2.2. Türk Sinemasında Erkek Eşcinselliği
2.2.2. Türk Sineması
É certo que estudos sobre a família escrava têm avançado no sentido de trazer à tona diferentes níveis de organização dentro do cativeiro. Essas pesquisas abrem a possibilidade de se vislumbrar um universo mais amplo de organização familiar que ultrapassa modelos baseados na tradição católica e têm, num certo sentido, posto em cheque o mito da licenciosidade sexual atribuída durante muito tempo aos escravos204. Como vimos até aqui, a família escrava esteve ligada, sobretudo, à mulher cativa e seus filhos nascidos no cativeiro. Vimos também que laços afetivos e de sangue construídos no cativeiro se mantiveram por toda a vida, apesar das adversidades atravessadas pela condição escrava. A manutenção de vínculos entre cativos, mesmo entre aqueles que tiveram “laços desfeitos” pela venda, partilha ou alforria, desbancam a tese de serem os escravos indivíduos “desgarrados”, fruto de uniões instáveis promovidas pela promiscuidade das senzalas205.
Se, no geral, as condições de vida no cativeiro, o desinteresse dos proprietários sobre a vida afetiva e sexual de suas escravas e a escassez de casamentos sancionados pela Igreja foram fatores que comprometeram uma melhor percepção dos laços afetivos e de sangue construídos pelas mulheres submetidas ao regime da escravidão; para o recôncavo sul, a análise mais minuciosa dos inventários, testamentos e registros paroquiais (batismo, óbito e
203 Batismo de José, crioulo, filho natural de Raimunda Maria Pereira, africana liberta. Livro de Batismo,
Paróquia de Nossa Senhora de Nazareth (1867, jun. - 1873, nov.). Documentos da Cúria Metropolitana de Salvador, Disponível em: <www.familysearch.org>.
204 Sobre esse assunto ver, entre outros, SLENES, Robert. Na senzala uma flor..., op. cit.; (do mesmo autor):
“Família escrava e trabalho”, op. cit.
205 Em “Lares negros, olhares brancos”, capítulo do livro Na senzala uma flor, Robert Slenes evidencia a
concepção do branco estrangeiro acerca da vida afetiva e sexual das escravas no Brasil do século XIX. Ver: SLENES, Robert. Na senzala uma flor..., op. cit., p. 134-142.
casamento) revelaram relações afetivas e de sangue estabelecidos no seio da escravidão, tanto com escravos de uma mesma propriedade, quanto de outras propriedades, sugerindo sempre o traço peculiar de mobilidade dos cativos que estabeleceu as bases para a formação de relações dentro e fora das senzalas.
Diante do escasso plantel de muitos sitiantes e lavradores da região, os filhos cativos das mulheres escravas se mostravam valiosos. Desde muito cedo, os senhores escravistas fizeram “os filhos dos escravos terem tarefas: arrancar mato no pasto, dar ajuda em casa, na cozinha”, ligando-os às atividades rotineiras das fazendas como sinalizou o memorialista Isaías Alves206. A importância do trabalho dos pequenos cativos, talvez justifique o fato da permanência das crianças por anos a fio vivendo ao lado de suas mães numa mesma propriedade, pelo menos é o que sinaliza a leitura dos cento e quarenta e seis inventários analisados nesta pesquisa. Na amostra estudada, 41,5% das propriedades inventariadas, entre os anos de 1850-1888, documentam a convivência entre mães e filhos. Esse número ainda pode ter sido bem maior, pois em muitos casos os avaliadores (preocupados apenas em listar os bens do falecido) não informaram o nome da mãe das crianças que aparecem nos plantéis. Neste estudo, observou-se a dinâmica do viver escravo nessa parte do recôncavo que, diferente das áreas rurais onde prevaleceram os grandes plantéis compostos por maioria masculina, possibilitou tanto a maternidade, quanto a existência de algumas uniões estáveis duradouras (ainda que não sancionadas pela Igreja) reveladas pela existência de grupos familiares (mãe e filhos) que residiam na mesma propriedade por mais de duas gerações. Veja-se o caso de Maria da Conceição, escrava de Felix Barreto, que, apesar da situação de ilegalidade de sua condição cativa (que será visto no capítulo V), conviveu com suas filhas e netos numa mesma propriedade, e o de Joaquina, escrava de Maria Francisca Barreto, ambos apresentados no Quadro abaixo.
