• Sonuç bulunamadı

1.4. Araştırmanın Yöntemi

2.1.3. Sermaye Yapısında Yeni Yaklaşımlar

A Letícia acompanhante de luxo também é uma mulher empreendedora, que está sempre trabalhando em prol do seu foco: ganhar dinheiro. Não gosta muito de sair para festas, quando está em alguma cidade trabalhando não costuma ficar passeando, indo em bares. Seu objetivo é estar trabalhando e ganhando dinheiro.

O meu foco é trabalhar, eu não vim para passear, curtir, ficar em balada, nada disso, nunca vão me ver, eu não gosto... até porque eu trabalho na boite, no barulho, então isso já me estressa. Então quando eu saio eu vou no máximo no cinema, teatro eu gosto muito, ou vou na praça de alimentação do shopping, como e vou embora. Você nunca vai me ver em balada, meu foco é só trabalhar e dinheiro.

Não é como essas menininhas que entram e só querem dinheiro para ir para a balada, e não sabe o que quer da vida. E ai passa, tá velha, e já era.

Tem ciência de que não conseguirá ficar no ramo da prostituição de luxo por muito mais tempo e, pensando nisso, está juntando dinheiro para abrir uma loja de roupa e acessórios. Seu plano é viver dos rendimentos desse empreendimento quando não estiver mais trabalhando como acompanhante. Inicialmente, pensa em se aposentar e abrir a loja quando acabar a Copa do Mundo.

Eu quero montar minha loja, viver da minha loja, e mesmo que não seja uma loja grande, eu não penso em ficar rica. Talvez também um salão de beleza, não sei, mas acho que vai ser mesmo uma loja.

Finaliza a entrevista “mandando um recado para sociedade”. Ela não

compreende como as pessoas hostilizam as garotas de programa se são os homens que as procuram, e não o contrário. Nesse caso, para ela, se alguém deveria sofrer preconceito, esse alguém seriam os homens, já que parte deles a iniciativa de procurar as meninas. Ela não vai atrás de homem nenhum, eles é que ligam para ela e procuram- na na boate – ela está apenas no seu local de trabalho.

Então, eu queria que as pessoas entendessem que eu não bato “oi seu Zé tudo bem? Oi dona Maria! Seu zé tá ai? É que eu quero fazer um programa com o seu marido”. Eu não bato na casa de ninguém, é o seu Zé que ver lá no site Letícia Brasil e liga, é o seu Zé que vai na boite e chama para fazer programa. Não sou eu que vou na porta de ninguém chamando, eu estou no meu local de trabalho. Quem é que tá errado? Se a sociedade tem que ter preconceito tem que ter com quem contrata nossos trabalhos, e não com a gente. Eu tô lá quieta no meu canto, são os homens que vem até nós, e isso a sociedade não vê. Isso está tão claro, tão nítido, e a sociedade não vê. Tem que ter raiva é dos homens então se tem que ter raiva de alguém. Se eu fosse bater na porta de alguém podia falar “há, essa mulher que fica passando, chamando meu marido”. Eu não estou fazendo nada disso. Eu não estou procurando ninguém, eles é que vem até nós. Elas não tem que ficar com raiva da gente por causa disso. E isso ninguém para pra ver, ou para e ver e não quer acreditar que o marido faça isso né. A coisa mais comum de acontecer é o marido na hora do almoço, diz que vai para uma reunião, vai almoçar, e vem para dar umazinha com a garota de programa. Ai liga “ei Letícia Brasil, quanto é? Vamos na hora do almoço?”. Então as esposas tem que parar de ficar com esse preconceito ridículo, olhando para a gente de cara feia, e tem que saber que é o marido dela, que para ela tá errado, e que eu não acho que é errado, porque contratar garota de programa não tá traindo, na minha opinião, para mim ele tá só se distraindo, e indo melhor para casa, para a esposa. Eu penso assim. Antes eu achava que era errado, que era traição, mas hoje eu acho que não é. E os homens chegam reclamando muito das esposas...então a gente é uma válvula de escape, eles distraem, brincam, conversam...falam da mulher dos filhos...e as mulheres ficam com raiva. Tem que ficar com raiva se arrumar amante, ai eu não acho certo não. Mas fora isso a gente não tem culpa de nada, e se agente existe é por causa deles.

Complementa fazendo uma distinção entre garota de programa e acompanhante de luxo. Ela, que não acha que é garota de programa, mas sim acompanhante, acredita

que o termo “garota de programa” ou “prostituta” se enquadra melhor para se

referenciar às meninas que trabalham fazendo ponto na rua, que são de uma classe social mais desfavorecida, que cobram barato pelo programa (30 ou 50 reais). Já que pertence a uma elevada classe social, que frequenta boas casas de prostituição, que cobra caro pelos programas (na média 500 reais), que apenas sai com homens de alto poder aquisitivo e que cuida da beleza, dos cabelos e do corpo, ela acredita que seria mais apropriado designá-la com o nome acompanhante de luxo.

Eu não gosto dessa palavra garota de programa, eu prefiro acompanhante. Prostituta, eu odeio essa palavra. Eu definiria assim, prostituta é aquelas que ficam na rua, eu não estou menosprezando elas, mas as que ficam na rua, que cobram tipo 30, 50 reais, ai acho que esse nome combina mais com elas, esse nome combina até com ela, eu acho...prostituta. Comigo eu não acho não, sou acompanhante, mas enfim.

Percebemos, na narrativa de Letícia, sua tentativa em se livrar dos estereótipos. Ela tenta se mostrar para além do que socialmente pressupõem sobre sua personagem – uma tentativa de eliminação da identidade pressuposta – e esse movimento marca a alterização da sua identidade. Como Ciampa (1987) assinala:

(...) isso consiste na alterização da minha identidade, na eliminação de minha identidade pressuposta (...) e no desenvolvimento de uma identidade posta como metamorfose constante, em que toda humanidade contida em mim se concretiza. Isso permite me representar (...) sempre como diferente de mim mesmo (deixar de presentificar uma apresentação de mim que foi cristalizada em momentos anteriores, deixar de repor uma identidade pressuposta. (p.181).

Por fim, podemos perceber na fala de Letícia não apenas uma distinção entre o que ela considera ser garota de programa e ser acompanhante, mas também um certo preconceito e menosprezo por essas mulheres que estão em uma classe social mais desfavorecida que a sua. Trata-se de uma rejeição, ainda, aos termos utilizados para se referenciar a ela. Pois ela não quer ser chamada de prostituta, de garota de programa; ela diz não acreditar que isto denote o que ela é, pois acredita estar em outro nível social. O que ela se preocupa é em quebrar a imagem cristalizada da acompanhante de luxo e identificar-se a essa (nova) imagem.

PARTE IV

4 ANÁLISE DAS ENTREVISTAS – (DES)MONTANDO O QUEBRA-CABEÇAS