É cada vez mais patente a relevância estratégica que as TICs apresentam para o desempenho das organizações. Tais ferramentas têm o poder de provocar uma variedade de impactos à organização, desde o aumento da eficiência e da eficácia do trabalho individual até a criação de vantagens competitivas com a melhora do desempenho organizacional perante a concorrência, além de possibilitar a geração de novos negócios. A informática tem provado que possui potencial suficiente para que a organização possa reagir com rapidez às mudanças do ambiente, proporcionando-lhe novas alternativas para um relacionamento competitivo com suas concorrentes.
As TICs, por serem responsáveis pela capacitação, armazenamento, tratamento e disseminação da informação, têm sido utilizadas intensamente em empreendimentos, nos quais o recurso informação/conhecimento é de grande relevância, como no caso das organizações e/ou áreas cujo negócio é a pesquisa e desenvolvimento (ABREU et al., 1999).
Quando nos deparamos com as novas tecnologias de estudos e ensaios para atender a genética molecular, química combinatória observamos uma necessidade grande da inovação constante nesta área. O ciclo destas tecnologias tende a reduzir-se, obrigando os gestores da I&D a gastar cada vez mais só para se manterem atualizados. Devido aos progressos no nível da tecnologia, o equipamento de teste e diagnóstico de que as empresas dependem para fazer a triagem e identificar compostos promissores fica obsoleto no período de três a quatro anos, e existem mais tecnologias disponíveis do que aquelas em que qualquer empresa isolada consegue investir.
Com a ajuda constante da inovação através das TICs, a genética e o genoma permitirão definir as doenças com maior precisão e criar pacotes de serviços para pacientes com subtipos específicos de doenças, em vez de fabricar
um modelo único de droga que sirva para todos os pacientes com sintomas similares, mas doenças essencialmente diferentes.
Neste cenário a tecnologia é essencial e podemos citar alguns exemplos de inovações tecnológicas vitais nessa transição:
• simulação do funcionamento de um sistema biológico como uma totalidade, utilizando modelos computacionais que predirão os efeitos das drogas no corpo humano, incluindo sua segurança e eficácia;
• mini dispositivos de rastreio individual, telecomunicações móveis e tecnologias sem fio, facilitando a transmissão e coleta de dados biológicos fora de um cenário clínico.
Já quando nos deparamos com as necessidades de novas tecnologias para atender a rotina da indústria farmacêutica, as inovações vitais devem considerar:
• utilização de técnicas de manufatura e distribuição complexas, produzidas em lotes menores com uma faixa maior de formulações e embalagens diferenciadas devido ao crescente desenvolvimento de novas drogas biológicas;
• desenvolvimento de tecnologias analíticas de processos permitindo que as empresas monitorem seus processos da fabricação contínua e automaticamente, em tempo real, ao invés de fazê-lo de forma intermitente e histórica, via amostras e controle de qualidade posteriores à fabricação;
• avanço nos armazenamentos de dados para administrar e manter o crescente volume de dados científicos e de produção, cumprindo as exigências das agências reguladoras;
• criação de etiquetas inteligentes nos produtos, que ajudem a gerenciar o estoque localizando produtos, detendo falsificações e validando o correto
atendimento das prescrições médicas e também, monitorando a sensibilidade à temperatura dos medicamentos através da rastreabilidade da cadeia logística.
Segundo Ferreira (1994), a capacidade competitiva de uma empresa está intimamente relacionada à conjugação de gestão e informação tecnológica, devido às crescentes exigências do mercado com relação a novos produtos e serviços de alto conteúdo tecnológico. Neste contexto, a introdução de novas tecnologias de informação nas organizações amplia as potencialidades da informação como recurso estratégico, a velocidade com que a interação entre gestão e informação ocorre e a qualidade desta ligação.
De acordo com Espejo e Watt (1988), os principais problemas no gerenciamento da informação em uma organização estão relacionados ao limite de capacidade no processo de informação (input) e à capacidade de multiplicar os efeitos da informação no meio ambiente (output).
Compreender os sistemas e demais tecnologias de informação no que diz respeito à sua relevância, função e estrutura, aumenta as chances de sucesso na implementação e implantação dos mesmos, além de facilitar na definição dos papéis e postura de todos os componentes do ambiente organizacional. O sistema de informação é conceituado como um conjunto de elementos interdependentes, logicamente associados para atender à finalidade de gerar informação. As pessoas responsáveis pela organização sejam de nível estratégico, tático ou operacional podem utilizar tais informações para realizar julgamentos racionais e inteligentes no processo de tomada de decisão. Pode-se verificar que o funcionamento do sistema de informações não implica, necessariamente, no uso da informática. Em verdade, diz respeito aos fluxos de informações, tão relevantes à tomada de decisão, que se estabelecem dentro e entre as atividades de uma organização. Constata-se assim que a qualidade do sistema determina, na grande maioria das vezes, a qualidade da informação resultante.