Quadro 2 - Grupos familiares de escravos cujos membros residiram na mesma propriedade por várias gerações.
Propriedade/Ano Nome dos pais Nome dos
filhos Ano do nascimento Cor Fazenda Palmeira (1869)
Joaquina, crioula, 40 anos, lavoura Benedito Ana Maria Joaquim Valentina Izabel 1842 1843 1847 1849 1851 1854 Crioulo Crioula Crioula Cabra Crioula Crioula Ana(1), crioula, 26 anos,
lavoura Feliciana Vitório 1867 1869 Crioula Crioulo Caetana(1), crioula, 25 anos Silvério Florentina
Gertrudes 1866 1869 1871 Crioulo Crioula Crioula
Sitio Rio da Prata (1877)
Maria da Conceição, cabra, 56 anos, lavoura Josefa Leandra 1846 1853 Preta Parda Josefa(2), preta, 31 anos,
lavoura Marcelino Manoel Leandro Marcolino Belmira 1866 1867 1870 1872 1869 Parda Parda Preto Pardo Parda Leandra(2), parda, 24 anos,
lavoura Julio Primitivo Maria (Ingênuo) (Ingênuo) (Ingênua)
Fonte: APB, inventários diversos (amostragem), 1850-1888. (1) Filhas de Joaquina; (2) Filhas de Maria da Conceição.
Em 1869, a Fazenda Palmeira, localizada na freguesia de Nazaré, contava com quinze escravos em seu plantel. Além de Joaquina, seus seis filhos e dois netos residiam naquela fazenda mais seis crianças escravas que não tiveram suas mães informadas no inventário. A falta de informações acerca de possíveis pais para as crianças cativas arroladas no inventário sugere fortemente a existência de uniões afetivas e sexuais entre as mulheres residentes naquela propriedade com moradores dos sítios, fazendas e engenhos da vizinhança. Assim como em outras propriedades onde a presença do braço negro masculino foi escassa ou ausente, o contrato com trabalhadores temporários (escravo ou não) se fez necessário principalmente em períodos de colheita. Essa maior circulação de libertos, pobres livres, assim como de escravos alugados residentes em diferentes propriedades (causada pela necessidade imperiosa da lida no campo) certamente favoreceu o contato de Joaquina e, posteriormente, Anna, sua filha, (únicas escravas que tiveram suas maternidades declaradas no inventário) com homens que viviam nas redondezas, possibilitando maiores alternativas
para a escolha de seus parceiros fora da propriedade em que residiam. Situação que também pode explicar outras maternidades em escravarias cujo plantel era composto apenas por mulheres.
Circunstância semelhante foi vivida por Maria da Conceição e suas filhas Josefa e Leandra citadas no Quadro acima. Nos dois casos não havia escravos do sexo masculino nos plantéis. Essa mesma situação, onde homens não figuravam nos plantéis, correspondeu a 18,6% das escravarias inventariadas207. Dados nada desprezíveis para deduzir-se que mães solteiras e seus filhos ilegítimos nascidos no cativeiro engrossavam o número de escravos das pequenas propriedades e promoviam indiretamente o enriquecimento de seus proprietários. Ter ou não ter filhos na condição em que se encontravam certamente era uma decisão difícil para qualquer mulher cativa, pois certamente os filhos dificultavam ainda mais a alforria das mulheres que desejavam alcançar a liberdade. É certo que elas sabiam das dificuldades que enfrentariam ao ter seus filhos no cativeiro. O nascimento de uma criança era sempre um momento de expectativa e incertezas cercada de rituais feitos pelas escravas mais velhas, com o uso de ervas e rezas específicas para o parto. O parto significava risco da perda de sua própria vida, mediante as precárias condições de higiene em que era executado; mas, além disso, significava também o estabelecimento de mais um vínculo com o cativeiro.
