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SOĞUK SAVAŞ SONRASI TÜRK-RUS İLİŞKİLERİ (Geçiş Dönemi veya Erken Yeni Dönem, 1991-2000)

5.5. Yeni Dönem Türk-Rus İlişkilerinde Yaşanan Gelişmeler 2000’li yılların başından itibaren Türkiye’de Erdoğan, Rusya’da

5.5.1 Suriye Krizi

A presente seção faz referência à primeira etapa dos estudos ligados a essa pesquisa, a partir da análise de verbos plenos no infinitivo e das perífrases verbais mais recorrentes na língua portuguesa. Essa proposta inicial da pesquisa levou à investigação de estruturas mais complexas, e as evidências de que uma forma analítica perifrástica como forma de expressão alternativa ao tempo verbal futuro do presente estaria difundida no uso do português foram o ponto de partida para a investigação do padrão andare a + infinito.

Já nas primeiras abordagens desse estudo foram observados pontos de discordância entre os mais diversos autores que tratam a perífrase verbal no português. Eunice Pontes (1973: 15) apresenta um mosaico de definições oferecidas pelos diversos autores sobre Tempos Compostos (TC) e Conjugações Perifrásticas (CP), as atuais perífrases verbais. Segundo a autora, as conjugações perifrásticas ou locuções verbais são caracterizadas por alguns autores como qualquer sentença verbal com certa coesão interna, de tal modo que funcione como um verbo simples; outros separam certas sequências verbais que denominam Tempos Compostos, e consideram as restantes como locuções. Tanto na acepção mais ampla como na mais restrita, Locução verbal costuma ser sinônimo de Conjugação perifrástica até mesmo em alguns estudos descritivistas mais atuais.

De acordo com Pontes (1973: 18), é muito difícil encontrar quem se preocupe em justificar a distinção entre Tempo Composto e Conjugação Perifrástica, talvez porque a

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maioria de nossas gramáticas se destine ao ensino médio. A gramática para o ensino superior de Silveira Bueno (cf. 1968, p. 142, 194, 195), também se omite nesse ponto. Porém, em Gladstone Melo (1968, p.166-167) encontra-se a seguinte explicação que aponta para uma primeira distinção entre Tempos Compostos e Locuções Verbais:

“A razão é que os tempos compostos fazem parte da conjugação normal, têm cada qual seu nome (v.g. “pretérito perfeito composto”, “pretérito perfeito do subjuntivo”) dentro da conjugação, ao passo que as locuções verbais constituem cada uma sua conjugação inteira e nascem das necessidades de expressão mais complexa, em que se busca traduzir o aspecto verbal.” (Melo, 1968: 166-167)

Melo (1968) foi um dos primeiros autores a discutir os problemas envolvendo as locuções verbais, caracterizando-as não como um simples tempo composto, mas como uma estrutura dotada de um significado mais amplo a partir do aspecto que estaria presente no verbo auxiliar.

Na obra de outros grandes gramáticos da língua portuguesa, é importante ressaltar a atenção dada ao uso dos verbos no infinitivo. Rocha Lima, em sua Gramática Normativa da Língua Portuguesa (2007, p.411-415), esclarece que o infinitivo, assim como o particípio e o gerúndio vêm sendo considerados pelos autores modernos como formas nominais do verbo, ou ainda verboides, como prefere Rodolfo Lenz.

Rocha Lima (2007) menciona que o infinitivo, justamente por ser um verboide, carece de flexão. Porém, no caso específico da língua portuguesa, no universo das línguas neolatinas, verifica-se uma particularidade, que é o fato de que nessa, o infinitivo pode referir-se a determinado sujeito, graças às desinências de número- pessoa: amar eu, amares tu, amar ele, amarmos nós, amardes vós, amarem eles. Dessa forma, ao lado de um infinitivo impessoal, sem sujeito e, portanto, sem flexão, possuímos um infinitivo pessoal, que referido a um sujeito, pode, ou não, flexionar-se.

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Rocha Lima (2007, p.413, 414) cita os contextos nos quais se podem usar as variantes do Infinitivo flexionado e não-flexionado. Dentre todos os casos mostrados, aqueles que merecem maior atenção serão explicitados aqui por sua relevância:

“Quando precedido da preposição a, equivale a um gerúndio que, em locução com um verbo auxiliar, indica modo ou fim.” (p.413) Esse uso, expresso na gramática, equivale à modalidade preferencial utilizada na variante lusitana do Português. “Quando se agrega, como verbo principal, a um auxiliar, forma com ele uma unidade semântica.” (p.413)

Esse ponto ilustra a definição clara de uma perífrase verbal, embora esse termo não tenha sido utilizado pelo autor.

Rocha Lima (2007) afirma também que, no português, os chamados verbos auxiliares que mais habitualmente regem outro verbo são os seguintes: poder, saber, querer e dever; denominados auxiliares modais. Os auxiliares acurativos são aqueles que se juntam a um verbo principal a fim de indicarem noções subsidiárias de começo, de ação, duração, repetição, continuação, terminação, etc.

