Parece que o inglês que a gente aprende aqui não é o que eles falam lá...
(Aluno 3)
3.1 O campo
O contexto escolar é um ambiente dinâmico no qual as interações entre os sujeitos que o compõem vão além da obediência passiva a imposições externas. Algumas regras de fun- cionamento do campo são explicitadas em documentos, oficiais e não-oficiais, mas muitas são implícitas, e podem tanto justificar/explicar as ações dos sujeitos como ser objeto de negocia- ção entre eles. De qualquer modo, Erickson (1989) alerta para o fato de que os sujeitos pre- sentes em um contexto agem conjuntamente, dando vida às regras culturais de acordo com significados aprendidos e construídos na interação e em relação ao entorno do campo.
Um dos fatores que conduzem à pesquisa da sala de aula, não apenas de língua estran- geira, é o fato de muitos alunos, por diversas razões, não parecem estar aprendendo aquilo que o professor e a escola pretendem ensinar. Erickson (1989) afirma que, nesse contexto, tanto as pretensões sobre o que se está ensinando quanto aquelas relativas ao que se está aprendendo devem ser examinadas à luz dos sistemas de significado específicos do campo, evidenciados na medida da interação de docentes e alunos.
Por essa razão, consideramos relevante apresentar a contextualização do local em que a pesquisa foi realizada, já que, embora não sejam determinantes do comportamento dos sujei- tos observados, os aspectos relativos à localização da escola e à condição social do público escolar, as informações a esse respeito são um elemento a mais para a compreensão dos signi- ficados em jogo no contexto da pesquisa.
3.1.1 Contextualização da escola
A pesquisa foi realizada em uma escola estadual localizada na periferia da zona sul de São Paulo, que responde à Diretoria de Ensino da Região Sul-2 da Coordenadoria de Ensino da Região Metropolitana da Grande São Paulo. Essa escola funciona desde 198427, nas moda- lidades de ensino fundamental (ciclo II) e médio, incluindo EJA, em três períodos, com 15 classes em cada: matutino (níveis fundamental e médio), vespertino (apenas nível fundamen- tal) e noturno (nível médio e EJA) – das 7 às 23 horas. O atendimento ao público é realizado nos dias úteis, das 7h30 às 9h30, das 14 às 16 horas e das 19h30 às 21h30; aos sábados e do- mingos, não há expediente, mas as instalações externas (pátios e quadra) ficam abertas para o Programa Escola da Família.
O edifício escolar é composto de dois blocos mais uma parte externa. O Bloco I inclui todas as dependências do andar térreo e do primeiro andar. No térreo ficam a cantina, 3 salas de aula próprias e 1 sala de aula adaptada, 1 palco para apresentações, 1 pátio coberto, ba- nheiro masculino e banheiro feminino, e ainda salas de secretaria, coordenação, vice-direção, direção, professores, banheiro masculino e banheiro feminino, almoxarifado. No primeiro andar estão 5 salas de aula, sala de vídeo, laboratórios de Informática, Biologi- a/Química/Física, banheiro masculino e banheiro feminino. O Bloco II é composto de banhei- ro masculino e banheiro feminino, pátio coberto para refeitório, cozinha, dispensa, biblioteca, 6 salas de aula, pátio central com horta. A parte externa é constituída de casa da zeladoria, quadra poliesportiva e estacionamento para veículos. As salas de aula da escola são em núme- ro de 15: dessas, 14 foram projetadas para esse fim e uma adaptada a partir de um banheiro28.
27 O ato de criação da escola foi promulgado em 24 de abril de 1984 e comunicado no Diário Oficial do dia se-
guinte.
28 Essa transformação tem repercussões no cotidiano de ensino/aprendizagem: tanto professores como alunos
reclamam da inadequação dessa sala de aula porque é pequena e pouco ventilada. De um lado, os professores, a coordenação e a direção identificam um tipo de apatia na turma que ocupa essa sala; de outro, reconhecem o prejuízo da ocupação desse espaço para a interação nas aulas.
