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TÜRK TARİHÇİLİĞİNDEKİ YERİ VE ESERLERİ

HAYATI VE ESERLERİ

IV- TÜRK TARİHÇİLİĞİNDEKİ YERİ VE ESERLERİ

A primeira coisa que constatamos, em qualquer que seja a sessão, é que o pre- sidente fala num tom convivial a todos os seus colegas parlamentares que con- cordam com ele. De fato, o presidente pertencente ao partido socialista se mos- tra completamente agradável com seus colegas socialistas e comunistas. Ele os agradece e valoriza seu trabalho. Tanto ele não se importa com Georges Vincent que este sequer o agradece. Suas intervenções não são feitas com cordialidade. O presidente mesmo teve tendência de se lhe mostrar agressivo. Além disso, sua posição na sala mostra, ainda, sua exclusão em relação aos demais Conse- lheiros Gerais. De fato, ele se encontra sozinho à esquerda, na primeira fi leira,

enquanto os outros conselheiros sentam-se em grupos. Assim, observamos ten- sões entre os parlamentares de esquerda e os parlamentares de direita. Como havia explicado antes, é sempre Georges Vincent quem toma a palavra para apresentar detalhes quanto aos relatórios expostos por seus colegas. É como se por estar só nesta sessão, como integrante da oposição, ele tivesse a obrigação de contestar os relatórios. De fato, ele nos mostra que as ideias da UMP estão bastante contraditórias com as do partido socialista. A dicotomia se confi rma com as respostas dos socialistas.

O exemplo de Pierre Maurel, do Partido Socialista, que toma a palavra para apresentar detalhes sobre o relatório D9, referente à dependência, é bas- tante interessante. De fato, normalmente, é o Conselheiro Geral da UMP que expõe sua opinião e detalhes sobre as exposições dos colegas. Assim, não é co- mum ver dois Conselheiros Gerais de mesmo partido se criticando. É por esta razão que ele vai se justifi car ou dissipar as acusações que podemos lhe fazer afi rmando “eu, eu vou votar este relatório, isto não é um problema”. É como se ele tentasse se proteger para evitar que suas críticas sejam mal interpretadas.

Por fi m, esta análise nos mostrou que para deliberar sobre questões sociais o Conselho Geral vai utilizar processos de politização do social. De fato, é o que nos mostram os debates que são sempre convertidos em discussões de ideias. É por essa razão que os Conselheiros Gerais vão votar por um relatório sem sequer saber seu conteúdo. Assim, todos os processos de legitimação e de transparência políticas mostram que não são as questões sociais que motivam as sessões do Conselho Geral, mas sim a política.

Introdução

No contexto da pesquisa para a disciplina “Sociologia Política”, vamos estudar aqui o desenvolvimento de um conselho municipal.

O Conselho Municipal da cidade de Montpellier, realizado segunda-feira, em 8 de fevereiro de 2010, às 16:00h na Prefeitura, serve de base para a obser- vação, que vem acompanhada de anotações sobre seu objetivo, suas interações e o que se passa em torno desta observação, guardando certa neutralidade.

Em seguida, a partir dos dados percebidos sobre o campo, procedemos a uma análise desenvolvendo a hipótese de que existe uma diferença entre a aparente solenidade do conselho municipal e o que se passa na realidade. É conveniente observar que o conselho municipal se apresenta, como nos textos de organização, como os sistemas de interações de organizações informais.

O interesse aqui é combinar as informações obtidas, a partir da observação de campo, com os conhecimentos teóricos de obras incontestáveis da sociologia.

Faremos, então, num primeiro momento, a descrição de forma cronológi- ca do Conselho Municipal de Montpellier, em seguida, num segundo momen- to, analisaremos esses dados.

Parte I — Descrição

Estava próximo de três horas e quarenta e cinco minutos da tarde quando che- gamos à Prefeitura de Montpellier. Eu estava feliz por chegar um pouco adian- tada porque já havia uma pequena fi la de espera que não parava de crescer, sobretudo com a chegada dos alunos de nosso anfi teatro. Eu não esperava ver tanta gente aguardando para assistir ao Conselho Municipal. Sem contar os meus colegas de classe, havia uma turma de alunos secundaristas e seus pro-

1 Aluna do terceiro ano do curso de Ciência Política da Université de Montpellier 1. Trabalho entregue para a disciplina “Sociologia Política”.

fessores, além de cidadãos com uma média de idade de cinquenta anos. Dois repórteres de televisão estavam presentes. Eu não imaginava que um conselho municipal pudesse chamar a atenção de tanta gente.

São dezesseis horas e dez minutos, agentes da polícia municipal abrem a porta e revistam as bolsas. Nem todas as pessoas que esperavam puderam entrar por falta de lugar.

Lá dentro, outro agente indica onde deveríamos nos sentar. Ele nos condu- ziu (eu e minha amiga) à segunda frisa, ao fundo do corredor, onde havia duas cadeiras lado a lado. Que decepção! Estamos sentadas no alto do salão, para ver o que se passa embaixo.

