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3. Belediyelerin Türk İdarî Teşkilâtındaki Yeri

1.2. Halkla ilişkiler Anlayışını Gösteren Modeller

Com base nas análises dos grupos 1 e 2, identificamos que as vozes sociais que estão presentes nos enunciados que compõem os diários encontram-se, pois estabelecem relação dialógica, relação de sentido, provocada pela experiência que esses sujeitos alunos têm da vida escolar, seja ela marcada por repetência, mudança de turno, retorno etc. Lembramos que relação dialógica não é, necessariamente, uma relação de concordância. Por vezes, é arena de lutas de vozes sociais que discordam, concordam e, nesse movimento, podem reconstruir e/ou reforçar seus posicionamentos (BAKHTIN; VOLOSHINOV, 2012). Com isso, esses discentes travam, assim, um complexo movimento de forças que condicionam a forma e as significações do que é dito em seus diários, forças que refletem e refratam o mundo (notadamente o mundo escolar). Refletem ao apontar suas percepções desse mundo, mas também o refratam na medida em que o interpretam com base em suas experiências particulares, em suas formas de apreciar o certo, o adequado, o errado, o inaceitável. E diferente do que podemos pensar, essas forças são necessárias e sempre vão atuar juntas na dinâmica da história de cada sujeito, na diversidade de suas experiências, em sua posição historicamente situada, ativa e responsiva.

Em vista disso, conforme vimos nos grupos acima analisados, os sujeitos alunos posicionam-se, conforme o grupo 1, favoravelmente em relação à escola, pois pertencem a esse ambiente e carregam em si as vozes sociais que exaltam o ambiente escolar enquanto lugar de crescimento, de transformação, de possibilidade de ascensão social. O que não podemos esquecer é que há implícito nesse discurso a voz da modernidade tardia, voz em que

ecoa a ideologia de exaltação dos melhores – os bons alunos – como aqueles que conseguirão um futuro promissor. Mas também, como vimos no grupo 2, os sujeitos alunos se posicionam contrariamente ao que veem/vivenciam na escola, não aceitando os desvios de conduta daqueles que maculam o ambiente escolar com seu barulho, com sua pichação, com seus vícios.

Esses posicionamentos nos levam a considerar o papel da escola enquanto cronotopo importante de ser constantemente pesquisado, pois mesmo com as teorias pedagógicas que apresentam ideias inovadoras, ainda temos no ambiente escolar forças repressoras que, sob controle do Estado, transmitem uma visão de mundo hegemônica, em que os melhores vencem e serão detentores do poder, em detrimento daqueles com os quais não se deve “misturar”.

Notemos que essa tensão percebida nos diários analisados (a escola é boa, a escola é bagunçada) é própria das identidades da pós-modernidade, identidades cambiantes, “elas são na modernidade tardia, cada vez mais fragmentadas e fraturadas” (HALL, 2012, p. 108), oscilando entre o elogio e a crítica à escola, porque

[...] elas emergem no interior do jogo de modalidades específicas de poder e são, assim, mais o produto da marcação da diferença e da exclusão do que o signo de uma unidade idêntica, naturalmente constituída, de uma “identidade” em seu significado tradicional (HALL, 2012, p. 109).

Como Hall (2012) destaca e observamos nos diários, as identidades dos sujeitos alunos da EJA são marcadas pela diferença em relação ao outro, em posicionamentos que apontam dualidade em sua avaliação acerca da escola que frequentam e o que poderia ser considerado contraditório, na verdade é a fluidez identitária desses sujeitos pós-modernos.

7 REFLEXÕES FINAIS: CAMINHOS PERCORRIDOS, OUTROS TANTOS A TRILHAR

Ninguém pode ser um caderno vazio, todos nascem para contribuir e transformar a história.

Paulo Freire

Após longa caminhada, os resultados da análise do corpus que constituem nossa pesquisa apontam que os sujeitos alunos da EJA constroem e reconstroem suas identidades (e também da escola), numa cadeia responsiva, numa estreita relação com o outro, marcando sua diferença em relação a ele. Esse movimento de (re)construção é típico do sujeito da pós- modernidade, como nos diz Hall (2011), em sua vida altamente reflexiva, pois estão em constante processo de reflexão acerca da escola (sua identidade) a que pertenciam e seus papéis enquanto alunos da instituição de ensino.

As produções dos diários pessoais confirmam a ideia de relativa estabilidade dos gêneros discursivos que o Círculo de Bakhtin apresentou, pois, como vimos, os diários escritos pelos sujeitos alunos não seguem um padrão em sua forma composicional, mas ainda assim, não deixam de ser diários pessoais, pois seus conteúdos expressam tom confessional, próprio das escritas diaristas.

Ao investigarmos a entrada do estudo dos gêneros do discurso na escola, pudemos perceber que sua proposta, nos termos bakhtinianos, traz aos estudos da linguagem uma perspectiva mais social, responsiva, dotada da percepção de interação, ou seja, dialógica. No entanto, ainda é muito comum termos os gêneros como meios introdutórios de questões gramaticais, que não devem ser excluídas, mas também não devem ser o fim, o objetivo maior nas aulas de língua.