Segundo o Plano Gestão29 da escola, estão disponíveis para uso didático materiais co- mo retroprojetor, televisor com videocassete, 11 microcomputadores, diversos CD-ROMs, material de papelaria, livros, aparelho de som portátil, dois microfones, duas caixas de som. De acordo com esse documento, a escola se mantém com verbas recebidas de três fontes: APM (“contribuição voluntária de pais e mestres, aplicadas em pequenos reparos, para com- plementar materiais e uniformes de alunos, adquirir material pedagógico, de limpeza, de escri- tório, bem como manutenção do laboratório de Informática e máquina de xerox e pagamento de funcionários, quando necessários para o melhor atendimento escolar”), FDE (manutenção, pagamento de funcionários contratados, materiais de consumo) e MEC (material permanente, material de consumo, capacitação de funcionários).
Em termos de recursos humanos, esse estabelecimento escolar conta com um núcleo de direção composto por uma diretora (presente no colégio pela manhã) e duas vice-diretoras, uma responsável pelo período da tarde e outra pelo noturno. Duas coordenadoras respondem pelo núcleo técnico-pedagógico, uma no período da manhã e outra à tarde e à noite. O núcleo administrativo consiste em uma secretária e duas agentes de organização escolar. O corpo docente é composto por 42 professores (31 do quais são mulheres), 40% deles efetivos na rede estadual.
De acordo com o Plano Gestão, a Unidade Escolar (U.E.) é “uma comunidade integra- da”, composta de alunos, pais, professores, corpo administrativo, direção e comunidade local, “dentro de uma realidade específica, cujos objetivos se voltam para a educação, formação humana e social”, oferecendo aos alunos a possibilidade de “desenvolverem e aprimorarem suas potencialidades, tendo em vista o bem comum da própria sociedade”. O funcionamento da U.E. segue um planejamento anual, que se organiza, ao longo do ano letivo, “em função da própria realidade, estabelecendo um cronograma de atividades, em que as prioridades e desta- ques asseguram a dinâmica do conjunto escolar, voltados para os objetivos comuns, dentro de uma Ação Pedagógica Libertadora”30. Dentro dessa visão, a escola entende seu projeto de atuação como um desafio, em vista da complexidade dos elementos envolvidos (destinatários humanos, com diferenças de idade, condições ambientais, nível socioeconômico, origens cul- turais, confissões religiosas), para atingir mudanças significativas.
Nesse contexto, e considerando o mundo atual globalizado, o Plano Gestão dessa esco- la pretende que ali seja um lugar para “ajudar a formar o cidadão deste e para este mundo”, e
29 Esse documento pôde ser consultado dentro das dependências da escola, mas sua reprodução não foi autoriza-
da pela direção, razão por que não consta dos anexos deste trabalho.
30 Plano Gestão da escola, p. 9.
não apenas para a qualificação técnica, mas priorizando princípios éticos e a “reflexão crítica dos valores na ação humana”. Assim, pretende-se uma escola como “espaço político, partici- pativo, de transformação e conscientização de toda a comunidade escolar”31.
O documento escolar caracteriza a clientela da escola como oriunda predominante- mente de famílias em que os pais trabalham fora, como empregados na indústria, comércio e serviços (escritórios, bancos, funcionalismo público). A região, que foi ocupada a partir de 1950 por comunidades adventistas, é caracterizada como urbana, voltada predominantemente para residências e comércio de pequeno e médio porte. Há grande quantidade de estabeleci- mentos menores (padarias, farmácias, bares, botequins), mas “não há uma só livraria, e tam- bém não há grandes indústrias”32. À exceção de rede bancária, está ausente o grande comér- cio, que se concentra em uma região adjacente, com a presença de supermercados e de um shopping center.
O documento aponta que a maioria das ruas é asfaltada, há rede de água, esgoto e sa- neamento básico em funcionamento, além de serviços de correio, telefonia e eletricidade. O sistema de transporte local passou por melhoria considerável nos últimos dez anos, contando com um grande terminal de ônibus, uma linha de metrô e grande quantidade de lotações. A melhoria do serviço de transporte repercutiu favoravelmente na qualidade de vida da popula- ção local, que em sua maior parte se desloca diariamente para trabalhar em bairros das regiões centrais da cidade.
