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Aile ve Çocuk Suçluluğunun Önlemesi

3.4. Çocuk Suçluluğunun Günümüzdeki Görünümü

3.4.5. Çocuk Suçluluğunun Önlenmesi

3.4.5.1. Aile ve Çocuk Suçluluğunun Önlemesi

A proposta aqui exposta foi que o fonoaudiólogo que atua nos casos de PFP comece a olhar para as dimensões que causam afeto nos pacientes e a utilizar da teoria psicanalítica como maneira a contribuir e complementar a prática clínica, de forma a diminuir o sofrimento psíquico e favorecer a adaptação social dos sujeitos com PFP.

Os estudos anteriores evidenciaram uma preocupação na investigação dos conteúdos psicossociais associados aos quadros de PFP (Twerski, Twerski, 1986; Robinson, Rumsey, Patridge, 1996; Robinson, 1997; Kanzaki, Ohshiro, Abe, 1998; VanSwearingen, Cohn, Bajaj-Luthra, 1999; Rankin, Borah, 2003; Silva, 2010; Fu, Bundy, Sadiq, 2011; Silva et al., 2011; Silva, Guedes, Cunha, 2013).

Sabe-se da tendência tradicional em priorizar os processos patológicos às consequências que estes podem desempenhar na vida de um sujeito e, erroneamente, acredita-se que, se exercida essa função o restante é readquirido pelo sujeito (Fu, Bundy e Sadiq, 2011). Porém, nem sempre isso ocorre e o processo evolutivo pode ficar comprometido.

Muitas vezes, o fonoaudiólogo exerce um papel vigilante de quem responsabiliza e cobra resultados do paciente, em que a eliminação dos sintomas possibilita o retorno ao estado normal. Porém, quando a condição patológica é irreversível, esse pode ser um ato que pode comprometer o caso clínico (Cunha, 2001; Silva, Guedes, Cunha, 2013).

A escuta, se adotada como técnica, é capaz de acolher o sofrimento do sujeito e fazer com que o que angustia e causa dor emerjam, sendo possível que venham novos significados para um conteúdo, muitas vezes desconhecido do próprio sujeito (Freud, 1894/1996; Dolto, 2002; Macedo, Falcão, 2005). Essa técnica, se empregada com interesse e disponibilidade por parte do profissional, oferece o suporte necessário ao sujeito (Winnicott, 1991).

Cunha (2001) referiu que em seus casos clínicos, a evolução do tratamento só foi possível quando houve a integração entre as técnicas fonoaudiológica específicas para cada caso e a consideração dos aspectos psíquicos envolvidos na

formação do sintoma, sendo indispensável que a função psíquica do sintoma manifesto se revelasse.

É preciso entender também a condição estigmatizante da PFP, principalmente quando as alterações na face tornam-se objeto de atenção dos outros. Os modos como enfrentam, desempenham as suas tarefas e interagem socialmente precisam de atenção, a medida que atividades antes rotineiras, podem ser interrompidas. Além disso, o comportamento desse sujeito pode mudar, fazendo com que fique mais retraído ou agressivo, o que favorece o isolamento social e pode comprometer a evolução do caso clínico (Goffman, 1988; Robinson, Rumsey, Patridge, 1996; Robinson, 1997; Briegel, 2007; Bogart, Matsumoto, 2010; Bogart, Tickle-Degnen, Joffe, 2012).

São nas relações sociais que o rosto exerce seu papel de comunicar sutilmente informações não verbais (Pope, Ward, 1997; Speltz, Richman, 1997), e mesmo que o comprometimento nestes movimentos esteja presente, exercer esta atividade é fundamental para que o sujeito sinta-se inserido em uma sociedade e perceba que, apesar das limitações funcionais na face, pode se comunicar por meio de ajustes (Bogart, Tickle-Degnen, Joffe, 2012) e isso pode ser fator contribuinte na evolução clínica.

5.5.2. Instruções para a aplicação da EPAF

As instruções para a aplicação da EPAF precisam ser entendidas como orientadoras para a execução deste trabalho. A princípio, as instruções mostram-se extensas em suas descrições e explicações, mas é necessária esta pormenorização para que a entrevista desempenhe o papel que se deseja alcançar.

Outros instrumentos existentes que proporcionam dados quantitativos poderiam ser utilizados, porém dos aqui mencionados, apenas três foram elaborados exclusivamente para os casos de PFP (Ho et al., 2012): o FDI (VanSwearingen e Brach, 1996), o FaCE (Kahn, 2001) e o DAS (Cross et al., 2000). Porém, as limitações nos processos de adaptação transcultural, especificidades na etiologia, grau de severidade e fase da PFP comprometeram seu o uso para o objetivo desta pesquisa.

sejam desempenhados de forma mais objetiva, ao priorizar, por exemplo, uma técnica de recuperação de determinada função facial, resultando em uma possível amenização do sofrimento do sujeito.

