7. Halkla İlişkilerde Kullanılan Araçlar
2.2. Türkiye'de Belediyelerin Tarihi Gelişimi
Há algum tempo, no Brasil, tem sido comum termos o estudo dos gêneros discursivos nas formações voltadas aos docentes de línguas, principalmente, aos de língua materna. Esse enfoque ao estudo dos gêneros ganhou destaque com as orientações presentes nos Parâmetros Curriculares Nacionais10 (PCN) em sua edição de 1998, que trazem uma proposta para o ensino de língua que seja orientado pelos gêneros:
10 Os Parâmetros Curriculares Nacionais nascem da necessidade de se construir uma referência curricular nacional para o ensino fundamental que possa ser discutida e traduzida em propostas regionais nos diferentes estados e municípios brasileiros, em projetos educativos nas escolas e nas salas de aula. E que possam garantir a todo aluno de qualquer região do país, do interior ou do litoral, de uma grande cidade ou da zona rural, que frequentam cursos nos períodos diurno ou noturno, que sejam portadores de necessidades especiais, o direito de ter acesso aos conhecimentos indispensáveis para a construção de sua cidadania.
Para tanto, é necessário redefinir claramente o papel da escola na sociedade brasileira e que objetivos devem ser perseguidos nos oito anos de ensino fundamental. Os Parâmetros Curriculares Nacionais têm, desse modo, a intenção de provocar debates a respeito da função da escola e reflexões sobre o que, quando, como e para que ensinar e aprender, que envolvam não apenas as escolas, mas também pais, governo e sociedade.
São essas definições que servem de norte para o trabalho das diferentes áreas curriculares, que estruturam o trabalho escolar: Língua Portuguesa, Matemática, Ciências Naturais, História, Geografia, Arte, Educação Física
Os textos organizam-se sempre dentro de certas restrições de natureza temática, composicional e estilística, que os caracterizam como pertencentes a este ou àquele gênero. Desse modo, a noção de gênero, constitutiva do texto, precisa ser tomada como objeto de ensino (BRASIL, 1998, p.23).
Essa orientação vem didatizar o estudo do gênero, que não entrou na escola a partir dessa indicação dada pelos PCN, mas se faz presente, por exemplo, nos capítulos de estudo de produção de textos ou redação presentes na maioria dos livros didáticos de Língua Portuguesa, que muitas vezes organizam capítulos tendo por base o gênero discursivo para, então, estudar sua composição estrutural e realizar um exercício de produção escrita do gênero em destaque.
Não podemos deixar de perceber que a didatização do estudo do gênero deu-se com a ampliação das discussões propostas pelo Círculo de Bakhtin (1929, 1952, 1953), que mesmo não sendo explicitamente citado nos PCN, é quem organiza a teoria ali exposta.
Segundo Bakhtin, os gêneros são “tipos relativamente estáveis de enunciados” (2010, p. 262), enunciados que são tidos como unidade da comunicação socioverbal, como unidade real da comunicação verbal, pois o Círculo entende que todas as esferas da atividade humana estão perpassadas pela utilização da linguagem.
Atentemos que Bakhtin nos orienta para o caráter estável e mutável dos gêneros, o que poderia ser entendido como algo improvável, contraditório. No entanto, temos que levar em consideração que por estarem presentes nas esferas, em ambientes sócio-históricos, os gêneros “obedecem” a certa cristalização de formas, pois não são necessariamente reinventados a cada novo uso. Só que essa “obediência”, encontra-se em constante tensão, pois a estabilidade é relativa, os gêneros estão em constante mudança, assim como os ambientes em que são produzidos/circulam e como os sujeitos que os produzem (SOBRAL, 2009).
Para aclarar nossa explanação, Sobral (2009, p. 117) nos aponta quatro principais aspectos do caráter estável-dinâmico dos gêneros:
1. O gênero é dotado de uma lógica orgânica, isto é, não há algo que venha de fora se impor a ele, mas uma ação generificante, criadora de suas características como gênero.
2. Protótipos e fragmentos de gênero permitem “dominá-lo”, ou seja, o gênero tem um certo “tom”, certa “linguagem”, que não devem e Língua Estrangeira. Os Parâmetros Curriculares Nacionais apontam também a importância de discutir, na escola e na sala de aula, questões da sociedade brasileira, como as ligadas a Ética, Meio Ambiente, Orientação Sexual, Pluralidade Cultural, Saúde, Trabalho e Consumo ou a outros temas que se mostrem relevantes. Disponível em: <http:// http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/introducao.pdf> Acesso em: 07 mar 2015.
contudo ser confundidos com fórmulas fixas (embora alguns gêneros possam ser “formulaicos”).
3. Sua lógica não é abstrata, porque se manifesta em cada variedade nova, em cada nova obra e, portanto, o gênero não é rígido em sua normatividade, mas dinâmico e concreto.
