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Sokak Çocukları ve Suç

3.4. Çocuk Suçluluğunun Günümüzdeki Görünümü

3.4.3. Sokak Çocukları ve Suç

A reprodutibilidade do questionário foi avaliada com 15 dias de intervalo da data da primeira aplicação.

Destaca-se na Tabela 7, a análise de reprodutibilidade entre os momentos 1 e 2 do estudo piloto, em que o questionário mostrou-se fidedigno para todas as escalas analisadas: Aspectos Funcionais da Face (p=0,528), Aspectos Sociais (p=1,000), Aspectos Emocionais (p=0,351) GERAL (p=0,487) e Nota atribuída ao rosto (p=0,285).

Tabela 7 – Dados comparativos entre os momentos 1 e 2 da aplicação da EPAF

Reprodutibilidade

Variável momento 1 momento 2 p*

n 𝑋 (dp) mediana Min – Max n 𝑋 (dp) mediana Min – Max

Aspectos funcionais face 8 11,6 (7,5) 15,5 0 – 20 8 11,3 (7,7) 13,5 0 – 21 0,528

Aspectos sociais – Desempenho de Tarefas** 8 5,9 (3,7) 6,0 1 – 10 8 5,9 (3,7) 6,0 1 – 10 --

Aspectos sociais – Interações Sociais 8 6,4 (4,0) 8,0 1 – 11 8 6,4 (4,3) 8,5 0 – 11 1,000

Aspectos sociais – Geral 8 12,3 (7,1) 14,0 1 – 20 8 12,3 (7,3) 14,5 1 – 20 1,000

Aspectos Emocionais 8 13,5 (6,5) 15,0 4 – 20 8 13,4 (6,5) 15,0 4 – 20 0,351

Escala GERAL 8 37,4 (20,7) 45,0 6 – 57 8 36,9 (20,7) 44,5 5 – 56 0,487

Nota atribuída ao rosto 8 6,3 (2,7) 5,5 3 – 10 8 6,6 (2,5) 6,0 3 – 10 0,285

O coeficiente de correlação intra-classe 4 (Tabela 8) demonstrou a

reprodutibilidade do instrumento, sendo que neste caso, apresentou valores excelentes (ricc ≥ 0,75) para todas os grupos temáticos analisados, variando de ricc

=0,94 a ricc =0,99 (Pereira, 1995).

Tabela 8 – Correlação intraclasse (ricc), segundo os grupos temáticos da EPAF

Escore ricc P

Aspectos funcionais face 0,98 <0,001

Aspectos sociais – Desempenho de Tarefas* 1,000 --

Aspectos sociais – Interações Sociais 0,98 <0,001

Aspectos sociais – Geral 0,99 <0,001

Aspectos Emocionais 0,99 <0,001

Escala GERAL 0,99 <0,001

Nota atribuída ao rosto 0,94 <0,001

4.5. DISCUSSÃO

Os estudos, apresentados na Introdução que se propõem a investigar os aspectos de autopercepção, psicossociais ou de qualidade de vida na PFP, como objetivo geral ou como parte de um processo da pesquisa, evidenciaram, em sua maioria, dados pouco comparativos com o grau de severidade da função facial ou com tempo de acometimento da PFP (VanSwearingen, Brach, 1996; Toledo, 2007; Freitas, Goffi-Gomez, 2008; Sassi et al., 2011).

São escassos os instrumentos utilizados para avaliar os efeitos das intervenções e dos conteúdos subjetivos aos quadros de PFP (Ho et al., 2012), sendo que estes apresentavam limitações quanto a finalidade desta pesquisa. Por esta razão, foi desenvolvido um instrumento que medisse as implicações psicossociais envolvidas nos quadros de PFP. Este desenvolvimento foi pertinente, a medida que alcançou o rigor científico necessário para a constituição da Escala Psicossocial de Aparência Facial (EPAF).

Sabe-se que alcançar o registro da realidade em um instrumento como um questionário é um fator complexo (Alexandre et al., 2003; Appolinário, 2006; Martins, Teóphilo, 2007), pois ele precisa atender ao problema de pesquisa, apresentar um número de questões que não seja exaustivo ao respondente, ser de simples compreensão, atingir uma população expressiva e não ser tendencioso, ou seja, não pode refletir a opinião do pesquisador, mas sobretudo, estar embasado na fundamentação teórico acerca do assunto a que se pretende investigar (Gil, 1995; Appolinário, 2006; Martins, Teóphilo, 2007).

Desta maneira, a avaliação prévia de um instrumento de pesquisa tem sido reforçada e o uso de técnicas para tal o fortalece (Fenker, Diehl, Alves, 2011). Uma das técnicas é a avaliação feita por juízes que neste caso, foi primordial e decisiva no aprimoramento do instrumento final. As contribuições oferecidas por este grupo de especialistas evidenciaram uma certa semelhança nas opiniões, apesar das reuniões não ocorrerem em um mesmo momento (Quadro 2).