A estrutura de serviços inclui um hospital municipal de grande porte, posto de saúde, duas outras escolas estaduais, uma escola municipal de Educação Infantil e uma escola muni- cipal de Ensino Fundamental, além de rede de escolas particulares de ensino básico e superi- or. A clientela da rede particular é vista, no Plano Gestão da escola, como “certamente em função de ser proveniente de famílias mais estruturadas”, situação que “se reflete na capaci- dade de aprender e na maior facilidade em acompanhar o currículo escolar básico”.33
A violência é mencionada nesse documento escolar como marca registrada da região, onde “faltam empregos para os jovens e parte dos adultos” e “faltam atividades e áreas de lazer”: “um dos bairros conhecidos pela criminalidade, explorada de modo abusivo pela mí- dia”34.
31 Ibidem, p. 11.
32 Ibidem, p. 19. Acrescente-se que, durante o período em que foi realizada a pesquisa de campo, construiu-se um
shopping center na região, a partir do terreno em que se localizava um supermercado (que foi incorporado ao
empreendimento), junto a uma estação de metrô e um terminal urbano.
33 Ibidem, p. 18. 34 Ibidem, p. 19.
A clientela da escola, em sua maioria, reside no próprio bairro, exceto alguns alunos de EJA, que freqüentam esse estabelecimento devido à ausência dessa modalidade de ensino na região em que moram. Trata-se de um público heterogêneo: uma parte, que reside mais próximo da escola, conta com condições socioeconômicas razoáveis; outra parcela, carente, enfrenta condições precárias de moradia e sobrevivência. O Plano Gestão aponta como fatos recentes o crescimento das matrículas de alunos oriundos das escolas particulares da região e a participação crescente da comunidade no Programa Escola da Família. Aos domingos, o espaço da escola é utilizado pela comunidade católica para aulas de catequese.
A participação da comunidade no acompanhamento efetivo da vida escolar de seus filhos ainda não atingiu um ponto ideal, “mas a escola vem trabalhando com projetos de cons- cientização no sentido de intensificar essa participação”35. Nesse contexto, a escola afirma seu empenho em “programas de capacitação de professores oferecidos aos docentes e administra- dores e projetos educacionais internos e externos”36, apoiada pelo ingresso de alunos no ensi- no superior e alunos premiados em concursos de redação: dados que permitem “dizer que a qualidade vem melhorando gradativamente, ano após ano, fazendo jus a um dos principais, senão o principal objetivo da escola, que é proporcionar a qualidade do ensino”37.
3.1.2 Condições da produção dos dados
A pesquisa tinha o objetivo de acompanhar, pela observação participante, aulas de inglês em classes de terceiro ano do Ensino Médio, por ser a última etapa da escolarização básica. Inicialmente, a intenção era observar aulas no período matutino, por uma razão de preferência e conveniência pessoal. No entanto, logo na primeira visita “oficial” à escola38, eu soube, pela diretora, que a professora de Inglês da manhã estava de licença, por tempo inde- terminado, em razão de um problema de saúde, qualificado pela diretora como “muito grave”. Ela me explicou que oito das 20 aulas que haviam ficado vagas estavam sob a responsabilida- de de um professor substituto (“um professor de Letras”), e as 12 restantes ainda estavam em aberto.
35 Ibidem, p. 14. 36 Ibidem, p. 15. 37 Loc. cit.
38 Nos meses de novembro e dezembro de 2004, visitei algumas escolas da região para verificar a possibilidade
de realizar a pesquisa em alguma delas. Voltei à escola que constituiu o campo de pesquisa, para dar início ao meu trabalho, em 28 de fevereiro de 2005. Visita registrada no diário de campo (Anexo A).
Com receio de que essa situação pudesse comprometer o andamento da pesquisa39 e tendo a informação de que, à noite, uma única professora, efetiva, dava todas as aulas de In- glês do período, decidi por essa mudança estratégica, que foi aceita pela coordenação e pela professora A.
