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Sultan Selim Nâhiyesi (Nâhiye-i Cami’ül-Merhum’ül-Mağfürun Leh Sultan

2. İSTANBUL’ DA YEŞİL ALANLAR ÜZERİNE NOTLAR

5.8 Sultan Selim Nâhiyesi (Nâhiye-i Cami’ül-Merhum’ül-Mağfürun Leh Sultan

A presente tese teve como objetivo central investigar a modulação circunstancial do desconto temporal. Para tanto, foram avaliados os efeitos de diversas variáveis sobre a tomada de decisão nas esferas de negociação entre presente e futuro. Resumida e generalizadamente, os resultados do Estudo 1 demonstram que, ainda que expressões emocionais de afeto positivo possam aumentar a atratividade de mulheres avaliadas por homens, indivíduos avaliando expressões de alegria e nojo não têm seus padrões de desconto do futuro alterados significantemente. Entretanto, o sexo masculino apresenta, em geral, maior impaciência temporal do que o feminino. No Estudo 2, os dados apontam que indicativos conspícuos de reciprocidade social não afetam diretamente a atratividade de mulheres em vídeos simulados sem áudio de curta duração. Além disso, homens avaliando diferentes graus de demonstração de interesse social feminino através desses vídeos não sofrem variações nas suas preferências temporais. O Estudo 3, por sua vez, sugere que elementos arbitrários agregados a situação de apresentação de imagens de mulheres não altera a atratividade destas quando avaliadas por homens. Porém, indivíduos do sexo masculino expostos a contexto de apresentação do estímulo associado a estados excitatórios descontam mais o futuro do que outros expostos a contextos associados a estados inibitórios. O mesmo acontece com indivíduos que apresentam menores escores em características individuais relacionadas a habilidade cognitiva comparados àqueles com maiores escores. Os achados do Estudo 4 indicam que indivíduos avaliando alimentos pouco calóricos acentuam o desconto temporal se comparados à indivíduos que avaliam alimentos altamente calóricos. E, finalmente, o Estudo 5 aponta que indivíduos pertencentes às camadas menos favorecidas da população descontam mais o futuro do que indivíduos com maior status socioeconômico.

9.1 Fatores de influência sobre o desconto do futuro

No estudo de Wilson e Daly (2004), a acentuação do desconto do futuro em homens diante de imagens de mulheres atraentes estaria relacionada com uma situação estimulante, ativadora de processos neurais ligados a pistas de oportunidade sexual. Seguindo essa linha de raciocínio, na presente tese, foram testados estímulos sinalizadores de potenciais interações aprazíveis com o sexo oposto (Estudo 1 e 2). Entretanto, inesperadamente, não foram verificados efeitos da exacerbação de sinais de afetos positivos e interesse social sobre o padrão de escolhas financeiras intertemporais. A inexistência de efeito se mantém mesmo sob

a constatação de que homens avaliaram fotos de mulheres sorridentes como mais atraentes do que de mulheres enojadas. Presume-se que a atratividade do estímulo possa desempenhar um importante papel em contextos de oportunidades sexuais, e que a visualização de imagens de pessoas do sexo oposto possa induzir a um estado mental orientado para o acasalamento. Em termos de análise distal, é plausível que mecanismos psicológicos sensíveis a sinais de atratividade, indicativos de saúde, fertilidade e viabilidade gestacional (Law Smith et al., 2005; Thornhill & Gangestad, 1999); e de interesse conspícuo, incentivando a interação social (Clark, 2009; Mishra et al., 2007), tivessem sido favorecidos pela seleção natural. Tais mecanismos funcionariam ajustando a alocação efetiva de investimento energético na esfera reprodutiva (Clark, 2008), alterando possivelmente também o padrão de escolhas intertemporais. No entanto, os resultados sugerem que indicativos sobre a acessibilidade provável de um parceiro em potencial não afetam o desconto temporal, apesar de tais indicativos aumentarem a atratividade deste possível parceiro. Ainda assim, resta dúvida sobre a importância da atratividade nesse processo, dado que o desconto temporal e a propensão ou aversão ao risco não parece responder invariavelmente a este fator (McAlvanah, 2009). Estudos futuros endereçando essa questão devem ser conduzidos para maior esclarecimento da ação do apelo do estímulo sobre o desconto do futuro.

