1950 1952 YILLARI ARASI YAZI HAYAT
MİLLİYET GAZETESİNDE YAZMAYA BAŞLAMAS
A- Demokrat Parti ve Yeni Türkiye Hedef
Para a realização da pesquisa de campo, fui ao Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, no dia 16 de setembro de 2011, na parte da tarde, para conhecer o local e conseguir pautas de audiências da semana seguinte, para que pudesse me programar para assistir as mesmas. Estive lá apenas uma vez e não estava muito bem situada com a disposição das varas, cartórios, e suas competências, contudo, tinha em mente que desejava observar uma pauta de vara criminal, uma vez que gosto naturalmente da temática e também vejo mais facilidade na compreensão dessa área, devido a periodicidade que a mídia expõe a criminali- dade, bem como os termos técnicos do Direito.
Procurei me informar na recepção onde eram as varas criminais e, pronta- mente, obtive a resposta de que seriam a partir do oitavo andar. Encaminhei- me para o respectivo andar após uma longa caminhada entre rampas e escadas e cheguei ao local. Posso descrever a disposição do oitavo andar como sendo um saguão de recepção, com outro grande saguão à esquerda, com poltronas e outros elevadores e rampas que levam ao nono andar, e do lado direito um grande corredor em que fi cam as varas criminais, cartórios e suas respectivas salas de audiências.
Entrei nos cartórios, introduzindo-me como estudante de direito que esta- ria realizando uma pesquisa de campo para a Fundação Getulio Vargas, e pedi a pauta de audiência da semana subsequente em cada uma delas para poder ter mais facilidade de escolha. Em cada vara que entrei todos os funcionários que me atenderam foram muito solícitos, educados e dispostos a ajudar. Segundo Stéphane Beaud e Florence Weber: “Ser estudante traz numerosos recursos para a realização de uma pesquisa. (...) As pessoas querem lhe fazer favores, lhe aju- dar. Você não é socialmente ameaçador.” Sendo assim, pareceu-me que quando se trata de estudantes de direito os funcionários possuem uma obrigação natural em disponibilizar ao máximo o que o aluno/estagiário precisa, e isso fi cou evi- dente quando foi entregue a mim as impressões de todas as pautas em todas as 15 varas que visitei.
Após verifi car as pautas, acabei me interessando mais pela 43a vara crimi-
nal, composta por três audiências que ocorreriam no dia 21 de setembro de 2011: Tráfi co de Drogas Condutas e Afi ns; Posse ou Porte Ilegal de Arma de Fogo de uso Restrito e Outros; e Estupro de Vulnerável. Escolhi essa pauta pela variedade de tipos criminais.
Exatamente na semana seguinte, no dia da realização das audiências da pauta escolhida, encaminhei-me para o Tribunal de Justiça para a observação de campo. Estava muito empolgada e ao mesmo tempo receosa de como seria essa experiência já que era a minha primeira vez nessa situação.
Eu não tinha ideia do tamanho da sala de audiências, da disposição das cadeiras, a quem deveria me dirigir para poder entrar e assistir a pauta. Havia muitas pessoas ao longo de todo o corredor e também nas cadeiras em frente à 43a vara. Escolhi entrar no cartório e perguntar com quem eu deveria falar,
já que gostaria de ver as audiências, e obtive a seguinte resposta: “É só bater na porta da sala de audiências e procurar a assistente do juiz. Ela que dá as informações necessárias sobre a audiência. Não precisa fi car constrangida viu?”. E foi o que eu fi z. Entrei na sala, devagarinho, procurando a assistente e pron- tamente fui atendida pela mesma. Disse que era estudante de direito da FGV e que estaria fazendo uma pesquisa de campo naquele dia para o trabalho de Sociologia da faculdade, e se seria possível assistir as audiências. Ela me disse que eu poderia sentar e esperar o início da audiência sem nenhum problema. Tinha até outro estudante de direito do meu lado para a mesma função. Estava exatamente 30 minutos adiantada. Sendo assim, pude observar com calma todo o local em que me encontrava enquanto a secretária do juiz fazia a chamada “triagem” das pessoas para ver se estavam presentes para a audiência.
