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Comparando o desempenho em matemática, por percentual de alunos, em cada padrão de desempenho dos anos finais do segundo ciclo e do terceiro ciclo, podemos observar a diferença de rendimento significativa entre estes anos. A tabela 2 demonstra isto.

Tabela 2: Percentual de alunos na etapa do 6º ano por padrão de desempenho

Avalia-BH 2014 – Matemática

Ano

Percentual de alunos por padrão de desempenho Abaixo do

básico Básico Satisfatório Avançado

6º 14,4 31,2 46,8 7,5

9º 41,0 36,5 21,1 1,2

Fonte: Elaboração própria, com base nos dados da SMED/GAPED.

Observando os percentuais de alunos nos padrões de desempenho extremos, Abaixo do Básico e Avançado, vemos que o percentual, no primeiro, quase triplica do 6º para o 9º ano, enquanto que, no segundo, fica cerca de seis vezes menor. Ou seja, aumenta o percentual de alunos com baixo rendimento e diminui o percentual de alunos com alto rendimento. Já em relação aos padrões intermediários, o percentual é um pouco maior, no padrão de desempenho Básico, e cai um pouco mais pela metade, no padrão de desempenho Satisfatório.

O rendimento dos alunos no ano final do terceiro ciclo, em matemática, no Avalia-BH, é bem inferior, se compararmos ao rendimento dos alunos ao início deste ciclo. Os dados de desempenho em matemática tomados ao final do 6º ano, em

2010, foram considerados como os dados que definiram o status inicial destes alunos no 7º ano em 2011. Para entendermos como é a dinâmica na mudança que ocorre no desempenho entre um ano e outro, buscamos no banco de dados das edições do Avalia-BH, de 2010 a 2013, os dados de desempenho em matemática dos alunos da RME-BH, que cursaram do 6º ao 9º anos neste período. Em 2010, havia 16.051 alunos cursando o 6º ano nas escolas da RME-BH. Conseguimos colher dados de desempenho de 5.401 alunos deste total. Dos 5.401 alunos que participaram de todas as avaliações do período, 379 se encontravam no padrão de desempenho Avançado no 6º ano. Desses, 379, apenas 50 alunos mantiveram-se nesse padrão de desempenho.

O gráfico 1 mostra o número de alunos do 6º ano, em 2010, que estavam no padrão de desempenho Avançado e se mantiveram ao término do 9º ano, em 2013.

Gráfico 1: Alunos do 6º ano que se mantêm no padrão de desempenho Avançado ao término do terceiro ciclo

Fonte: Elaboração própria, com base nos dados da SMED/GAPED.

O que é notável em tal fato é que quase 87% do grupo não se mantiveram no padrão de desempenho Avançado. São alunos que atingiram um nível de desempenho no 6º ano que

revela ter desenvolvido habilidades mais sofisticadas e demonstra ter um aprendizado superior ao que é previsto para o seu ano escolar. O desempenho desses estudantes nas tarefas e avaliações propostas supera o esperado e, ao serem estimulados, podem ir além das expectativas traçadas (Revista da Gestão Escolar de Matemática do Avalia BH 2013, do 3º ciclo, 2013, p. 28).

No capítulo 2, realiza-se a análise dos dados sobre o nível de desempenho durante o terceiro ciclo desse grupo de alunos. Uma análise longitudinal dos dados

revela mais detalhes sobre como se dá a evolução percebida no percentual de alunos por nível de desempenho do 6º ao 9º anos, de 2010 a 2013. Ao acompanhar esses alunos nas avaliações de matemática do Avalia-BH, não se comprova que houve uma melhoria no rendimento dos alunos ao longo do tempo, tal qual como desejado. É verdade que muitos alunos melhoram, como esperado, mas há alunos que pioram o desempenho, como ficará evidenciado pelos dados, um pouco adiante.

2 O DESEMPENHO DOS ALUNOS DA RME-BH DO 6º AO 9º ANOS, NO AVALIA- BH, ENTRE 2010 E 2013

Consideramos, como status inicial, os resultados da edição de 2010 do Avalia-BH sobre o desempenho em matemática dos alunos que estavam cursando a etapa do 6º ano (2º Ciclo). Por se tratar da avaliação mais próxima da etapa do 7º ano, quando se inicia o terceiro ciclo, temos, assim, uma medida inicial do desempenho em matemática de todos os alunos, já na fase inicial do terceiro ciclo. As avaliações do Avalia-BH são nominais e, também, identificadas pelo código do Sistema de Gerenciamento de Estudantes (SGE)40, que é único e não duplicável, o qual o aluno recebe, no ato de sua matrícula em qualquer escola da Rede Municipal de Educação de Belo Horizonte (RME-BH).