Outro resultado digno de nota se refere às características dos indivíduos e suas relações com o desconto temporal. No Estudo 1 foi encontrada uma diferença intersexual nos parâmetros de desconto do futuro entre homens e mulheres, corroborando descrições prévias da literatura (Kirby & Marakovic, 1996; van den Bergh et al., 2008; Wilson & Daly, 2004). Somado a isso, os resultados desse mesmo estudo apontam para uma correlação positiva entre a idade e os índices de desconto futuro. No entanto, esses resultados devem ser analisados cautelosamente. Aliado a limitações metodológicas, como grupos sexuais desbalanceados e baixo alcance do intervalo de idade, tais achados não foram replicados nos estudos subsequentes. Ao contrário do esperado e descrito na literatura (Green et al., 1994, 1996, 1999; Kirby & Marakovic, 1996; Wilson & Daly, 2004), não foi constatada, de forma generalizada, relação entre a etapa atual do ciclo vital e da condição biológica sexual com os parâmetros do desconto do futuro. É plausível que mecanismos psicológicos e fisiológicos específicos tenham sido selecionados por mediarem a alocação ótima de esforço de maneira a maximizar a aptidão em diferentes estágios da vida e sob variadas circunstâncias (Kaplan & Gangestad, 2005). A Teoria da história de vida se refere a aspectos relativos ao desenho do ciclo vital, selecionado naturalmente, para assegurar sucesso reprodutivo a despeito de desafios impostos pelo ambiente, tais como diferentes formas de mortalidade e escassez de

recursos (Stearns et al., 2008). Dessa forma, era de se esperar um efeito de idade e sexo sobre o desconto temporal. A inconsistência dos resultados encontrados nos estudos da presente tese pode ser devida a diferenças culturais entre os participantes estudados. Os Estudos 1, 2 e 3 foram realizados no Canadá, mas os dois últimos só empregaram participantes do sexo masculino. Por sua vez, os Estudos 4 e 5 utilizaram amostras mistas, porém foram realizados no Brasil. Investigações sobre o desconto do futuro em amostras nacionais apresentam resultados contraditórios no que se refere a diferenças intersexuais. Em determinados estudos, os resultados apontam ausência de diferença significativa nos parâmetros de desconto temporal entre os sexos masculino e feminino. Em outros, pode ser observado tanto que homens descontam mais o futuro do que mulheres, quanto o contrário (Ferreira, 2009; Souza, 2010). Assim, a discrepância entre os dados pode refletir uma especificidade do contexto capaz de repercutir sobre os índices de imediatismo financeiro. De fato, há evidências sobre diferenças culturais em escolhas intertemporais, especialmente, entre ocidentais e orientais (Chen et al., 2005; Takahashi et al., 2009). Parece que a maneira como focam sobre a magnitude da recompensa e como percebem os intervalos temporais explicam essa distinção. Assim, é possível que entre canadenses e brasileiros essa diferença também exista. Além disso, a desigualdade nas condições socioeconômicas entre os dois países também pode desempenhar uma papel fundamental nesse processo. Isso abre a possibilidade de outras variáveis, além do sexo e da idade, influenciarem mais fortemente o desconto temporal. Consequentemente, um potencial efeito de traços relativos à história de vida poderia ser atenuado pela concorrência com outros fatores mais circunstancialmente relevantes. Os resultados do Estudo 5 apontam nessa direção.

Semelhantemente, não foram encontrados efeitos significativos de outros aspectos relativos a diferenças individuais sobre o desconto temporal, a saber, sensibilidade à recompensa e busca por sensação. Diferenças interindividuais em padrões comportamentais são caracterizadas pelas maneiras distintas como os indivíduos molduram seus objetivos e investem esforços na resolução de problemas. Evolutivamente, esses padrões podem refletir estratégias voltadas a soluções ótimas de problemas adaptativos. Tais problemas, possivelmente, envolveram as dinâmicas sociais vigentes ao longo da história evolutiva, tais como ocupação de nichos específicos e competição interindividual (Buss, 1991; Figueredo et al., 2005). Sendo assim, mesmo em situações não sociais, seria plausível que aspectos de personalidade impactassem os padrões de escolhas intertemporais. Há evidências na literatura sugerindo essa relação. Comportamentos característicos da busca por sensações impulsiva são relacionados à propensão ao risco (Zuckerman & Kuhlman, 2000). Impulsividade e

compulsão exacerbadas são associadas a comportamentos que tendem a ser voltados a recompensas imediatas, ainda que conduzam a resultados desfavoráveis em longo prazo (Davis et al., 2007). Contudo, novamente, essa relação não foi observada. Como sugere o Estudo 5, a convergência de outros fatores ambientais pode ter mitigado a possível consequência de aspectos de personalidade sobre o desconto do futuro.