Como reflete Faraco (2009), bom seria que os gêneros discursivos não fossem estudados de modo cristalizado, mas que obedecessem à dinâmica que lhes é própria. O autor nos aponta o caminho do estudo do gênero, em sua dinamicidade, pois como são produtos das interações verbais, não são estáticas, pelo contrário, estão em constante mudança, adaptação, renovação, como a vida.

Assim como o gênero diário pessoal, o corpus nos fez perceber que a identidade discente se molda, fluida que é, às identificações (e/ou diferenças) e expectativas que os

alunos têm de si e do que se espera deles (e dos outros) enquanto pertencentes ao cronotopo escolar. O discente-autor se mostra e aponta sua identidade – crítica – sendo desconstruída, reconstruída, moldada. Confirma-se, então, a ideia de que a identidade cultural é uma identidade nova, fragmentada, que passa por crises, num movimento contínuo de transformação da ideia que tem de si mesmo (afina ou desafina).

Com isso, nossa primeira pergunta de pesquisa Quais são as identidades culturais

construídas pelos alunos da EJA III de uma escola municipal de Natal através de seus diários pessoais? é respondida a partir das análises que nos mostraram que um mesmo sujeito tem em

seu diário pessoal a construção de uma identidade pessoal fluida, que se constrói a partir das diversas representações que possuem e que atribuem à escola, ora sendo otimista em sua avaliação, pois a escola é boa, legal, com bons professores e bom lanche (merenda); ora sendo denunciador daquilo que percebe enquanto errôneo, pois a escola é bagunçada, os alunos a frequentam para namorar ou se drogar, é desorganizada, os alunos não são interessados, são indisciplinados. Notemos que a identidade dos sujeitos alunos é móvel no sentido de que transitam entre a representação positiva e negativa concomitantemente.

Respondemos a segunda pergunta Quais as relações dialógicas entre os discursos

produzidos por esses alunos em seus diários pessoais? ao analisarmos que mesmo tendo sido

uma atividade realizada individualmente, os sujeitos alunos travam relações de diálogo a medida que em seus enunciados temos o encontro de vozes sociais que se entrelaçam, num contínuo de concordância que revela que seus discursos estão traspassados pelo discurso do outro, daí podermos realizar o agrupamento dos enunciados em dois grupos (que apresenta valoração positiva em relação à escola – primeiro grupo, e que apresenta valoração negativa – segundo grupo) , pois eles têm a marca da heteroglossia dialogizada.

Com base nas respostas obtidas pensamos que nosso trabalho pode promover uma reflexão sobre como os alunos da EJA, que muitos consideram distantes da “vida escolar”, estão envolvidos no fazer pedagógico e são partícipes críticos do que acontece e do que lhes é oferecido. Vimos, através dos dois grupos, que eles não são observam o que acontece no cotidiano escolar, como também apontam possíveis soluções para as problemáticas. Isso pode nos fazer refletir (e agir!) sobre atividades que gerem uma maior atuação desse alunado de modo que eles intervenham e colaborem na renovação do meio escolar.

Para que isso possa vir ocorrer na escola em que a pesquisa foi gerada, vamos disponibilizar esta dissertação para que seja discutida e analisada pelos docentes, discentes e servidores. Também nos colocaremos à disposição para dialogarmos sobre as reflexões que esta pesquisa nos trouxe. Assim, pretendemos fazer com que nosso estudo não fique apenas

no meio acadêmico, mas possa atingir o social e trazer à escola que nos auxiliou nesse projeto uma resposta efetiva, uma contrapartida às problemáticas apontadas pelos sujeitos alunos colaboradores.

Com isso, almejamos que esse estudo, que não se esgota aqui, contribua com mais um olhar aos estudos da linguística aplicada, bem como acerca da linguagem e das identidades culturais, na medida em que fazemos uma reflexão sobre o uso da linguagem como prática social na representação dos sujeitos alunos da EJA III de uma escola municipal de Natal, da realidade em que estão inseridos, das identidades por eles construídas. Quem sabe os docentes não começam a ler os textos de seus alunos com uma atenção maior para as identidades culturais que estão nesses enunciados?

Atuando diretamente com os discentes, uma proposta de intervenção seria a de fazer com que os alunos, orientados em especial por docentes de língua portuguesa, tornem-se leitores e produtores de texto com habilidades e conhecimentos que os capacitem a refletir sobre os usos da língua(gem) nos textos e sobre fatores que concorrem para sua variação e variabilidade, sem perder de vista a complexidade da atividade de linguagem em estudo: seu contexto de emergência, produção, circulação e recepção; as esferas de atividade humana; as manifestações de vozes e pontos de vista; a emergência e a atuação dos seres da enunciação, do texto; a configuração formal (macro e microestrutural); os arranjos possíveis para materializar o que se quer dizer; os processos e as estratégias de produção de sentido; a responsabilidade que temos sobre os enunciados que produzimos.

Não é uma tarefa fácil, é verdade, o caminho é longo, mas é imprescindível que esse processo que já ocorre em muitas escolas, esteja presente em todas, para que nossos alunos tornem-se não só leitores e produtores de texto mais competentes, mas sejam cidadãos mais críticos e atuantes, não só na escola em que estudam, mas em toda a vida social.

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