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Sözlük Anlamı

Belgede KUR ÂN DA TAKVÂ KAVRAMI (sayfa 24-30)

GENEL OLARAK “TAKV” KAVRAMI

A- Sözlük Anlamı

Palácio do Progresso – Ponto Central

Apesar de ter apenas um ponto central e inicial das experiências, os outros pontos estão localizados no mapa e o participante os encontra como quiser, por meio da ordem que desejar. Os próprios obstáculos ou condições da rua no dia podem ser definidores de que rota você irá escolher. Para essa escolha, foi considerado o conceito de obra aberta, em que a caminhada se torna uma montagem do trabalho. O aplicativo é um site, espaço virtual, software. O edifício Palácio do Progresso é ponto central, físico e serviu de ateliê durante mais de um mês para que a artista programasse o trabalho.

5.5.1. Fones de ouvido

Antes da excursão, Cecília comprou alguns fones, já prevendo que os participantes não contassem com um. Este parece não ser um detalhe importante, mas é essencial para a dinâmica técnica do trabalho: os tipos de fones de ouvido. Perguntei sobre o porquê do uso de fones auriculares comuns e não os que tem isolamento acústico (os chamados fones circumaurais).

Cecília argumentou que os fones do tipo auriculares, além de terem o preço mais acessível (o meu custou quatro reais, comprei ali mesmo no centro), permitem que o participante ouça o som dos documentos justaposto aos sons da cidade ou daquele lugar específico. A interferência de ruídos externos é chave para esse trabalho, o que também foi pensado previamente pela artista, por isso os fones mais isolados acusticamente não são a melhor escolha para a experiência. A ideia não é criar um espaço alternativo, e sim misturar, fazer com que o participante, concomitantemente, perceba e escute o conteúdo das narrativas encontradas nos documentos sendo contrastadas com a atual situação do entorno do riacho.

Percebi também que os áudios não são muito longos, variam em torno de 30 segundos a um minuto no máximo. Acredito que isso pode ter relação tanto com as questões técnicas limitadoras de uso da internet, mas também indica que o participante não deve se cansar, já que divide a atenção entre a visualização das

bolhas sonoras no mapa, os áudios dos documentos e os ruídos e sensações da cidade material.

5.5.2. Instalação do Aplicativo e primeiros contatos

A Excursão essencialmente é individual, no entanto, existem algumas instruções que são parte da produção da experiência do trabalho. Faz parte da ação fazer com que o participante instale e conheça o aplicativo que vai utilizar no início da excursão. Entregar um smartphone que tenha o aplicativo instalado não é a proposta adotada. Para a artista, promover essa interação inicial é uma forma de agenciar novas propostas de utilização do aplicativo por outras pessoas, que podem conhecer outros trabalhos e também vislumbrar a realização de um projeto próprio.

Percebi que esse envolvimento inicial entre os usuários e a mediadora do percurso pode favorecer, inclusive, a formação de duplas e trios de participantes que devem prosseguir com a experiência. A ida em grupos permite, por exemplo, que dois usuários possam discutir táticas para chegar em determinados pontos do mapa, decidir se adentram um estacionamento ou um prédio, ou não. A ação permite também que o público elabore estratégias para entrar num espaço privado ou mesmo, durante o percurso, possa interagir com moradores e trabalhadores da região. Estar junto em pequenos grupos, portanto, pode favorecer caminhadas mais ousadas, fortalecendo intercâmbios de experiências sobre a vivência no espaço urbano.

5.5.3. Excursão?

O trabalho traz um fator de ficção e também de fricção por conta de sua nomenclatura, pois o participante espera muito de tudo que não será. Uma excursão, principalmente as marcadas por atividades comerciais, são experiências essencialmente agradáveis, sem obstáculos, que não produzem embates ideológicos ou políticos, muito menos questionamentos mais profundos no que diz respeito às partes impresumíveis da cidade, como o apagamento de um riacho. São atividades, em regra, de caráter recreativo ou instrutivo, ligadas comumente à diversão ou à religião. Portanto, há também, a partir dos áudios, uma descrição de paisagens do Pajeú que, por opção estética da artista, contrastam totalmente com o que se espera de uma excursão para apreciar a vista de um riacho, vivo e belo.

O percurso é longo, cansativo, nem sempre de fácil acesso, cheio de obstáculos, entre caminhões e pessoas trabalhando, calçadas quebradas, estacionamentos, ruas onde há muita circulação de mercadoria ou mesmo lugares pouco habitados. O participante pode se perguntar: O que eu vim ver aqui? A excursão, segundo a artista, pretende ser caótica ou pelo menos ser um parâmetro de contraste para uma excursão tradicional, com lugares agradáveis, totalmente capturados pelo turismo de massa.

Essas observações nos permitem pensar em questões também relacionadas ao turismo, ao patrimônio material e imaterial. A partir da vivência desse trabalho, percebe-se que para Fortaleza, assim como para outras capitais, não importa muito um projeto de cidade, mas apenas a criação de condições para que se mantenham funcionando mercados de turismo de massa.

Cecília cria assim uma excursão baseada na criação de “roteiros insólitos”, termo utilizado por BARREIRA (2012) para se referir às práticas de andar na construção de narrativas urbanas como um modo de se contrapor ao ritmo e ao fluxo usual das atividades cotidianas, incorporadas por empreendimentos turísticos, tornando-os objeto de exploração.

Na articulação entre discursos e intervenções urbanas é possível concluir também que as narrativas não são meras construções imaginárias porque elas também “fazem a cidade”, sendo inseparáveis de processos políticos. Deduz, por conseguinte, que as narrativas fazem parte da construção histórica das cidades, sinalizando momentos ou conjunturas. Momentos permeados por conflitos (disputas pontuais pelo uso e definição do espaço), momentos de redefinição de políticas de habitação (a chamada requalificação e defesa do patrimônio) ou momentos de campanha eleitoral (promessas de uma cidade melhor), que incidem sobre a construção de uma comunidade imaginada. (BARREIRA, 2012, p. 201).

Enfim, caminhamos por um rio que praticamente não mais existe. Portanto, vivenciar essa modalidade de excursão é uma oportunidade para entender as dinâmicas da cidade a partir dos discursos que tentam apagar ou recuperar o Pajeú. Discursos estes que estão ligados a renovações urbanas associadas ao turismo de massa e à gentrificação31.

31 O fenômeno afeta uma região ou bairro pela modificação das dinâmicas econômicas, tal como a construção de

pontos comerciais ou construção de edifícios que não respeitam a arquitetura e a história do lugar. Há, então, uma supervalorização que afeta diretamente a população local, principalmente a de baixa renda. A

Belgede KUR ÂN DA TAKVÂ KAVRAMI (sayfa 24-30)