SOĞUK SAVAŞ DÖNEMİ TÜRK-RUS İLİŞKİLERİ
3.2 Soğuk Savaşı Dönemi Türkiye-SSCB İlişkisi
3.2.2. Soğuk Savaşı Dönemi Türkiye’nin Dış Politik Yaklaşımı Türkiye Cumhuriyeti, Sovyetler Birliği’nin yayılmacı politikaları
O processo discursivo é dinâmico e no caso do texto oral, que se caracteriza pela coprodução dos interlocutores, observamos que as estratégias coesivas utilizadas para construção da temporalidade e progressão textual são diversas. Conforme o contexto ou a situação comunicativa os sujeitos envolvidos estão constantemente controlando ou modificando seu discurso, aspecto que dá um matiz dialógico à produção dos relatos. Nesse sentido o discurso oral se articula pelo uso de elementos linguísticos e não linguísticos que estabelecem relações distintas entre as orações ou segmentos mais amplos dos textos (KOCH, 2006), localizando e sequenciando partes do texto. Esses articuladores concretizam o caráter on-line do processo, contribuindo assim com o planejamento e a verbalização da fala, pois “podem relacionar elementos de conteúdos, ou seja, situar o estado de coisas de que o enunciado fala no espaço e/ou no tempo, bem como estabelecer entre eles relações do tipo lógico-semântico” (KOCH, 2006, p.133). Além disso, conectam atos de fala e desempenham funções de ordem meta-enunciativa.
Destacando a interação nesse relato oral, a fase de resumo inicia com o marcador conversacional Bom. Esse é um elemento discursivo que funciona como sequenciador interacional, indicando marcas dos interlocutores, ou seja, serviu para sinalizar o início da interação (fórmula de abertura), propôs o encadeamento e a continuidade dessa interação. Observamos 07 conectivos sequenciadores diferentes nesse relato, mas o destaque ficou com o sequenciador aí, com 67% (21 vezes) das ocorrências em todas as fases. A gramática normativa classifica aí como advérbio de lugar, mas no contexto que analisamos assume funções semântico-discursivas além da função de advérbio, evidenciando que esse é um dos recursos mais utilizados na expressão oral, já que linguistas classificam esse sequenciador como prototípico da linguagem oral ou propriamente do discurso narrativo, provavelmente pela espontaneidade com que é usado na oralidade. Assim pudemos observar que essa estrutura concorre para introduzir inúmeras sequências de distinta natureza sintático-semântica. Eis alguns proposições exemplificativas:
L Função do sequenciador “aí” Proposições
02
03 Rompe o fim da apresentação e introduz uma sequência que anuncia a história
aí o que acontece... é:: a história é a
seguinte...
06
07 Conecta uma sequência descritiva com o início de outras ações
aí:: a gente ficou:: isso era umas dez horas da
manhã
09
10 Introduz sequencialmente dois enunciados aí a gente pegou um:: aí passou bem na hora vem um cara muito engraçado
11 12 13
Sempre precede uma forma verbal indicando uma clara progressão da
narrativa, sinalizando momentos anteriores e posteriores aos eventos referentes.
aí vai cobrar baratinho”... tá bom... aí a gente foi... o táxi só gasolina dentro do carro... cara
aí a gente entrou dentro do carro aí a gente foi
(...)
Além do exposto no quadro acima, pudemos observar outras relações possíveis de aí no relato. Em (L.30) conecta sequências descritivas: o José Luiz ele é do Peru... ele é (L.31) peruano aí... eu sou do Mato Grosso e o... o Salomão é de Boa Vista. Já em (L.32) acho que não tem problema não pera aí... o sequenciador discursivo corresponde a função dêitica de lugar relacionado ao momento da enunciação, ou seja, tratava-se de uma sequência oriunda da interação direta com o ouvinte, portanto distinto das relações de temporalidade das sequências narrativas predominantes. Em (L.42) aí conecta um trecho do momento de enunciação retomando a sequência de ações: entendeu? aí gente eu sei que a gente ficou o dia todinho lá. Na fase de avaliação (L.47) o marcador introduz o comentário relativo ao desenrolar da história, e em (L.48) retoma a sequencialização temporal. Portanto esse sequenciador assume um caráter polissêmico, multifuncional na articulação das sequências sempre em coesão com os localizadores temporais.
O segundo sequenciador em destaque é o lexema e, que, exceto na fase de resumo, ocorre 12 vezes (? % das ocorrências). Esse conectivo é descrito pela tradição gramatical como uma conjunção aditiva, mas nessa narrativa assumiu a função de sequenciador textual. Na interação e pode ter a função de introdução, sequenciamento ou retomada de tópico, mas nos contextos que analisamos funcionou para ligar informações anteriores à informações posteriores sem mudança do tema do discurso.
