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bique no Almanak Laemmert de 1914. Fonte: VASCONCE- LOS, p.16, 1985.

No Brasil, o campo proissional era estabelecido pelas empresas construtoras que executavam tanto o projeto como a obra - fator que contribuiu para a rápida incorpo- ração desta técnica construtiva, como no caso da sociedade PILMAT em São Paulo que, em 1935, tornou-se uma concessionária através de um contrato com a empresa belga de estacas Franki28, trazendo para o Brasil a primeira irma no gênero e, entre

outras obras, executando as fundações do Edifício Matarazzo e do Viaduto do Chá.

28. BRANCO, Ilda Helena Diniz Castello, Pilon, In: Warchavchik, Pilon, Rino Levi – 3 mo- mentos da arquitetura paulista, São Paulo, FUNART/Museu Lasar Segall, 1983, Pg.58. 1.99

Viaduto do Chá. Fonte: CALLEGARI, 2014, p. 90.

“Além dos aspectos vinculados ao processo de urbanização, falar de edifícios altos no Brasil é falar também da introdução e rápida difusão do uso do concreto armado na realização de estruturas arquitetônicas. Como lembra Mario Salvadori, afora as razões de ordem econômica e social presentes no interesse pela otimização do aproveitamento do solo urbano, o surgimento dos arranha-céus envolveu a resolução de alguns pro- blemas técnicos – em especial aqueles referentes ao cálculo estrutural, à execução das fundações, à importantíssima invenção do elevador e, por im, ao desenvolvimento de materiais de construção de alta resistência e baixo preço no caso dos Estados Unidos e o concreto armado no caso do Brasil.” (FICHER, 1980, p. 107).

O enfrentamento dos novos problemas técnicos quanto às fundações e ao estudo

da mecânica dos solos29 começam a se desenvolver com a criação do IPT (Instituto

de Pesquisas Tecnológicas) em 1939 e a utilização de sondagens a percussão em 1940. 29. “A mecânica dos solos, segundo Milton Vargas, exige uma classiicação perfeita dos

solos, que só foi consolidada depois da Segunda Guerra Mundial, criando um desaio para aqueles que decidiam construir verticalmente. Nessa época, o subsolo da cidade de São Paulo – formado por leitos de areia que repousam sobre a rocha – recebem diferentes tipos de fundações: sapatas isoladas, radiers, tubulões a céu aberto, estacas de madeira e pré-moldadas de concreto.” (DEVECCHI, 2014, p. 130).

1.100

Ed. Matarazzo. Fonte: 1940_fotógrafo: WERNER HABERKON. Fonte: Acervo Museu Paulista_cod.00150- -MP-00. 1.101 Ed. Matarazzo (1937) - em construção, fotógrafo: Claude Lévi-Strauss. Fonte: FRANCESCHI, 2004, p. 179.

A Associação Brasileira de Normas Técnicas é fundada em 1940 e lança a

Norma Técnica de Cálculo e Execução de Obras de Concreto Armado30.

“Até o começo dos anos 1940, são frequentes os recalques e suas soluções pouco plausí- veis. Um evento de destaque é a realocação a prumo do edifício da Companhia Paulista de Seguros, localizado na rua Líbero Badaró, por meio do congelamento das argilas e posteriormente escavação por sob as estacas existentes, para a construção de pilastras.” (DEVECCHI, 2014, p. 130).

30. “Em 1940, é fundada a Associação Brasileira de Normas Técnicas e lançada a Norma Técnica de Cálculo e Execução de Obras de Concreto Armado. Em artigo publicado na Revista Engenharia, o engenheiro Gravina airma que os métodos de cálculo de concreto não passam de processos empíricos (Gravina, 1943, PP.422-426). Na época da introdução do aço de alta resistência, veriica-se que o conglomerado concreto acompanha o comportamento da armadura. É formulada a Teoria Geral das Coações, tornado evidente a importância da vibração no preparo e na cura do concreto. Com a formulação dessa teoria, ica constatada a relação entre concreto de alta resistência e o aço de elevado limite elástico, sendo possível aumentar os vãos de vigas retas em até cinco vezes.” (DEVECCHI, 2014, p. 128).

1.102

Marcos Tecnológicos e legislação. Fonte: DE-

1.103

Fundações do Ed. Martinelli. Fonte: FRANCESCHI, 2004, p. 134.

Os primeiros edifícios de escritórios construídos em São Paulo no início do século, durante o início do processo de verticalização dos anos 1930, com novos desaios dos projetos estruturais,31 respondem ao mesmo tempo com grandes oportunidades de

investigação, com a solução de novos problemas de ordem técnica e com o desenvol- vimento de materiais com melhores desempenhos para a construção em concreto32,

assim como o aprofundamento do cálculo estrutural33 e das soluções de fundações.

As diiculdades enfrentadas quanto às soluções de fundações para os edifí- cios de grande altura, podem ser veriicadas, como no caso do Ed. CBI-Esplanada, conforme artigo abaixo:

“A partir de 1940 foram feitos 13 empreendimentos de sondagem. A 1ª sonda foi colocada a 45m de profundidade, as seguintes de 7m á 15m a partir do nível mais baixo do terreno, isto é: ao nível da Rua Formosa que se encontra à cota de -11,84. Até a profundidade de 10m o terreno apresentava camadas irregulares e não paralelas compostas de argila, cascalho e areia numa consistência muito densa.