Era uma sala pequena separada em duas por uma meia divisória com vidro. Tinha uma mesa em formato de “T” com 3 cadeiras na base, 4 cadeiras de cada lado e uma cadeira na cabeçeira. Havia microfones com apoio na mesa e um computador. Um crucifi xo na parede como tradição. Paredes e pisos brancos. Estava sentada de frente para a mesa e ao meu lado tinham mais duas cadeiras para os demais observadores. Na outra parte da sala, com a meia divisória de vidro, tinha outra mesa, só que esta pequena, com um computador e também uma estante, alta, de madeira clara, também pequena, com pastas de arquivo (eu supus) em toda ela. Abaixo um desenho simples de como era a sala:
Legenda:
“S” ... Secretária do juiz “J” ... Juiz
“PJ” ... Promotor de Justiça “T” ... Testemunha
“AD” ... Advogado de Defesa “DP” ... Defensoria Pública “R” ... Réu
“Seta vermelha” ... Minha posição de observação
Passados aproximadamente 20 minutos o juiz entra na sala, seguido do pro- motor de justiça, de maneira descontraída, dispensando o uso da toga tradicio- nal, utilizando-se do terno e gravata, e o promotor de justiça também. Sentou-se em seu lugar, exatamente no meio da base da mesa em “T”. O promotor sentou à sua direita e trocou algumas palavras com o juiz. Minha impressão é a de que continuavam uma conversa inacabada. Falavam sobre a fi lha pequena do pro- motor. Trocaram risos e alguns toques nas costas e, em seguida, o juiz pediu para sua secretária chamar a parte acusada da primeira audiência, seu representante e a primeira testemunha. Prontamente o réu e a defensora pública entraram na sala e se sentaram. O réu na frente do juiz e a defensora pública na frente do promotor de justiça. O lugar ocupado pelo réu era exatamente ao meu lado. Recordo-me do medo que senti por estar tão próxima de um trafi cante em po- tencial, mesmo sabendo que estava em total segurança. O juiz cumprimentou a defensora e trocou algumas palavras com ela também, de forma meiga e educa- da. Já o promotor absteve-se de conversar com ela. Logo após entra a primeira testemunha, que também ocupa seu lugar, encaminhado pela secretária. O juiz pergunta se já está tudo pronto para a gravação, tendo o “ok” de sua secretária, e inicia a primeira audiência sobre tráfi co de drogas condutas e afi ns exatamente
às 13:50h. Nessa audiência o réu fora indiciado por tráfi co de drogas. As teste- munhas, que eram policiais militares, relataram fatos referentes ao contexto do crime e o momento da captura do acusado. Após o término dos depoimentos, o juiz trava um pequeno diálogo com o réu e pergunta se ele teria testemunhas de defesa para o seu pleito. Ele disse que sim, que traria sem problemas (vale ressal- tar que o réu respondeu ao juiz com rouquidão na voz, quase que em um sussur- ro). Então o juiz pede para sua secretária adicionar na chamada “Assentada” (que é um termo de comparecimento e o que ocorreu na audiência), uma outra data para que fossem ouvidas as testemunhas de defesa do réu. A defensora pública também conversa rapidamente com o réu, de uma maneira bastante educada e polida, sobre o que fora acordado com o juiz, ressaltando a importância do comparecimento das testemunhas de defesa. Sendo assim a secretária entrega a assentada para o réu que a assina e se retira da sala de audiências após agradecê- la e cumprimentá-la. Assim terminou a primeira audiência da pauta, dentro do horário estipulado, mais ou menos com meia hora de duração.
O juiz pede rapidamente para a sua secretária chamar a parte acusada da segunda audiência, sobre porte ilegal de arma de fogo, seu advogado e a primeira testemunha. Eles entram e sentam ocupando as posições de réu e testemunha semelhantes a audiência anterior. Vale ressaltar a forma como o advogado de de- fesa cumprimentou o juiz e o promotor de justiça: exagerado por suas expressões formais de falar e nervoso pelo cumprimento de mãos. O que foi percebido pelos mesmos. O relato das testemunhas também foram sobre o contexto da apreen- são de uma arma de fogo de posse não registrada do réu. Entre um depoimento e outro o advogado de defesa pede vênia ao juiz e ao promotor para que pudesse falar, sendo prontamente atendido pelo juiz. Eles travam o seguinte diálogo:
(AD): Vossa Excelência me perdoe por não ter inserido no processo as notas do meu cliente na faculdade. Elas são muito boas por sinal.
(J): Não precisa se desculpar já que seria algo irrelevante ao processo. (AD): Mas é que o senhor poderia ter fi cado magoado com a minha falta. (J): Eu? Magoado? Que coisa absurda!
(AD): Vossa Excelência, já vi alguns juízes revoltados com a falta de dados processuais.
(J): Mas essa informação seria de qualquer forma ignorada por mim! Ela não é relevante! (Com risos de deboche ao fi nal)
O juiz, ao término da segunda audiência, após o advogado de defesa se retirar, brinca com o promotor sobre ele estar “magoado”, ironizando portanto a interferência do mesmo.
Como nas audiências anteriores, o juiz pede para entrar a testemunha, que era mãe da vítima, da terceira e última audiência, sobre estupro de vulnerável. Ela entra, senta e dá o seu relato sobre o caso. Após o término do testemunho ocorreu o seguinte diálogo entre o juiz e a mãe da vítima sobre o não compare- cimento da principal testemunha do caso, quem de fato viu o que aconteceu:
(J) E esse “X”. Por que ele não veio? (T) Não sabia que ele tinha que vir.
(J) Teve duas vezes que a testemunha não veio porque o cartório não in- timou direito. Um absurdo isso! Pergunta se ele consegue vir sem o ofi cial de justiça ter que ir lá, ok?
(T) Sem problema.
Com o fi m da terceira audiência, aproximadamente 16:30h, e após a tes- temunha se retirar, levantei, despedi-me dos juristas e da secretária e me retirei da sala de audiências com bastante material recolhido e muitas impressões a serem analisadas.