L Função do sequenciador “e” Proposições
04
05 Estabelece a conexão entre termos de mesma função sintática eu e mais dois amigos... e outros é o José Luiz
21
22 Dá sequência as proposições, criando um paralelismo sintático
ele pegou a gasolina e jogou no meio da rua e saiu correndo e deixou a gente lá sem
entender nada ((risos)) a polícia
34
43 Introduz sequencialmente duas proposições
e nisso tudo... de início
Observamos ainda o uso do sequenciador né. Teoricamente, para Castilho (2009) este sequenciador pode figurar como um elemento para manter o turno do locutor, ou de apoio, já que equivale a forma reduzida “não é?” extremamente recorrente na linguagem oral. Mesmo que pareça não ter um significado referencial, pode expressar uma orientação do locutor em direção ao interlocutor, tentando buscar uma aprovação discursiva, como se fosse um automonitoramento da fala do locutor. Observamos que no relato em análise ocorre contribuindo para o avanço da interação. A primeira ocorrência se dá seguida a um contexto em que locutor busca aprovação do ouvinte, e no segundo caso ocorre em uma resposta do narrador ao documentador:
L Função do sequenciador “né” Proposições
05
06 Finaliza uma sequência que busca uma aprovação dos ouvintes. o José Luiz que esse alguns devem conhecer que tem como apelido Fumaça né...
52
53 Usado na resposta do narrador ao documentador. não... só quando os caras lá que não deixavam a gente falar porque a gente fala em português né...
Identificamos a expressão ó no final da fase de avaliação funcionando como sequenciador discursivo e semântico-discursivamente possui as mesmas características de né, ou seja, também serviu para expressar uma espécie de orientação do locutor, embora nessa proposição funcione como fechamento do tópico discursivo. Mesmo que ocorra apenas uma vez, destacamos que esse marcador é muito recorrente na linguagem cotidiana dos falantes da região contexto dessa produção. É um termo muito usado no final das sentenças geralmente com a função de chamar a atenção do ouvinte e indicar a mudança de turno; é uma forma apocopada de “olha?!”.
Os localizadores podem sinalizar espaço e tempo nas narrativas. Podem ser representados pelos verbos (TRAVAGLIA, 1994) e por outras tantas expressões linguísticas. Nesse relato, em Certo Dia, eu e mais dois amigos... observamos uma estrutura que abre a fase de orientação indicando a noção de tempo da ação, assim contribuiu para a construção da temporalidade narrativa, embora não expresse precisão quanto a localização temporal. É uma expressão adverbial muito comum na marcação temporal em narrativas em geral40, e no texto em análise, ocorre
40 Esta pode ser considerada uma forma prototípica de introduzir uma narrativa, principalmente ficcional, equivalente ao “era uma vez...”, em português, ou, em outras línguas: “érase una vez...”, em espanhol ou “once upon a time there was...”, em inglês, etc.
“protocolarmente” logo no início da fase de orientação, indicando uma espécie de ancoragem para construção da temporalidade no desenvolvimento de todo o discurso narrativo. Nesse sentido, mesmo com essa relativa imprecisão, a sequencialidade narrativa foi estabelecida.
Também para localização temporal, temos: umas dez horas da manhã, na indicação de referência temporal imprecisa do início do evento; bem na hora vem um cara muito engraçado, já representando um momento específico da ação. Observamos ainda nesse relato que na hora do almoço é uma estrutura que se alterna com as horas ou referências de datas, e, mesmo de forma imprecisa, ocorrem na introdução de eventos indicando a ordem no tempo. Além desses localizadores, a estrutura até hoje ocorreu duas vezes para finalizar os tópicos. Alternando-se com ali (04 ocorrências), o localizador espacial mais recorrente foi o adverbial lá, que, exceto na fase de resumo e avaliação, ocorreu 19 vezes nas demais fases da narrativa oral:
Localizadores / Ocorrências Fases lá ali Resumo - - - - Situação Inicial - - 01 Complicação 02 01 Resolução 09 02 Avaliação - - - - Situação Final 08 - - Total 19 04
Além dos sequenciadores linguísticos, o espaço físico do mundo narrado funciona como identificação da temporalidade nessa narrativa, ou seja, podemos valer-nos da descrição do ambiente para a compreensão do tempo. A fase de ação complicadora iniciou com a estrutura (L.16) naquela curva ali, na qual se tem um dêitico demonstrativo, um nome e um advérbio de tempo, que constitui uma expressão linguística de origem espacial com valor dêitico. Como essa sequência é sucedida pelo lexema verbal ‘acabó’ [acabou] ((L.16) acabó a gasolina do carro ((risos)) acabó total (L.17) aí ele faló), foi possível depreendermos de forma dêitica a localização temporal do evento que iniciou no momento em que acabou a gasolina do carro (fato que seria provocador de todo o conflito relatado). Essa análise
evidenciou o que postulam os teóricos citados neste trabalho sobre a relação do espaço na constituição da ordem temporal nas narrativas.
