Os espaços de acolhimento para o compartilhamento de experiências entre os participantes do Projeto, por vezes, são ambientes de encontro informais, onde os estudantes se conhecem com mais intimidade, ou são organizados pelo próprio grupo, quando coletivamente se percebe a necessidade de uma reflexão e interlocução das vivências de cada um. Nesses ambientes, existe essa possibilidade de encontro em que os estudantes podem sentir-se mais à vontade para fazer seus questionamentos, falar de si, refletir sobre suas demandas e dilemas e compartilhar experiências em um clima de maior confiança. São espaços de amizade cultivados em oficinas de vivências, organização de idas em grupo a congressos, festinhas, barezinhos, cinemas, shows, praia, shopping, viagens, passeios, almoços e jantares nas casas dos componentes do grupo, dentre outros. O encontro nesses ambientes abre espaço para um conhecimento mais profundo dos companheiros e possibilidades para a construção de uma amizade mais sensível, compreensiva e apoiadora de cada um. Isso gera uma sensação de pertencimento e de identidade com o grupo e fortalece as iniciativas dos estudantes em prol de seu protagonismo e maior engajamento. Batista (2012, p. 146) reflete sobre a relevância desses espaços de vivência relacionados ao compartilhamento e afloramento da subjetividade entre os participantes, aprofundando a relação dialógica entre eles. Neles, acontecem conversas significativas, durante o “preparo de refeições, a limpeza do
ambiente, as dinâmicas de grupo, as discussões, as avaliações e os momentos de festividade (...) brotam falas emocionadas sobre o cotidiano do PEPASF, o significado do Projeto na formação, as mudanças provocadas na vida pessoal”.
Essas reflexões e comunicações são extremamente importantes para os estudantes irem elaborando suas experiências, posturas, expectativas, frustrações, alegrias, desejos e sonhos. Essa importância foi referida por uma estudante do Curso de Enfermagem, ao analisar a importância desses espaços de convivência do grupo, para a transformação interior e o autoconhecimento dos estudantes. Segundo ela, acontece um crescimento pessoal do estudante que se abre ao diálogo amoroso com o outro, pois, com isso, ele desenvolve sua escuta e suas opiniões. Esse compartilhamento de experiências fortalece-o como pessoa, pois passa a perceber outras realidades e histórias, além das suas, redimensiona muitas considerações de sua vida pessoal e apoia seus companheiros quando eles precisam. É um processo solidário enriquecedor e dinamizador dos saberes e das vontades de cada um. A força da amizade gerada pelo coletivo fortalece o sentido do trabalho na comunidade e os moradores acompanhados, pois, sentindo-se valorizado e respeitado, o estudante se permite estar mais disponível às ideias e às demandas solicitadas. Ele aprende a ouvir o outro, a compreendê-lo e compartilhar com ele, amadurecendo interiormente (LEITE, 2011, p. 188).
Foi possível perceber alguns exemplos de estudantes que foram se transformando, a partir do processo de aproximação com os colegas em vivências e encontros do Projeto. Um deles é o de um estudante do Curso de Enfermagem, que, logo ao chegar ao Projeto, pouco se expressava. Ficava perceptível, quando fazia suas colocações nas reuniões, e seu interesse voltava, preferencialmente, para os encontros sociais, em se enturmar mais com os colegas, encontrar novas amizades e se divertir. Ele sempre se sentia animado quando organizavam algum encontro informal. Em algumas oportunidades que tivemos de acompanhá-lo, nesses espaços mais recreativos, procurava cortejar as colegas e as elogiava sempre que possível. Em uma das vivências feitas para uma cidade de praia próxima a João Pessoa, no início de 2010, ele participou ativamente das atividades lúdicas organizadas e começou a namorar uma colega do grupo. Contudo, não se engajava muito nas causas do Projeto. No entanto, com o passar do tempo, houve uma mudança significativa em seu comportamento, pois começou a participar mais das reuniões, principalmente nas reuniões grupão, em que expressava suas preocupações relacionadas aos casos das suas famílias acompanhadas, e começou a buscar ajuda e apoio coletivo às demandas dessas famílias. Também passou a frequentar o grupo de acompanhamento às gestantes e puérperas aos sábados à tarde. Ampliando mais ainda sua atuação, aproximou-se das reuniões de articulações políticas com representações comunitárias