Sem dúvida, muitas delas tiveram poucas oportunidades de escolha, pois tornavam-se mães ainda muito jovens, o que de certo norteou a vida e a organização familiar dessas mulheres no mundo rural. Como se vê no caso de Maria, escrava de José Francisco de Brito, que deu à luz a seu primogênito com apenas 15 anos de idade. A leitura do inventário post-
mortem daquele senhor revelou que, em 1887, seu plantel era composto apenas pela família
da escarva Maria. Além dela, que, em 1887, contava com cinquenta anos de idade, foram listados entre os bens do falecido seus seis filhos. Com uma média de 2,6 anos entre os nascimentos, ela deu à luz a Rita (1852), Danton (1856), Trajano (1858), Faustino (1863), Maria Margarida (1866) e Maria Fabiana em 1868. Todos nasceram na propriedade e pertenciam à terceira geração de escravos ali residentes. Além das informações localizadas no inventário de seu senhor, nada mais se sabe da trajetória de Maria e sua família, entretanto faltavam poucos meses para o fim da escravidão no Brasil, e, certamente, tanto Maria quanto seus seis filhos lograram a liberdade pela força da Lei do 13 de maio. Provavelmente, até os
207 Para esse estudo foram analisados 113 inventários. Nessa amostra, 18,6% da escravaria era composta apenas
por mulheres e seus filhos ilegítimos. Em todos os casos analisados não havia informações sobre o pai das crianças, pois essas mulheres não formalizavam suas uniões na Igreja. A prática de só indicar o nome do pai quando a criança era fruto de uma união sacramentada pela Igreja fez com que, na prática, a família escrava se resumisse à mãe e seus filhos crioulos, nascidos no Brasil.
últimos anos da escravidão no Brasil, Maria e seus filhos vivenciaram a experiência da escravidão rural numa mesma propriedade. A documentação analisada nada informou acerca do possível pai de seus filhos, assim como pouco ou nada foi revelado sobre laços e relações afetivas entre seus filhos e algum companheiro/companheira. A história de Maria revela que assim como ela, tantas outras mulheres escravas se mantiveram cativas engrossando os plantéis dos senhores empobrecidos do sul do recôncavo. Situação que só seria ultrapassada com o fim da escravidão.
A condição de vida que se impunha pela conjuntura vivida por Maria não se constituiu em uma exceção nas fazendas e sítios localizados nas freguesias rurais de Nazaré. Assim como ela, Benedita era a única escrava adulta na Fazenda Rio Preto de propriedade de Ana Maria do Sacramento. Em 1873, quando seu inventário foi finalizado, constatou-se que, além da crioula Benedita de 35 anos, constava no plantel mais três cativos: Izidoro (12 anos), Antonia (9 anos) e Avelina (6 anos), todos filhos da escrava Benedita. Os inventários trazem, de um modo geral, menções à constituição de linhagem, na maioria das vezes femininas, como a mencionada acima. Nas duas situações acima citadas, os documentos autorizam concluir que tanto Maria quanto Benedita (assim como outras mulheres cativas que viveram no sul do recôncavo) iniciaram a maternidade muito cedo e mantiveram-se cativas por toda a vida.
À história de Maria cruzam-se outras impossíveis de serem reveladas por limitações impostas pela leitura apenas dos inventários. No entanto, com o auxílio de outras fontes (livros de batismos, por exemplo) foi possível identificar, além dos grupos primários formados por mãe e filhos, redes familiares extensas articuladas através do parentesco ritual como se viu neste capítulo.
Na medida em que se criavam laços além dos da família imediata, sendo o compadrio de batismo apenas um deles, criavam-se também redes de solidariedade e amparo imprescindíveis para a vida no cativeiro. Para a mulher cativa, significava poder contar com a ajuda mútua e a solidariedade de suas parceiras para criar seus filhos, caso viesse a falecer, ser vendidas ou alforriada. No caso das manumissões, por exemplo, a condição de mãe cativa trazia a necessidade de se fazer escolhas quase sempre difíceis.