O agente de polícia nos pede para permanecer ali, o que foi difícil de cumprir. Tivemos, então, de facilitar nosso trabalho de observação, levantando discreta e rapidamente do local para completar nossas informações.

Eu não acreditava que houvesse tantos espectadores nas frisas, sobretudo no mesmo andar que os parlamentares, tendo me surpreendido também com o número de protagonistas do Conselho Municipal.

Imaginava uma sala menor, com poucas pessoas sentadas em volta de uma mesa redonda.

Segundo minhas observações, os parlamentares estão vestidos de terno, gravata, e as mulheres de tailleur. Os que não estavam com suas melhores vestes estavam todos no mesmo padrão.

A televisão estava presente, assim como os fotógrafos eram facilmente per- ceptíveis graças a seus fl ashes. Eles andavam muito.

O conselho começa de forma muito solene. Quando a Marsellaise toca, todos se calam e se levantam.

É um ambiente muito patriótico, como um momento de refl exão para pensar nos valores que guardamos da República.

Em seguida, uma mulher faz o pregão. No nome de Georges Frêche, não há resposta, o que suscita burburinhos em minha volta.

Durante esse tempo, uma folha de presença é passada e assinada, e alguns documentos são distribuídos. Eu aproveito esse momento para desenhar um rascunho do mapa da sala. Os parlamentares e os conselheiros municipais estão um pouco dispersos, como numa escola, antes que as aulas comecem.

Uma vez que estes requisitos estejam cumpridos, a prefeita, Hélène Man- droux, fala. Um vídeo projetado nos permite ver como se desenvolve a sessão do Conselho Municipal. A sala fi ca em silêncio.

A ordem do dia é lida: o orçamento preliminar de 2010, e em seguida os processos verbais. A sala fi ca atenta. A razão é evidente porque a Sra. Prefeita

anuncia que a cidade de Montpellier é uma reconhecida cidade pioneira em economia de energia há 2 anos.

Em contraste com o silêncio e a atenção do público e dos parlamentares, os jornalistas, mesmo com a localização que lhes fora ofertada, andam e fazem barulhos na sala.

Os parlamentares tomam a palavra pouco a pouco, falando do orçamento, mas os detalhes técnicos tomam muito tempo. A assembleia fi ca impaciente com os burburinhos se multiplicando, mesmo tendo alguns que, sempre sérios, toma- vam notas. Dentre os parlamentares sentados no nível da mesa encontra-se a Sra. Le Th aise. De fato, alguns não hesitaram em mudar de lugar para conversar com os outros parlamentares quando o orçamento estava sendo exposto ao microfone.

Estou um tanto decepcionada com meu lugar na frisa e completamente tolhida em relação aos objetos observados. A ausência de interação preserva minha neutralidade, mas eu também não tenho acesso a muitos elementos que poderiam ser interessantes.

Ouço as palavras solenes como “um orçamento de combate para os valores de Montpellier”, enquanto os quadros e os números são apresentados com o vídeo projetor.

Os parlamentares que tomam a palavra explicam com segurança algumas noções como “dotação” ou “NAA” aos conselheiros municipais que, forçosa- mente, não são profi ssionais nesse assunto, mas também ao público muito he- terogêneo.

Depois da exposição da ordem do dia e dos processos verbais, uma pessoa entre os conselheiros municipais toma a palavra para fazer uma observação à Hélène Mandroux. Entretanto, por causa de meu lugar e da má acústica, eu não ouvi claramente do que se tratava a questão.

O homem sentado ao lado do Prefeito dedilha sobre o microfone, ten- tando se acalmar, mas perde a paciência “O senhor é um mal educado, um malcriado!”.

Em seguida, o Conselho Municipal se desenvolve como nas duas horas anteriores, desde que começou. A assembleia fi ca um pouco mais agitada, mas retoma a calma no momento do voto do orçamento.

Sente-se o cansaço, meu inclusive, aumenta a impaciência, vemos o fi m se aproximar. Eu não pensava que isso duraria tanto tempo. A atenção diminui bastante em certo momento, e a dos parlamentares também. À minha volta, as pessoas estão impacientes.

Terminado o conselho municipal, nos dirigimos à saída cordialmente, já era noite e chovia.

Satisfeitos com a sessão, aprendi muito mais do que imaginei que poderia. Eu estava revendo as minhas ideias preconcebidas e percebi que realmente valeu à pena assistir a um conselho municipal para saber como ele funciona realmente.

Com base nessa descrição, é importante analisar e elaborar as hipóteses de pesquisa.

Parte II — Análise

A observação da sessão do Conselho Municipal revela diferenças entre as apa- rências e a realidade.

De fato, a observação permitiu fechar a porta para alguns preconceitos nutridos, principalmente pela mídia. As imagens fi lmadas mostram um ângulo específi co, porém não a totalidade da sala do conselho, o que nos faz imaginar as ornamentações, mas que nos remete a uma ideia falsa.