Assim, a base de dados deste estudo é formada pelos dados de desempenho em matemática dos alunos que realizaram as edições do Avalia-BH, nos anos de 2010 a 2013, sendo que, em 2010, foram avaliados, na etapa do 6º ano; em 2011, na etapa do 7º ano; em 2012, na etapa do 8º ano e, em 2013, na etapa do 9º ano. Inicialmente, 16.051 alunos foram avaliados, em matemática, na edição de 2010, na etapa do 6º ano; e, destes, 5.401 realizaram as avaliações de matemática das edições de 2011 a 2013(são os dados de desempenho em matemática destes 5.401 alunos, em 108 escolas, que compõem a base de dados da qual faz-se a análise neste capítulo).

Na tabela 3, tem-se a distribuição dos 5.401 alunos por padrão de desempenho nas avaliações de matemática do Avalia-BH no período aqui analisado.

40Código SGE- trata-se de um campo numérico que individualiza as informações de cada estudante.

Cada uma das planilhas que integram o SGE- Sistema de Gerenciamento Escolar- é identificada com este código, como indexador das informações presentes naquele dado.

Tabela 3: Distribuição de alunos, por padrão de desempenho em matemática, no Avalia-BH de 2010 a 2013

Fonte: Elaboração própria, com base nos dados da SMED/GAPED.

Dados longitudinais, com registro de múltiplas medidas de desempenho, permitem acompanhar os alunos por um determinado período e determinar fatores característicos às escolas, relacionados ao processo de aprendizagem (ALVES, 2006). Para esta pesquisa, sobre o desenvolvimento na aprendizagem dos alunos com desempenho Avançado em matemática de 2010 a 2013, é imprescindível analisar como cada grupo, reunido por padrão de desempenho, evoluiu neste período.

Por conseguinte, para observar a transição dos alunos entre os padrões de desempenho, ancorou-se a coluna 2010/6º ano da tabela 2 e foram analisados cada um dos padrões de desempenho, com a distribuição do número (N) de indivíduos, em 2010, ao decorrer do período pelos demais padrões de desempenho, até 2013.

Inicia-se observando, na tabela 4, a evolução do grupo de alunos no padrão de desempenho Abaixo do básico em 2010.

Tabela 4: Evolução do grupo de alunos no padrão de desempenho Abaixo do básico em 2010, 2011, 2012 e 2103

Fonte: Elaboração própria, com base nos dados da SMED/GAPED.

Na edição de 2010 da avaliação de matemática do 6º ano do Avalia-BH, 389 alunos atingiram o padrão de desempenho Abaixo do básico e, acompanhando o rendimento, observando os padrões de desempenho deste grupo de alunos nas

N % N % N % N % Abaixo do básico 389 7,2 794 14,7 1.370 25,4 1.882 34,8 Básico 1.609 29,8 2.227 41,2 2.378 44 2.140 39,6 Satisfatório 3.024 56 2.286 42,3 1.594 29,5 1.312 24,3 Avançado 379 7 94 1,7 59 1,1 67 1,2 Total 5.401 100 5.401 100 5.401 100 5.401 100 2010 6º ano 2011 7º ano 2012 8º ano 2013 9ºano Padrão de Desempenho 2010 2011 2012 2013

6º ano 7º ano 8º ano 9º ano

Abaixo do básico 389 100 261 67,1 305 78,4 338 86,9 Básico - - 120 30,8 79 20,3 46 11,8 Satisfatório - - 8 2,1 5 1,3 5 1,3 Avançado - - 0 0 0 0 0 0 Total 389 100 389 100 389 100 389 100 % % % % Padrão de Desempenho

edições seguintes, percebemos que, ao final do período analisado, na edição de 2013, na avaliação do 9º ano, 86,9% dos estudantes não conseguiram atingir melhores padrões de desempenho e permanecem no nível mais baixo de rendimento. Pode-se considerar que 1,3% dos discentes deste grupo tiveram uma melhora consistente, uma vez que avançaram para o padrão de desempenho Satisfatório. Entretanto, neste período de três anos, nenhum indivíduo desse grupo atingiu o nível mais elevado de rendimento, ou seja, padrão de desempenho Avançado.

A avaliação diagnosticou que esses alunos apresentavam, à época, carência de aprendizagem, não estando preparados para seguir adiante na aprendizagem de conteúdos mais complexos. A organização por ciclos permite a retenção ao final do ciclo para aqueles alunos que não alcançaram os objetivos pedagógicos propostos, no entanto, esses alunos não foram reprovados e, cruzando os dados de desempenho dos alunos com os de participação no programa de Reforço Escolar, consta-se que 19 deles participaram do programa no ano de 2010.

