HAYATI VE ESERLERİ
A- Fetih Cemiyetini Kurması ve Faaliyetler
Nesse trabalho vislumbro fazer uma comparação entre as simbologias do poder no mundo jurídico público e no mundo jurídico corporativo e entender como os fatores econômicos afetam essa relação. Mais especifi camente, pretendo ana- lisar qual o refl exo do fator econômico no modo como se portam, falam e se vestem os atores nesses dois universos. Como método de pesquisa foram feitas pesquisas de campo em um tribunal do júri e em um escritório de advocacia. Com o objetivo de manter a generalidade da experiência será passado o menor número de informações possível sobre o caso ouvido no tribunal do júri e sobre as informações ouvidas dentro do escritório. Para consubstanciar essa experi- ência serão usados os conceitos de base de campo jurídico e disputas de poder utilizados por Bourdieu e a questão das simbologias trazida por Garapon, além dos conceitos de estrutura e superestrutura de Marx. Por fi m, complementarei a pesquisa com conceitos retirados de outros textos usados durante a disciplina Sociologia das Instituições Jurídicas e autores correlatos.
Tribunal do Júri
O primeiro trabalho de campo se deu a partir da observação de uma sessão do Tribunal do Júri que tinha como fundamento a identifi cação das simbologias usadas pelos operadores do direito no âmbito público.
A impressão inicial que se tem de um tribunal é que ele representa uma mistura de palácio e labirinto. Ao mesmo tempo que apresenta grande opulên- cia e esbanja luxo, é, também, para os leigos, um emaranhado de corredores e salas onde se perder é quase instintivo. Além de confusos, os tribunais apresen- tam a grandiosidade de um palácio, o que difi culta a movimentação. Aliado a isso a composição dos tribunais exibe outra característica peculiar, em algumas
1 Aluno do terceiro período do curso de direito da Fundação Getulio Vargas do Rio de Janeiro. Trabalho entregue para a disciplina “Sociologia das Instituições Jurídicas”.
partes encontrar-se-ão salas de audiência com títulos escritos em letras garrafais, geralmente douradas, que fazem com que o leigo, na melhor das hipóteses, sin- ta respeito por aquele lugar. Ainda nesses lugares, é possível encontrar bustos e placas de metal homenageando antigos juristas, ou atores importantes daquela vara. Todavia, esses adornos são poucos, se comparados com os que se fazem presentes nas antessalas e salas de audiência ou de júri, locais em que são exal- tados, quase que de maneira religiosa, os grandes juristas ou atores que um dia ali atuaram, tudo sempre em consonância com a cruz que pende sobre a cabeça do juiz. Isso é objeto para ser analisado mais profundamente em um momento posterior do texto, contudo impõe respeito aos não iniciados no Direito.
Essas primeiras impressões do tribunal são potencializadas no momento em que a juíza entra na sala audiência. Desde o começo reconhece-se nela um ar e uma aparência de superioridade perante as outras pessoas ali presentes, inclusive perante o Ministério Público e a Defensoria Pública.
As vestimentas ajudam a fazer uma distinção funcional no tribunal: a pro- motoria e a defensoria se distinguem pela cor das fi tas em suas cinturas, verme- lha e verde, respectivamente. A juíza, por sua vez, usa uma toga bem alinhada e, aparentemente, mais bem cuidada que as togas dos representantes das partes, portando uma fi ta que, sendo de cor branca, dá um ar de magnanimidade.
A juíza inicia os trabalhos com uma postura semelhante à de uma professora, de forma didática e bem impessoal, enquanto explica para os membros do júri, especialmente para os que desempenhavam aquele papel primeira vez, como fun- cionam os procedimentos do tribunal e como deveriam agir. Conforme o tempo passa o tom da juíza se mostra cada vez mais pedante e autoritário, alcançando seu ápice quando um dos assistentes técnicos, responsável pela exibição dos depoi- mentos, informa que um dos vídeos não havia sido disponibilizado no dispositivo que usava. Nesse momento a juíza se irrita fortemente e, de forma muito ríspida, reclama com os seus assistentes, o que causou um desconforto, não só com o pú- blico, mas também nos jurados, que se mostraram impressionados.
Durante a apresentação das mídias digitais fi ca claro um certo ar de des- caso da juíza, da defensora e da promotora com o que estava sendo mostrado. Isso se explica pelo fato de a juíza e a promotora já terem tido contato com o vídeo, e pode também ser visto como um sinal passado por esses agentes do direito público de que não precisam daquela informação, visto que são fi guras notórias naquele mundo. Outra característica do tribunal que se percebe du- rante os depoimentos é a dimensão teatral que a sala possui, principalmente pela forma como o som ecoa, tornando o discurso, qualquer que seja, muito mais grandioso.
Em seguida à exibição dos vídeos acontecem as sustentações orais, da acu- sação e da defesa, nessa ordem. Ao contrário do tom que se percebe na juíza, a promotora tem um discurso bem brando e calmo, sempre buscando não usar palavras rebuscadas quando se dirige ao júri. Vale ressaltar que é prática comum nos tribunais que os discursos, tanto de defesa, como de acusação, comecem com uma infi ndável enxurrada de elogios ao juiz, no caso à juíza. Tal prática é observada no discurso da promotora, que não mede palavras na tentativa de colocar a juíza em um pedestal, como se fosse uma espécie de santidade.
Ao se relacionar com o júri a promotora adota um discurso deveras di- dático, buscando guiar as pessoas por todos os aspectos importantes de seu argumento. Nesse momento a teatralidade aparece como característica forte e, mais uma vez, observa-se a promotora e o júri agindo como dois atores encenando uma cena de cortejo.
O descaso dos membros do judiciário fi ca evidente nesse momento, em que a juíza conversa com seu escrivão e ignora completamente tudo o que acon- tece ao seu redor. Enquanto isso uma das ofi ciais de justiça dorme sentada em sua cadeira. Isso mostra, na verdade, como aquele julgamento é muito mais fundado na observância de consignas formais do que no caráter material do caso concreto.
A defensora pública também tece várias homenagens à juíza e à promotora, citando diversos fatos de sua vida profi ssional que, a meu ver, para o caso concreto são irrelevantes. Adianta que sua posição é a mesma da promotora, mas que con- tinuará com o seu discurso, pois deve a ampla defesa ao assistido. Isso demons- tra um apego à forma como o julgamento deve ser feito. Faz-se uso de diversas metáforas e expressões comuns do cotidiano de um cidadão, claramente visando conseguir a atenção do júri. Os discursos são única e exclusivamente voltados para o júri, visto que a juíza conversa com o seu escrivão e a promotora fala ao telefone e utiliza o computador, além de ter se ausentado da sala por alguns instantes.
No momento da declaração da sentença, o réu se coloca no meio do recin- to, e ouve a juíza, posicionada à sua frente, deferir suas palavras como se fosse a atração principal de uma peça. Seu discurso adota um tom elogioso para com a defensora e a promotora. A juíza se despe de sua agressividade inicial e tece elogios aos membros da bancada central.
Na declaração da sentença todo o discurso da juíza se torna muito mais formal e complexo, denotando assim uma necessidade da adequação formal e semântica aos institutos consagrados no mundo do Direito. A sentença se faz não só com o uso de termos técnicos, mas também com o uso de um português rebuscado e, em momento algum, simples.