3. SUÇU AÇIKLAYAN KURAMLAR
3.4. Sosyolojik Suç Kuramları
3.4.2. Sosyal Organizasyonsuzluk ( Düzensizlik/Ekolojik )Kuramı
Em 11 de outubro de 1962, abre-se o Vaticano II. O Papa João XXXIII, no discurso de abertura, afirma a continuidade do Magistério, a guarda do depósito da fé (Itens II, V e VI) e aponta para o futuro confiadamente. Nas suas palavras, em meio às adversidades que sempre existem ao longo da história, caminha-se para uma nova ordem de relações humanas, num mundo ocupado com a política e a economia, que não encontra tempo para as solicitações espirituais. Quer-se apresentar a face misericordiosa da Igreja (Item VII) e buscar a unidade, na família cristã e na família humana. Não se vão discutir pontos doutrinários, todavia procurar que seja aprofundada a doutrina de modo a responder às exigências do tempo, distinguindo a substância do depositum fidei da enunciação ou formulação das verdades nele contidas, atribuindo ao Concílio um caráter eminentemente pastoral (Itens V e VI, n. 5).100
No Vaticano II, faz-se uma profunda reflexão sobre a Igreja, com uma virada na sua autoconsciência. No documento sobre a Igreja, que resulta na Constituição Dogmática Lumen
Gentium, ressaem importantes aspectos eclesiológicos: o mistério da Igreja (dimensão
cristológica), sua animação e santificação pelo Espírito Santo, que a habita (dimensão pneumatológica), o fato de estar no mundo (dimensão sacramental) e de viver a história como peregrina, na esperança do que ainda não possui (dimensão escatológica).101 O Concílio fala em uma eclesiologia de comunhão e no diálogo da Igreja com o mundo (Constituição Pastoral
Gaudium et Spes). A comunhão trinitária é, em linha protológica e escatológica, a fonte e a
meta que leva a cumprimento a realização eclesial, que encontra sua máxima identidade histórico-concreta na comunhão eucarística.102
Esta comunhão vem de Deus, como dom recebido e não é produto da ação humana; condividindo tal graça extraordinária, os seres humanos experimentam uma comunhão entre si, como efeito do batismo, pelo dom do Espírito.
___________________ 100
É particularmente valiosa a leitura do item VII, n. 3.
101
Cf. HACKMANN, G. L. B. Igreja, que dizes de ti mesma? E as Eclesiologias. In: BRUSTOLIN, L. (Org.). 50 anos do Concílio Vaticano II: Recepção e Interpretação, p. 99-110.
102
Cf. SCORDATO, C. Comunione ecclesiale e appartenenza: status quaestionis. In: LA DELFA, R. Comunione ecclesiale e appartenenza: Il senso di una questione ecclesiologica oggi, p. 34.
Daí passar-se de modo natural da Igreja-mistério aos seus membros, tratados como um povo em unidade e igualdade enraizadas no batismo, seguindo-se a abordagem da hierarquia, suas funções e ministérios, de modo que essa sucessão de temas respeita as suas diferentes importâncias teológicas.103
Na Constituição Dogmática Lumen Gentium, é acentuado o que define positivamente os fiéis leigos104 (LG, n. 31): a índole secular, uma condição que lhes é própria, natural, que os distingue da hierarquia. Não vem de uma decisão de quem quer que seja, da própria pessoa, ou de uma autorização. O campo primordial de atuação dos leigos é o mundo onde vivem e no qual se movem. Karl Rahner fala de um apostolado da missão ministerial ou apostolado hierárquico, e da tarefa própria do leigo, a actio catholicorum, que é apostolado da caridade na situação mundana de leigo, autorizado e obrigado pelo batismo a dar testemunho de sua fé, a interessar-se por seu próximo e pela sua salvação.105 Não há necessidade de buscar alhures a área de missão, senão onde o leigo se encontra por sua vida familiar e conjugal, na educação dos filhos, na vida política, social, econômica, no trabalho, na sua formação, nas suas capacidades culturais e artísticas, etc. Nem se cuida de qualquer caráter supletivo (LG, n. 33).
Na Constituição Pastoral Gaudium et Spes, os Padres Conciliares afirmam a importância de os leigos assumirem suas responsabilidades na Igreja e no mundo, em diálogo sincero e caridade mútua, para impregnarem o mundo do espírito cristão e testemunharem Jesus Cristo na cidade terrestre, bem formando-se com estudos assíduos para estarem aptos a tal chamado (GS, n. 43).
O Decreto Presbyterorum Ordinis aborda o cuidado com os leigos, que os sacerdotes devem ter, concitando-os a viverem como irmãos entre irmãos, na edificação do Corpo de Cristo a todos confiada (PO, n. 9), incentivando os multiformes carismas.
O documento conciliar específico sobre os leigos é o Decreto Apostolicam
Actuositatem (AA), em cujo Proêmio se reconhece a ação manifesta do Espírito Santo,
tornando os leigos mais cônscios de sua responsabilidade, e se sintetizam os assuntos a tratar: a natureza do apostolado dos leigos, sua índole e possibilidades, os princípios fundamentais e ___________________
103
ALBERIGO, G. O Concílio Vaticano II (1962-1965). In: ALBERIGO, G. (Org.). História dos Concílios Ecumênicos, p. 413.
104
Definidos assim, no n.º 31: “Por leigos entendem-se aqui todos os cristãos que não são membros da sagrada Ordem ou do estado religioso reconhecido pela Igreja, isto é, os fiéis que, incorporados em Cristo pelo Batismo, constituídos em povo de Deus e tornados participantes, a seu modo, do múnus sacerdotal, profético e real de Cristo, exercem pela parte que lhes toca, na Igreja e no mundo, a missão de todo o povo cristão”.
105
43 instruções pastorais para uma ação eficiente. No Capítulo I, Vocação dos leigos para o
apostolado, o documento fala na diversidade de serviços, para uma única missão da Igreja, e
põe o fundamento do apostolado dos leigos na sua união com Cristo-Cabeça (AA, n. 3), a partir da consagração batismal, pela qual recebem dons peculiares do Espírito Santo, de cuja aceitação nasce o direito e o dever de exercê-los, em comunhão com os irmãos e com os seus pastores, a quem cabe tudo examinar e reter o que é bom (1Ts 5, 12.19.21) (AA, n. 3). Sublinha a espiritualidade laical de acordo com o estado de vida, a inscrição em associações ou institutos, a competência profissional, o espírito de família e o civismo, além de várias virtudes a serem aperfeiçoadas para concretizarem uma verdadeira vida cristã, tendo por modelo a Virgem Maria (AA, n. 4). No Capítulo II, intitulado Objetivos a serem visados, frisa o documento a necessidade de os leigos assumirem a ordem temporal como sua função própria, levados sempre pela caridade (AA, n. 7), conforme a capacidade de cada um, aprofundando os princípios cristãos e aplicando-os aos novos problemas da época. No Capítulo III, que leva o título de Campos de Apostolado, menciona a ação leiga no interior das comunidades da Igreja, na família, no ambiente social, entre os jovens e na sociedade civil nacional e internacional (AA, n. 10-14). O Capítulo IV é dedicado às Modalidades diversas do
apostolado, que deve ser individual (AA, n. 16-17), em grupo (AA, n. 18), sob a forma de
associações já existentes ou outras, que têm o direito de fundar e dirigir, cujo valor ressalta (AA, n. 19). Detém-se na Ação Católica, pondo as bases de suas características: a finalidade de evangelizar e santificar; a criação de organizações de ação pastoral e seu planejamento; a formação de um corpo orgânico que signifique a comunidade da Igreja e torne mais eficaz o apostolado, sob a orientação da hierarquia, que pode dar-lhes um mandato explícito (AA, n. 20). No Capítulo V, Observância da reta ordem, salienta a união com aqueles que regem a Igreja, estabelecidos pelo Espírito Santo, a cooperação entre iniciativas diversas, conservando-se a índole própria de cada uma, o dever da hierarquia e dos religiosos de incentivar o apostolado e a criação de Conselhos em que sejam incluídos os leigos nas dioceses, paróquias, etc., a cooperação com outros cristãos e não cristãos, devendo ser criado junto à Santa Sé um secretariado especial para serviço e estímulo desse apostolado (AA, n. 23- 27). Finalmente, no Capítulo VI, o Concílio enfatiza a necessária Formação para o
apostolado, que deve ser solidamente humana, espiritual e prática, desde a primeira educação
das crianças, consentânea com a cultura do diálogo, com os princípios da Doutrina Social da Igreja, bem como o testemunho de caridade e misericórdia a ser dado (AA, n. 28-32). A
Exortação Final lembra que é o próprio Senhor quem convida todos os leigos a se unirem mais intimamente com Ele, associando-se à Sua missão salvífica.
Christian Delarbre resume em duas as grandes preocupações do Concílio Vaticano II em relação a eles: uma doutrinal (fundamentar e dar uma base dogmática perene à participação dos fiéis leigos na evangelização e no apostolado, bem como na santificação do mundo); e outra pastoral (visando a precisar as modalidades de intervenção dos leigos na missão universal da Igreja nos diferentes domínios). Para o autor, isto é muito importante, na proporção em que evita se restrinja a interpretação a ser dada aos textos às preocupações de um tempo específico106.
Sobressai, assim, que alguns dos elementos que se tornarão característicos das Novas Comunidades, como se verá adiante, já vêm inseridos nos documentos conciliares: o apostolado leigo, o direito de associação, a ação do Espírito Santo sobre os fiéis, cumulando- os de dons próprios para cada missão a desempenhar dentro da grande e primordial missão eclesial: a evangelização. Também se verá que não é o primeiro momento em que tais elementos são frisados, no âmbito da história da Igreja.