A atuação do aluno, na comunicação oral, é de fundamental importância para sua aprendizagem e desenvolvimento. Embora Leontiev não tenha se detido sobre isso, entendemos que ao enfocar em suas obras (1983, 2004) a atividade (prática e mental) dos homens, nesta está presente, também, aquela.
A comunicação é, na opinião de Lisina (1986, p. 125, tradução nossa), “a interação de pessoas que participam desse processo de coordenar e conjugar os seus esforços para alcançar um resultado comum.” Nisso reside que na ambiência escolar é preciso um processo de comunicação com o outro (professores e alunos e alunos entre si) para poder ocorrer o ensino e a aprendizagem. Ela “é uma atividade prática [...].” (KAGAN, 1989, p. 57) a qual tem como uma de suas modalidades a oralidade.
A oralidade, por sua vez, diz respeito a “[...] uma prática social interativa para fins comunicativos que se apresenta sob variadas formas ou gêneros textuais fundados na realidade sonora: ela vai desde uma realização mais informal a mais formal nos mais variados contextos de uso.” (MARCUSCHI, 2001a, p. 25). Como construção humana e histórica, ela
faz parte da cultura e por meio do seu uso podemos perceber características linguísticas, sociais e culturais dos falantes, visão de mundo, atitudes e crenças etc.
O trabalho na escola, com essa modalidade, vem sendo enfatizada por diversos estudiosos da linguagem como Marcuschi (2001a, 2001b, 2008) e Neves (2004). Para o primeiro (2001b), tanto a fala quanto a escrita são modalidades de representação cognitiva e social, não devendo uma ser supervalorizada em relação a outra. E acrescenta (2008, p. 243): “Tanto a escrita como a fala são atividades situadas e a situação, ou o contexto (cognitivo, social, cultural, histórico), em que são produzidas é parte integral do ato de escrever ou falar.” Assim como a escrita, a fala requer habilidade, interação com o outro, uma inserção e modo de relação estabelecido com o mundo, dentro de uma cultura.
Os Parâmetros Curriculares Nacionais de Língua Portuguesa (1997, 2001), do Ensino Fundamental, propõem essa modalidade ao lado da modalidade escrita, enfocando a importância e necessidade do seu estudo no desenvolvimento da competência discursiva dos alunos para que eles aprendam a se expressar, apropriadamente, em situações de interação oral, diferentes daquelas próprias de seu universo imediato. Nos Parâmetros Curriculares Nacionais de História (1998), para os anos finais nesse nível de ensino, um dos seus objetivos diz respeito ao debate de ideias a serem expressas por escrito e por outras formas de comunicação. E, nos critérios de avaliação, há um destaque no sentido de que o aluno seja avaliado no tocante a organizar ideias articulando-as oralmente, por escrito e por outras formas de comunicação.
Segundo Antunes (2003), a formação de eficientes produtores de textos orais requer uma reorganização de ações pedagógicas priorizadas pela escola. Para isso, compreendemos o papel do professor no sentido do aprimoramento da qualidade das interações discursivas que ocorrem em sala de aula, favorecendo ao aluno momentos de descrição, explicação, interpretação, argumentação etc., na articulação com a escrita e com outras formas de comunicação para ele melhor interagir com todo um material cultural expressos em conceitos, valores, ideias, objetos concretos, concepção de mundo etc.
Promover a aprendizagem da História implica, ainda, a percepção de que as diferenças culturais, as lutas, os conflitos dos grupos sociais que vivem ou viveram em outro tempo ou sociedade precisam ser apreendidos como processo de constituição da história humana requerendo um esforço de reconhecimento dos papéis exercidos pelos indivíduos, construídos nas experiências sociais, culturais e na organização de valores.
Considerando que, para a Teoria da Atividade (LEONTIEV, 1983, 2004), a base do desenvolvimento histórico do pensamento do homem se encontra na desenvolução de sua
atividade prático-social, entendemos que o modo de pensar e se expressar do indivíduo pode ser desenvolvido por meio de ações de aprendizagem que lhe favoreçam manejar seus processos cognitivos e afetivos.
Ressaltamos, nesse sentido, a importância que têm, no processo de ensino- aprendizagem, a utilização do método de ensino com pesquisa envolvendo observações, descrições, relações e interpretações; a formulação e diversificação no uso de situações problema que exijam formas diferentes de o aluno se relacionar com o fenômeno, onde eles possam procurar os meios necessários para resolver a questão de estudo; a seleção de materiais didáticos com argumentos diferenciados para a análise, interpretação; momentos de socialização e debates a fim de que os discentes expressem seus entendimentos sobre as construções realizadas. Requerendo, dentre outros aspectos, para isso, que o professor assegure o interesse do aluno pelo conteúdo em estudo, dê atenção ao modo como ele procede no desenvolvimento de suas ações mentais (análise, síntese, generalização, entre outras) e nas estratégias que usa para desenvolver suas tarefas e chegar a determinados resultados.
A Teoria da Atividade pode contribuir com a História, uma vez que essa teoria se apresenta como um recurso metodológico para o desenvolvimento de estratégias de ensino e de aprendizagem, ao possibilitar uma análise do conteúdo da atividade de aprendizagem, tendo em vista a estrutura dos seus componentes – discussão que apresentaremos adiante.
O ensino de História, enriquecido com as contribuições da teoria mencionada, favorece a ampliação do entendimento de que nos percebermos como construtores da história, tanto para professores como para alunos, ocorre quando podemos contar com uma compreensão do que os nossos antepassados construíram para que pudéssemos nos encontrar nesse atual estágio de desenvolvimento. As possibilidades formativas que essa aliança apresenta, portanto, são potencializadoras de interesse, envolvimento e participação do aluno no processo de ensino e de aprendizagem.
Alargar a nossa compreensão sobre a atividade do homem, na teoria citada, requer que recorramos a algumas de suas categorias as quais discutiremos no próximo capítulo.
2 A ATIVIDADE HUMANA: NATUREZA, SIGNIFICAÇÃO, SENTIDO E