De muitas maneiras, o peso da escravidão se fez sentir comprometendo a vida afetiva das mulheres escravas. A escolha de quem fica e quem sai do cativeiro era, certamente, apenas uma delas. A natureza da documentação quase sempre ocultou as dores, a angústia e as
incertezas que cercavam essas decisões. No entanto, a análise dos dados levantados nos inventários - ainda que seja uma análise quantitativa - talvez explique suas escolhas.
Esses dados evidenciaram que mais de 50% dos jovens escravos, entre 1850 - 1888, mantiveram-se anos a fio numa mesma propriedade sem o convívio de suas mães, separados por morte, venda ou alforria. Apesar do uso costumeiro e das ordenações portuguesas que proibiam a separação das crianças de até três anos de idade de suas mães; e apesar da lei de 1869, promulgada em 25 de agosto daquele ano, que proibia a separação dos filhos menores de quinze anos de suas mães208, foram localizados cento e vinte e três inventários que informaram a existência de 230 crianças cativas, destas, 109 (47,4%) não tiveram suas mães reveladas e vinte e nove (12,6%) permaneceram no cativeiro enquanto suas mães se libertaram. Não resta dúvida que a escolha em libertar-se para depois conseguir recursos para a liberdade dos outros membros da família foi uma realidade praticada pelas mulheres escravas que viveram no sul do recôncavo.
Deixá-los para trás ou assegurar a liberdade de todos da família era, certamente, uma preocupação que rondava os pensamentos e sonhos das mães desde a primeira cria. Se, por um lado, libertar-se primeiro significava criar maiores alternativas de ganho que, em tese, aumentaria as possibilidades de libertar seus filhos; por outro lado, a cada ano que passava, os valores atribuídos a eles também cresciam, tornando a alforria cada dia mais difícil de se alcançar com seus parcos ganhos na rua. Seja qual fosse a escolha, ela era sempre difícil. É o caso da situação vivida pela liberta Valerina. Em 1883, ano do falecimento de seu antigo senhor, ela era mãe de quatro crianças cativas e, àquela época, já liberta, andava mercadejando pela região em busca de recursos para sua sobrevivência e para a compra da liberdade dos outros membros de sua família. Não se sabe se ela logrou sucesso em sua empreitada; sabe-se, entretanto, que, com a morte de seu antigo senhor, seus filhos foram separados na partilha dos bens daquele casal, talvez perdendo-se para sempre.
As diversas ocorrências em que os filhos permaneceram no cativeiro enquanto suas mães tornaram-se libertas remove a ideia de sua atipicidade. Revela, entretanto, que elas vislumbravam alternativas preciosas de sobrevivência fora do cativeiro que, num certo sentido, minimizariam a dureza de suas vidas e contribuiriam para compor o pecúlio para a
208Sobre a lei de 1869, Robert Conrad avalia que “Num país em que quase todos os casamentos eram religiosos
e que os casamentos entre escravos eram teoricamente tão sagrados quanto os das pessoas livres, os proprietários prevendo vendas futuras poderão ter desencorajado as uniões permanentes, particularmente depois de 1869, quando a separação de escravos casados, pela venda, foi declarada ilegal”. CONRAD, Robert. Os últimos anos da escravatura no Brasil 1850-1888, op. cit., p.45.
compra da alforria de seus entes queridos deixados momentaneamente no cativeiro. No entanto, as limitações impostas pelas fontes não permitem avaliar, percentualmente, quantos desses tiveram suas liberdades concedidas por essa via. Sabe-se, entretanto, que o desejo de tê-los ao seu lado alimentou o sonho e norteou a vida de muitas mulheres cativas. A história da africana Francisca de Tal, falecida em 1865, revela, por exemplo, a dura luta travada por ela para resgatar seus oito filhos deixados no cativeiro.
