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TÜRKIYE’DE EĞITIM YÖNETIMINDE DEĞIŞIM ÇALIŞMALARI

TÜRKIYE’DE KALKINMA PLANLARINDA EĞITIM YÖNETIMI 1

1. TÜRKIYE’DE EĞITIM YÖNETIMINDE DEĞIŞIM ÇALIŞMALARI

A cidade de João Pessoa, capital do Estado da Paraíba, situa-se no extremo oriental do Brasil. Com população atual estimada em torno de 791.438 habitantes e área de extensão correspondente a 211.475 km2, segundo dados de pesquisa do IBGE realizada em 2010, sua localidade demonstra que a cidade faz parte da região Nordeste, a mais pobre e desigual do país.

A expressão “Nordeste” foi oficialmente utilizada pelo governo federal em 1958,

muito embora ela já tivesse sido mencionada anos antes, no governo de Getúlio Vargas, quando fora adotada a proposta de divisão do Brasil em cinco regiões geográficas (Norte, Nordeste, Leste, Sul e Centro-Oeste). Em seguida, criou-se a Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste – SUDENE, autarquia federal destinada à promoção de políticas públicas sociais para ao desenvolvimento da região. Conforme ressalta Howlett-Martin (2012, p. 17):

Isso marca a tomada de consciência, em nível federal, de que o subdesenvolvimento e a fome no Nordeste eram um fenômeno de caráter social e não natural, cujas causas

estariam muito mais ligadas à estrutura econômica (monopólio sobre a terra associado ao monopólio das exportações nas mãos de uma oligarquia) do que aos períodos de seca.

De fato, desde o início do período colonial, essa região foi explorada mediante processo de poder baseado no controle da terra. Com o passar dos anos, a colonização portuguesa desenvolveu no Nordeste um sistema produtivo monopolista e escravista, que acarretou o surgimento de uma sociedade marcada por gritantes desigualdades sociais (PEDRÃO, 2009, p. 130).

Essas desigualdades, somadas ao fato de que a colonização portuguesa foi extremamente exploratória, deixaram no Nordeste heranças sociais profundas, que são vividas até os dias de hoje. Muito se tem feito desde a criação da Sudene no final da década de 50, porém, a região continua sendo caracterizada por graves problemas sociais, os quais demandam do Estado atuação prestacional efetiva. Segundo Guimarães Neto e Santos (2014, p. 121):

Trata-se de uma região na qual estão ainda presentes fortes traços de subdesenvolvimento, onde predomina um ambiente de negócios pouco competitivo, com precária base de infraestrutura econômica, a exemplo das condições de suas rodovias; com baixo padrão de qualidade do ensino e dos níveis de qualificação de sua mão-de-obra; e com limitado grau de inovação de suas empresas, que também se caracterizam por níveis muito defasados de produtividade comparados ao padrão nacional que está, por sua vez, bem aquém dos níveis dos países desenvolvidos. Além disso, persistem na região, elevados índices de pobreza e desigualdade; e seu mercado de trabalho, em que pese os avanços na formalização, convive ainda com alto grau de informalidade e limitado nível médio de renda.

O Estado da Paraíba, em particular, caracteriza-se pela existência de diversos problemas sociais que precisam urgentemente ser enfrentados. No início do período colonial, a região que hoje representa esse Estado era uma das mais ricas do Brasil, de onde o cultivo da cana-de-açúcar dava enormes rendimentos aos senhores de engenhos locais. Todavia, a realidade da região não permaneceu dessa forma, sendo aos poucos transformada pela devastadora exploração da colonização portuguesa e pelo modo caracterizador do sistema produtivo implantado em todo o Nordeste, além de agravada pelos problemas climáticos que acometeram a região, sendo a seca o pior deles. Segundo Costa (2003, p. 124):

O Nordeste, antes rico, símbolo de grande potência dos usineiros da “zona da cana” e

dos fazendeiros, donos do “ouro branco”, do gado e da gente sertaneja, agora se

apresentava como Região Problema. Região que emperrava o dinamismo do crescimento econômico nacional. O contraste entre o Centro-sul desenvolvido e o Nordeste atrasado fora se estabelecendo e forçando a política de Planejamento a

O fato é que ao longo da independência e evolução democrática do Estado brasileiro, o desenvolvimento econômico e social pelo qual passou o país não se fez de maneira igualitária por toda sua extensão. As dificuldades que começaram a aparecer no Nordeste não sumiram, pelo contrário, tornaram-se mais problemáticas. Sem uma política de desenvolvimento local adequada, o resultado foi o aumento das desigualdades entre as regiões do Brasil. A região nordestina tornou-se a mais pobre de todas.

Inserida nesse contexto, a Paraíba, tão acometida pelas dificuldades mencionadas, agravadas, inclusive, pelas grandes secas na região, tornou-se Estado de população pobre, movida por fraco comércio e acometida por diversos problemas sociais. Somente após a criação da Sudene, esse Estado começou a se desenvolver de maneira mais dinâmica. Programas do governo, especialmente os de natureza fiscal, conseguiram alavancar o comércio e a indústria locais, contornando, em parte, o subdesenvolvimento econômico já tão marcante na região.