A avaliação do grupo de juízes contribuiu, principalmente, na melhoria da elaboração das questões e simplificou a redação final para facilitar a compreensão dos respondentes. Dessa forma, algumas questões foram objeto de análise mais atenta para sua melhoria antes da aplicação dos estudos pilotos (Quadro 4).

Destacou-se o comentário de um dos juízes ao término da avaliação do instrumento proposto: “O questionário está bem elaborado e trará contribuições importantes para a avaliação e compreensão dos aspectos psicossociais relacionados às sequelas da paralisia facial”.

O primeiro estudo piloto aumentou a familiaridade com o processo de coleta de dados e auxiliou nas modificações dos procedimentos (Fenker, Diehl, Alves, 2011). A mudança na aplicação do instrumento, de questionário para que os próprios sujeitos respondessem para entrevista fechada, se mostrou necessária a medida que fez com que os respondentes tivessem melhor compreensão das perguntas e os fizessem refletir a respeito da temática levantada.

A mudança de técnica justificou-se também a partir dos pressupostos de letramento funcional em saúde em que foram constatados baixos níveis de capacidade para obter, processar e entender informações básicas no âmbito da saúde por parte dos sujeitos e que maneiras de facilitar a mediação de instruções, ou neste caso, a aplicação de questionários, precisam ser facilitados por parte dos profissionais da saúde (Martins-Reis, Santos, 2009; Passamai et al., 2012).

Evidenciou também que, um tempo prévio maior para apresentação do trabalho aos sujeitos da pesquisa, fez com que a aceitação e participação aumentasse e propiciasse uma posterior discussão de conteúdos, muitas vezes, não explorados pelos pacientes, sendo estes dos grupos temáticos relativos aos aspectos sociais e emocionais.

É importante ressaltar que clínicos não precisam ter experiência para desempenhar um papel importante na detecção e avaliação de sintomas que alterem o funcionamento psíquico e/ou social. Assim, ignorar esses sintomas ou não escutá-los pode ter repercussões importantes na vida de um sujeito (Winnicott, 1991; Geddes, Butler, 2001).

Mesmo não fazendo parte do objetivo do Estudo 1, mas um dado importante a ser revelado foi que ao ser oferecida a possibilidade de escuta por parte da pesquisadora ao final do questionário, os sujeitos sentiam-se a vontade para contar trechos de sua história que se misturavam ao quadro de PFP. Aqueles que

propícios a relatar a suas angústias e pareciam aliviados ao encontrar um lugar ao qual pudessem representar o seu sofrimento.

Este dado pode expor que a EPAF serviu como disparador de reflexões, as vezes, não elaboradas e que começaram a se organizar a partir das estratégias adotadas pela pesquisadora para a aplicação do questionário. Em alguns casos, a representação da PFP serviram para mobilizar conflitos existentes anteriores ao quadro, que precisam de observação cuidadosa por parte do profissional da saúde envolvido em um caso clínico.

No entanto, conforme exposto nos resultados, a casuística do estudo piloto foi pequena (oito sujeitos), fazendo-se necessário um estudo mais consistente para a avaliação da sensibilidade da EPAF. Apesar disso, preliminarmente, o questionário conseguiu alcançar os aspectos psicossociais da população estudada e despertou conteúdos, ainda pouco explorados por estes sujeitos.

Além disso, os testes estatísticos de reprodutibilidade mostraram resultados fidedignos e coerentes a todas as escalas avaliadas, o que demonstra que seu processo de desenvolvimento foi eficaz.

Sintetizando, o questionário foi pertinente e relevante ao responder ao problema de pesquisa ao qual foi elaborado. Assim, a partir dos dados obtidos no estudo piloto, os procedimentos de estudos futuros podem ser delimitados.

4.6. CONCLUSÃO

O desenvolvimento da EPAF mostrou-se eficiente, a medida que alcançou o objetivo de atender a população com PFP, independente de sua etiologia, tempo de acometimento, grau de severidade ou fase.

A avaliação dos juízes foi primordial para a discussão dos aspectos pertinentes ao estudo, simplificação das perguntas e melhoria no desenvolvimento do questionário.

A aplicação do estudo piloto da EPAF evidenciou utilidade ao identificar e associar os aspectos funcionais com os psicossociais, a partir do ponto de vista dos sujeitos.

Sua aplicação se mostrou fácil e de baixo custo. O tempo para responder a entrevista fechada foi rápido, tendo uma média de 15 minutos, porém outros dados surgiram a medida que a pesquisadora oferecia espaço para escuta e os sujeitos se sentiam a vontade para contar suas histórias.

É importante reiterar que este estudo preliminar contou com a participação de poucos sujeitos, ao todo oito, sendo necessário um estudo com uma casuística maior para compreender com precisão, o alcance e as limitações do instrumento.

Portanto, sugere-se que o estudo com a EPAF prossiga, para que o seu processo de validação seja realizado e o instrumento seja utilizado efetivamente para a investigação dos aspectos psicossociais na PFP.

5. ESTUDO 2 - Avaliação da sensibilidade da Escala Psicossocial de