O Projeto de Intervenção Pedagógica iniciou-se em 2007 e teve seu término em 2014. Durante esse período, passou por reformulações, para cumprir seu objetivo, definido em suas orientações gerais como

uma ação do Programa de Monitoramento que se configura como um trabalho, realizado por professores, específico para essa função, direcionado aos alunos que apresentam defasagem na consolidação de capacidades e habilidades de língua portuguesa e matemática. Para que aconteça um efetivo funcionamento desse projeto, faz-se necessário o monitoramento dessa ação na escola. (BELO HORIZONTE, 2011).

O programa previa um professor especialista na disciplina de língua portuguesa e outro na disciplina de matemática, para reforço escolar, com prioridade para dos alunos em defasagem de aprendizagem do primeiro ciclo, cabendo à escola o monitoramento do seu trabalho (SOLEDADE, 2014). Em 2013, três alunos que passaram pelo programa de Reforço Escolar atingiram o nível de desempenho Básico e 16 mantiveram-se no nível de desempenho Abaixo do básico.

Esta pesquisa não tem a pretensão de tecer críticas ao programa de Reforço Escolar. Achou-se importante citar o atendimento aos alunos de baixo desempenho, por dois motivos: o primeiro, por se tratar dos alunos em condições elegíveis para participar do programa, uma vez que o critério de atendimento era “alunos em defasagem de aprendizagem”. E o segundo é que, ao acompanhar a trajetória dos

alunos, ou seja, sua aprendizagem é importante identificar fatores que possam ter contribuído para uma melhora no desempenho destes alunos.

Dando continuidade à análise dos dados, na tabela 5, observa-se a evolução dos 1.609 alunos que estavam no padrão de desempenho Básico, no 6º ano, em 2010.

Tabela 5: Evolução do grupo de alunos no padrão de desempenho Básico em 2010 e nos anos de 2011, 2012 e 2103

Fonte: Elaboração própria, com base nos dados da SMED/GAPED.

No ano de 2010, 1.609 alunos estavam no padrão de desempenho Básico, quando cursavam o 6º ano. Verificando a movimentação pelos demais padrões de desempenho destes alunos nos anos seguintes, constata-se que, em 2013/9º ano, 59,5% “caíram” o nível de rendimento, pois alcançaram o padrão de desempenho Abaixo do básico, enquanto apenas 4,2% melhoraram de nível ao atingirem o padrão de desempenho Satisfatório. Nenhum aluno deste grupo chegou ao padrão de desempenho Avançado e 36,3% se mantiveram no padrão de desempenho Básico.

Alguns destes alunos participaram, em 2010, do Reforço Escolar. O padrão de desempenho Básico é considerado crítico, pois, neste padrão, o aluno consolidou o mínimo do que foi proposto para sua etapa de ensino, tendo apenas iniciado o processo de sistematização e domínio das habilidades consideradas básicas à sua etapa.

Sessenta e dois, dos 1.609 alunos do grupo avaliado, em 2010, na etapa do 6º ano, que atingiram o padrão de desempenho Básico, participaram do programa de Reforço Escolar. Em 2013, na etapa do 9º ano, 40 destes alunos retrocederam para o padrão de desempenho abaixo do básico e o restante, 22 alunos, se mantiveram no padrão de desempenho Básico.

Na tabela 6, será feita a análise dos 3014 alunos que estavam no padrão de desempenho Satisfatório, no 6º ano, em 2010.

2010 2011 2012 2013

6º ano 7º ano 8º ano 9º ano

Abaixo do básico - - 422 26,2 702 43,6 958 59,5 Básico 1.609 100 1.009 62,7 790 49,1 584 36,3 Satisfatório - - 178 11,1 117 7,3 67 4,2 Avançado - - 0 0 0 0 0 0 Total 1.609 100 1.609 100 1.609 100 1.609 100 Padrão de Desempenho % % % %

Tabela 6: Evolução do grupo de alunos no padrão de desempenho Satisfatório em 2010, 2011, 2012 e 2103

Fonte: Elaboração própria, com base nos dados da SMED/GAPED.

No padrão de desempenho Satisfatório, em 2010/6º ano, encontramos 3.024 alunos, o que corresponde a 56% da amostra estudada. Desses, somente 0,6% evoluíram o nível de rendimento e atingiram o padrão de desempenho Avançado; 32,2% destes alunos mantiveram-se no mesmo nível, o padrão de desempenho Satisfatório, enquanto que 67% “caíram” de nível de rendimento, alcançando padrões de desempenho inferiores. Chama a atenção o fato de que 18,8% dos alunos terminaram o Ensino Fundamental com um nível de rendimento mais baixo, o padrão de desempenho Abaixo do básico.