Outro fator a ser considerado é a validação dos sistemas de informações, que tem como objetivo criar uma abordagem para documentar que um sistema de computação faz e o que se espera que ele faça, funcionando de acordo com as especificações pré-determinadas e gerando resultados reprodutíveis. Os que desenvolvem sistemas sabem que esta é uma abordagem padrão da validação de software, cujos elementos incluem um plano de validação, necessidades do usuário, especificações do sistema, documentação de suporte, teste, relatórios de testes de validação ou verificação, procedimentos e políticas (GENT, 2002). O processo denominado ciclo de vida do desenvolvimento do software é um método estruturado em fases para analisar, projetar e construir o software, assegurando que todas as partes estejam certas sobre o que esperar das etapas de desenvolvimento, que consiste em: planejamento, análise, construção e implementação.
6.4.1 Fase de planejamento
Esta fase é o processo fundamental de compreender porque um sistema de informação precisa ser desenvolvido e de determinar como a equipe de projeto irá construí-lo. O primeiro passo é a iniciação do projeto, durante a qual se identifica o valor de um sistema de computação para o negócio da organização, descrevendo como o sistema reduzirá custos ou aumentará lucros. A maioria das idéias para novos sistemas provém de fora do departamento de sistemas de informação na forma de solicitação, que sumariza uma necessidade de negócio e explica como um sistema que supre essa necessidade irá agregar valor ao negócio. Também durante essa fase determina-se se o sistema precisa ser validado. Identificando essa necessidade, a descrição do projeto se torna mais completa, porém, envolve trabalho adicional significativo:
• atribuindo responsabilidades;
• criando equipes de projeto;
• equipe chave, de validação e de desenvolvimento;
• criando um plano de validação.
6.4.2 Fase de análise
Neste caso, detalham-se quem irá usar o sistema, o que o sistema fará e onde e quando o sistema será usado. Durante esta fase, a equipe do projeto investiga sistemas usuais, identifica oportunidades de melhoria e desenvolve um conceito para o novo sistema. De acordo com Dennis e Wixom (2002), a fase de análise do ciclo de vida do software baseia-se na compilação dos produtos em um documento denominado "necessidades do usuário". Estas normalmente são escritas por usuários e servem como base para a criação e implementação de um sistema automatizado. Um documento típico de necessidades do usuário contém seções sobre negócio, usuário e requisitos funcionais.
6.4.3 Fase de projeto
Está relacionado às especificações do sistema e documentação suporte, que incluem o manual do usuário e um documento de projeto. Essas especificações traduzem as perspectivas de quem o desenvolve em relação a como o sistema irá atender às necessidades listadas no documento das necessidades do usuário. Em adição, descrevem o projeto global do sistema, incluindo a função e objetivo de cada componente, além dos algarismos utilizados, cálculos aplicados e métodos usados. Em se tratando da documentação suporte, esta deve conter relatórios,
procedimentos, manuais e políticas descrevendo como o sistema foi criado e como deve ser usado.
6.4.4 Fases de construção e implementação
Na fase de construção, o sistema é codificado e testado pela equipe de desenvolvimento. O teste de validação e verificação ocorre durante a fase de implementação e inclui instalação, operação e qualificação de desempenho, sendo criados um relatório de validação e um manual de procedimentos e políticas. Estes testes são realizados para analisar e comprovar o sistema de forma a determinar se o mesmo desempenha corretamente as funções descritas.
Em áreas de P&D, o planejamento e gestão da informação, como recurso vital e, portanto estratégico, necessita além de infra-estrutura tecnológica, que descrevemos acima em relação à criação de um software e validação do mesmo, necessitam do estabelecimento de políticas, planos, métodos e capacitação de recursos humanos, portanto através de troca de parcerias entre os analistas de sistemas em conjunto com os gerentes de projetos de pesquisa têm possibilidade e potencial para exercer impacto sobre o ambiente informacional. Impacto este, já possível, com a utilização:
• de CAD (Computer Aided Design) no trabalho de reconcepção ou criação de novos produtos, aumentando a velocidade de lançamento de produtos e modificações;
• de CAD, de forma conjunta, por duas ou mais áreas de pesquisa, promovendo o trabalho simultâneo e automatizado;
• de parcerias de dados que promovem a cooperação entre organizações de pesquisa trazendo vantagens para ambas;
• de EDI (Eletronic Data Interchange), por meio de interconexões entre áreas de pesquisa, trazendo como benefícios a economia de redigitação, redução de custos de redigitação de informações, prazos enxutos de execução;
• de trabalhos em grupo promovendo a colaboração à distância de pequenos grupos interligados trocando experiências de forma rápida e flexível; de reuniões eletrônicas cujo acesso faz com que as informações fluam de maneira acurada e com maior rapidez.
Podemos concluir que a tecnologia, aliada ao progresso da ciência molecular e às constantes inovações na indústria farmacêutica através dos seus centros de pesquisa e desenvolvimento, ajudará a viabilizar soluções de tratamento específicas; reduzir os custos de desenvolvimento de drogas; diminuir o prazo médio de desenvolvimento de produtos; aumentar os indicadores de êxito entre a primeira dose a seres humanos e a comercialização; aperfeiçoar a qualidade dos processos de desenvolvimento e manufatura; e reduzir custos operacionais em processos de suporte. Isso trará retornos financeiros mais elevados aos acionistas e um futuro promissor para a indústria.