No dia 21 de junho de 1864, faleceu em casa, de “moléstia interna”, a africana Francisca Maria, deixando poucos bens. Entre eles, uma casinha em terreno foreiro de José Coelho Moreira de Souza. Como herdeiros dos parcos bens deixados, estavam, além do marido, Sebastião Coelho, africano liberto, seus oito filhos e dois netos. A abertura do inventário, uma exigência da lei que Sebastião não pôde evitar, revelou que os filhos da “preta liberta” eram todos escravos em posses de diversos senhores da região. Ao que tudo indica, tanto seu atual marido, o africano Sebastião, como a própria Francisca teriam sido escravos da família Coelho, e alguns de seus filhos ainda permaneciam na posse desse senhor.
A leitura de seu inventário revelou, que dos oito filhos remanescentes do cativeiro, apenas uma, de nome Constância, mãe de Maria Madalena (7 anos) e Henriqueta (2 anos), nascidas livres, teve sua liberdade conquistada. Os demais encontravam-se em cativeiro de diversos senhores da região. Essa história será revista no Capítulo IV ao tratar-se do viver de africanas libertas na cidade de Nazaré.
Assim como Francisca, outras mulheres libertas tiveram seus projetos abortados pela dura condição do viver de mulher pobre e forra. Certamente que a liberdade proporcionou- lhes uma maior mobilidade e, talvez, outras possibilidades de sobrevivência. Mas, não se pode negar que a esperança que nasceu do processo de materialização da liberdade logo se defrontou com a realidade “nua e crua” das ruas que as atirou à prostituição e à miséria. Como viveram? Onde foram morar? Que estratégias utilizaram para sobreviver à dura vida de mulher pobre são objetos de análise que serão abordados na segunda parte deste trabalho.
Segunda Parte
CAPÍTULO III
... e chegando-se para a sobre dita escrava, em sua mão entregou um ramo verde que nas delle trazia em sinal de haver effectuado sua arrematação.
Inventário de Francisco Inácio Sampaio, 1867.
O ramo verde, símbolo da conquista da liberdade, recebido por Maria, escrava de Francisco Inácio Sampaio, relatado no documento acima, não apenas revela a mudança de condição jurídica (liberta e não mais escrava) que adquiriu com sua arrematação mas, sobretudo, anuncia a oportunidade de construir novos caminhos. De fato, a liberdade recém- adquirida abriria um amplo leque de possibilidades para a ex-cativa; no entanto, no contexto do mundo escravo em que viveu, a liberdade poderia ter outros significados. Oriundas, na maioria das vezes, das freguesias rurais, onde atuavam como trabalhadoras da lavoura,
marisqueiras ou viviam da venda dos produtos que conseguiam produzir, muitas libertas
tendiam a buscar na cidade meios de ampliar seus ganhos.
Na primeira parte deste trabalho, o foco de análise estava direcionado à vida da mulher cativa, principalmente àquela que viveu o “cativeiro rural” no sul do recôncavo da Bahia. Neste capítulo, ao tomar a cidade de Nazaré como foco de análise, busca-se perceber como essas mulheres, fossem elas pobres livres, escravas ou libertas, organizaram suas vidas na cidade. É sobre elas, suas angustias, incertezas e seu sucesso que trataremos aqui.
De certo que a saída da escravidão nem sempre significou sucesso na vida da mulher que viveu nos limites entre a escravidão e a liberdade. Algumas, apesar de forras, foram submetidas a condições sub-humanas engrossando o exército de miseráveis que vagavam pelas ruas da cidade. Outras, mais independentes e “sagazes”, conseguiram construir um mundo muito melhor do que aquele que conheceram na escravidão. A história de muitas delas poderá revelar a diversidade de caminhos percorridos, as variadas estratégias e arranjos que criaram para sobreviver e encaminhar suas vidas após o fim da escravidão. Quais redes de solidariedade, formas de organização e identidade elas criaram para abrandar as dores e
dificuldades que enfrentaram em suas “novas vidas” serão temas abordados nesta parte do trabalho.