Contudo, ocorre que as mudanças conquistadas no comércio e na indústria paraibana foram concentradas principalmente nos polos urbanos do Estado. Como consequência, apesar do avanço econômico desses locais, o desenvolvimento social não alcançou êxito equivalente. Isto porque da zona rural, a menos atingida pelas mudanças, desencadeou-se ondas migratórias que incharam as principais cidades paraibanas, sobretudo João Pessoa, a capital do Estado.

Em busca de oportunidades de emprego e consequente melhoria na qualidade de vida, grande parcela da população rural passou a migrar para a capital do Estado. Como muitas pessoas chegavam a essa cidade sem condições financeiras de subsistência, o resultado foi a formação de favelas e comunidades carentes, que, com o passar dos anos, não só se expandiram como também agravaram a realidade social do Município, o qual não conseguiu tratar com eficiência as demandas sociais que rapidamente surgiam a cada dia.

Atualmente, esse processo migratório ainda persiste, assim como persistem os problemas sociais que dele resultaram. Inclusive, com o avanço do tempo, e a não atuação estatal satisfatória na concretização de direitos fundamentais, outros problemas foram surgindo no seio da sociedade. João Pessoa tornou-se, por conseguinte, cidade de múltiplas características. Há constatação de inúmeras conquistas econômicas, mas há também apuração de diversos embargos sociais.

Segundo pesquisa do IBGE realizada em 2010, a população pessoense aumentou, nos últimos 20 anos, um total de 27,3%, enquanto a população da maior parte dos Municípios paraibanos permaneceu em torno da mesma média anterior. Essa mesma pesquisa, ao tratar da situação da pobreza da cidade, constatou que, no referido ano, 52,98% da população esteve

nessa situação, sendo o percentual de 4,9%, isto é, 35.251 pessoas, em realidade de extrema pobreza no Município, obtendo renda domiciliar per capita abaixo de R$ 70,00.

Esse retrato da pobreza em João Pessoa situa o Município entre os mais pobres do Brasil. Há na cidade enorme desigualdade na distribuição de renda, o que tem gerado sérios problemas sociais, dentre os quais se insere justamente a questão da insegurança alimentar, que, por toda a extensão da Paraíba, tem atingido 1,592 milhão de pessoas, segundo pesquisa do PNAD 2013.

É bem verdade que, mesmo não tendo acompanhado o avanço econômico ocorrido na cidade, o qual, convém ressaltar, ainda precisa ser bastante ampliado em comparação com o das outras regiões do país, o enfretamento da questão social no Município conseguiu evoluir, alcançando, principalmente no final do século XX e início do século XXI, conquistas dignas de menção. Dentre elas, destaca-se à referente ao aumento do Índice de Desenvolvimento Humano Municipal. Segundo o IBGE (2010), em 1991, o IDHM de João Pessoa era de 0,551, enquanto que no ano de 2010 apurou-se o índice de 0,763, considerado alto em termos de desenvolvimento58.

Apesar disso, o desenvolvimento que se tem alcançado no Município não se revela uniforme entre toda sua população. Segundo a pesquisa Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil 2013, realizada pelo IPEA, a desigualdade de renda em João Pessoa manteve os mesmos parâmetros de duas décadas atrás, correspondendo em 2010 ao Índice Gini de 0,6259. Constatou- se também que nesse mesmo ano a participação dos 20% mais ricos correspondeu a 66,55%, e a dos 20% mais pobres foi equivalente a 2,54%. Segundo o IPEA quase não houve mudanças em termos de distribuição de renda em João Pessoa nas últimas décadas.

Esse problema entre desenvolvimento e desigualdade vivido em João Pessoa tem embargado o avanço da questão social no Município. Os índices mencionados demonstram que as dificuldades acarretadas pelas ondas migratórias com destino à capital do Estado, principalmente a questão da pobreza, não tem sido vencidas pelo desenvolvimento conquistado, uma vez que este tem se concentrado em torno da parcela mais rica da população do Município. Para que haja desenvolvimento econômico mais equilibrado e avanço social efetivo é necessário que o Estado intervenha com políticas públicas adequadas, que contornem as desigualdades e garantam a todos os direitos fundamentais.

58 IDHM alto: entre 0,700 e 0,799.

59 Esse índice é usado para medir o grau de concentração de renda, apontando a diferença entre os rendimentos

dos mais pobres e dos mais ricos. Numericamente, varia de 0 a 1, sendo que 0 representa a situação de total igualdade, e o valor 1 significa completa desigualdade de renda.

Imposta salientar, entretanto, que esse desafio estatal do Município de João Pessoa se insere em um panorama bem maior de desigualdade, isto é: a diferença econômica e social do Nordeste em relação às demais regiões do país. É bem verdade que na atual forma em que se encontra o Estado brasileiro, adepto ao Federalismo, cada ente federal tem autonomias e responsabilidades próprias para lidarem com as demandas de suas realidades locais.

Contudo, não só a questão do Nordeste está inserida no contexto de atuação da União, como também interessa, mesmo que indiretamente, aos demais entes da Federação brasileira, pois, ainda que haja repartidas esferas de poder, todas estão coordenadas, compondo um todo essencialmente interligado. Por essa razão, concluiu Furtado (1981, p.13) que “[...] se não existe política adequada para o Nordeste, pode-se dar por certo que os problemas maiores do País se estão agravando, que nos iludimos com miragens quando pensamos legar aos nossos filhos uma sociedade mais justa e um país menos dependente”.