Said Ali em Dificuldades da língua portuguesa (1966: 60) afirma que o sujeito da oração é indicado pela desinência dos verbos auxiliares, ao passo que o verbo principal que os acompanha é uma forma nominal, de todo desprovida de sujeito. O mesmo autor menciona ainda que há alguns verbos, como ousar, desejar, gostar de, vir, etc., que, sendo completados por outro verbo, não admitem a existência de um sujeito neste novo verbo e, portanto, só se empregam com o infinitivo impessoal. Por fim, é importante citar a seguinte contribuição de Ali (1966) quanto aos verbos auxiliares citados, como ousar, desejar, gostar de, vir, dentre outros:

“Não os podemos, entretanto, os acomodar em nenhum dos grupos de auxiliares; mas isto é de somenos importância para a conclusão a que até agora temos chegado e que vem a ser infinitivo sem sujeito, que é o mesmo que infinitivo sem flexão.” (Ali, 1966)

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Essa conclusão ilustra a instabilidade dessas formas verbais que podem ou não vir a ser denominadas perífrases, de acordo com seu grau de Gramaticalização na língua. Mira Mateus (1987: 84,85) acrescenta, ao infinitivo, outras funções, além daquelas apresentadas pelos outros autores mencionados até o presente momento. A autora afirma que o infinitivo em sua forma composta exprime a simultaneidade do estado de coisas descrito na oração em que ocorrem relativamente ao estado de coisas descrito na oração de que dependem, a exemplo da oração: “Gostei de ter ido à festa.” Já as formas simples do infinitivo exprimem, em geral, a simultaneidade ou a posterioridade do estado de coisas descrito na oração de que dependem. Na oração: “Vejo os miúdos a esconderem-se da polícia”, o estado de coisas descrito pela oração infinitiva é simultâneo.

A expressão do futuro verbal na Língua Portuguesa e a evolução das formas correlatas ao longo dos séculos é um fenômeno que pode ser observado tanto diacronicamente quanto sincronicamente. Esse processo é variável e característico não apenas do português, mas também de outras línguas neolatinas. Segundo Oliveira (2006), ao longo da história da língua portuguesa, há pelo menos quatro formas variantes para a expressão do futuro verbal, embora o futuro simples seja ainda a forma preferida na escrita. E essas formas são o futuro simples do indicativo, a perífrase haver de + infinitivo, o presente do indicativo e a perífrase ir + infinitivo.

O presente estudo não busca, no entanto, fazer uma descrição diacrônica detalhada dessas formas, que variaram quanto à freqüência de uso ao longo dos séculos. Em estudos como o de Oliveira (2006) é possível depreender de modo claro e detalhado como se deu a alternância e a freqüência de uso dessas estruturas ao longo dos séculos. Pontes (1973) afirma que o verbo ir junto a um infinitivo se distingue daquele complementado por um adjunto adverbial de lugar. Essa distinção ocorre não apenas no

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nível semântico, mas também a nível sintático, pois ir + infinitivo indica futuridade e o ir + adjunto adverbial de lugar indica movimento (locomoção). A distinção realizada por Pontes, no entanto, contempla a estrutura como um verdadeiro componente gramatical, deixando bastante vaga a definição de perífrase verbal, criando ainda um contexto de ambiguidade com a estrutura de Tempos Compostos.

Sobre a distinção entre o uso do verbo ir como verbo pleno que mantém suas funções gramaticais autênticas, ir (1) e ir como um verbo auxiliar junto a um infinitivo, Pontes (1973) afirma:

“... ir (1) e ir (2) têm restrições de seleção diferentes, significados diferentes e, além disso, traços contextuais diferentes. Ir (2) será marcado como um verbo intransitivo, como parecer, que tem uma oração como sujeito. Ir (1) será marcado como verbo que não admite sujeito abstrato (nem oracional, portanto) e pode ter como complemento um adjunto adverbial de lugar (direção). Esse adjunto adverbial que complementa ir (1) é daqueles, ao que parece, que devem ser colocados dentro do SV e não fora, porque ir (1) não é verbo que ocorra sozinho... Na verdade ir (1) não é intransitivo, pois não ocorre sem um complemento. Este pode ser a locução formada de uma preposição (a, para) mais um SN. Se na Estrutura Perifrástica considerarmos que só existe SN (e não SPrep), um traço contextual marcará que ir (1) pode ser complementado com SN. Além disso, ir (1) também pode ter como complemento uma oração, pois uma oração do tipo: João vai estudar; é ambígua: o verbo ir, aí, pode significar locomoção ou futuro.” (Pontes, 1973)

Nota-se, a partir da citação acima, que há ainda uma ambigüidade relacionada aos traços (movimento)/(futuridade). No entanto, é interessante pontuar que este foi um dos primeiros estudos a distinguir os usos de ir pleno de sua vertente perifrástica ir + infinitivo, e a arrolar seus principais traços distintivos associados a cada emprego. Segundo (Santos, 1997; Lima, 2001; Silva, 2002; Oliveira, 2006), a perífrase ir + infinitivo se gramaticaliza como futuro perifrástico em concorrência com o futuro simples em português. O processo de auxiliarização do verbo de movimento ir pode ser

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explicado pela passagem do sentido espacial que está contido nessa forma verbal, para um sentido prospectivo temporal. A teoria da Gramaticalização de Heine (1991) mostra que, no português, o processo de Gramaticalização dessa estrutura está quase completo. De fato, a estrutura perifrástica em questão está consolidada na língua em uso, tanto na modalidade falada quanto na escrita.

