1. GİRİŞ
1.3. Kariyer İle İlgili Temel Kavramlar
1.3.3. Kariyer
1.3.3.3. Kariyer eğitimi
1.3.3.3.1. İlköğretim ikinci kademede (ortaokulda) kariyer eğitiminin amacı 52
Ao longo desta investigação sobre a tutoria na educação superior tínhamos como pretensão encontrar um conceito de tutoria. Entretanto, quanto mais avançávamos nas leituras mais percebíamos que não seria possível uma visão essencialista desta ação, mas uma visão existencialista.
Um dos problemas que se nos apresentaram nesse percurso foi uma grande quantidade de definições nem sempre compatíveis entre si. Portanto, incorreríamos no erro se quiséssemos compilar todos em um conceito ou uma definição abrangente. Sobre essa problemática, Álvarez Pérez e González Afonso(2008) comentam que:
Concretamente, en el plano conceptual, la diversidad de términos al uso para referirse a las actividades de tutoría es casi interminable: tutoría de acompañamiento, tutoría académica, tutoría de itinerario, tutoría curricular, tutoría de aprendizaje, tutoría de pares, tutoría personalizada, tutoría telemática, tutoría entre iguales, tutoría profesional, tutoría de asignatura, etc. Igualmente cuando se nombra al tutor nos encontramos con distintas acepciones del término: persona que ejerce la tutela, interlocutor, representante del alumno, asesor, mentor, guía, encargado de orientar a los alumnos, acompañante, consejero, etc. Y se habla del tutor de prácticas, del tutor de asignatura, del tutor de carrera, del tutor académico,
del tutor virtual, del tutor de curso, del tutor personal, del tutor de especialidad, del tutor profesional etc (ÁLVAREZ PÉREZ; GONZÁLEZ AFONSO, 2008, p. 52). Esse fato ocorre porque a tutoria assume diversas formas e acontece em contextos diferentes, escolas e universidades, com uma infinitude de objetivos. Consequentemente, percebemos que na literatura há uma dificuldade para se chegar a um consenso no que se refere à classificação da tutoria, das funções e papéis do tutor, dentre outros aspectos.
Portanto, há muitas questões que permeiam a discussões existentes sobre o que vem a ser tutoria: como ela é definida? Existe só um tipo ou várias formas de exercê-la? Qual o papel do tutor? Como ela se organiza? Que resultados que a tutoria vem alcançando na educação? O que vem a ser a ação tutorial?
Na tentativa de responder a essas perguntas propusemos trazer algumas classificações mais generalizadas, que consideramos pertinentes à nossa investigação, trazendo alguns exemplos de tutoria. No capítulo da análise dos dados deixaremos claro a que tutoria nos referimos e qual o papel do tutor nesse contexto, bem como se dá a sua formação e prática.
Conforme já mencionamos, há distintas definições para os termos tutoria e tutor. Álvarez Pérez (2002) fez um levantamento de algumas delas, com autores e suas respectivas especificações e em seguida, observando as diferentes definições, Álvarez Pérez (2002) elenca alguns elementos importantes que devem ser ressaltados acerca delas.
Primeiramente está a necessidade de o tutor ajudar os alunos para que eles permaneçam na educação. Depois, a importância atribuída ao conhecimento, que o professor tutor tem que alcançar de seus alunos, a fim de ajudá-los a resolver seus problemas, dificuldades e dúvidas. E, por fim, a ideia de que deve contribuir para o desenvolvimento integrado do indivíduo em seus diferentes campos: pessoal, escolar, profissional etc.
No campo educacional a ação tutorial, quando bem estruturada, pode apresentar melhorias nos processos de ensino e de aprendizagem, tanto no desenvolvimento curricular como na orientação dos tutorandos.
De acordo com Álvarez Pérez (2002) a ideia de tutoria é inerente à função de educar e socializar para ser realizada por cada professor: a tutoria é uma dimensão mais de ensino, como quaisquer outros conhecimentos a serem desenvolvidos. Por outro lado, a tutoria também está associada à aprendizagem; assim sendo, estimula a compreensão e proporciona condições para que o aluno aprenda. Desse modo, aprendizagem ganha significado na interação do conhecimento com as novas experiências através da interação social e também no campo individual (VEIGA SIMÃO; FLORES, 2005).
