• Sonuç bulunamadı

İBB Başkanlığının Ruhsat ile İlgili Genelgesinin İptali Davası

Nesta etapa são determinados os parâmetros farmacocinéticos obtidos a partir das curvas de concentração sanguínea do fármaco versus tempo. A análise estatística destes parâmetros é fundamental para concluir sobre a bioequivalência ou bioinequivalência entre os medicamentos em estudo.

Em um estudo de bioequivalência os parâmetros farmacocinéticos avaliados são aqueles relacionados ao processo de absorção do fármaco a partir de duas formulações em estudo.

Esses parâmetros relacionam-se à :

Quantidade de fármaco absorvida:

ASC0-t : área sob a curva “concentração plasmática vs tempo”,

determinada pelo método dos trapezóides, do tempo zero ao tempo t, no qual t é o tempo relativo à última concentração determinada experimentalmente;

ASC0-∞ : área sob a curva “concentração plasmática vs tempo”,

determinada pelo método dos trapezóides, do tempo zero ao tempo infinito, ou seja, ASC0-t + Ct/Kel , no qual Ct é a última concentração determinada experimentalmente e Kel é a constante de eliminação da fase terminal. A ASC0-t deve ser igual ou superior a 80% da ASC0-∞.

Velocidade de absorção do fármaco:

Cmax : concentração plasmática máxima que o fármaco atinge após

administração;

Tmax : tempo necessário para Cmax ; Indicador da velocidade do processo

de absorção.

As medidas farmacocinéticas avaliadas na bioequivalência derivam diretamente da curva de concentração do medicamento ao longo do tempo, que é caracterizada pela quantificação de um determinado número de amostras biológicas, relativas aos tempos de coleta previamente estabelecidos.

A primeira e mais importante medida avaliada é a área sob a curva de concentração plasmática do fármaco versus tempo, freqüentemente utilizada para

medir a extensão da absorção, ou o montante total de droga absorvido pelo organismo, após administração de dose única de um medicamento. A determinação da bioequivalência entre dois medicamentos resulta da comparação das ASCs obtidas no experimento.

Essas medidas são obtidas diretamente das curvas de concentração sangüínea versus tempo construído no estudo. A Figura 12 mostra uma curva de concentração plasmática de um fármaco e ilustra as principais medidas farmacocinéticas: ASC, Cmax e Tmax.

A biodisponibilidade comparativa entre duas formulações administradas como doses únicas, a partir de dados de concentrações sangüíneas, deve ser determinada a partir dos valores de concentração máxima atingida (Cmax) pela espécie farmacologicamente ativa e a área sob a curva de concentração (ASC). Em estudos que comparam formulações orais, os tempos de coleta de amostras devem ser idênticos. A variabilidade individual na resposta a um medicamento é acompanhada de uma variabilidade no comportamento farmacocinético. Por isso, o FDA admite uma diferença de até 20% na biodisponibilidade das duas formulações, para que as mesmas sejam consideradas bioequivalentes.

Existem outras medidas farmacocinéticas que também devem ser apresentadas nos estudos de bioequivalência, embora não necessitem de tratamento estatístico comparativo, que são:

Volume aparente de distribuição (Vd) é à medida que correlaciona a quantidade de fármaco no organismo com a sua concentração(C) no sangue ou no plasma, dependendo do fluído biológico que se está trabalhando;

Meia vida de eliminação do fármaco (t1/2) é o tempo gasto para que a concentração plasmática, ou para que a quantidade do mesmo no organismo diminua em 50%, e ela pode ser um indicativo sobre o tempo gasto para que o fármaco seja removido do organismo. Através dela podemos determinar o tempo de descanso (washout) necessário para a completa eliminação do medicamento ingerido no primeiro período do estudo;

Depuração (D) ou clearance de um determinado indivíduo é a medida da capacidade do organismo em eliminar um fármaco, e é dada pelo produto do volume aparente de distribuição e da constante de eliminação.