e com a Prefeitura, para reivindicar melhorias das condições de vida na comunidade. Nas reuniões ordinárias do Projeto, ele passou a questionar mais, a opinar mais, a tomar iniciativas de atividades e a cobrar mais responsabilidade dos colegas. Já nesse período, os professores e os colegas, percebendo suas primeiras mudanças comportamentais, comentavam, admirados e contentes, essas transformações subjetivas expressadas. Aproximadamente um ano depois da primeira viagem de passeio de que havia participado, ocorreu uma segunda viagem em outra localidade praieira perto de João Pessoa. Nessa, ele de apresentou como uma liderança do grupo e, diante de episódios de discussões acaloradas com os professores, fez uma análise crítica de uma problemática interna apresentada naquela ocasião e abriu questionamentos importantes para uma avaliação profunda do grupo como um todo, prontificando-se a iniciar um debate avaliativo mais amplo sobre a metodologia de trabalho do Projeto, na reunião subsequente, de retorno à universidade. Nesse momento, essa sua postura foi elogiada por uma das professoras do Projeto, afirmando seu contentamento em ver estudantes como ele se desenvolvendo dentro do Projeto, mesmo com as contradições e as crises. Falou também da importância do lugar de fala dos estudantes, de suas argumentações e opiniões. Isso fortalecia o trabalho com a família.
Relacionado às percepções voltadas para transformações consideradas como espirituais, o percurso de amadurecimento demonstrado pelo referido estudante, com a passagem de um interesse mais pessoal em estar no Projeto para um interesse mais coletivo e voltado para o outro, possibilita dizer que essa transformação aconteceu em sua subjetividade profunda. Ao longo desse tempo analisado, foi notória a conquista de sua autoconfiança e segurança em si mesmo e nos colegas, porquanto adquiriu uma postura positiva e protagonista, com um ânimo e disponibilidade maior para participar das ações do Projeto. Outro aspecto importante foi a percepção do quanto foi profundamente tocado com seu relacionamento com as famílias acompanhadas. Nessa concepção, ele passou a acreditar mais em si mesmo e no outro, mudando a perspectiva para um compromisso mais visível e de mais responsabilidade no desempenho do trabalho realizado, revelando-se, assim, mais consciente. Segundo Solomon (2003), a transformação espiritual transparece como mudança perante o mundo. O mundo continua o mesmo, mas tudo muda de perspectiva para quem tem a postura de se transformar pela consciência de si mesmo e perceber uma visão mais ampliada da vida, que dá um novo sentido à vida e pode ser considerada uma vida espiritualizada.
A percepção dessa mudança de perspectiva, que leva à consciência de um sentido dado pelo Projeto para a vida de alguns estudantes pode ser revelada em momentos não esperados nem programados, mas muito significativos para eles. Essa consciência do sentido das
aprendizagens vividas dentro do Projeto, voltadas para seu futuro profissional, aconteceu com uma estudante do Curso de Psicologia, que relatou a vivência desse momento transformador para ela, acontecido durante uma atividade recreativa do grupo, em um passeio de catamarã pelo rio Paraíba. Descrevendo sua experiência, ela relembra que a rotina das atividades nos grupos, depois de mais de um ano de sua inserção continuada na comunidade, encobriu suas motivações e sentidos da realização do trabalho com as famílias. Ela chegou a questionar-se, até, se tudo o que viveu na comunidade fazia algum sentido em sua formação profissional e em sua vida. Contudo, foi no referido passeio, prestando atenção ao estranhamento e aos comentários adversos de pessoas que não eram integrantes do PEPASF, ao verem uma ciranda dos extensionistas na margem do rio, que ela, intuitivamente, percebeu o significado subjetivo do Projeto para ela. “Enquanto isso, os extensionistas lá, cantando, girando, movimentando os pés, quase que numa sincronia perfeita (alguns não conseguiam pegar o ritmo, mas isso não importava), trocando olhares, sorrisos, compartilhando um sentimento de amor e união” (COSTA, 2011, pp. 224-225).