Consideramos importante lembrar que há tutores que não são docentes, mas são outros indivíduos que exercem a tutoria em diferentes contextos, como ocorre no caso da tutoria intercultural, em que imigrantes que já haviam chegado há mais tempo nos Estados Unidos ajudavam os outros.
Recorremos ao à definição de Topping (2000, p. 6) que concebe a tutoria “como um processo em que pessoas, não necessariamente professores, ajudam e apoiam a aprendizagem de outras de forma interactiva, sistemática e significativa”. Compreendemos que o autor se refere ao tutor como uma pessoa mais experiente, podendo ser uma pessoa mais velha, ou um par que tenha mais conhecimentos em determinado assunto, como a tutoria inetrcultural já mencionada.
No caso dos contextos escolares e universitários, embora não sejam docentes, consideramos que as atividades realizadas por esses tutores são atividades psicopedagógicas quando visam auxiliar o tutorando na resolução de um problema relacionado à aprendizagem ou a problemas interpessoais, acadêmicos, profissionais. De acordo com Barnier e Guichard (apud BAUDRIT, 2009) o método tutorial foi criado para ajudar os tutorandos a progredir, mas o que acontece na realidade é que ele também pode trazer benefícios para os tutores.
Quando falamos em tipos de tutoria aparecem as mais diversas nomenclaturas, como dimensões da tutoria, categorização, caracterização, tipos, funções. Algumas são denominadas de acordo com os objetivos ou com as funções dos tutores. Apresentaremos aqui algumas classificações46 desenvolvidas por diversos teóricos.
Com base em ampla literatura, especialmente na denominação dada por Lázaro Martínez (1997), Mundina, Pombo e Ruiz (2007)47 elaboram a denominação de dimensões da ação tutorial, discutida no âmbito das V Jornadas de Investigación en Docencia Universitaria na Universidade de Alicante-Espanha, conforme exposto no quadro a seguir:
46 Optamos por utilizar o termo classificação, devido à complexidade de nomes que aparecem quando se refere
aos tipos de tutoria.
47 Dimensión convergente de la tutoría en la universidad: Tutoría entre iguales. Comunicação apresentada nas V
Quadro 14 – Dimensões tutoriais48
DIMENSÃO TUTORIAL DESCRIÇÃO
Dimensão tutorial legal ou
administrativa. A legislação prescreve que todo professor universitário, com dedicação plena, reserve seis horas semanais a tutoria. Dimensão tutorial
acadêmica ou formativa.
Representa a ajuda que é oferecida ao aluno para que ele possa ter sucesso na vida acadêmica. Busca o desenvolvimento de certas capacidades, de modo a que o aluno, possa aplicá-los em seu trabalho, nas suas interações com os outros, permitindo-lhe ser mais independente e autônomo na sua aprendizagem. Dimensão tutorial docente
ou curricular. Que interpreta a tutoria estritamente dedicada ao campo do currículo como conselhos sobre conteúdo e desenvolvimento do programa. Tutoria entre iguais ou
peer tutoring.
Seus antecedentes estão no ensino mútuo iniciado por Lancaster e repetido em várias experiências escolares. Este método goza de grande prestígio em muitas universidades por causa do nível de comunicação e grau de empatia que é conseguido entre pares de correspondência.
Dimensão Tutorial personalizada.
No nível pessoal e futuro profissional. No pessoal, o tutor fornece apoio especial em casos de dificuldades particulares e incorpora conselhos para o desenvolvimento educacional os estudantes. No campo profissional, presta assistência na criação de seu itinerário curricular e possíveis oportunidades de carreira.
Tutoria em período de práticas.
Que em certas carreiras (magistério,Medicina, Enfermagem etc.), goza de uma longa tradição; no entanto, nos outros, recentemente, tem sido introduzida nos respectivos programas. Nesta modalidade estão envolvidos os professores universitários e os tutores das práticas.
Tutoria a distância. Própria do ensino não presencial. Dimensão da tutoria como
atenção à diversidade.
Dirigida a alunos com diferentes problemáticas, tais como devido às suas características pessoais e fenômenos sociais, econômicos e cult rais, características do nosso tempo. É o caso de alunos com deficiência ou estudantes Erasmus / Sócrates dimensão-equipe, Maiores de 23,49 de outros
países e culturas diferentes dimensões-sociocultural. Tutoria telemática.
