1. GİRİŞ
1.9. Tanımlar
O procedimento utilizado para o mapeamento dos trabalhos foi: Pesquisa I - No Banco de Teses Capes39- Tutoria no Ensino Superior - 2013 a 2016, constam resultados de 748.948 trabalhos; então, realizamos a pesquisa somente pelo termo tutoria e caiu para 358
38 Ressaltamos que não fizemos uso do programa, a construção dos DSCs foi feita manualmente e consta nos
apêndices desse texto.
39 Devido a alterações do sistema, a Plataforma Sucupira (Banco de Teses Capes) somente estão disponíveis os
trabalhos. Daí, começamos a selecioná-los pelos seguintes descritores ou palavras-chave: Tutoria no Ensino Superior, Formação e prática do Tutor a partir da leitura do título, das palavras-chave e dos resumos.
Identificamos todos os resumos e realizamos uma leitura flutuante (BARDIN, 1977) de todos os títulos e das palavras-chave, a fim de eliminar aqueles que, claramente, não se relacionavam com a temática proposta. Nesta etapa foram retirados cento e noventa e oito trabalhos (198), selecionamos cento e sessenta (160) trabalhos e catalogamos, organizando-os por título, data de defesa, tipo de trabalho e ano, temáticas abordadas e objetivos. Em seguida, separamos de acordo com duas categorias Formação do tutor e Prática do tutor e fizemos uma catalogação em forma de tabela, organizada por título e autor.
Fizemos uma opção pela leitura minuciosa dos resumos nas duas categorias mencionadas pela aproximação com a nossa investigação. O mapeamento final totalizou quatro (04) trabalhos para Formação do tutor e trinta e um (31) relacionados à Prática do tutor.
A partir destes trabalhos selecionados, realizamos uma leitura mais criteriosa dos resumos, a fim de conhecer as principais discussões que envolvem a tutoria no ensino superior no que diz respeito à formação e à prática do tutor, conforme podemos observar nos quadros a seguir. Primeiramente, apresentamos o quadro que está relacionado à formação:
Quadro 7 – Seleção de teses e dissertações Banco de Teses Capes relacionadas ao tema da Formação do Tutor
Fonte: Elaborado pela pesquisadora.
Em relação à Prática do tutor, selecionamos também por temáticas correlatas como mediação do tutor, atuação e desempenho do tutor, função do tutor e atividades do tutor.
Quadro 8 – Seleção de teses e dissertações do Banco de Teses Capes relacionadas ao tema Prática do Tutor
Fonte: Elaborado pela pesquisadora.
As teses e dissertações analisadas nos mostram que há uma necessidade de melhor compreender o papel das Tecnologias da Informação e Comunicação na educação de modo geral e, principalmente, na modalidade da Educação a Distância, que vem ganhando destaque na sociedade atual não só pelo largo avanço das tecnologias da informação e da comunicação, mas também devido à reestruturação do mundo do trabalho, algumas novas formas de organização, flexibilização, competitividade, comunicação e informação nos processos de produção requerem novas configurações na formação da docência. Assim, novos estudos devem ser desenvolvidos no sentido de aprofundar a compreensão e a análise crítica. O trabalho docente vem sentindo a necessidade cada vez maior de conhecimento e formação, de aperfeiçoamento e requalificação para atender as exigências do mercado de trabalho.
Há também uma grande necessidade de se compreender o papel do tutor e de um reconhecimento efetivo, que as instituições e os poderes públicos devem aferir a este profissional, pois o tutor contribui para a construção do conhecimento do aluno na modalidade da educação a distância e é um mediador cognitivo e afetivo do conhecimento.
Andrade (2015) também discute sobre a afetividade e sua interferência no processo pedagógico em salas de aula a distância e afirma que há uma necessidade de formação específica nesse sentido, mas também afirma que os professores tutores
investigados possuem uma forte representação sobre o afeto. Nesse mesmo sentido, Monteiro (2016) nos diz que a emoções que decorrem das relações interferem nas ações dos tutores, tanto no que diz respeito à sua formação, quanto às suas ações de tutoria. De forma adaptativa, respondem a estas emoções com ações que visam trazer o aluno para a convivência virtual, interagir e assim dar sentido à sua função docente.
No tocante à formação do tutor há poucos trabalhos desenvolvidos sobre este tema, o que nos leva a afirmar que devemos dar maior atenção para a formação da docência para atuar numa realidade de constantes inovações no campo da educação e do conhecimento, principalmente no que se refere à tutoria. É fundamental que haja formação continuada para o trabalho com o ensino a distância e que envolva o tutor em uma perspectiva integral.
Guimarães (2015) identifica as competências priorizadas em uma experiência de formação de tutores e o papel da formação na atuação desses profissionais a partir dessa experiência. Ela parte da concepção de tutoria dos próprios sujeitos investigados no sentido de promover um aperfeiçoamento das práticas de formação de tutores de educação a distância por meio da reflexão e do conhecimento das competências necessárias ao exercício desta atividade.
A análise dos dados coletados por Guimarães (2015) indicam que os tutores atribuem principalmente como papeis da tutoria as tarefas de mediador, incentivador, facilitador, motivador e promotor da aprendizagem, que as competências pedagógicas e sociais têm sido mais presentes nas formações que as competências técnicas e gerenciais, e que as formações para tutoria têm sido relevantes para sua atuação profissional. Outras pesquisas afirmam que a mediação do tutor favorece a aprendizagem, o crescimento e desenvolvimento pessoal, social e profissional dos alunos (MENEZES, 2014; CARVALHO, 2014).
