• Sonuç bulunamadı

YAZAR AYRIM ÖLÇÜT AÇIKLAMA Bolisani ve

12. Demografik soruların genişletilerek “Tedarik zinciri yönetimi alanında uzman mı, akademisyen mi? Çalışmada kullanacağı e-posta adresi?” sorularının sorulmasına

2.2.2.3.2. Sorulara Göre Değerlendirme

Entre um tratado e outro, apesar dos conflitos, o século XVIII ainda parece marcado pelas relações entre as populações existentes de ambos os lados do Rio da Prata. Mesmo que as duas coroas pretendessem traçar os limites de ambas possessões na América meridional, acabaram vendo seus planos frustrados. Segundo Helen Osório, os dirigentes de ambos os lados mal conheciam a região, ainda não havia denominações

58

“À época, para os geógrafos de Portugal, o meridiano de Tordesilhas passava a 45 graus. Portanto, como já referido, a oeste da colônia. Desse modo, espaço onde os portugueses se assentaram era considerado por Portugal como domínio próprio” (ESPÍRITO SANTO, 2006:25).

para seus rios, não conheciam aquele território e insistiam nas discussões a respeito de sua localização com o propósito da demarcação de limites (OSÓRIO, 2007).

Em aspectos geográficos, como já apontado anteriormente, não existiam diferenças marcantes, como também nos aspectos demográficos ou de paisagem agrária (IDEM).

Boa parte da área do atual Rio Grande do Sul formava um continuum com a Banda Oriental (atual Uruguai), caracterizado por uma ocupação de terra muito laxa, uma baixa densidade demográfica, se comparado a outras regiões americanas, e uma mesma forma de organização espacial da produção: pequenas propriedades dedicadas simultaneamente à agricultura e à pecuária ao redor dos escassos núcleos urbanos e grandes unidades dedicadas principalmente à criação de animais nas zonas mais longínquas (IDEM: 58).

Assim, reproduzindo um conceito de Pierre Vilar, Helen Osório segue discutindo que estávamos diante de uma “zona-fronteira”, tendo uma ocupação dispersa da terra e um povoamento escasso, sendo que as agrupações humanas não estabeleceriam uma fronteira fixa, exata, demarcada, definindo uma zona sem divisão talhante (IDEM).

Este tipo de fronteira mais flexível facilitaria o aparecimento de vários tipos de trocas e maior circulação pessoas. Alguns fatores também seriam verificados com mais freqüência, como a deserção, o contrabando e a apropriação de terras. Esses diversos aspectos possibilitam uma visualização dessa dinâmica da fronteira hispano-portuguesa durante o século XVIII (IDEM).

Conforme Osório, essas deserções aconteciam em toda a região, tanto em períodos de paz e guerra, por ocasião de diversos fatores: demora do pagamento dos soldos, a falta de uniformes e disciplina militar. A falta de carne era outro fator que recrudesceria a incidência de deserções, já que a carne era a base da alimentação (IDEM).

A tomada de gado era atividade fundamental para o estabelecimento de estâncias e a atividade pecuária nos territórios portugueses. Dificilmente domesticavam seus rebanhos ou os submetiam a currais. Outra característica recorrente é o fato de não

serem marcados. Essa tática se justificava na própria atividade de arreamento do gado, pois o gado não marcado confundia-se com o gado espanhol e assim facilitava a ampliação do rebanho (IDEM).

Os produtos que eram mais comuns de serem apreendidos pelos portugueses eram os cavalos, as mulas, as reses, os couros, o fumo e armas de fogo nos contrabandos confiscados. A propriedade da terra, em ambos os lados era um incentivo para a fixação de colonos, sendo assim toda a conjuntura relacionada à região de fronteira deve ser estudada como um produto do processo histórico, sobretudo numa região como a Bacia do Prata. A fronteira limite ou “fronteira linha” somente teria importância após a independência do Uruguai, em 1828 (IDEM).

Helen Osório afirma que todo esse contexto histórico de guerras influenciava na aquisição e fixação de patrimônio. As “guerras criam situações e expectativas que alteram o preço dos principais meios de produção, seja por um aumento acelerado do consumo (é o caso do gado), seja pela insegurança e risco que se produzem sobre determinados bens, como a terra, e atividades econômicas, como a agricultura” (IDEM, p. 67).