No decorrer do primeiro semestre de 2005, foram realizadas 35 visitas à escola40. Des- sas, 19 foram dedicadas à observação e registro de aulas; em três houve prova; duas visitas foram realizadas para entrevistar uma professora; em uma situação foi observada uma reunião de pais; uma reunião de HTPC; quatro vezes não houve aula porque o(a) professor(a) faltou; uma vez não houve aula porque havia sido o dia de distribuir os livros do PNLD para o Ensi- no Fundamental; uma visita foi dedicada à observação na sala dos professores e leitura do Plano Gestão; em uma visita foi aplicado questionário41 aos alunos para esta pesquisa; em uma ocasião houve conselho de classe; em uma visita, ainda, foi observado um sarau de músi- ca e poesia realizado pelos alunos das classes que fizeram parte da pesquisa.
Nesse período, houve duas trocas de professores. Menos de dois meses depois do iní- cio do ano letivo, a professora A entrou de licença e as aulas de Inglês passaram a ser minis- tradas pela professora B, que era eventual. Menos de um mês depois, as aulas que eram da professora A foram para atribuição pela Diretoria de Ensino: oito delas foram passadas para o professor C e as outras 12 para outra professora42. Ironicamente, eu havia parado na mesma situação que tentara evitar no início da pesquisa de campo.
3.2 Os sujeitos: perfil dos participantes
3.2.2 Professores
Os três professores de Inglês que deram aulas nas duas classes observadas participa- ram diretamente da pesquisa. De maneira indireta, vários professores da escola tiveram im- portância, na medida em que sua atuação fornecia mais pistas sobre o funcionamento daquele contexto escolar. Dois deles, um de Matemática e outro de Português, foram entrevistados43,
39No primeiro momento, pareceu que o fato de já começar o ano com um professor substituto para algumas tur-
mas e a incerteza sobre as aulas de Inglês das demais classes poderia comprometer o andamento da pesquisa: os alunos se comportariam “normalmente” com um professor substituto? eu não estaria estudando uma situação de exceção? No entanto, no decorrer do trabalho de campo, ficou evidente a impossibilidade de “controlar” os acon- tecimentos do campo.
40 Relação das visitas no Anexo E. 41 Reproduzido no Anexo F.
42 Essa outra professora não foi contemplada pela pesquisa porque as duas classes que estavam sendo acompa-
nhadas ficaram dentro da disponibilidade de horário proposta pelo professor C.
43 Os depoimentos desses professores constam do Anexo B.
o que se justificou pelo fato de que muitos alunos mencionavam seu modo de proceder como desejável para ser adotado pelos professores de Inglês.
3.2.2.1 Professora A
No momento em que foram produzidos os dados da pesquisa, a professora A era efeti- va na escola há cinco anos, como professora de Inglês, de modo que os alunos do terceiro ano que cursaram todo o Ensino Médio nesse estabelecimento, no período noturno, estudavam com a professora A pelo menos há dois anos. Com cerca de 40 anos, trabalha em uma empre- sa e à noite dá aulas de Inglês nessa escola. Estudou Letras em uma faculdade particular e é professora há dez anos; antes de assumir as aulas nessa escola, foi professora em outra escola estadual da região. Segundo a direção da escola, o planejamento das aulas de Inglês de 2005 ficou a cargo da professora A, e consta do Plano Gestão44.
A professora considera que o mais importante para os alunos nessa etapa da escolari- zação é o conhecimento da gramática, e justifica esse posicionamento afirmando que somente assim os alunos de escola pública têm condições de concorrer em pé de igualdade, no vestibu- lar, com os candidatos provenientes do ensino privado. Ela entende que não ensinar gramática é deixar o aluno no mesmo nível em que ele já está, ou seja, “nivelar por baixo”, em suas pa- lavras. Assim, a professora alega que até poderia ensinar as funções da linguagem em inglês, desde que fosse a partir do conteúdo gramatical das aulas que ela já vem ministrando, porque nem todos os alunos iriam querer aprender isso e ela não poderia comprometer o conteúdo ensinado a todos por causa da preferência de alguns, e apesar do direcionamento da política educacional. Também justifica sua prática dizendo que aprendeu assim, através da gramáti- ca45.