A estudante associou aquela visão da ciranda, profundamente simbólica para ela, à sua percepção do trabalho sob a perspectiva da Educação Popular. É relevante destacar a simbologia espiritual da dança de roda coletiva ou dança circular, presente nas mais antigas eras e tradições humanas, como elemento de encontro entre os homens, comunhão entre os membros de uma comunidade, reverência e relação com o sagrado e o espiritual e como representação dos diversos ciclos ligados ao cultivo da terra e às fases da vida humana. No caso da ciranda, dança circular tipicamente nordestina, ela representa uma maneira festiva de incluir os membros em um grupo. “Todos de mãos juntas, brincando circularmente até o êxtase do rodar com o outro, consigo mesmo, na energia do entorno. Na ciranda não há hierarquia, e todos podem dançar igualmente” (MOSCA, 2009, p. 12).
Nessa perspectiva, a referida estudante relacionou o envolvimento das pessoas e a maneira igualitária com que buscam se relacionar dentro do Projeto aos movimentos da ciranda, todos num mesmo compasso, seguindo juntos no mesmo caminhar, com as mesmas intenções. Sua percepção a leva a identificar, nos elementos da ciranda, o comportamento e o vínculo dos participantes entre si e com a proposta do Projeto. Assim, naquele momento, com o estranhamento dos outros participantes do passeio, ela percebeu, intuitivamente, todo esse significado simbólico do Projeto em sua vida e passou a se identificar profundamente com ele. “Embora a ciranda seja uma atividade comum no Nordeste, uma simples brincadeira de roda, aquela ciranda era especial, pois expressava um modo diferente de viver a Universidade: com solidariedade, alegria, amizade e arte” (COSTA, 2011, p. 225).
Todavia, no instante seguinte, inquieta-se pela constatação de que algo que dava tanto sentido a sua vida não era compreendido pelas várias pessoas presentes naquele barco, olhando a ciranda girar. Em sua visão, para as pessoas que não conheciam a experiência do Projeto aquele ritual, tão importante para os extensionistas, não tinha nenhuma significação, era apenas uma brincadeira de roda. Em sua reflexão, ela conseguiu identificar, primeiro, o seu olhar diferenciado relacionado aos outros estudantes ligados ao campo da Saúde que não conheciam a experiência ou metodologia do Projeto. E, segundo, a relevância da sua escolha pela Educação Popular, por permiti-la ter uma consciência maior do seu trabalho em saúde e aprender a se relacionar horizontalmente com o outro, como seu igual. “Eu não quero ser alguém que apenas olha a ciranda, ou o outro, com estranheza. Quero ser aquele que se engaja e participa ativamente dela” (COSTA, 2011, p. 225). Ali naquele barco, aconteceu seu despertamento para o propósito das suas vivências e a compreensão do sentido de estar no Projeto, como alguém que aprendeu a compartilhar e a unir-se ao outro na vivência de experiências para além da teoria proporcionada por seus cursos. Aquele instante, para a referida estudante, foi um momento de esclarecimento espiritual, pois lhe possibilitou compreender, de forma mais consciente, todo um longo processo de mudança que vinha acontecendo processualmente e que estava dando sentido aos seus propósitos de sua vida.