Em seu trabalho de tese, analisa a formação do patrimônio da elite riograndense no período compreendido entre 1737 a 1822. E aponta que a maior parte do patrimônio até 1800 eram os animais. Nos três qüinqüênios seguintes mudaria para a terra, tornando a mudar nos dois últimos qüinqüênios do período estudado para os animais (IDEM).

Esses fatores se explicam pelo contexto histórico da região59. Nos períodos de paz,

breves ou não, Helen Osório pode verificar pelos levantamentos nos documentos pesquisados que a paz gerava rápidos períodos de desenvolvimento, marcando a posse de mais terra no montante dos patrimônios. Enquanto que nos períodos de guerra, os bens móveis, crescem em número e compõem a maior parte da riqueza (IDEM).

59 Em 1763, houve a tomada da Vila de Rio Grande pelos espanhóis, sendo reconquistada pelos

portugueses em 1776. Em 1777, novamente os espanhóis invadem o território português e ocupam a ilha de Santa Catarina e Sacramento. No mesmo ano, com o Tratado de Santo Ildefonso, Santa Catarina é devolvida para a coroa portuguesa e Sacramento passa a pertencer aos espanhóis. Assim, novo período de paz inicia em 1784. Entre os anos de 1815 a 1825, novos conflitos acontecem, tendo como marco importante a invasão da Banda Oriental pelos portugueses, culminando nas Guerras Cisplatinas (OSÓRIO, 2007).

A análise empreendida pela historiadora leva a perceber o quanto o contexto histórico do estado influenciou na transformação da economia do Rio Grande do Sul, fazendo com que paulatinamente a parcela que compunha a elite também se modificasse. Entre o final do século XVIII e princípio do século XIX, a atividade econômica do estado muda gradativamente inserindo-se no mercado interno brasileiro. As atividades desenvolvidas com o arreamento do gado e a triticultura sofrem uma queda a partir do início do século XIX, devido a diversos fatores60. As atividades nas charqueadas já existiam muito antes de 1780, sendo assim não eram essencialmente mercantilistas. Todavia, a primeira fase da produção do charque era voltada para a exportação, mas com o Tratado de São Ildelfonso, em 1777, e o conseqüente aumento das estâncias produtoras, bem como a seca ocorrida do Nordeste, o mercado interno aumentou significativamente, fazendo com que o charque produzido no Rio Grande do Sul encontrasse uma importância cada vez maior. O desenvolvimento das cidades e o conseqüente crescimento demográfico também foi um fator relevante para a mudança do contexto econômico (KUHN, 2004).

Entre os anos de 1790 a 1815, a atividade pecuária representava cerca de 70% da produção local, tendo o charque o maior montante, seguido pelos couros e o gado em pé. Porém, o charque riograndense ainda sofria a concorrência platina e nordestina, que culminava no baixo preço do produto. Posteriormente, esse mesmo fator seria um dos motivos da eclosão do conflito farroupilha (IDEM).

Durante o século XIX, outra atividade sofreria um incremento na sua produção: a extração da erva mate. Embora a exploração dos ervais se desse desde o século XVII pelos índios missioneiros, sua importância cresce muito durante os anos oitocentos. Essa produção se inseria no abastecimento interno, bem como era exportada para a região platina (IDEM).

60 O trigo era uma das principais atividades econômicas no Rio Grande do Sul. Em princípio do século XIX,

a incidência da praga ferrugem, a concorrência com a produção dos Estados Unidos e o recrutamento de agricultores, cada vez maior, para o serviço militar, bem como a quase inexistência de armazéns para estocagem do produto, fazem com que o trigo perca sua posição de destaque. Porém, entre os anos 1808 a 1821, há um crescimento novamente da atividade triticultora. Esse período, deve ser entendido, conforme aponta Fabio Kuhn, como um renascimento agrícola, estimulado por idéias mercantilistas, que visava entre outras coisas inserir o Rio Grande do Sul definitivamente no império ultramarino português (KUHN, 2004).