5.5.3. Avaliação da sensibilidade e consistência interna da EPAF

Apesar da casuística deste estudo apresentar um número baixo de sujeitos selecionados (n=38) e uma variedade de idade entre 19 a 78 anos, foi possível a realização da avaliação da sensibilidade e consistência interna do instrumento EPAF.

Os resultados do Alfa de Cronbach mostraram uma consistência interna forte entre os grupos temáticos e as questões, no entanto a análise fatorial confirmatória, alertou para questões cujo a relação de causa entre os grupos temáticos foi fraca, como exposto nas questões 5 e 6 do grupo temático Aspectos Funcionais da Face e 17 e 23 do grupo temático Aspectos Emocionais, sendo retiradas da EPAF.

Dentro do grupo temático Aspectos Funcionais da Face, justifica-se a carga fatorial baixa da questão 5 (Quando falo, sorrio, mastigo e/ou fecho os olhos acontecem movimentos no meu rosto que não consigo controlar), ao retomar a avaliação dos juízes no Estudo 1 que indicavam esta como uma questão de conflito na escala. Sabe-se que estes aspectos começam a aparecer somente na fase de sequelas, sendo necessário a investigação de sua relevância somente para este grupo.

A questão 6 (Sinto dores no me rosto), foi acrescida após a avaliação dos juízes. Dores na face foram expressas em poucos casos (15,8%), conforme exposto na tabela 10.

A questão 8 (Tenho dificuldades para beijar) apresentou carga fatorial limite (0,49). Por esta razão, foi coerente que esta fosse a última questão deste grupo temático, seguindo o critério de questões iniciais abrangentes para as finais particulares. É importante considerar o seu grau de intimidade, sendo necessário que a confiança com o aplicador seja maior para estabelecer um resultado de fidedignidade com esta questão.

O grupo temático Aspectos Sociais apresentou carga fatorial mais forte, sendo que somente a questão 17 (Tenho dificuldades em me relacionar com

relacionamento com alguém), apresenta particularidade diante das outras questões do grupo temático, sendo dificultadas problematizações a respeito dentro de um questionário.

Por último, o grupo temático Aspectos Emocionais apresentou em suas questões uma carga fatorial, em sua maioria, acima do recomendado (0,50), no entanto, quando estes sujeitos tinham que se remeter ao passado, conforme as questões 23 (Desconfio que a mudança de meu rosto está relacionada com um evento anterior de tristeza, angústia, estresse e/ou ansiedade) e 24 (Lembro-me que quando vi a mudança do meu rosto me senti assustado, desesperado e/ou angustiado), estas cargas ficaram abaixo do esperado, sendo que a questão 23 apresentou carga fatorial mais baixa (0,14).

A questão 24 foi mantida pelo fato de mostrar sua relevância em pesquisa realizada anteriormente (Silva, 2010; Silva et al., 2011), em que nas entrevistas abertas o susto foi mencionado por 75% dos sujeitos.

Porém a questão 23 foi retirada da EPAF, sendo que a sua baixa relevância neste estudo pode se relacionar ao fato de ser um assunto que depende de maior elaboração, não sendo uma questão transversal, conforme estabelece este estudo, mas sim algo que, possivelmente, pode aparecer na clínica de maneira longitudinal e que precisa da atenção por parte do profissional.

Mencionar que houveram questões com cargas fatoriais acima das esperadas, também é importante. As questões 1, 2, 4 e 7 dentro do grupo temático Aspectos Funcionais da Face, 9, 10, 11 e 13 para os Aspectos Sociais e 16, 19 e 21 nos Aspectos Emocionais, demonstraram que o estudo foi capaz de transformar categorias pesquisadas anteriormente (Silva, 2010; Silva et al., 2011) e revisão da literatura, em questões objetivas, sem reduzir ou desvincular seu propósito.

Em síntese, foi descrito aqui um estudo inicial a respeito da investigação dos aspectos psicossociais implicados na PFP, a partir da medição por meio da EPAF, instrumento desenvolvido para esta pesquisa e que depende de outros estudos e de uma casuística maior. Porém os resultados aqui expostos evidenciaram níveis importantes de aplicabilidade e sensibilidade.

5.6. CONCLUSÃO

A EPAF revelou-se um instrumento eficaz, sendo capaz de mensurar os aspectos funcionais da face, sociais e psíquicos em considerável parte das questões desenvolvidas.

Sua aplicação é simples, mas demanda estudos anteriores da teoria psicanalítica para a compreensão dos conceitos de sintoma e escuta, e da teoria do estigma para dimensionar as formas de lidar com alterações faciais diante da sociedade. Estas teorias trazem como contribuição uma análise e interpretação pormenorizada das respostas obtidas no questionário que podem colaborar na condução do caso dentro da clínica fonoaudiológica.

Além disso, as instruções para a aplicação da EPAF são necessárias para que as respostas sejam mais próximas da realidade do sujeito.

Ressalta-se a necessidade de futuros estudos para a validação efetiva do instrumento, o que possibilitaria seu uso na avaliação dos casos de PFP.