Nesta etapa é permitida a utilização de programas estatísticos validados e as análises deverão satisfazer integralmente os critérios exigidos pela Resolução. Não é permitida a exclusão de mais de 5% dos voluntários que participem do estudo

até a sua conclusão, ou a falta de mais de 10% dos valores das concentrações sangüíneas do fármaco provenientes da administração de cada medicamento por voluntário.

A análise estatística dos resultados deve ser realizada obedecendo aos critérios da RE nº 478 de 19 de março de 2002, onde através dos valores obtidos para os parâmetros Cmax, ASC0-t, ASC0-∞, é possível verificar os efeitos do produto,

grupo e período através de análise de variância (ANOVA). Em seguida, é determinado o intervalo de confiança 90% (IC 90%) para as relações entre os valores de Cmax e ASC0-t dos produtos teste e referência, utilizando-se para tal as transformações logarítmicas dos valores dos referidos parâmetros.

Dois produtos são considerados bioequivalentes se os intervalos de confiança 90% para as relações entre os valores de Cmax e ASC0-t de ambos, calculados com base nas transformações logarítmicas, estiverem entre 80 e 125%, isto é: 80 ≤ ASC (teste) 125% ASC (referência) 80 ≤ Cmax (teste) 125% Cmax (referência) no qual:

ASC: Área sob a curva

Cmax: Concentração plasmática máxima

Anteriormente à aprovação de qualquer medicamento, é necessário conhecer os vários fatores responsáveis pela marcante diferença observada na resposta terapêutica. Tais diferenças podem ser relacionadas à variabilidade da formulação da droga (variabilidade farmacêutica) ou às diferenças inter-sujeitos (a

administração da mesma dose de uma mesma formulação pode produzir um efeito pequeno ou nulo em um indivíduo, o efeito terapêutico desejado em um segundo e um efeito tóxico em um terceiro). O primeiro fator responsável por esta diferença é a variabilidade farmacocinética entre os mesmos. O resultado desta variabilidade é tal que, se a concentração plasmática da droga fosse medida, grandes diferenças seriam encontradas, apesar de todos eles estarem recebendo a mesma dose. O segundo fator é a variabilidade farmacodinâmica entre indivíduos, ou seja, a diferença de resposta a uma dada concentração de fármaco no sítio de ação.

O estudo farmacocinético trata da absorção e biodisponibilidade, distribuição, biotransformação e eliminação de um fármaco, as quais são obtidas determinando-se as concentrações dos fármacos ou de seus metabólitos no sangue e/ou urina em determinados períodos de tempo após a sua administração. Após a administração oral, o princípio ativo de um medicamento, na apresentação de comprimido, drágea, suspensão, cápsula, entre outros, somente alcançará a circulação sistêmica e produzirá um efeito farmacológico se for absorvido no trato gastrointestinal. Por meio da circulação porta, vai inicialmente para o fígado onde, dependendo de sua estrutura química, poderá ser parcial ou completamente metabolizado. Esta degradação é denominada metabolismo de primeira passagem. Um medicamento administrado por via intravenosa não está sujeito a esse efeito, o que proporciona concentrações mais elevadas com doses menores.

A execução de um Estudo de Bioequivalência dentro da estrutura de uma indústria farmacêutica nacional ainda é deficiente. Assim como para a equivalência farmacêutica, para a bioequivalência, foram estabelecidos critérios para a realização dos testes e centros que realizassem os estudos clínicos, analíticos e estatísticos dos medicamentos através da Resolução – RDC nº 41, de 28 de abril de 2000, portanto o assunto ainda é relativamente novo e o país ainda carece de mão-de- obra capacitada para trabalhar em Centros de Pesquisa. Com o aumento da demanda de estudos de bioequivalência para medicamentos genéricos, que visa preencher essa lacuna no mercado de medicamentos brasileiro, faz-se necessário o investimento em formação e capacitação de mão-de-obra qualificada para que o Brasil se torne auto-suficiente nessa área.