A hipótese de auxiliarização do verbo ir pressupõe uma relação cognitiva entre as categorias de espaço e tempo (Bybee & Pagliuca, 1987; Hopper & Traugott, 1993, 2003) aliada à perspectiva metafórica defendida pela corrente funcionalista de Heine et alii. (1991, 1993).

Segundo estudos de Lima (2001) e Oliveira (2006) sobre a gênese e a posterior difusão da forma perifrástica ir + infinitivo no português do Brasil, - embora essa forma seja documentada em textos do século XIV- a mesma parece ganhar espaço apenas no decorrer do século XIX, passando a ser mais popularizada no século XX, ao menos na língua falada, ocupando o espaço antes preenchido pela perífrase com haver de + infinitivo, principal concorrente de futuro simples até o século XIX (Oliveira, 2006). A perífrase verbal ir + infinitivo no português, analisada num contexto linguístico amplo, se apresenta como um fenômeno recente que, aos poucos, vem sendo descrito e tendo suas propriedades analisadas pelos estudiosos da área. Cunha e Cintra (2001), em sua Nova Gramática do Português Contemporâneo fazem uma breve abordagem sobre o uso da estrutura no português moderno, pontuando-a no tópico: Substitutos do futuro do presente simples; o que de fato remete a um processo de mudança linguística.

Estudos recentes como o de Oliveira (2006) comprovam, no entanto, que a noção de “substituição” pode ser equivocada, visto que a nova forma em disseminação, tanto no contexto de língua falada quanto escrita, apresenta contextos de uso bem definidos. Entretanto, é interessante considerar o espraiamento dessa forma a contextos antes

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nunca alcançados pela perífrase. Considerando estudos como o de Lima (2001), Malvar (2003), Oliveira (2006) et alii sobre o futuro perifrástico em português, o tempo presente do indicativo da perífrase com ir + infinitivo expressa um maior grau de certeza quanto à realização do estado de coisas no futuro. E a maior probabilidade ou possibilidade da ocorrência factual está em grande parte ligada ao envolvimento ou comprometimento do falante em relação ao enunciado que profere. Acrescenta-se a essa hipótese que os sujeitos de primeira pessoa favoreceriam o uso dessas formas, que expressariam uma maior chance de concretização da ação futura.

Os dados dos corpora dessa pesquisa, em grande parte representados por perífrases na primeira pessoa do singular, vêm a comprovar a preferência, quase absoluta, da utilização perifrástica em contextos de comprometimento com o que é proferido, ou seja, há um desejo de realização da ação em um momento breve em relação àquele da enunciação.

Segundo Cunha e Cintra (2001), em sua Nova Gramática do Português Contemporâneo, as perífrases com o verbo ir acrescentadas de um infinitivo, conforme já explicitado, seriam uma forma de substituição do futuro simples do indicativo, não sendo levada em consideração a questão aspectual que envolve a construção verbal complexa da perífrase:

Na língua falada o futuro simples é de emprego relativamente raro. Preferimos, na conversação, substituí-lo por construções constituídas:

a) do Presente do Indicativo do verbo haver + preposição de + infinitivo do verbo principal, para exprimir a intenção de realizar um ato futuro;

b) do Presente do Indicativo do verbo ter + preposição de + infinitivo do verbo principal, para indicar uma ação futura de caráter obrigatório, independente, pois, da vontade do sujeito;

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c) do Presente do Indicativo do verbo ir + infinitivo do verbo principal, para indicar uma ação futura imediata.

De acordo com Cunha e Cintra (2001), nota-se o primeiro caso, a estrutura haver de + infinitivo, é uma alternante do futuro simples do indicativo, e nem mesmo se sustenta enquanto estrutura com um uso vivo na língua atual. O uso de haver de + infinitivo, segundo Oliveira (2006), declina ao longo dos séculos. Esse declínio é comprovado nos diversos estudos empíricos, como o de Oliveira (2006), o que demonstra que na atualidade, o emprego dessa forma, em praticamente todos os gêneros textuais, é pouco significativa, em relação a outras formas concorrentes com o futuro simples do indicativo, ou até mesmo nula.

O segundo caso, representado pela estrutura ter de + infinitivo, ainda se mantém na fala, e também na escrita, embora seu uso não seja tão significativo quando comparado com as outras estruturas concorrentes.

O terceiro caso (a estrutura ir + infinitivo) se revela como o mais significativo, e aquele com potencial para “substituir” a forma verbal de futuro simples. É a forma que mais apresentou crescimento de uso no português do Brasil quando analisada paralelamente junto às outras formas concorrentes em outros estudos, como em Oliveira (2006).

3.2. A DESCRIÇÃO DO VERBO ANDARE E DA PERÍFRASE ANDARE A +