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2.3. Sinema ve Mimarlık

2.3.3. Türk Sinemasında Kemal Sunal Filmlerinin Önemi

pequena experiência de radialista, além do b) editor de revistas e o editor de livros e c) o escritor-jornalista, cabendo nessa parte final uma contribuição mais pessoal do autor desse estudo, pela interpretação que ela acarreta, quer em relação aos livros de viagem por ele produzidos, quer em relação ao conjunto de toda a sua ficção e, nesta, a seleção de uma personagem, representante da categoria dos jornalistas, segundo a perspectiva adotada pelo escritor (HOHLFELDT; STRELOW, 2004, p. 1).

Após essas breves considerações, o estudo apresentará como o jornalismo influenciou e marcou a vida e a carreira de Erico Verissimo, começando pelos primeiros contatos do escritor com jornais e revistas, ainda na infância vivida no interior do Rio Grande do Sul.

4.1 A LEITURA DE JORNAIS E REVISTAS NA INFÂNCIA EM CRUZ ALTA

Nascido no dia 17 de dezembro de 1905, no município de Cruz Alta, no interior do Rio Grande do Sul, Erico Verissimo teve, desde a infância, contato com o jornalismo e com o mundo das letras. Ainda quando criança, viu seu pai, Sebastião Verissimo, fundar em Cruz Alta o jornal humorístico “O Calhorda”, no qual publicava sátiras das principais autoridades da época.

Em sua autobiografia “Solo de clarineta”, Verissimo conta que, no início do século passado, Cruz Alta era “um forte reduto republicano, onde mandava e desmandava um dos mais poderosos „príncipes eleitores‟ do então presidente do Estado, o Dr. Antônio Augusto Borges de Medeiros” (VERISSIMO, 1974, p. 19). Como “O Calhorda” não respeitava em suas críticas e sátiras o general da Guarda Nacional que governava com tirânica energia, Sebastião Verissimo sofreu ameaças de prisão, como descreve em suas memórias o próprio Erico Verissimo (1974, p. 19-20):

Conta-se que o citado chefe político ou algum de seus apaniguados contratou um preto bandido para assassinar meu pai, mediante o pagamento de cinqüenta mil-réis. [...] Quando Sebastião Verissimo atravessava a praça - mal iluminada por lampiões de querosene, muito distantes um do outro - possivelmente assobiando a Serenata de Arlequim (e este pormenor vai por conta do ficcionista), o sicário sai de trás de uma árvore, aproxima-se do moço e diz-lhe brusco: me dê fogo!. Sebastião tirou calmamente do bolso a caixa de fósforos, riscou um deles e, à sua escassa luz, viu uma cara patibular. O criminoso por sua vez fitou a face de sua futura vítima, enquanto durou a minúscula chama do fósforo. Por fim gaguejou: Seu Sebastião, alguém me pagou cinqüenta pilas pra matar o

senhor. Meu pai riscou outro fósforo, sorriu e perguntou: E você não vai me fazer o serviço? O bandido soltou um suspiro: Não posso. O senhor é tão moço, tem uma cara tão simpática, eu lhe pedi fogo e o senhor prontamente me deu [...]. Só acontece que agora tenho de fugir da cidade o quanto antes, senão eles me degolam por eu não ter cumprido minha palavra. Meu pai meteu a mão no bolso, tirou dele uma maçaroca de cédulas e, sem contá-las, deu-as todas ao assassino profissional, dizendo: Fuja o quanto antes pra bem longe. E se separaram.

Assim, foi por intermédio do pai que Erico Verissimo teve o primeiro contato com o jornalismo e com o que ele representa.

Ainda na obra “Solo de clarineta”, ele descreve o pai como um homem intelectual, descontraído, que gostava de uma farra, além de ser bastante mulherengo. “Sebastião Verissimo formou-se em Farmácia, não por vocação e sim - imagina o romancista - porque se tratava do mais curto dos cursos acadêmicos da época” (VERISSIMO, 1974, p. 23). A farmácia de Sebastião Verissimo marcou a trajetória de Erico, já que a partir das experiências lá vividas ele teve inspiração para criar as mais diversas histórias e personagens, da mesma forma que foi em sua família que obteve inspiração para a criação de várias figuras utilizadas em seus romances, bem como nas leituras de revistas e obras da época:

Lembro-me especialmente dum número de L’Illustration com vistas de Hué,

a antiga capital anamita, a cidade sagrada, com seus templos e o palácio imperial (quase sessenta anos mais tarde, ao escrever o livro intitulado “O prisioneiro”, romance que se passa num país asiático cujo nome não menciono, eu haveria de localizar-lhe a ação numa cidade com todos os característicos de Hué). L’Illustration publicou em 1910 um suplemento literário especial que trazia na capa a imagem dum enorme galo com uma face humana. Mais tarde, já na adolescência, vim a saber que se tratava dum caderno que reproduzia na íntegra a peça Chantecler, de Edmond Rostand, que causara um grande sucesso polêmico em Paris. O Dr. Rodrigo Cambará, personagem central do romance “O retrato”, que eu viria a escrever em 1950, haveria de ler com vibrante entusiasmo narcisista essa obra de Rostand. E é por causa de fatos como esse que não canso de repetir que nenhum adulto, por mais que se esforce, jamais conseguirá livrar-se completamente do menino que um dia foi (VERISSIMO, 1974, p. 70).

Foi também durante a infância em Cruz Alta que Erico Verissimo despertou sua paixão por desenhos, o que lhe ajudou a elaborar os cenários e as personagens de muitos de seus romances, anos mais tarde. Nesse período ele ainda conheceu a revista carioca O Tico-Tico, da qual reconhece que “suas histórias muito contribuíram para a germinação da semente ficcionista que dormia nas terras interiores do menino” (VERISSIMO, 1974, p. 66), e acrescenta: “Creio ter sido

também esse semanário para crianças o maior fator na minha decisão de ser, quando ficasse maior, um desenhista profissional” (VERISSIMO, 1974, p. 68). Além da revista, Erico via com muito interesse os livros do caricaturista francês Benjamin Rabier, nos quais o herói era um caçador de lebres que andava sempre acompanhado de seu cachorro. Já na revista Tico-Tico, personagens como Zé Galinha e o casal Faustina e Zé Maneco ficaram marcados na memória de Erico. “Eu entrava na livraria com um certo temor no coração e perguntava com voz mal audível: „Chegou O Tico-Tico?‟” (VERISSIMO, 1974, p. 67). No entanto, Erico começou desenhando escondido de seus pais, abordando o tema sexo, que não era mencionado dentro de casa, causando uma grande surpresa em sua mãe, como ele mesmo narra:

Um dia escandalizei minha mãe, quando ela descobriu entre meus papéis o desenho que eu havia feito a tinta - naturalmente à maneira sintética e primitiva das crianças - de um homem com um membro viril de tamanho fantástico e em plena ereção. Minha Nossa Senhora! - exclamou D. Bega. - Onde é que meu filho aprende essas bandalheiras? Quando meu pai viu a minha paródia de Príapo, sorriu e decerto pensou: Filho de tigre sai pintado. Possivelmente refletiu também: Agora ele precisa aprender a desenhar mulheres nuas para eu ficar tranqüilo quanto ao seu futuro de macho (VERISSIMO, 1974, p. 70).

O desenho se explicava pelo fato de um pedreiro mulato de 18 anos, que se chamava Perez, ter mostrado seu membro para Erico e seus amigos, que, após a exibição, foram embora, humilhados, “pensando nos nossos membrinhos diminutos e comparando-os com o minhocão do pedreiro” (VERISSIMO, 1974, p. 71).