Além disso, a observação de uma sessão de um conselho municipal pode ser diferente de uma cidade para outra. O objeto desta pesquisa não é fazer uma análise comparada, mas somente ressaltar o fato de que ter conhecido o desenvolvimento de um conselho municipal de uma cidade pode reduzir a imagem que se faz de um conselho municipal de uma aglomeração. Mesmo se for evidente que haverá uma diferença, é difícil, portanto, medir a priori, a amplitude desta diferença.

Todos estes elementos evidenciam as diferenças que podem existir, suas causas, e são precisamente a essas diferenças que a refl exão se reporta.

Minha hipótese é a de que existe uma diferença entre a aparência, o que é visto diretamente pelos espectadores, e a realidade do conselho municipal — a questão da diferença entre a aparência formal e o funcionamento informal.

O que observamos de forma atenta foram as ações dos atores, dos parlamen- tares, a margem do desenvolvimento formal da sessão do conselho municipal.

A sessão é organizada com um roteiro a ser seguido, a ordem do dia e os processos verbais que estruturam as discussões.

Entretanto, observamos os parlamentares se levantarem e cochicharem na orelha um do outro, os jornalistas entrarem na sala, mesmo tendo um local que lhes fora determinado.

Esses elementos reforçam a teoria de sistema da ação concreta desenvolvida por Crozier e Friedberg em “O ator e o Sistema”.

Esse conceito tem lugar central na análise estratégica, que estuda suas apli- cações nas organizações.

A organização se desenvolve como um construto humano ou de um conjun- to estruturado de humanos. Esse conjunto estruturado é composto de membros que ali desenvolvem estratégias particulares, mas informais, submetidas às forças que mudam o tempo todo, sendo estas forças o desenvolvimento do conselho municipal. Um funcionamento que pode mudar, e os atores, os parlamentares, devem se adaptar. Isto se faz não de início, pelo aspecto de organização formal, mas pelos contatos entre os membros. Os ajustes estão então construídos.

É o conjunto do construído ajustando-se que constitui o sistema de ação concreta. Esse conceito leva em consideração os atores individuais e também os atores coletivos como o conselho municipal. Os comportamentos dos atores são inteligíveis e, portanto, detectáveis pela observação.

Essa concepção pode ser utilizada como base de análise. De fato, a comu- nicação dos parlamentares levantando-se e cochichando ao pé da orelha é uma ação informal que permite regulamentar um problema que não encontra solução na estrutura formal instituída para o desenvolvimento do conselho municipal.

Da parte de um externo, observamos o desenvolvimento rigoroso, ponto a ponto, em que cada momento de palavra é estruturado. Entretanto, os par- lamentares têm a necessidade de uma comunicação informal não prevista no sistema de organização, pelo baixo funcionamento do sistema.

Então, se uma informação essencial deve sobrevir a certa pessoa, sem que isto seja previsto no plano dos discursos, ela vai de qualquer forma chegar à pessoa em questão.

É nesse exemplo de situação que o ator deve desenvolver uma estratégia, cochichar discretamente, levantar de seu lugar, se necessário.

Essa estratégia é indispensável, além disso, se ela não acontecer, a sessão se desenvolveria menos solenemente, talvez menos organizada.

Os atores se apoiam sobre os recursos que estão à disposição para atingir seus fi ns. E essas estratégias se traduzem pelas escolhas que fazem os atores den- tro da assembleia.

Essa análise nos permite compreender quais são as regras e as zonas de incertezas que caracterizam o sistema de ação concreta dos atores presentes. E que as regras sociais, formais ou informais, não são dadas de uma só vez, pois os atores podem jogar com elas.

Conclusão

A descrição permitiu evidenciar, triar e organizar os elementos relevantes da estrutura dessa organização.

A análise permitiu evidenciar uma hipótese e confortar uma concepção de sociologia das organizações: o sistema de ação concreta.

A pesquisa nos permitiu uma refl exão, um trabalho de campo em condi- ções pouco evidentes.

Constatamos que as diferenças existem entre o que analisamos, o que ve- mos e o que realmente é.

Essa difi culdade dá importância à complementariedade do trabalho de ob- servação e de análise que evidencia os elementos de refl exão.

Aqui pudemos observar que, por trás de uma estrutura organizada, de um desenvolvimento preparado e de um ambiente solene, os indivíduos interagem entre si e estão diante de alguns problemas — tomamos o exemplo da comuni- cação de informação.

E com relação ao falante/discursante, que eles desenvolvem estratégias in- formais inteligíveis e perceptíveis para a observação.

A concepção de sistema de ação concreta é um instrumento intelectual incontornável para compreender o funcionamento regular de uma organização, sendo aqui o caso do Conselho Municipal de Montpellier.

O conselho municipal é então uma organização, um “ator coletivo”, socio- logicamente pertinente no seio de uma refl exão.

Num estudo posterior, será interessante estabelecer uma análise comparati- va entre vários conselhos municipais que se desenvolvem nas diferentes cidades e de importâncias também diferentes (tamanho, número de habitantes, peso na região). Estamos muito presos ao que se esconde atrás da formalidade da sessão do conselho municipal, fazendo a escolha de se deixar esquecer a questão mais precisa, por exemplo, da representatividade.

Anexos