O encerramento da ação complicadora deu-se com o adjunto adverbial (L.25- 26) dez horas da manhã, que, se o alocutário considerar o sintagma inicial – (L.16) naquela curva ali – como referência temporal dêitica, e conhecendo o ambiente espacial descrito onde se passou a trama, construir-se-ia assim, em um plano extralinguístico, o momento do início da viagem dos personagens, ou seja, teríamos então aqui o tempo cronológico que iniciou a história (ou o momento em que os amigos tomam o táxi ainda no Brasil) a partir de um evento temporalmente já identificado, isto é, o momento em que os envolvidos na trama teriam sido presos pela polícia venezuelana e levados à aduana daquele país. Consideramos que o narrador contou com a interação/colaboração dos ouvintes quanto aos aspectos extralinguístico necessários para a compressão da progressão temática.
Na fase de desenlace ocorreram outros sintagmas nominais relacionados a sintagmas verbais que compõem a temporalidade, como (L.34) dez hora e de início, (L.38) o dia todinho de noite e (L.39) o dia todinho – forma recorrente em outras sequências da mesma fase. Como estamos tratando de um relato curto, composto basicamente de um núcleo ou um conflito, isto é, um momento de tensão que desencadearia em várias transformações (BRONCKART, 2009), as referências temporais linguísticas expressas no texto foram quase sempre as mesmas. E o fato de a narrativa ter sido construída em interação com os ouvintes, o narrador parece ter se limitado a usar explicitamente, tanto referências espaciais quanto temporais, por possivelmente pressupor que o contexto espaço-temporal pudesse ser compartilhado pelos alocutários, o que se justifica ao analisarmos o início da fase de resumo, quando em (L.01-02) o narrador-personagem diz: como todo mundo me conhece aqui eu sou Felipe... eu sou daqui de Pacaraima...
Portanto, tanto localizadores expressos linguisticamente quanto localizadores que fazem referência a elementos extralinguísticos ocorrem neste relato para composição da temporalidade. Normalmente figuram posterior aos sequenciadores textuais, assim estabelecem a localização no tempo e no espaço, aspecto que caracterizando a progressão discursiva do relato, conforme podemos constatar no quadro abaixo:
Fase Função Proposições Resumo Situação Inicial Localiza a noção de tempo da ação.
certo dia... eu e mais dois amigos...
Referência temporal imprecisa; seguido de uma localização especial.
isso era umas dez horas da manhã: a gente foi pra
barreira ali pra pegar táxi
Localiza um
momento específico
bem na hora vem um cara muito engraçado num táxi bem
velhinho
Complicação
Localiza um espaço
específico naquela curva ali... acabó a gasolina do carro ((risos)) acabó total
Localiza um momento que desencadeia um evento determinante para o estabelecimento do conflito, seguido de uma localização espacial
na hora que ele abriu que ele pegou um carote de CINco
litro...
tava na estrada do Santo Antonio vinha um carro da... da polícia ((risos)) la policía...
Localiza um espaço
impreciso ele pegó a gasolina e jogou no meio da rua e saiu correndo e deixou a gente lá
Localiza um relevante pra a progressão temática
pronto prendeu a gente dez horas da manhã...
Resolução (Desenlace)
Localizam espaços imprecisos
levó a gente lá pra quer dizer posto lá onde fica naquele... onde ficam fazendo os estágios ali... como é que é o nome... chegó lá o que acontece pediram nossos documen:to...
Localiza um espaço impreciso e um momento específico
a gente tava lá aí dez hora e nisso tudo... de início eu não ia falar quem era um certo personagem (...)
Localizam espaços e momentos imprecisos
a gente possou o dia todinho de noite... a gente possou o
dia todinho lá preso lá dentro lá
Localiza um
momento específico na hora do almoço pegaro...((risos)) pegaro uma... levaro uma comida pra gente
Localiza um
momento impreciso eu sei que a gente ficou o dia todinho lá tentando sair dali Localizam espaços
e momentos imprecisos
e quando foi que chegou o::... o sargento lá que a gente teve que subornar ele (...)
Avaliação Situação Final Localiza um espaço impreciso e momentos definidos
a gente ficou o quê... das dez da manhã até seis da tarde
lá... aí a gente saiu de lá
Localizam espaços
imprecisos só quando os cara lá que não deixavam a gente falar xingavam a gente de tudo lá e não sei o que lá e tal... eu entendia nada dos palavrão que eles falavam lá