Quando pergunto se o sistema de avaliação, impedindo a reprovação no meio do ciclo, representa um problema, a professora A responde: “Eu sei que eu estou errada. Eu dou muitos pontos pra eles. Cada exercício vale um ponto. Mas eu dou a opção para o aluno se responsa- bilizar por não fazer e ter um ponto negativo”. Ela diz que sabe que eles fazem os exercícios só por causa do ponto positivo, mas que, por outro lado, dar pontos para os exercícios é um meio de garantir (ou ter maior probabilidade disso) que os alunos façam os exercícios, e de
44 Na página 49 desse documento, está enumerado o conteúdo a ser ministrado na terceira série do Ensino Mé-
dio: to remember/to remind; locuções verbais formadas com to get, to give, to go; too, soon, either, neither, had
setter, woned sather; Future Continuous Tense; Future Perfect Tense; between e among; say, tell, speak, more, less, fewer. No entanto, esse conteúdo não corresponde em nada ao que foi ministrado, no período da pesquisa,
conforme atestam os registros de campo e os cadernos de alunos.
45 Depoimento da professora A. Registro de 16 de março de 2005 (Anexo B).
tanto eles fazerem, só pelo ponto positivo, nem que seja “uma palavrinha”, eles vão ter apren- dido alguma coisa. E enfatiza que é muito rigorosa com as notas46.
Para as aulas, a professora A traz um livro didático da disciplina e escreve na lousa o conteúdo para os alunos copiarem: um texto, uma seqüência de frases ou exercícios. Normal- mente, esse processo ocupa o tempo de uma aula, ou pouco mais. Em seguida, explica o que deve ser feito nos exercícios, que os alunos levam mais uma aula resolvendo. Se há tempo, a professora dá um visto no caderno dos alunos, que valerá ponto na nota47.
Depois de se ausentar por duas semanas, em 26 de abril de 2005 a professora A entrou de licença, deixando para a professora B a indicação do conteúdo a ser trabalhado com os alunos. Foram tentados alguns contatos com a professora A, na tentativa de entrevistá-la, para obter mais informações sobre sua visão a respeito do processo de ensino/aprendizagem do qual ela faz parte, mas não foi possível realizar esse intento.
3.2.2.2 Professora B
Professora eventual na escola, a professora B tinha 24 anos na época em que foram colhidos os dados da pesquisa, e era recém-formada pela faculdade de Letras de sua cidade, no interior de São Paulo. Estava na capital havia dois anos, desde que terminou a faculdade e veio com três amigas para trabalhar como professora, justificando essa opção pelo fato de que lá, em sua cidade e região não há oportunidades de trabalho. Aqui, ela mora a uma quadra dessa escola e também dá aulas de Português em uma escola particular de Ensino Fundamen- tal, no mesmo bairro. Antes da faculdade, sempre estudou em escola pública, e entende que, por ser no interior, os professores eram mais rigorosos e os alunos mais comprometidos.
Inicialmente, essa professora não seria contemplada pela pesquisa, mas assumiu im- portância quando a professora A saiu de licença: no momento em que passou a ministrar as aulas, houve espaço para perceber as representações e crenças a respeito do professor substi- tuto, enriquecendo o material de pesquisa.
Ela avalia sua formação inicial, na faculdade, como “deficiente”, voltada apenas para a leitura de textos, sem nenhuma prática. Teve dois semestres de didática em seu curso, mas considera muito pouco para dar conta da tarefa que encontrou na sala de aula como professo- ra. Esclarece que nunca recebeu informações sobre critérios de seleção e preparação de mate- riais didáticos, e revela que prepara os materiais com base “no que tenho em casa, eu vou pe-
46 Ibidem.
47 Há uma seqüência de aulas com essa estrutura na amostra do diário de campo (Anexo A).
gando exercícios mais adequados àqueles alunos”48. Nas aulas observadas durante a pesquisa, a professora B segue a estrutura das aulas da professora: cópia do conteúdo na lousa, visto no caderno, respostas dos exercícios.
Além da troca de professores, a direção mudou durante o período da pesquisa: a dire- tora, que não era efetiva, precisou ceder a vaga a outra pessoa, que coincidentemente vinha da mesma cidade da professora B, embora elas aparentemente não se conhecessem. Nesse con-