Ainda sobre características individuais, diferenças na habilidade de rotação mental parecem desempenhar uma ação sobre o padrão de escolhas intertemporais pós-estimulação (Estudo 3). De maneira geral, a avaliação de indivíduos do sexo oposto parece afetar diferencialmente portadores de distintos níveis de habilidade de rotação mental. Aqueles com maiores escores na habilidade cognitiva de rotação visuoespacial descontaram menos o futuro, após apreciação do estímulo, do que pares com menores escores na mesma tarefa. É possível que indivíduos com alta capacidade em tarefas cognitivas, associadas a baixo desconto temporal (Shamosh & Gray, 2008; Steinberg et al., 2009), tenham acentuada essa relação mediante visualização de imagens do sexo oposto. Esse suposto efeito também pode estar em função do nível atual de hormônios sexuais, ou do grau de exposição pré-natal a estes. A quantidade de hormônios sexuais parece fornecer uma ligação interessante entre desconto temporal e tarefa de rotação mental, já que há evidências sobre a relação negativa e positiva que estabelece, respectivamente, com essas duas atividades (Imperato-McGinley et al., 1991; Liben et al., 2002; T. Takahashi et al., 2008; Yonker et al., 2006). Entretanto, essas supostas relações carecem de maior verificação e entendimento.

Contudo, ainda que diferenças na tarefa de rotação espacial sejam associadas à capacidade cognitiva e índices de hormônios sexuais, a realização de processos visuoespaciais também parece variar em função de índices sociais, culturais e econômicos. A tarefa de rotação mental é positivamente relacionada com igualdade entre os gêneros, desenvolvimento econômico, renda per capita e expectativa de vida. Isto é, à medida que os índices de desenvolvimento de um país aumentam, o desempenho dos seus habitantes em tarefas de rotação mental tende a aumentar proporcionalmente (Lippa et al., 2010). Aparentemente, isso aponta para outros fatores importantes, tais como os níveis de saúde, nutrição, educação e acesso a recursos tecnológicos que contribua no desenvolvimento de determinadas funções cognitivas. Tudo isso, reforça o papel do ambiente na expressão final de um comportamento, e o situa como potencial variável mediadora interveniente de outras relações.

Embora a manipulação da atratividade e de pistas de reciprocidade social, além de uma série de diferenças individuais, não tenha gerado efeitos significativos, o conjunto de resultados sugere que escolhas intertemporais financeiras parecem sofrer forte influência de

aspectos ambientais. Especialmente, de indicativos de situações de alta estimulação e alta variabilidade no horizonte temporal e na disponibilidade de recursos. Cores relacionadas ao comprimento de onda longo no espectro de energia eletromagnética visível parecem ter um potencial excitatório (Bellizzi et al., 1983), e frequentemente são associadas a contextos de ativação comportamental e fisiológica (Wolfson & Case, 2000). Geralmente, a ativação fisiológica, principalmente através do sistema simpático, ocorre em situações emergenciais, tais como luta ou fuga (Machado, 2000). Tais situações, em geral, apresentam alta variabilidade em seu resultado, pois dependem da confluência de diversas variáveis de difícil mensuração e previsão; e, agravantemente, podem ter decorrências drásticas como dano ou morte. Além disso, considerando que percepção afetiva da cor também possa exercer um papel importante nesse processo (Bellizzi & Hite, 1992), um estado de afeto negativo poderia remeter a contextos prejudiciais permeados por consequências aversivas. Em decorrência desses fatores, essas ocasiões, provavelmente, possuem grande quantidade de risco associado. Sendo assim, diante dessas condições, seria esperado um acionamento de uma configuração mental específica, em consonância com a ativação fisiológica e comportamental, voltada para lidar com esse tipo de problema adaptativo. Igualmente, situações de escassez (baixo poder aquisitivo) ou de baixa categoria de recursos (alimentos de baixa provisão energética) apresentariam maior variabilidade em suas consequências futuras, e imporiam limitadores críticos ao horizonte temporal. Essas situações também poderiam adicionar uma quantia substancial de incerteza e risco em eventos futuros. Portanto, a acentuação do desconto do futuro em situações relativamente estimulantes e imprevisíveis funcionaria, possivelmente, como um ajuste da orientação temporal voltando-a para opções mais imediatas, avessas ao risco, visto a incerteza do futuro em dadas condições. Assim sendo, os resultados tomados de forma conjunta confirmariam a expectativa central de plasticidade comportamental adaptativa diante de situações que predigam cenários deletérios para o sucesso reprodutivo individual.