31. “Em 1927, é publicado o estudo do engenheiro Ary Torres, Dosagem dos Concretos (1927), orientando engenheiros para a obtenção de uma mistura perfeita entre água e cimento no preparo do concreto. A partir da fundação do Laboratório de Ensaios de Materiais, em 1926, começa também um trabalho de cooperação com a recém-criada Companhia Brasileira de Cimento Portland (1924), com vistas à melhoria da qualidade do cimento nacional (Nagami, 1999).” (DEVECCHI, 2014, p. 127).

32. “O uso do aço CA-24, frequentemente utilizado no período analisado, impossibilita a construção com vãos que ultrapassem 4 metros, não permitindo grandes deformações. Na década de 1950, havendo já cimento e aço em abundância, o conhecimento sobre as propriedades conjugadas do ferro e cimento evolui, e estudos especíicos permitem o aumento do vão atingindo até 6 metros. Na década de 1960, com a introdução do aço CA-50, torna-se possível um aumento considerável do vão.” (DEVECCHI, 2014, p. 123). 33. “Em artigo publicado na Revista Engenharia, o engenheiro Gravina airma que os

métodos de cálculo de concreto não passam de processos empíricos. Na época da introdução do aço de alta resistência, veriica-se que o conglomerado concreto acom- panha o comportamento da armadura. É formulada a Teoria Geral das Coações, tornado evidente a importância da vibração no preparo e na cura do concreto. Com a formulação dessa teoria, ica constatada a relação entre concreto de alta resistência e o aço de elevado limite elástico, sendo possível aumentar os vãos de vigas retas em até cinco vezes.” (DEVECCHI, 2014, p. 128).

Mais ou menos a 10 m abaixo do nível zero do terreno, isto é na cota -11,84 se encontra uma camada de 20m de espessura de areia misturada com argila. A 7 m de profundidade aparece a água. Foi então, sobre esta camada que se decidiu fazer os alicerces do edifício. Por extrema segurança procederam-se tentativas de carga a -7,84 de profundidade. Depois foi se aumentando a carga de 1,56Kg/cm² a cada duas horas. A primeira prova deu 1,3mm de penetração. Com 7,80Kg/cm² de carga atingiu 9,29mm. No nono dia de tentativas, com 24,5Kg/cm² de carga atingiu-se o limite da ruptura do terreno. Adotou- -se inalmente 6Kg/cm² sobre a periferia do terreno e 4,5Kg/cm² nas partes centrais. As fundações foram projetadas em blocos de concreto, recebendo pontos de apoio no eixo longitudinal do terreno.

Os trabalhos de terraplanagem e de concreto armado foram feitos sob a responsabilidade da Sociedade Comercial e Construtora S.A.

Antes de começar as escavações precisava ser resolvido o problema muito delicado de desmoronamento do solo vizinho do Hotel Esplanada. Agora o perigo era maior do que nas primeiras escavações. Constatou-se que as tubulações não estando estanques, a água se iniltrava no terreno do C.B.I. provocando um desmoronamento do solo sob as fundações do Hotel Esplanada.

Para se ter tranquilidade chamaram especialistas americanos. Finalmente considerou- -se a sugestão do Dr.Walter Neumann como a mais aceitável. Ele propôs a instalação ao lado do Hotel Esplanada de uma parede feita por estacas-pranchas de aço (sheet- -piles) de 10 m. de comprimento de modo que a pressão pudesse ser redirecionada sobre as fundações do C.B.I. Sendo que a prancha ao lado do Hotel Esplanada deveria ser colocada por último. Ora, era impossível encontrar nessa época material de aço desta altura. Os atrasos das liberações dos Estados Unidos e da Europa estando pouco seguros e com muita demora, punham em risco a realização da construção a tempo.

Como todas as outras propostas consideradas pareceram extremamente difíceis, o arquiteto se resignou e modiicou a planta da construção. Elevando a parte de trás das fundações em dois andares, sacriicando parcialmente dois dos subsolos previstos. Esta parte do edifício contígua ao hotel foi fundada por estacas Franki.

São considerações que explicam as diferentes formas de fundação quando se devia esperar um sistema uniforme para tal edifício.

Durante os trabalhos da construção um controle muito rigoroso do recalque do prédio foi assegurado.

Dois dispositivos entram em jogo dos quais, um serve para observar as reações do terreno e o outro para medir o recalque do prédio propriamente dito. O primeiro dispositivo

consistia em eniar uma sonda numa profundidade de 45m e de 3 tubos com diâmetros variados cheios de graxa que atravessavam as camadas de terrenos diferentes. Com a ajuda da sonda observa-se com precisão a compressão do terreno.

O segundo dispositivo era uma sonda que ixada a um aparelho especial, não tinha nenhum contato com o edifício. Ela era introduzida por um tubo de concreto. O recalque do prédio pode ser detectado no nível do aparelho. Estes dispositivos foram montados nas duas extremidades da construção. Pudemos constatar até agora uma penetração de 6mm do lado da Rua Formosa e de 4,5mm do lado do Hotel Esplanada que é abaixo das previsões.” (L´ARCHITECTURE D´AUJOURD´HUI (21): 73-82, DEZ, 1948.) 1.104

Ed. CBI-Esplanada (1946) / Korngold - planta das fundações. Fonte: L’Architecture D’Aujord´hui, dez., 1948. 1.105 Ed. CBI-Esplanada (1946) / Korngold - de-

talhes das fundações. Fonte: L’Architecture D’Aujord´hui, dez., 1948.