Este é o modo mais comum em tutoria a distância, mas não o único. A incorporação de novas tecnologias no ensino é uma boa oportunidade para incorporar novas ações de ação tutorial. É preciso realimentação formas potentes de comunicação entre os alunos e entre alunos e tutores.
Fonte: Elaborado pela pesquisadora.
A classificação abaixo diz respeito às funções tutoriais e foi apresentada em um Simpósio50 no V Congresso Iberoamericano de Docência Universitária, no ano de 2008, por Carrasco-Embuena, Veiga-Simão, Rosado-Pinto, Flores-Fernandes, Giner-Gomis e Lapeña- Perez. Vejamos:
48 É importante considerar que essas classificações são todas elaboradas de acordo com os contextos em que elas
foram observadas, em sua maioria baseados em experiências ocorridas nos Estados Unidos, Inglaterra, Espanha, Portugal, dentre outros.
49 Muitos países europeus, especialmente aqueles que fazem aderiram ao acordo proposto na Declaração de
Bolonha, têm Programas de ingresso especial na universidade para aqueles que não tiveram oportunidade de acesso na idade certa.
50 Simpósio La perspectiva de los profesores sobre las concepciones y las práticas de la accion tutorial en la
Quadro 15 – Funções Tutoriais
FUNÇÃO TUTORIAL DESCRIÇÃO
Função tutorial legal ou
funcionarial. A legislação prescreve cada professor universitário em tempo integral (6 horas por semana). Função tutorial
acadêmica.
Que interpreta a tutoria como estritamente limitada aos campos científicos e acadêmicos. É uma assessoria sobre o conteúdo do programa, a orientação dos trabalhos, prestação de fontes bibliográficas e documentais etc.
Função tutorial docente. Que assume a tutoria como uma forma de ensino. O trabalho mediante seminários, a preparação e o seguimento das práticas de um grupo de alunos... são várias formas de desenvolver esta dimensão educativa.
Tutoria entre iguais ou
peer tutoring. Seus antecedentes encontram-se no ensino mútuo e tem sido aplicada em muitas experiências, especialmente nas universidades anglo-saxônicas. Tutoria personalizada. Em que o aluno pede ajuda ao professor tutor no campo pessoal ou no campo profissional. É muito positivo, pois ele aborda as necessidades básicas e expectativas dos alunos e fornece-lhes orientações sobre estudos e profissões. Tutoria colegial.
Que surge a partir de um grupo de professores que presta assistência a um grupo de estudantes e procede a um seguimento a partir dos grupos constituídos.
Tutoria virtual. Que se apoia num ambiente formativo telemático, capaz de diversificar as fontes de conhecimento e de proporcionar ajuda aos alunos
Fonte: Elaborado pela pesquisadora.
Percebemos que a categorização de Mundina, Pombo e Ruiz (2007) é muito semelhante à esta segunda, pois ambas trazem quase a mesma discussão. A primeira difere apenas na nomenclatura Dimensão da tutoria a distância (correspondente a tutoria virtual nessa segunda classificação) e na Dimensão tutoria em período de práticas e Dimensão da tutoria como atenção à diversidade, que não aparece nesta e que tem a tutoria colegial como diferenciação.
Outros autores preferem se referir a Modelos de Tutoria, como García Nieto (2008), Martínez Juárez e Pérez Cuso (2010), que afirmam existir muitas definições de tutoria que podem ser encontrados na literatura especializada. Independentemente do adjetivo que acompanha este conceito o autor nos diz que a tutoria deve fornecer informações e orientações o estudante nas seguintes áreas:
- Acadêmica: relacionada ao currículo, seleção de curso, aos títulos universitários, pós-graduação, mestrado, cursos de especialização;
- Profissional: relacionados com aconselhamento e assistência em matéria de integração no trabalho, Universidade de facilitação de ingresso na vida ativa, o estudo de ofertas e pedidos de emprego, estágios de exercício em empresas;
- Pessoal: foco na vida pessoal, familiar, psicológico, emocional, afetivo, que podem afetar direta ou indiretamente a aprendizagem dos alunos e desenvolvimento pessoal e profissional;
- Social: destina-se a questões informativas sobre ajuda e serviços universitários, diferentes tipos de bolsas de estudo, permanência no exterior e estudantes de intercâmbio, a mobilidade de estudantes;
- Administrativa ou gestão: focada em informações sobre os requisitos administrativos, registro, validações, uso de bancos de dados, biblioteca, serviços sociais, auxílio estudantil etc.