De acordo com Guimarães (2015), pesquisas como estas colaboram para o desenvolvimento da área, trazendo assim subsídios para que as políticas de formação de tutores possam ser repensadas e aprimoradas. Essa problemática é investigada também nas pesquisas de Medeiros (2014) que percebe o movimento de contradições, dissensos e consensos existentes entre o tutor e a formação e que recebe para o exercício do seu trabalho, que se torna fragmentado (MONTESCHIO, 2015), conforme nos alerta Oliveira (2014). Isto porque Oliveira afirma que o trabalho do tutor é organizado segundo uma lógica capitalista, que traz consigo várias contradições, seja pelas condições de trabalho ou pela remuneração deste, dentre outras. Santos (2014) também corrobora com esse pensamento e afirma que a
ausência de vínculos institucionais contribui para a precarização do trabalho desenvolvido pelo professor-tutor da Educação a Distância (EaD).
Soeira (2013) destaca que o afastamento entre a concepção de tutoria presente nas instituições e o exercício da docência é uma questão preocupante, que favorece a precarização do trabalho docente. Por isso, entende que é relevante investigar sobre a docência nas práticas de tutoria como forma de fortalecer a profissionalização docente.
Oliveira (2014) afirma também que a estruturação do modelo de Educação a Distância estabelecido pela Universidade Aberta do Brasil (UAB) não permite que se estabeleça nenhuma espécie de vínculo empregatício entre os envolvidos na EaD e a instituição na qual atua, e que tais condições levam à precarização do trabalho desses profissionais. Silva (2013) também aponta para essa direção, pois os resultados da sua pesquisa mostram a falta de condições para o trabalho da tutoria principalmente pelo número de alunos sob a responsabilidade dos tutores e também revela a desvalorização desse profissional.
Dahmer (2013) nos chama a atenção para a diversidade de atuação dos tutores: sua pesquisa mostrou que não há um modelo só de tutoria; por isso, a prática do tutor está diretamente relacionado contexto educacional em que está inserido.
A atividade da tutoria é considerada complexa (SÁ, 2015) e é marcada por diversos conflitos (ALVES, 2013), pois ora o tutor é docente, ora já não é mais. Gomes (2015) traz essa questão sob outra perspectiva, afirmando que é a mediação pedagógica que mobiliza sistematicamente os conhecimentos específicos de formação do tutor, contribuindo para a apropriação dos conhecimentos, e que o professor tutor é um profissional em construção. Noutra perspectiva, a autora afirma que o tutor se configura como um sujeito “sem lugar” (SILVA, 2013), pois há a necessidade de regulamentar a atividade da tutoria para que assim o tutor possa ser reconhecido como professor tutor para que ele compreenda bem o seu papel.
Martins (2014), ao avaliar uma formação continuada de tutores afirma que a ela precisa sempre ser avaliada para articular melhor a relação entre as abordagens técnicas e pedagógicas, a fim de que seja possível praticar o que se aprende, com base metodológica na interação dos tutores, motivando ao diálogo e o compartilhamento de experiências. Já Fonseca (2013) também chama a atenção para o auxílio dos tutores formadores no processo formativo para a primeira inserção na atividade de tutoria: ela afirma que a equipe docente e o Supervisor de Tutores representam importante apoio para o planejamento das estratégias de acompanhamento do tutor iniciante e que se faz necessário mapear aspectos relevantes da
formação. Sugere ainda que a Análise do Comportamento pode contribuir com a formação docente do tutor.
As investigações realizadas mostram que a EaD tem promovido muitas inquietações no campo de atuação docente, especificamente com a figura do professor no exercício da tutoria. Há uma grande necessidade de estudos aprofundados sobre quais seriam os modelos pedagógicos mais adequados, abrangendo como deve ser a formação do tutor. A discussão sobre a qualidade da educação a distância, que envolve as tecnologias disponíveis nos cursos que são dessa modalidade, mostra que esses dispositivos não são suficientes para garantir o sucesso do aluno no processo de ensino-aprendizagem. Nesse sentido, a mediação do tutor é prática imprescindível para que o aluno aprenda. Portanto, em relação à prática do tutor, os trabalhos encontrados nos levam para muitas direções.
Somente dois trabalhos discutem sobre o tutor presencial na EaD e nos mostram que a sua prática pedagógica está voltada para o atendimento das necessidades dos alunos, respeitando suas singularidades por meio de auxílios qualitativos, contextualizados e direcionados a uma educação contínua e colaborativa. A prática foi relacionada à transmissão de saberes e à avaliação formativa, baseada na orientação e acompanhamento, que ocorreu de forma contínua, motivando-as à construção do próprio conhecimento por meio de uma relação de proximidade, solidariedade e colaboração. Santos (2014) constatou em sua pesquisa que há semelhança entre as atribuições das funções de professor e tutor presencial e destacou a relevância desse profissional no processo ensino-aprendizagem dos estudantes.
As pesquisas apontam para uma importância de se compreender melhor a EaD nos seus aspectos teórico-metodológicos, bem como a compreensão do que vem a ser a tutoria e clarificar as funções do tutor presencial e a distância. Evidenciam também a necessidade de formação contínua para o exercício da ação tutorial, tendo em vista que as dificuldades e os desafios são inúmeros, assim como a complexidade que esta atividade envolve.
Os resultados encontrados nas pesquisas também apontam alguns caminhos, que poderão fundamentar propostas e práticas de docência na tutoria presencial e a distância a partir da reconstrução e teorização de conhecimentos, colaborando com os estudos na área. Por isso, torna-se urgente investir no aprofundamento teórico-metodológico no campo da tutoria sob novas perspectivas críticas, permeadas pela reflexão, sentidos e significados.