Este padrão de desempenho, Satisfatório, é considerado o aceitável para aqueles alunos com uma boa aprendizagem na etapa avaliada. O fato de que cerca de 56% dos alunos da amostra pesquisada pertencem a esse grupo é um bom indicador, mais da metade dos alunos, na etapa do 6º ano, encontravam-se, em 2010, em um bom nível de aprendizagem. No entanto, verificamos, ao cruzar os dados de desempenho desses alunos com os dados de alunos participantes do Programa de Reforço Escolar, que 41 deles participaram do programa em 2010, que, em 2013, apenas 4 mantiveram-se no padrão de desempenho Avançado e que os demais “caíram” no seu desempenho acadêmico, 15 ficaram Abaixo do básico e 22 no Básico.

Finalmente, na Tabela 7, pode-se acompanhar a evolução, nos anos de 2011, 2012 e 2013, pelos padrões de desempenho, os 379 alunos que se encontravam no nível de rendimento mais elevado, o padrão de desempenho Avançado, em 2010.

2010 2011 2012 2013

6º ano 7º ano 8º ano 9º ano

Abaixo do básico Básico - - 1.090 36 1.465 48 1.459 48 Satisfatório 3.024 100 1.791 59 1.184 39 979 32 Avançado - - 33 1,1 20 0,7 17 0,6 Total 3.024 100 3.024 100 3.024 100 3.024 100 110 3,6 355 12 569 19 Padrão de Desempenho % % % % - -

Tabela 7: Evolução do grupo de alunos no padrão de desempenho Avançado em 2010, nos anos de 2011, 2012 e 2103

Fonte: Elaboração própria, com base nos dados da SMED/GAPED.

Em 2010/6º ano, verifica-se que 379 alunos, que representam 7% da amostra, encontravam-se no padrão de desempenho Avançado e que, ao se observar a evolução desses alunos nos anos seguintes, apenas 13,2% se mantém neste padrão, em 2013/9º ano, o que significa que 86,8% desses educandos apresentaram um nível de rendimento mais baixo, alcançando padrões inferiores ao final do período investigado.

Um destes alunos participou do Programa de Reforço Escolar, em 2010, na etapa do 6º ano, e, em 2013, na etapa do 9º ano atingiu o padrão de desempenho Satisfatório, que ainda é adequado, mas verificou-se uma queda no rendimento acadêmico de um aluno que estava com desempenho excepcional no início do período analisado e que, ao fim, chegou ao recomendável.

O fato de que alunos com desempenho melhor que outros foram atendidos pelo Programa de Reforço Escolar, corrobora com a pesquisa de Soledade (2014), que apontou indícios de que as escolas selecionavam os alunos por critérios que divergiam das orientações oficiais do programa, para seleção dos alunos atendidos. Os motivos pelos quais isso pudesse (possa) ocorrer não são objeto desta investigação.

Em resumo, observando a evolução da amostra investigada, de 5.401 alunos, durante o período de 2010 a 2013, entre os padrões de desempenho Abaixo do básico, Básico, Satisfatório e Avançado, apresentados nas Tabelas de 3 a 6, percebe-se que 13,1% dos alunos que estavam no padrão de desempenho Abaixo do básico melhoraram seu nível de rendimento, atingindo os padrões de desempenho Básico (11,8%) e Satisfatório (1,3%). Os alunos que estavam, em 2010, no padrão Básico, apenas 4,2% melhoram de nível de rendimento e avançaram para o padrão Satisfatório, enquanto 59,5% retrocederam para o padrão Abaixo do Básico. Abaixo do Básico - - 1 0,3 8 2,1 17 4,5 Básico - - 8 2,1 44 11,6 51 13,5 Satisfatório - - 309 81,5 288 76,0 261 68,8 Avançado 379 100 61 16,1 39 10,3 50 13,2 Total 379 100 379 100 379 100 379 100 2010 6º ano 2011 7º ano 2012 8º ano 2013 9º ano Padrão de Desempenho % % % %

Entre os alunos que estavam no padrão Satisfatório, apenas 0,6% deles alcançaram o padrão Avançado, melhorando de nível de rendimento, enquanto 48,2% retrocederam um nível, alcançando o padrão de desempenho Básico e 18,8% alcançam o padrão de desempenho Abaixo do básico, “caindo” seu rendimento em dois níveis. Do grupo de alunos que iniciaram no padrão de desempenho Avançado, apenas 13,2% permaneceram nele ao final dos quatro anos. Os demais retrocederam de nível, alcançando padrões de desempenho inferiores. Este fato é o assunto que será explorado na próxima seção, na qual será considerado o grupo de alunos da amostra que, em 2010, estava no padrão de desempenho Avançado.

2.1 O padrão de desempenho Avançado: como os alunos do 6º ano