De forma semelhante, Argüis et al. (2002) taembém se referem a três dimensões e afirmam que muitos autores coincidem no que se refere às dimensões da ação tutorial:
1. A orientação pessoal. Tem como finalidade proporcionar ao aluno uma formação integral, facilitando-lhe seu auto – conhecimento, sua adaptação e a tomada de decisões refletida.
2. A orientação acadêmica. O tutor ajudará o aluno a superar as dificuldades relacionadas com os hábitos e as metodologias de estudo e com sua integração na sala de aula. No caso do IES que experimenta a reforma educativa, a ajuda acadêmica aos alunos consistirá na escolha de créditos variáveis para que seu currículo seja equilibrado e adaptado às suas necessidades e aptidões.
3. A orientação profissional. Pretende que o aluno consiga fazer uma escolha profissional e acadêmica de acordo com sua personalidade, suas aptidões e seus interesses. O tutor ajudará o aluno a se conhecer a si mesmo e a informar-se sobre os créditos e estudos existentes relacionados com o mundo profissional (ARGÜIS et al., 2002, p. 20).
De acordo com os autores, faz-se necessário que esses objetivos sejam fundamentados em situações concretas, pois nelas é que os tutores, junto com toda a equipe, poderão buscar recursos e estratégias para traçarem o planejamento e a execução da ação tutorial.
Sem pretensões de nos alongarmos nas classificações, acreditamos que todas elas têm a sua pertinência, independente de nomenclaturas e que contribuem para compreender o que vem a ser um determinado tipo de tutoria. Nesse sentido, elaboramos um roteiro contendo elementos que consideramos importantes para registrar e conhecer qualquer tutoria:
a) Nomenclatura (Que nome recebe?)
b) Iniciativa? (Atitude espontânea ou Institucional? Autônoma, Pública ou privada? De quem parte a iniciativa? Um programa, uma política? Financiada ou voluntária?) c) Dimensões/funções em que atua? (Quais as suas características? Ela atende o
tutorando no campo pessoal, profissional, acadêmico, administrativo?)
d) Fundamentos, Bases legais ou normativas (Que teorias fundamentam? Existem leis, normas, manuais de orientação que regem essa tutoria?)
e) Razão ou motivo (Por que existe necessidade de tal ação tutorial? Que motivações levaram à sua criação?)
f) Objetivos da tutoria (Para que essa tutoria existe? Que tipo de problema ela visa solucionar? Os objetivos estão claros?)
g) Contexto em que se aplica a tutoria (Onde? Contextos macro: observar o contexto econômico, político, cultural, social e educacional... ou em contexto micro: em uma escola, universidade, em hospitais, em uma comunidade, ambiente virtual, outros espaços...)
h) Atores que desempenham o papel de tutores (Docentes ou não, outros profissionais, pessoas da comunidade)
i) Aspectos relativos à formação e prática do tutor (competências exigidas do tutor, papel do tutor, formação e prática do tutor, a ação tutorial...)
j) Aspectos relativos ao tutorando (Qual o seu papel na tutoria? O que se espera do tutorando? Quais as suas competências?)
k) Público-alvo (alunos, imigrantes, professores em início de carreira...)
l) Forma de organização Número de pessoas: se é individual ou em grupo; Modo como é exercida: em encontros presenciais, a distância; Tempo necessário: reuniões sistematizadas em períodos a longo ou curto prazo;
m) Planejamento e Avaliação (de que modo ocorrem? Como ocorrem? Quem participa do planejamento e da avaliação?).
Dessa forma, acreditamos que a observância desses aspectos poderá trazer uma compreensão clara da tutoria ou da ação tutorial investigada e, consequentemente, a compreensão do papel que o tutor e o tutorando devem desempenhar.
A seguir, discutiremos sobre a necessidade da tutoria na educação superior.