Existe um traço importante de ser identificado em vários participantes que descobrem, com a experiência do Projeto, uma nova perspectiva de vida. Com essa descoberta, muito gratificante e promotora de sentido para suas vidas, alguns deles passam a almejar que as outras pessoas consigam perceber a realidade a partir dessa mesma ótica descortinada para eles. Para aqueles profundamente identificados com a concepção da Educação Popular, sob os moldes empreendidos pelo PEPASF, torna-se uma necessidade levar outros a conhecerem e apreenderem “o que eles enxergam”, como disse uma estudante de Enfermagem, em uma reunião, diante da crise enfrentada pelo Projeto, devido à evasão e à falta de compromisso manifestado por vários estudantes que frequentavam as reuniões, mas não se engajavam nas demandas. Ela concebe que era preciso fazer com que eles entendessem e sentissem como aqueles já conhecedores da relevância da proposta do PEPASF. Com essa postura, não compreendia, ainda, a necessidade do respeito ao tempo de amadurecimento interior do outro, ao seu ritmo de compreensão das experiências e dimensões vividas dentro do grupo. Na perspectiva da espiritualidade, o tempo de amadurecimento e de autoconhecimento de cada sujeito é único e particular e pode ser compartilhado coletivamente, mas somente a ele cabe sentir e vivenciar intimamente esse processo (VASCONCELOS, 2006b). O respeito ao ritmo desse processo nos outros é um traço de amadurecimento espiritual (LELOUP, 2009). Nessa
mesma reunião, um dos professores alertou para o cuidado com esse respeito ao tempo de reflexão e de conscientização do outro. Isso também foi refletido por uma estudante de Enfermagem, falando sobre seus aprendizados mais significativos dentro do Projeto. Em suas experiências de vínculo amoroso com os moradores e com os colegas, ela aprendeu a respeitar o tempo de cada indivíduo para descobrir suas capacidades, a acolher seus erros nesse processo de descoberta, a lidar com suas inseguranças pessoais, a saber dialogar com posições diferentes das suas e a se manter focada naquilo com que realmente se identificava, diante de tantas possibilidades oferecidas dentro do Projeto (LEITE, 2011, p. 187).
Cabe mencionar que essas vivências informais em que se abrem espaços mais propícios para a reflexão sobre o sentido do trabalho desenvolvido pelo Projeto têm uma participação restrita da maioria dos estudantes. Muitos não se motivam a estar presentes nessas ocasiões. Essa resistência de boa parte dos integrantes do Projeto a essas experiências de compartilhamento mais espontâneo e comunhão intragrupo se justifica pelas dificuldades que têm de se abrir para a relação com o outro e para o desvelamento de si mesmos. Para muitos deles, ainda é difícil se permitir participar de situações em que poderão expor sua intimidade para o outro e serem quebradas barreiras interiores significativas. Esses momentos podem contribuir para a aquisição de aprendizados subjetivos e objetivos com um compartilhar de experiências e conhecimentos com os outros integrantes do grupo. Essa resistência pode ser interpretada como um limite dado pelo estudante a sua inserção de forma mais pessoal e íntima no Projeto e no espaço que ele quer dar à esta proposta para sua vida. Compartilhar as inquietações mais íntimas exige confiança no grupo e disponibilidade para sua exposição e questionamento em um espaço marcado pela presença de perspectivas muito diferentes de encarar a vida. A ausência e o silêncio também são significantes.
Por várias ocasiões, foi possível notar, nas reuniões, a atitude silenciosa quando se questionava sobre a pouca participação dos estudantes nesses espaços de vivências mais espontâneas, com a ausência significativa de boa parte do grupo. Esse distanciamento pode revelar, muitas vezes, um bloqueio interno de se deixar desvelar pelo outro, numa aproximação maior com sua intimidade e sobre sua vida. Ela também pode demonstrar a pouca prioridade que o estudante dá ao espaço do Projeto em sua vida, com uma identificação parcial diante da proposta, sua priorização por outras demandas e impedimentos de sua existência ou a participação formal para recebimento de certificado e cumprimento de carga horária curricular. O compartilhamento das inquietações referentes ao agir para os outros é considerado mais fácil do que o compartilhamento das inquietações sobre si mesmo. Conhecer e problematizar coletivamente o si mesmo tem grandes implicações no agir para os
outros, mas era percebido como mais ameaçador. Mas, a discussão franca e ampla sobre o agir para os outros mostrou ter também muita implicação no conhecimento de si mesmo. Pode ser uma etapa inicial para um posterior processo mais aberto e direto de discussão das dimensões pessoais profundas implicadas no trabalho profissional.
