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Türkiye’de Kayıt Dışı Ekonominin Boyutları

1.2. KAYIT DIŞI EKONOMİ TANIMI

1.3.1. Türkiye’de Kayıt Dışı Ekonominin Boyutları

Independentemente de haver consenso ou não entre os entrevistados sobre a importância da certificação PMP no processo de aprendizagem, é inegável que a mesma é demandada pelo mercado; mais do que isso, ela pode se constituir como barreira de entrada na profissão em alguns casos. Essa percepção por parte dos GP’s foi desvelada em diversos fragmentos de discursos:

Como eu te falei: se eu não tivesse tirado as certificações [PMP] eu não poderia me candidatar pra vaga, porque era pré-requisito. (E03)

Ai fiz um acordo com meu marido: você me banca dois meses que eu vou tirar a certificação do PMI e do ITIL nesse meio tempo. […] Aí, com essas duas certificações, eu consegui arrumar um emprego na EMPRESA_X, porque eles queriam uma pessoa que tivesse experiência, mas tinha que ter as certificações, né? Aí, graças à Deus, assim que eu tirei as certificações, pintou essa chance. (E03)

Assim, um grande turning point na minha carreira foi o PMP, apesar de ter sido um

‘comum senso’. O interessante é que não na minha visão, mas sim na visão das

pessoas que estavam a minha volta. Então o interessante é que as pessoas: -‘Ah não! Mas esse cara é certificado’. Como se mudasse alguma coisa no profissional que eu era. (E07).

E eu acho também que pro mercado também é importante, porque hoje em dia quando você vê recrutamento e tudo de gerente de projeto é muito comum você ver o requisito da certificação PMP, né?! Eu acho sim que o mercado ele faz um reconhecimento. (E16)

Então, o PMP agregou muito tecnicamente. E depois também abriu portas. Por exemplo, eu não estaria hoje na EMPRESA_P se eu não tivesse a certificação. (E16)

As seleções lexicais “eu não poderia me candidatar pra vaga, porque era pré- requisito” (E03), “consegui arrumar um emprego na EMPRESA_X, porque eles queriam uma pessoa que tivesse experiência, mas tinha que ter as certificações” (E03), “um grande turning point na minha carreira foi o PMP, apesar de ter sido um ‘comum senso’” (E07), “é muito comum você ver o requisito da certificação PMP” (E16) e “abriu portas” (E16) evidenciam que a certificação é vista pelo mercado como uma chancela da competência do GP.

Ademais o campo revela a existência de várias certificações. Todavia, a PMP (certificação do PMI) é percebida como a mais valorizada (em relação ao Prince2, por exemplo), Esta realidade foi explicitada no fragmento de discurso de E16, principalmente pela seleção lexical “mas a mandatória mesmo é o PMP”:

Não, não entra! [enfático] Se você tiver as outras até contam a favor. Por exemplo, um Prince2, mas a mandatória mesmo é o PMP. (E16)

Contudo, há relatos de que a certificação se coloca como um mero rótulo comercial e mercadológico:

A certificação em si eu acho que é comércio. Foi criado um instituto, o profissional tem que se certificar, a empresa tem que se certificar. Então é um gerador de recurso no mercado. (E17)

Depende da pessoa que está competindo com você. Eu acho que se você tem a mesma experiência e você tem o PMP, com certeza a probabilidade de você conseguir a vaga vai ser maior. Agora, se você for uma pessoa muito mais experiente, com muito mais anos de experiência, e você tem um pouco de experiência e o PMP, eu não acho que vai ser decisório. A decisão não vai ser pelo PMP, e sim pela experiência da pessoa. (E14)

A certificação é uma reprodução mimética e a busca pela mesma obedece a lógica instrumental, como desvelado no seguinte fragmento de discurso de E11:

Hoje em dia o PMP virou um rótulo. É um rótulo pra subir de faixa salarial. Porque no Balanced Scorecard das empresas, ou seja, o desenvolvimento de recursos humanos passa por indicadores gerados, quantidade de gestores que tem certificação. Então uma empresa que você tem gente classificada, organizada como PMP, ela é melhor pontuada lá no plano nacional de qualidade, não sei. Então você pega e bota um rótulo nessa pessoa, e você vai pra uma empresa e você valoriza

ela. Então hoje em dia PMP é mais uma etiqueta, um rótulo, do que uma demonstração de saber, conhecimento em gestão de projetos. (E11)

