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1.6. Türkiye Çingeneleri

1.6.4. Dini Yaşam

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Neste último versículo, o ato de escrever representa um dos meios visíveis para recordar a ação de Javé. Escrever nos umbrais das casas, nas portas e nos portões dos povoados e cidades destaca a importância da centralidade em Javé, tornando-a visível para todos os que chegam ou passam pelas casas, entram ou saem das cidades ou templos. Os povos antigos costumavam decorar a porta266 com amuletos para que pudessem se proteger contra os maus espíritos. Esta prática, segundo Mackenzie267, pode ser o reflexo da prática hebraica de pendurar na porta o mezuzah.

Os israelitas, além de carregarem pequenos textos nos braços, desenvolveram outra prática, a de colocar estas quatro passagens (Dt 6,4-9 e 11,13-21; Ex 13,1-10 e 11- 16) em pequenos recipientes que eram afixados no portal de entrada da casa (mezuzah). Cópias antigas de tais documentos foram encontrados nas cavernas de Qumran e em outros lugares. Tais práticas tiveram significado profundo para algumas pessoas. As breves passagens da Escritura eram sinais que representavam todo conteúdo da lei, que deveria ser ensinada e observada. Quando esta prática foi transformada em mero legalismo, o espírito da antiga ordem foi destruído, pois o que sustentava os homens na obediência a Deus era a lembrança de suas misericórdias passadas. Tais sinais já eram suficientes e não precisavam de quaisquer lembretes físicos. A recordação dos atos salvadores de Deus e a declaração das exigências de sua aliança já manteriam viva a fé e lealdade de Israel268.

Os judeus ortodoxos aceitam os v. 8 e 9 como uma grande verdade e os usam em cópias dentro de caixinhas, nos pulsos e na testa, durante as orações, e as chamam de filactérios. Eles colocam fragmentos de pergaminho com estes versículos em caixinhas metálicas de mezuzah e as depositam nas portas de suas casas269.

266 Conforme ALLMEN, J.J. Von. Vocabulário Bíblico. 1972, p.332, além do seu sentido próprio, porta

também é designada para representar uma casa, cidade ou lugar de habitação.

267 MCKENZIE, John L. Dicionário Bíblico. 1984, p. 735.

268 THOMPSON, J.A. Deuteronômio: Introdução e Comentário. 1982, p. 119. 269

A porta é símbolo da passagem de um lugar para o outro270. Ela é considerada passagem entre os estados, os mundos, o conhecido e o desconhecido, da luz às trevas, do tesouro à necessidade. A porta se abre a um mistério, sua abertura permite entrar e sair e é passagem possível de um domínio a outro, do sagrado ao profano. Nas igrejas e nos templos as portas são aberturas de peregrinação sagrada que conduz até à presença real da divindade271.

A palavra umbral e sua significação esotérica provém de seu papel e de passar entre o exterior (profano) e o interior (sagrado). Umbral também simboliza a separação e a possibilidade de uma aliança, de uma união, de uma reconciliação. Manter-se no umbral é manifestar o desejo de aderir às regras que regem a morada. Pôr-se sob o umbral é pôr-se sob a proteção do dono da casa: Deus. Cruzar o umbral exige certa pureza do corpo, da intenção e da alma272.

Para finalizar, percebemos que no texto, o pronome pessoal “tu” aparece três vezes acompanhado por verbos. Esta forma de expressão reflete ações que venham fazer parte do interior de cada membro do povo de Deus e os levem a fé e ao compromisso. Com isto, a exclusividade de Deus se estende na obra da criação, da salvação e da santificação.

270 BECKER, Udo. Dicionário de Simbolos. 1999, p. 223.

271 Cf. CHEVALIER, Jean. GUERBRANT, Alan. Diccionario de los Símbolos. 1986, p. 855; HEINZ-

MOHR, Gerd. Dicionário dos Símbolos. Imagens e sinais da arte cristã. 1994, p. 297.

4 O SHEMÁ, UM CAMINHO PARA A CULTURA DE PAZ

O presente capítulo aponta o Shemá como um caminho para a formação da cultura de paz. Ele é citado por Cristo, no Evangelho, como o primeiro e o maior

mandamento da Lei, seguido do segundo que é amarás o teu próximo como a ti mesmo (Mt 22,34-40). Ao atualizarmos o Shemá como um caminho, destacamos atitudes importantes e necessárias que são fundamentais na contemporaneidade, tais como: o ouvir nos remete a recordar os acontecimentos da história, tanto positivos quanto negativos. O amar expressa- se em atitudes de testemunho do amor a Deus, através de práticas que formam uma organização social não apoiada na violência, mas determinada por estruturas fraternas273. As palavras que hoje te ordeno são os Dez Mandamentos e as suas leis complementares, que guiam e impelem à vida, indicam um caminho com práticas de justiça274 para construir uma sociedade sem empobrecidos e excluídos. A atitude de inculcar aos filhos os ensinamentos de Javé revela a necessidade de ser testemunha desta experiência, conservando-a de geração em geração. Conseqüentemente, o Shemá é um caminho que reflete a ação de Javé, tendo como fundamento os mandamentos, buscando fortalecer a fé que é centro de tudo, apontando para mudanças de atitudes pessoais em vista de ações solidárias e de paz.

Como caminho, o Shemá se torna uma possibilidade de instaurar uma tradição de paz que venha envolver os povos de diferentes raças, cores e credos. No primeiro momento, resgataremos a história de Israel como experiência de liberdade e paz, seguido das contradições vividas na contemporaneidade que se caracterizam pela violência e injustiças. No terceiro momento, trabalharemos os fundamentos para compreendermos a paz, com os aspectos que a permeiam, como a solidariedade, o diálogo, a tolerância, o pluralismo cultural, até chegarmos ao comunitarismo solidário. Por fim, indigitaremos algumas organizações sociais como sinais que evidenciam o Shemá e efetivam a cultura de

273 BRAULIK, Georg. O Livro do Deuteronômio. 2003, p.113. 274

paz, pois trazem como primícias valores essenciais nas relações pessoais que promovem vida e dignidade.