4. O gênero traz o novo (a singularidade, a impermanência) articulado ao mesmo (a generalidade, a permanência), porque não é uma abstração normativa, mas um vir-a-ser concreto cujas regras supõem uma dada regularidade e não uma fixidez (grifos do autor).
Através desses aspectos, temos clareza de que a tensão em que os gêneros discursivos encontram-se é a tensão vivenciada pelos sujeitos quando vão fazer uso de um ou outro gênero. Como produzimos enunciados nas esferas nas quais circulamos, é preciso perceber que tais enunciados (orais e escritos) têm conteúdo temático, organização composicional e estilo, correlacionados às condições e finalidades da esfera. E que a compreensão desses elementos são os responsáveis por termos um motivo, um porquê, que tornam nossa interação significativa, direcionada.
[...] Mesmo porque cada gênero do discurso pressupõe um lugar e um tempo legítimos para serem enunciados e recebidos pelo ouvinte/leitor. Assim, o lugar onde o ouvinte/leitor tem acesso ao gênero textual é, muitas vezes, fundamental para que ele possa compreender sua estruturação e a forma de sua recepção. Ademais, esses lugares não são externos aos gêneros, mas constituintes de sua forma e conteúdo, como também de seu modo de produção e de recepção (CASADO ALVES, 2014, p. 25).
Acerca da relevância do ato sócio-histórico para os gêneros, Medviédev (2012), aponta-nos duas faces: uma voltada à exterioridade (tempo, espaço e esfera ideológica) e outra voltada à interioridade (forma, estrutura e conteúdo temático). Essas duas faces fundem- se enquanto unidades de comunicação que nos orientam enquanto visão de mundo, na relação com a realidade e com o outro que a constitui. “O processo de ver e conceitualizar a realidade não deve ser separado do processo de corporificá-lo em formas de um gênero particular” (MEDVIÉDEV, 1928, p. 134 apud FARACO, 2009, p. 131). E esse processo faz com que estar numa esfera cultural implique em saber os gêneros discursivos que nela circulam. Com isso, a relação entre sujeitos se estabelece e, por isso, é preciso adequar, orientar nosso dizer às atividades as quais fazemos parte, as esferas nas quais circulamos.
É nessa perspectiva que o estudo dos gêneros discursivos deve ser tratado na escola, como meio imprescindível ao entendimento de que para dar conta das demandas da vida, para
exercer a cidadania, é preciso expressar a linguagem e seu funcionamento como um instrumento dinâmico e criativo, em que as relações sociais se estabelecem. No entanto, por vezes, é distorcida a ideia de gênero discursivo pensada por Bakhtin e Círculo, pois o gênero passa a ser apenas um pretexto para análise linguística perdendo seu caráter ativo, responsivo, sócio-histórico. Conforme corrobora Casado Alves (2014, p. 24),
[...] Contudo, muitas das aplicações de seus conceitos desconsideram tal preocupação e os reduzem a categorias imóveis, fechadas, repetíveis, descarnadas e desbastadas de concretude e historicidade. [...] E isso pode acontecer, também, com os gêneros do discurso que modismos, aplicações mecânicas, necessidades de classificação e enquadramento ou desconhecimento da concepção de linguagem, de sujeito e da perspectiva histórica que atravessa a obra bakhtiniana e que dão suporte ao redimensionamento que ele imprimiu à concepção de gêneros discursivos, podem levar ao enrijecimento ou ao teoreticismo tão criticado pelo próprio Bakhtin.
Estudar a língua e a linguagem orientadas pelos gêneros do discurso “favorece um tratamento mais flexível da forma e do estilo e o diálogo entre linguagens e vozes na construção dos sentidos situados ou contextualizados” (ROJO, 2008, p. 92), fazendo com que o sujeito aluno leia e produza textos tendo em vista que essas atividades são orientadas e não um simples cumprimento de tarefa e, o mais importante, que em seu dia-a-dia, essas atividades facilitarão as interações nas esferas em que estarão inseridos, em que circulam.
Por essa razão, conforme nos diz Petroni (2008, p. 13),
[...] Cabe à escola propiciar ao aluno o contato com a diversidade textual que circula na sociedade, inclusive dentro da própria escola, com os textos/discursos de diferentes áreas, diversidade à qual ele nem sempre tem acesso, ou com a qual ele não sabe lidar, por falta de um trabalho sistemático de exploração dos diferentes tipos de textos e gêneros discursivos.
E foi numa tentativa de cumprir este objetivo pedagógico – propiciar ao sujeito aluno da EJA um contato com o gênero discursivo, no caso, o diário pessoal – que orientamos nosso trabalho, pois acreditamos que pelo gênero podemos refletir sobre a esfera escolar, sobre nosso papel de sujeito inserido nessa esfera, dialogando com as muitas vozes que nela estão presentes e com as identidades aí (re)construídas.