As seleções lexicais “rótulo” e “etiqueta” sugerem uma pasteurização/padronização

dos empregados. Assim como “indicadores gerados” e “uma empresa que você tem gente classificada, organizada como PMP, ela é melhor pontuada lá no plano nacional de qualidade, não sei. Então você pega e bota um rótulo nessa pessoa, e você vai pra uma empresa e você valoriza ela” evidenciam o uso da certificação como reificação de qualidade e instrumento de se aumentar a carteira de clientes.

Houve ainda relatos nos quais se contrapõe a importância do processo de certificação aos cursos de pós-graduação em gestão de projetos (mestrado, MBA, etc.). Na experiência de alguns entrevistados, os cursos de pós-graduação, até por sua carga horária, requerem mais dos profissionais e trariam uma formação mais robusta, como ficou patente nos seguintes fragmentos de discurso:

Eu vejo como uma chancela do mercado, mas é sempre o PMP ou o MBA. Então como eu tenho MBA e experiência consolidada em gestão de projetos, não me faz falta [a certificação PMP]. Hoje, não me faz falta. Pelo menos não me foi, até o momento, impeditivo pra assumir uma posição que eu precisasse assumir. (E15) Não acredito hoje que realizando uma prova do PMI eu vá agregar mais conhecimento. Toda a ementa solicitada pra fazer uma prova do PMP é abrangida e talvez até em melhor grau no MBA, que é um curso até mais extenso. (E15) Aí eu procurei fazer um MBA na FGV […] E eu senti falta mais porque eu vi que eu não tive isso na minha formação. Procurei isso para complementar a minha formação e fazer melhor, não tão empiricamente o que eu fazia antes. (E13)

Todavia, nas falas dos entrevistados, os cursos de pós-graduação foram discutidos como uma resposta estratégica de aquiescência às pressões institucionais do mercado por profissionais qualificados na área e como um reconhecimento formal, tal qual evidenciado na ênfase dada pela seleção lexical “Aí eu procurei fazer um MBA na FGV”foi profunda.

Por fim, entendemos, como uma preocupação externada por alguns entrevistados, a não pasteurização da metodologia das associações internacionais de projeto, aceitando as verdades e boas práticas de seus países de origem, sem adaptá-las à realidade brasileira e a cultura local. Essa não adaptação pode induzir um pragmatismo à uma sociedade cuja cultura é baseada em relações pessoais (como a brasileira o é) e trazer, dessa forma, entraves para o GP. Apesar de seguir as boas práticas, ele pode ficar aquém dos resultados.

Esta preocupação se fez presente no seguinte fragmento de discurso:

Eu sempre brinco que a gente tem que fazer o seguinte, aqui no Brasil a gente teria que ‘tropicalizar’ [fazendo com as duas mãos o sinal de aspas ao falar a palavra] o PMBOK. A gente recebe lá as boas práticas que vêm de fora e que são impostas aqui. Teria que ser uma forma desenvolvida, um conjunto de boas práticas, uma metodologia adequada à chamada realidade brasileira. (E11)

Essa inadequação metodológica nos soa importante pois sustentamos que haja evidências, como será visto a posteriori, que as soft skills do GP sejam influenciadas em maior ou menor grau pela cultura em que os projetos acontecem.

Em oposição à essa preocupação, um dos entrevistados, membro do conselho de uma associação de projetos no Brasil, demonstra haver um esforço de aproximar tal associação do mercado nacional, não deixando de ouvir suas necessidades:

Porque realmente o objetivo do Conselho é realmente não deixar ASSOCIAÇÃO_P isolada. É ele estar ouvindo o que o mercado tem de demanda nessa área de gerência de projetos, pra poder alinhar, tanto iniciativas, eventos que eles programam, um pouco nesse sentido. (E10)

Uma vez captada a visão dos GP’s em relação a suas proficiências trazidas ou pelo

processo de certificação do PMI ou por cursos de pós-graduação e experiência profissional, passamos a necessidade de capturar também o que tais indivíduos entendem como progressão e se a perceberam em suas carreiras.