: http://www.icc-
cpi.int/iccdocs/asp_docs/Resolutions/RC-Res.6-ENG.pdf. Acesso em 09.jul.2013. 151
Informação disponível no site vinculado à Procuradoria Geral da República: