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Örneklem Grubunun Aile Tutumları ve Akran İlişkileri ile İlgili Bulgular

3. SUÇU AÇIKLAYAN KURAMLAR

4.1. Genel Bilgiler

4.1.5. Örneklem Grubunun Aile Tutumları ve Akran İlişkileri ile İlgili Bulgular

Conforme visto, dentro das NC, há grupos de pessoas que, para viver mais radicalmente o seguimento de Cristo, engajam-se em novas formas de consagração ou vínculos, em relação aos institucionais já conhecidos, desejosos de uma vida de entrega total a Deus, inclusive aspirando a uma consagração mediante os conselhos evangélicos, para atingir a perfeição na caridade. Podem ser cônjuges, sacerdotes, solteiros. Os conselhos evangélicos são expressão da única filiação de Cristo e de sua dependência e dedicação total a Deus Pai, que culmina na morte e na ressurreição.315 Seu espírito não é um estado de ânimo abstrato, mas uma atitude vital em direção ao Evangelho, segundo o estado de vida e as possibilidades de cada cristão.316

Para a perfeição na caridade, tendem as Sociedades de Vida Apostólica, pela observação das constituições, sem votos religiosos (cânone 731), as ordens terceiras (cânone 303), os religiosos e membros dos institutos seculares (cânone 573 § 1; cânone 710) e as associações de fiéis, pela ação em comum (cânone 298 § 1).

No entendimento de Hans Urs von Balthasar, tratando das coordenadas eclesiológicas do estatuto jurídico dos movimentos leigos e dos Institutos Seculares, em citação de Libero Gerosa, o elemento que determina a normatização diversificada para os fiéis que abraçam os conselhos evangélicos nos Institutos de Vida Consagrada e para os fiéis das associações é o carisma pessoal-profético dos primeiros em contraste com o carisma comunitário-missionário das últimas, ambos tendendo para a santidade e este último fortalecendo o princípio enunciado no Concílio Vaticano II, de que a santidade tem direcionamento universal entre os cristãos.317

O cânone 573 define a consagração por meio dos conselhos evangélicos nas estruturas já reconhecidas (§§ 1 e 2)318, ou por formas novas (que cabe somente à Santa Sé reconhecer), ___________________

315

BÖHLER, H. I consigli evangelici in prospettiva trinitaria apud ECHEBERRIA, J. J. Asunción de los consejos evangélicos en las asociaciones de fieles y movimientos eclesiales: Investigación teológico-canónica, p. 79.

316

MOLINARI, P.; GUMPEL, P. La dottrina della Costituzione dogmatica, 60 apud ECHEBERRIA, J. J. Asunción de los consejos evangélicos en las asociaciones de fieles y movimientos eclesiales: Investigación teológico-canónica, p. 74.

317

GEROSA, L. Institutos seculares, associaciones laicales y movimientos eclesiales en la teología de Hans Urs von Balthasar. Disponível em: <http://www.apl.name/communio/1990/communio_90_3.pdf>. Acesso em: 9 set. 2014.

318

109 conforme o cânone 605319. Para Silvia Recchi, no entanto, sem dúvida, o conceito de vida consagrada é mais amplo do que o canônico, como o primeiro parágrafo do cânone 573 demonstraria. Portanto, nas NC, haveria uma forma ainda não institucionalizada de viver essa consagração320. Miguel Delgado Galindo discorda desse tipo de interpretação, buscando o entendimento do cânone 573 sistematicamente, como uma única realidade teológico-canônica. Para ele, não se podem examinar separadamente os parágrafos do mesmo cânone, atribuindo ao primeiro uma natureza teológica, a que adeririam certas realidades na Igreja, e ao segundo, canônica.321

No caso das Sociedades de Vida Apostólica (cânones 731 § 2322 e 732323), remete-se a vivência dos conselhos evangélicos às normas dos Institutos de Vida Consagrada. Isto não ocorre com relação às associações de fiéis, certamente porque não foram pensadas no CIC conforme as NC, com um projeto de vida comum, mas meramente como reunião de pessoas com objeto comum de fé ou apostolado.

Em relação aos integrantes das novas associações, apresentam-se pontos de dificuldade para o Direito Canônico, especialmente quanto à castidade e à pobreza, como já se mencionou.

Na Exortação Apostólica Vita Consecrata, João Paulo II ressalta como princípio fundamental para que se considere presente a vida consagrada segundo os conselhos ___________________

319

Cânone 573 § 1. A vida consagrada pela profissão dos conselhos evangélicos é uma forma estável de viver, pela qual os fiéis, seguindo mais de perto a Cristo sob a ação do Espírito Santo, consagram-se totalmente a Deus sumamente amado, para assim, dedicados por título novo e especial a sua honra, à construção da Igreja e à salvação do mundo, alcançarem a perfeição da caridade no serviço do Reino de Deus e, transformados em sinal preclaro na Igreja, preanunciarem a glória celeste. § 2. Assumem livremente essa forma de vida nos institutos de vida consagrada, canonicamente erigidos pela competente autoridade da Igreja, os fiéis que, por meio dos votos ou de outros vínculos sagrados, conforme as leis próprias dos institutos, professam os conselhos evangélicos de castidade, pobreza e obediência e, pela caridade à qual esses votos conduzem, unem-se de modo especial à Igreja e a seu mistério.

Cânone 605. Reserva-se unicamente à Sé Apostólica aprovar novas formas de vida consagrada. Os Bispos diocesanos, porém, se esforcem para discernir novos dons de vida consagrada confiados pelo Espírito Santo à Igreja: ajudem seus promotores para que expressem e protejam, do melhor modo possível, seus objetivos, com estatutos adequados especialmente usando as normas gerais contidas nesta parte.

320

RECCHI, S. Assunzione dei consigli evangelici e consacrazione di vita nelle associazioni. Quaderni di Diritto Ecclesiale, n. XII/4, p. 340.

321

DELGADO GALINDO, M. Il dono di sé nei movimenti ecclesiali, p. 11. Disponível em: <www.laici.va_content_dam_laici_documenti_aamm_il-dono-di-se-nei-movimenti-ecclesiali-delgado>. Acesso em: 3 jul. 2013.

322

Cânone 731 § 2. Entre elas, há sociedades cujos membros assumem os conselhos evangélicos por meio de algum vínculo determinado pelas constituições.

323

Cânone 732. O que se estabelece nos cânones 578-597 e 606 aplica-se às sociedades de vida apostólica, salva, porém a natureza de cada sociedade; e às sociedades mencionadas no cânone 731 § 2, aplicam-se também os cânones 598-602.

evangélicos, em que os votos são recebidos por um representante da Igreja, os elementos essenciais, teológicos e canônicos próprios da mesma. Louva a intenção dos cônjuges de buscar a perfeição da caridade no seu amor, confirmando a sua entrega mútua no sacramento do matrimônio com um tipo de promessa de castidade própria da vida conjugal, mas, sem subestimar esse caminho de santificação, frisa que não é uma vida consagrada, sendo necessário encontrar uma nova forma de reconhecimento para tal (que somente a Sé Apostólica tem competência para instituir) (VC, n. 62).

Todavia, na lição de Silvia Recchi, a presença de elementos como o chamado divino, o carisma originário, a doação total de vida operada mediante a assunção estável dos conselhos evangélicos, coloca plenamente as associações no quadro teológico que caracteriza a vida consagrada, embora não no quadro canônico, porque a disciplina das associações de fiéis não se ocupa de direitos e deveres dos membros, relativos à assunção de conselhos evangélicos e às obrigações inerentes, como a relação com a autoridade interna, a admissão e demissão de membros, os vínculos assumidos, a eventual dispensa deles, a gestão dos bens comuns. Tudo fica relegado ao estatuto, cuja aprovação exige o discernimento da autoridade eclesial.324

Como explica Gianfranco Ghirlanda, a regulamentação dos direitos e dos deveres conexos com a assunção dos conselhos é interna à associação, dada por seus estatutos e não pelo direito universal. A Igreja não entra, institucionalmente, na definição da matéria da assunção dos conselhos evangélicos.325 O autor avalia, outrossim, que o dever de fidelidade às promessas assumidas é o mesmo tanto no estado laical quanto na vida consagrada dos fiéis.326 O CIC não define o que seja vínculo sagrado, entendendo-se que é uma manifestação de doação pessoal feita diante de Deus.327 Alguns vínculos sagrados são especificados: votos para os religiosos, votos ou outros vínculos sagrados para os eremitas, promessa, juramento, oblação, para os Institutos de Vida Consagrada, conforme determinarem as constituições,

santum propositum (cânone 604) para as virgens consagradas. Os atos constitutivos devem

determinar as obrigações relativas a esses vínculos (cânone 587 § 1). ___________________

324

RECCHI, S. Assunzione dei consigli evangelici e consacrazione di vita nelle associazioni. Quaderni di Diritto Ecclesiale, n. XII/4, p. 342.

325

GHIRLANDA, G. O Direito na Igreja: Mistério de Comunhão, p. 273.

326

GHIRLANDA, G. I consigli evangelici nella vita laicale apud DELGADO GALINDO, Miguel. Il dono di sé nei movimenti ecclesiali. Disponível em: <http://www.laici.va/content/dam/laici/documenti/aamm/il-dono-di-se- nei-movimenti-ecclesiali.pdf>. Acesso em: 11 set. 2014.

327

DE PAOLIS, V. La vita consacrata nella Chiesa apud RECCHI, S. Assunzione dei consigli evangelici e consacrazione di vita nelle associazioni. Quaderni di Diritto Ecclesiale, n. XII/4, p. 347.

111 Assim, a assunção dos conselhos evangélicos sob a modalidade realizada nas NC pode ser considerada sagrada, feita diante de Deus, para viver a vocação a que a pessoa é chamada, numa forma de vida que pode ser considerada estável. Seria esse um voto público ou privado? Para o cânone 1192, só é público o que se faz diante de um superior legítimo em nome da Igreja. Como se interpreta isso? Em que sentido a vontade da autoridade eclesiástica seria constitutiva da realidade da vida consagrada? A Igreja não funda nem constitui a vida consagrada, mas a reconhece, aprova, declara autêntica, protege com a disciplina canônica, reconhece e clarifica o espírito do fundador sobre a índole e o espírito do instituto (cânone 578). Porém, antes das regulamentações que sobrevieram, já existia a vida consagrada. O que a Igreja cria é a existência no estado canônico de vida consagrada. E enquanto não for disciplinado esse estado quanto à consagração de vida nas NC, não se poderá falar nesse estado canônico de vida consagrada.

Silvia Recchi, por tudo isso, assinala que a realidade dessas associações remete à distinção, nunca à oposição, entre a realidade carismática adequada à natureza da vida consagrada e sua manifestação em nível institucional. Isso sempre envolve um processo de autocompreensão e autorreflexão eclesial logicamente posterior ao primeiro. Não poderia ser de outra forma em um terreno como o da vida consagrada, na qual o elemento carismático precede e muitas vezes perturba o institucional, para superá-lo e exigir novas formas e originalidade.328

Diante desse quadro, compreendem-se as dificuldades existentes para entender a consagração de pessoas casadas com uma promessa de castidade. Há de se encontrar uma forma de consagração e assunção deste conselho evangélico diferenciada da forma considerada até agora, que os casais sejam chamados por Deus a viver juntos.

Libero Gerosa considera que, como os diversos institutos vivem sobretudo do seu direito particular, também as novas agregações podem vir a gozar da mesma possibilidade, constituindo um direito próprio e adequado à sua essência, lembrando, com Hans Urs von Balthasar, que essa normatividade deverá ter presente a forma de agrupamento dada pelo carisma originário próprio, a centralidade da pessoa e a comunhão eucarística a reuni-los.329 ___________________

328

RECCHI, S. Assunzione dei consigli evangelici e consacrazione di vita nelle associazioni. Quaderni di Diritto Ecclesiale, n. XII/4, p. 352.

329

GEROSA, L. Institutos seculares, associaciones laicales y movimientos eclesiales en la teología de Hans Urs von Balthasar. Disponível em: <http://www.apl.name/communio/1990/communio_90_3.pdf>. Acesso em: 9 set. 2014.

Também quanto à assunção do conselho da pobreza, impõe-se um exame, que será feito no item seguinte deste trabalho330. A obediência não apresenta uma dificuldade maior.

Outro problema pode surgir quando um dos cônjuges não compartilha a adesão à Nova Comunidade e cria obstáculos com relação ao parceiro. Deverá alcançar-se um equilíbrio entre o amor de Deus e o da família, na expressão desta pertença.

De qualquer modo, o CIC, ao disciplinar a vida consagrada, dá uma base para que se exprima a relação entre o carisma e a estrutura, para realizar-se o discernimento do carisma e sugerir regras coerentes. O cânone 605 pode ser um ponto de referência, convidando a Igreja a discernir o novo carisma e auxiliar os fundadores nesta tarefa, oferecendo uma proteção primeira à nova realidade. Porque a dimensão teológica se exprime na dimensão jurídica que é a garantia de sua eficácia, enquanto a dimensão jurídica se desenvolve a partir da dimensão teológica que é a condição de sua verdade.331

Finalizando, cabe relembrar o pedido de João Paulo II, na Exortação Apostólica Vita

Consecrata:

Face a tanta riqueza de dons e impulsos inovadores, parece oportuno criar uma Comissão para as questões referentes às novas formas de vida consagrada, com o objetivo de estabelecer critérios de autenticidade, que sirvam de ajuda no discernimento e nas decisões. Entre outras tarefas, deverá essa Comissão avaliar, à luz da experiência destes últimos decénios, as novas formas de consagração que a autoridade eclesiástica pode, com prudência pastoral e proveito comum, reconhecer oficialmente e propor aos fiéis desejosos de uma vida cristã mais perfeita (VC, n. 62).