Dentro da perspectiva de criação de espaços que acolham e possibilitem uma reflexão coletiva desse compromisso esperado com a realidade das parcelas pobres da população, o PEPASF introduziu a simulação de um ritual de casamento como símbolo desse comprometimento coletivo com a causa do pobre. Ele é caracterizado por uma linguagem profundamente simbólica e realizado periodicamente, com a participação de todos os componentes do grupo. Essa cerimônia é a culminância do período de adaptação dos estudantes novatos ao Projeto e simboliza a consagração do compromisso que se espera do estudante com a comunidade, com a proposta do grupo e com a transformação social. Como discorrido no item 4.2, em seus primeiros momentos, os estudantes recém-chegados vão formando, espontaneamente, duplas com veteranos de cursos diferentes dos seus e se aproximando das casas visitadas por esses estudantes mais antigos no Projeto. A linguagem utilizada para expressar o vínculo entre as duplas é característica do início dos relacionamentos amorosos em nossa sociedade, por isso eles a denominam de “paquera”. Esse “casal” vai se inserindo com mais profundidade na convivência com as famílias e estreitando seus laços durante, aproximadamente, quatro meses. Após esse período, considerado como “namoro”, as duplas anunciam na referida cerimônia sua união entre si, com as famílias acompanhadas, com a comunidade e com a concepção do Projeto. É um momento significativo, profundamente simbólico e muito festivo, pois a cerimônia é repleta de pequenos rituais celebrativos da decisão dos estudantes de permanecerem unidos pela causa comunitária de que a comunidade é convidada a participar e a abençoar os novos parceiros.
De maneira geral, os estudantes organizavam como queriam a cerimônia de seu “casamento”. Acompanhamos um desses eventos, percebendo a grande motivação e o envolvimento desde o período precedente até o dia da festa, com uma série de preparativos por parte dos estudantes. Um dos elementos simbólicos principais da cerimônia, adquirido previamente, é o anel de tucum. Segundo Casaldáliga (1994), é um anel feito com a casca dura do coquinho de uma palmeira da Amazônia e sinal de aliança com as causas populares. “Quem carrega esse anel significa que assumiu essas causas”. Tradicionalmente, esse anel também representa a aliança de setores progressistas da Igreja Católica, como os adeptos da Teologia da Libertação, do seu compromisso com as populações subalternizadas. No caso do que é usado pelos estudantes do PEPASF, é um anel de coco que eles adquirem com artesãos
locais. Ele é a aliança que os estudantes trocam entre si durante o casamento. Outro elemento representativo é a figura do sacerdote ou sacerdotiza, representada por parte dos professores do Projeto, de pessoas da comunidade e ex-estudantes do PEPASF.
Na cerimônia acompanhada pela presente pesquisa, cerca de vinte duplas participaram, algumas vestidas com trajes característicos de casamentos tradicionais, dando um tom de bom humor e descontração ao ambiente. Também foi colocada como símbolo importante, a bandeira do PEPASF, criada pelos próprios estudantes, para ser assinada por cada dupla durante a troca das alianças. Nesse dia, houve depoimentos de moradores, professores e estudantes falando da relevância daquele momento de consolidação de um compromisso e parceria entre eles e a comunidade, com a responsabilidade de permanecerem ativos nas causas ligadas à qualidade da saúde da população pobre. Foi feito um círculo com todos os presentes, representando a união horizontalizada de todos, sem hierarquias entre eles. No momento crucial da cerimônia, as duplas formaram uma fila contínua, cada uma delas passando em frente a uma mesa, onde estavam depositadas a bandeira e o livro de assinaturas, nos quais os estudantes assinavam seus nomes. Logo após, cada dupla por vez, seguia até os sacerdotes e, em frente a eles, trocava seus anéis e recebia a “benção”, representada por um sinal na testa, com palavras de alegria e estímulos. Nesse momento, todos aplaudiam e reverenciavam a dupla.
A partir daquele momento, os estudantes novatos tornavam-se veteranos relacionados às ações da comunidade, com a responsabilidade de repassar seus aprendizados para os mais novos integrantes em suas entradas, na seleção seguinte. Percebemos a emoção emanada daquele momento em vários estudantes, com demonstrações de alegria, entusiasmo e muitas brincadeiras entre eles. Mas também, momentos de introspecção e reflexão nas falas dos representantes da comunidade e dos estudantes veteranos chamando a todos para renovarem seus compromissos e escolhas pela causa do pobre e se abrindo para o enfrentamento das dificuldades e dos problemas diante da realidade difícil e cheia de obstáculos para o apoio aos moradores e às famílias visitadas. Muitas experiências vividas pelos estudantes precisam ter, em sua essência, essa postura comprometida e de certeza sobre sua escolha, devido à